Afropunk 2015 e a moda que ofuscou o palco

Colagem: Fotos do Afropunk 2015 sobre pintura de Maya Hayuk

A edição de 2015 do Afropunk Fest, que aconteceu em Nova York no fim de semana entre os dias 21 e 24 de agosto, reuniu um line-up com mais de 50 nomes da música afro-americana, com destaque para Lenny Kravitz, Grace Jones e Lauryn Hill. Mas num evento que celebra a cultura negra sem julgamentos e sempre de braços abertos, não dá pra esperar menos do que muita atitude e street styles de se apaixonar… E neste ano, só se fala de uma galera que brilhou mais do que o pessoal lá no palco: O público.

Eu nunca conseguiria imaginar uma matéria com dicas de estilo para frequentar o Afropunk depois de ver como essas pessoas são autênticas e como se sentem ainda mais livres por participarem do Festival. O que resta à mídia é admirar estas personalidades que são postas para fora por meio da moda e mostrar para o mundo o quão bonita é a resistência de uma minoria excluída deste mundo pelas grandes indústrias.

Até eu estou com dificuldades para terminar este post, de tanto que admiro as belezas nas fotos que selecionei para inspirar e empoderar… Então sem mais delongas, vamos celebrar essa gente maravilhosa?

 

Este turbante em forma de flor gigante está irresistível

[caption id="attachment_6109" align="aligncenter" width="378"]Fonte:  The Huffington Post Fonte: The Huffington Post[/caption]

 

Já essa amarração africana está tão tradicional e moderna ao mesmo tempo ♡

[caption id="attachment_6110" align="aligncenter" width="378"]Fonte:  The Huffington Post Fonte: The Huffington Post[/caption]

 

Dupla de belezuras

[caption id="attachment_6111" align="aligncenter" width="378"]Fonte:  The Huffington Post Fonte: The Huffington Post[/caption]

 

Teve brasilidades em NYC também. Olha a querida Magá Moura colorindo o rolê!

[caption id="attachment_6113" align="aligncenter" width="600"]Fonte: AFROPUNK Facebook oficial / Refinery29 Fonte: AFROPUNK Facebook oficial / Refinery29[/caption]

 

Essas tranças e esses olhos… ♡

[caption id="attachment_6115" align="aligncenter" width="450"]Fonte:  magamoura.com Fonte: magamoura.com[/caption]

 

Dá pra ir pro Festival fresquinha e comfy sim!

[caption id="attachment_6117" align="aligncenter" width="450"]Afropunk 2015 Fonte: magamoura.com[/caption]

 

Bringing the neon colors back!

[caption id="attachment_6118" align="aligncenter" width="450"]Afropunk 2015 Fonte: magamoura.com[/caption]

 

Chapéu: on point. Óculos: on point. Brincos: on point. Gargantilha: on point. Rainha dos acessórios!

[caption id="attachment_6119" align="aligncenter" width="450"]Afropunk 2015 Fonte: magamoura.com[/caption]

 

Por uma nova temporada de “As Meninas Super Poderosas” inspirada nesse trio.

[caption id="attachment_6120" align="aligncenter" width="450"]Afropunk 2015 Fonte: magamoura.com[/caption]

 

Esse look de princesa está irresistível 

[caption id="attachment_6125" align="aligncenter" width="400"]Fonte: Refinery29 Fonte: Refinery29[/caption]

 

A frase “esse batom não combina com sua pele” não foi registrada por essa moça. QUE BOM <3 

[caption id="attachment_6121" align="aligncenter" width="400"]Fonte: Refinery29 Fonte: Refinery29[/caption]

 

Ela até tentou ser básica, mas looking like this é difícil, né? 

[caption id="attachment_6122" align="aligncenter" width="400"]Fonte: Refinery29 Fonte: Refinery29[/caption]

 

O festival foi só o esquenta, porque essa linda estava pronta para ir pra balada depois

[caption id="attachment_6123" align="aligncenter" width="400"]Fonte: Refinery29 Fonte: Refinery29[/caption]

Ombre hair superior

[caption id="attachment_6124" align="aligncenter" width="400"]Fonte: Refinery29 Fonte: Refinery29[/caption]
Mais de Karoline Gomes

Bota esse cabelo pra cima!

Todos os dias mulheres negras passam por situações humilhantes e constrangedoras que partem de atitudes que não são nada mais do que racistas e ignorantes, de pessoas que não nos aceitam do jeito que nos aceitamos. Mas no caso de Gabriela Monteiro, ela teve a coragem que poucas de nós temos – e eu sei que é difícil ter – ela denunciou.

Gabi não só denunciou os atos racistas que sofreu de professoras no curso de Design de Moda da Universidade da Puc – Rio de Janeiro, prestando queixas de racismo na 12ª DP em Copacabana, como também expôs o caso no seu Facebook – o que exige muita coragem – e deixou claro para todo mundo que não importa o quanto falassem, ela vai continuar sempre botando seu cabelo para cima.

 

Gabi por si só, já é um modelo de empoderamento. No oitavo ano do curso, é a única negra da sala dela, o que demonstra a falta de oportunidade para jovens negros nas universidades do Brasil, mesmo com programas sociais que tentam facilitar o aumento de participação. Ao denunciar o racismo que sofreu na instituição, ela também fez um ato empoderador e emocionante.

Em seu Facebook ela escreveu:
 

“O nó e a angustia que me referi no início do texto é por conta da decisão de tomar uma atitude, não apenas ficar reclamando pro vento, mas buscar meus direitos juridicamente! Primeiro refleti sobre as possíveis retalhações que posso sofrer na própria universidade, já que não existem outras opões de professores para essa matéria, depois veio a dificuldade de encontrar um advogado que estivesse disposto a me orientar, e por último o constrangimento de registrar o caso na delegacia, que definitivamente não está preparada para receber pessoas que sofrem preconceito, eu e minha mãe fomos tratadas de forma grosseira, com descaso por parte do policial que me recebeu.”

 
Foi possível ver minha história em cada linha dos textos de Gabi no Facebook, e tenho certeza de que muitas outras mulheres também se viram ali, mesmo que nossas histórias não sejam exatamente iguais. Foi possível se identificar quando ela fala da dificuldade de se reconhecer negra em função de tantas imposições e padrões vindos da sociedade e a nossa necessidade de se adequar a eles para sobreviver. É possível se identificar quando ela fala da importância do nosso cabelo nesse processo de reconhecimento.

E mais importante: Gabi é um exemplo público de que as premissas de que o crespo ou cacheado são tipos de “cabelo ruim”, e que de por algum motivo é feio diante dos olhos das pessoas, são racistas sim. E parte da ideia de que temos que nos esconder atrás de alisamentos que embranquecem nossa aparência para agradar as outras pessoas. Mostra o quanto isso incomoda quando não deveria, quando estamos sendo apenas nós mesmas em nosso estado natural. E como as pessoas se acham no direito de interferir em nossa aparência só por causa desse incomodo.

Durante meus quatro anos de faculdade, eu ainda usei chapinha, e imaginar que poderia ter passado pelo mesmo que Gabi passou se eu já tivesse meu cabelo assumido foi fácil, mais ainda foi perceber que eu e outras passamos por isso todos os dias em outras situações na vida: Na rua, no trabalho, ou mesmo em casa.

O que foi dito a Gabi foi relatado em seu post no Facebook, e não vale a pena repetir neste texto, pois as falas ofensivas já foram suficientemente repetidas em outras mídias e quem é negra e crespa ou cacheada acaba ouvindo estas repetições por demais também.

Além disso, a intenção aqui – além de pensar no futuro ao apoiar Gabi nessa luta que ainda não terminou, sabendo que ela ainda enfrentará a negação das pessoas que a atingiram e a ignorância de quem não entende a importância de uma denúncia como esta – é também mostrar a força dessa mulher e tê-la como exemplo.

Toda vez que você se sentir para baixo com comentários negativos, não se deixe abater, não obedeça as imposições de esconder o volume e as formas do seu cabelo. Quanto mais comentários racistas e opressores de pessoas que estiverem incomodadas com seu cabelo, mais significa que precisamos continuar mostrando o poder de nossas coroas. Sempre que isso te afetar, responda como a Gabi. Bote seu cabelo pra cima.

Bota seu cabelo pra cima para mostrar que ele é assim e que você o ama. Bota seu cabelo pra cima para ir a delegacia denunciar e saber exigir um bom tratamento. Bota o cabelo pra cima pra lutar contra o racismo.
 

BOTA ESSE CABELO PRA CIMA!

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num evento que celebra a cultura negra sem julgamentos e sempre de braços abertos, não dá pra esperar menos do que muita atitude e street styles de se apaixonar… E neste ano, só se fala de uma galera que brilhou mais do que o pessoal lá no palco: O público.

Eu nunca conseguiria imaginar uma matéria com dicas de estilo para frequentar o Afropunk depois de ver como essas pessoas são autênticas e como se sentem ainda mais livres por participarem do Festival. O que resta à mídia é admirar estas personalidades que são postas para fora por meio da moda e mostrar para o mundo o quão bonita é a resistência de uma minoria excluída deste mundo pelas grandes indústrias.

Até eu estou com dificuldades para terminar este post, de tanto que admiro as belezas nas fotos que selecionei para inspirar e empoderar… Então sem mais delongas, vamos celebrar essa gente maravilhosa?

 

Este turbante em forma de flor gigante está irresistível

 

Já essa amarração africana está tão tradicional e moderna ao mesmo tempo ♡

 

Dupla de belezuras

 

Teve brasilidades em NYC também. Olha a querida Magá Moura colorindo o rolê!

 

Essas tranças e esses olhos… ♡

 

Dá pra ir pro Festival fresquinha e comfy sim!

 

Bringing the neon colors back!

 

Chapéu: on point. Óculos: on point. Brincos: on point. Gargantilha: on point. Rainha dos acessórios!

 

Por uma nova temporada de “As Meninas Super Poderosas” inspirada nesse trio.

 

Esse look de princesa está irresistível 

 

A frase “esse batom não combina com sua pele” não foi registrada por essa moça. QUE BOM <3 

 

Ela até tentou ser básica, mas looking like this é difícil, né? 

 

O festival foi só o esquenta, porque essa linda estava pronta para ir pra balada depois

Ombre hair superior

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