Un’ruly: sobre a beleza de mulheres negras

A cineasta Antonia Opiah, criadora do site Un'ruly

Antonia Opiah é uma cineasta nigeriana-americana que produz vídeos incríveis sobre a relação da mulher negra com beleza e cabelo.

Por muito tempo, a Antonia trabalhou com marketing digital para empresas, mas um dia, ela resolveu se mudar para Paris e criar seu próprio site de lifestyle para mulheres negras, o Un’ruly. Lá, a Antonia escreve um pouco de tudo, sobre música, sobre cultura, sobre arte, sobre movimento negro, sobre Black Lives Matter.

O Un’ruly também tem uma seção super legal chamada working girl, onde Antonia entrevista com mulheres negras com as mais diversas profissões: cantoras, professoras, musicistas, designers, escritoras, estilistas, consultoras, atrizes. Foi através do Un’ruly que a Antonia desenvolveu os projetos “You Can Touch My Hair”, “Pretty” e “On the Street”.
 

 

You Can Touch My Hair

O trabalho da Antonia ficou conhecido em 2013, quando a cineasta lançou um curta-metragem chamado You Can Touch My Hair, onde mulheres negras discutem como seus cabelos estão sempre submetidos a um tipo de atenção que nem sempre é positiva.

 

 

 

Pretty

Em janeiro deste ano, a Antonia lançou uma websérie chamada Pretty. Em “Pretty” mulheres negras de cidades como Londres, Paris, Milão e Nova York falam sobre o que elas acham que significa ser bonita e sobre a relação da mulher negra com os ideais de beleza.

 
[caption id="attachment_5347" align="aligncenter" width="680"]pretty1 A blogueira Fréderique foi entrevistada em Londres, para o décimo-primeiro episódio da série Pretty.[/caption]  
[caption id="attachment_5355" align="aligncenter" width="900"]Citação da Fredamily, que foi entrevistada em Milão. Citação da Fredamily, que foi entrevistada em Milão.[/caption]  
Pretty já tem 16 episódios e a Antonia posta vídeos novos toda semana!

 
[caption id="attachment_5356" align="aligncenter" width="900"]A Sonia deu uma entrevista em Paris para o quarto episódio da série Pretty. A Sonia deu uma entrevista em Paris para o quarto episódio da série Pretty.[/caption]  
Na reportagem abaixo, ela fala um pouco mais do projeto, contando que recentemente esteve em Casablanca e em Tel Aviv para gravar episódios. Uma das pessoas que ela entrevistou em Tel Aviv é a Yityish Aynaw, a primeira Miss negra de Israel.

 

 
No primeiro episódio da série, gravado em Paris, as entrevistadas falam sobre o que é considerado bonito ou não na cidade onde elas vivem. Elas contam que pouco a pouco, com o aumento a imigração, a mulher negra passa a ser incluída na noção de beleza francesa, mas também contam que a representação ainda é insuficiente e que ainda rola muita exotificação da mulher negra.

 

 

 

On the Street

A Antonia também tem uma série chamada “On the Street”, onde ela mostra o estilo e cabelo de mulheres negras na rua.

 
[caption id="attachment_5357" align="aligncenter" width="620"]Entrevistaram a Zoe em Nova York, e ela contou sobre seu processo de transição capilar. Entrevistaram a Zoe em Nova York, e ela contou sobre seu processo de transição capilar.[/caption]  
São vídeos super curtinhos (de um minuto no máximo), em que as entrevistadas falam um pouco do seu visual e das suas escolhas capilares.

 
[caption id="attachment_5348" align="aligncenter" width="900"]onthestreet1 A fotógrafa Christina, que foi entrevistada para a série “On The Street”.[/caption]  
No vídeo abaixo, a Christina conta um pouquinho das suas box braids:

 

 
[separator type="thin"] Siga a Antonia Opiah e seu projeto Un’ruly: Youtube / Facebook 

Mais de Bárbara Paes

Pelo direito das garotas no Haiti

A violência contra a mulher é um problema global. E no Haiti, esse fenômeno tem proporções assustadoras. Em julho, o grupo humanitário Médicos Sem Fronteiras (MSF) apontou que a violência sexual contra mulheres e crianças deve ser tratada como uma questão de saúde pública no país.

Segundo um relatório publicado pelo MSF, quatro em cada cinco pessoas que buscaram auxílio médico e psicológico gratuito em uma de suas clínicas haviam sido estupradas. E cerca de metade das vítimas de violência sexual atendidas pelo MSF eram crianças.

É neste cenário que surge a força da haitiana Sophia Pierre-Antoine tem 25 anos e é coordenadora de projetos na YWCA do Haiti. Sophia é feminista e ela trabalha ensinando jovens meninas das áreas mais pobres do Haiti sobre seus direitos. Por causa do seu trabalho com a promoção da igualdade de gênero, Sophia recentemente participou de uma consulta regional da ONU Mulheres e da OEA (Organização dos Estados Americanos) sobre Juventude, Paz e Segurança.

A ONU Mulheres publicou um texto super bacana da Sophia em que ela explica como o acesso à informação é um elemento chave para o combate ao machismo. Traduzo:

“Eu sou feminista desde sempre. Nasci em 1991, o ano em que o golpe de Estado aconteceu. Desde então, nós tivemos mais agitações políticas. A instabilidade política do Haiti, junto com a pobreza e a falta de oportunidades, tem tornado nossas vidas ainda mais difíceis. E isso acabou gerando um aumento da violência contra a mulher. No último golpe de Estado de 2004, por exemplo, muitas mulheres que eu conhecia foram sequestradas e assassinadas.

As feministas haitianas falam bastante sobre questões controversas como o aborto, direitos das pessoas LGBTQI e, como resultado disso, nós somos alvo de violência com mais frequência. A sociedade haitiana é muito patriarcal e o mero ato de falar sobre os direitos das mulheres, ou de algo tão simples como a menstruação, é considerado um tabu.

Trabalho com meninas de 6 a 18 anos, elas são provenientes de grupos marginalizados e enfrentam situações difíceis. Nós fornecemos alimentação de segunda a sábado, e às vezes, essa são as únicas refeições que elas recebem.

Realizamos oficinas e conversamos sobre violência de gênero, direitos sexuais e reprodutivos, educação financeira e auto-estima. Muitas das meninas que vêm à nossa organização são sobreviventes [de violência] e precisam de apoio psicossocial. Há muitas coisas a serem desconstruídas: uma garota pode chegar e me dizer que foi estuprada pelo pai. Mas ela também viu sua mãe e sua irmã sendo abusadas, e ela passou a acreditar que esse tipo de violência é normal.

Eu acho que uma grande parte de ser feminista é garantir que as jovens saibam que têm direitos e que têm autonomia; que elas podem dizer não.”


Se você quer saber mais sobre como informação é uma ferramenta para a garantia dos direitos das mulheres, dá uma olhada nessa cartilha da ARTIGO 19. Ela traz referências de estudos e fontes de dados sobre a situação da mulher no Brasil e um guia detalhado sobre como utilizar a Lei de Acesso à Informação brasileira para conseguir informações junto a órgãos públicos. ;)
 

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Antonia Opiah é uma cineasta nigeriana-americana que produz vídeos incríveis sobre a relação da mulher negra com beleza e cabelo.

Por muito tempo, a Antonia trabalhou com marketing digital para empresas, mas um dia, ela resolveu se mudar para Paris e criar seu próprio site de lifestyle para mulheres negras, o Un’ruly. Lá, a Antonia escreve um pouco de tudo, sobre música, sobre cultura, sobre arte, sobre movimento negro, sobre Black Lives Matter.

O Un’ruly também tem uma seção super legal chamada working girl, onde Antonia entrevista com mulheres negras com as mais diversas profissões: cantoras, professoras, musicistas, designers, escritoras, estilistas, consultoras, atrizes. Foi através do Un’ruly que a Antonia desenvolveu os projetos “You Can Touch My Hair”, “Pretty” e “On the Street”.
 

 

You Can Touch My Hair

O trabalho da Antonia ficou conhecido em 2013, quando a cineasta lançou um curta-metragem chamado You Can Touch My Hair, onde mulheres negras discutem como seus cabelos estão sempre submetidos a um tipo de atenção que nem sempre é positiva.

 

 

 

Pretty

Em janeiro deste ano, a Antonia lançou uma websérie chamada Pretty. Em “Pretty” mulheres negras de cidades como Londres, Paris, Milão e Nova York falam sobre o que elas acham que significa ser bonita e sobre a relação da mulher negra com os ideais de beleza.

 

 

 
Pretty já tem 16 episódios e a Antonia posta vídeos novos toda semana!

 

 
Na reportagem abaixo, ela fala um pouco mais do projeto, contando que recentemente esteve em Casablanca e em Tel Aviv para gravar episódios. Uma das pessoas que ela entrevistou em Tel Aviv é a Yityish Aynaw, a primeira Miss negra de Israel.

 

 
No primeiro episódio da série, gravado em Paris, as entrevistadas falam sobre o que é considerado bonito ou não na cidade onde elas vivem. Elas contam que pouco a pouco, com o aumento a imigração, a mulher negra passa a ser incluída na noção de beleza francesa, mas também contam que a representação ainda é insuficiente e que ainda rola muita exotificação da mulher negra.

 

 

 

On the Street

A Antonia também tem uma série chamada “On the Street”, onde ela mostra o estilo e cabelo de mulheres negras na rua.

 

 
São vídeos super curtinhos (de um minuto no máximo), em que as entrevistadas falam um pouco do seu visual e das suas escolhas capilares.

 

 
No vídeo abaixo, a Christina conta um pouquinho das suas box braids:

 

 

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