Representatividade: I Love Lucy & Bekka

A maior parte da produção audiovisual que acompanhamos é bem problemática em termos de representatividade. A porcentagem de mulheres protagonistas é super pequena e a grande parte dos filmes e séries simplesmente desconsidera a existência de mulheres não-brancas.

Por isso, séries com mulheres protagonistas me deixam realmente feliz. Coisas como Gilmore Girls, The Mindy Project, New Girl, Broad City e How To Get Away With Murder me fazem dar pulinhos. Pensar na Tina Fey e na Amy Poehler enche meu coração de alegria. Nem preciso falar de como representatividade é um negócio que muda a vida, né?

Já falei aqui na Ovelha sobre Ackee & Saltfish, uma websérie incrível e engraçada, e que é escrita, produzida e estrelada por mulheres negras. Por isso resolvi falar de I Love Lucy & Bekka, mais uma websérie sensacional, criada por uma mulher negra, e também centrada na relação de duas melhores amigas.

 
lucybekka2
 
A Lucy e a Bekka são interpretadas, respectivamente, por Kristolyn Llyod e Gina Rodriguez (que muita gente deve conhecer da série Jane The Virgin). As duas moram juntas desde o início dos seus vinte anos e a série exibe o tipo de intimidade hilária que surge nesse cenário. Os episódios todos são curtinhos e mostram as conversas estranhas que rolam entre as duas protagonistas.

O roteiro é super bom: os diálogos parecem conversas que nós realmente teríamos com nossas melhores amigas. A discussão delas sobre o que fazer caso uma morra e volte dos mortos como fantasma/zumbi é realmente uma conversa que eu já tive mais de uma vez.

O primeiro episódio chama “Christina Aguilera”. Nele, a Bekka está considerando um emprego novo onde ela precisaria cantar, então resolve mostrar suas habilidades enquanto a Lucy faz xixi, hehe:

 
https://www.youtube.com/watch?v=z1jXg1NJI_0
 
A criadora da série é a Rachael Holder. Ela se formou na Tisch School of the Arts da NYU, adora “The Office” e menciona “Drinking Buddies” como um de seus filmes preferidos, então já era de se esperar que seu trabalho fosse super legal.

 
rachael
 
Nessa entrevista no Huffington Post, a Rachael fala um pouco sobre como ela curte escrever sobre amizades entre mulheres. Ela também fala do significado de fazer uma websérie estrelada por duas mulheres não brancas (a Kristolyn é negra e a Gina é descendente de Porto-Riquenhos) e como é importante para ela ser uma voz para pessoas negras.

Ainda não sabemos se vai rolar uma segunda temporada ou não, mas fica de olho no Twitter da série pra não perder nada.

Mais de Bárbara Paes

Os retratos de Larissa Isis

Larissa Isis tem 29 anos e começou a fotografar há um ano e 5 meses, quando se cansou da baixa representatividade negra na produção audiovisual brasileira.

Em uma viagem a Nova York, a Larissa notou como a presença de pessoas negras nas propagandas era proporcionalmente maior do que no Brasil, e a partir daí decidiu criar suas próprias referências. Desde então, ela tem feito retratos maravilhosos de pessoas negras brasileiras.

 

WE GON’ SLAY! Okay, okaaaaaaaay, ladies, now let’s get in #formation @welidaq SLAY! #beyonce #porlarissaisis

Uma foto publicada por L A R I S S A I S I S (@larisis) em

 

Para Larissa, ainda temos um longo caminho a percorrer quando o assunto é enegrecer a produção audiovisual do país: “Certamente a representatividade negra tem aumentado, mas ainda é pequena. Poucos são os diretores de novela, poucas são as grandes empresas, que precisam da publicidade pra vender seu produto, que têm a “ousadia” de colocar o negro como papel principal”.

 

BLUE! @pretalokka #porlarissaisis Uma foto publicada por L A R I S S A I S I S (@larisis) em

 

As redes sociais têm sido um espaço super importante em termos de representatividade da mulher negra. Pessoas como a Magá Moura, a Nátaly Neri e a Thainá Sagrado  têm ganhado visibilidade e se tornado referências para adolescentes negras que não encontram respaldo na mídia tradicional.

Eu vejo as mídias socias como um grito”, diz Larissa. “Um espaço, um lugar onde nos sentimos livres pra falar o que quiser e nunca nos deixaram falar, nunca nos escutaram. E isso é importante! Já que eles não estão fazendo, nós fazemos por nós! E estamos sendo lindas!!! Estamos sorrindo uma pra outra através da mídia social e é importante que a gente dê a mão afinal, estamos atrás do mesmo objetivo”.

 

J U S T K I D D I N G W E A R (Not kidding) @jkwear #porlarissaisis

Uma foto publicada por L A R I S S A I S I S (@larisis) em

 

Acompanhem o trabalho da Larissa pelo site dela e não deixem se segui-la no Instagram. Com certeza vai embelezar seu feed.

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Ackee & Saltfish, uma websérie incrível e engraçada, e que é escrita, produzida e estrelada por mulheres negras. Por isso resolvi falar de I Love Lucy & Bekka, mais uma websérie sensacional, criada por uma mulher negra, e também centrada na relação de duas melhores amigas.

 
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A Lucy e a Bekka são interpretadas, respectivamente, por Kristolyn Llyod e Gina Rodriguez (que muita gente deve conhecer da série Jane The Virgin). As duas moram juntas desde o início dos seus vinte anos e a série exibe o tipo de intimidade hilária que surge nesse cenário. Os episódios todos são curtinhos e mostram as conversas estranhas que rolam entre as duas protagonistas.

O roteiro é super bom: os diálogos parecem conversas que nós realmente teríamos com nossas melhores amigas. A discussão delas sobre o que fazer caso uma morra e volte dos mortos como fantasma/zumbi é realmente uma conversa que eu já tive mais de uma vez.

O primeiro episódio chama “Christina Aguilera”. Nele, a Bekka está considerando um emprego novo onde ela precisaria cantar, então resolve mostrar suas habilidades enquanto a Lucy faz xixi, hehe:

 

 
A criadora da série é a Rachael Holder. Ela se formou na Tisch School of the Arts da NYU, adora “The Office” e menciona “Drinking Buddies” como um de seus filmes preferidos, então já era de se esperar que seu trabalho fosse super legal.

 
rachael
 
Nessa entrevista no Huffington Post, a Rachael fala um pouco sobre como ela curte escrever sobre amizades entre mulheres. Ela também fala do significado de fazer uma websérie estrelada por duas mulheres não brancas (a Kristolyn é negra e a Gina é descendente de Porto-Riquenhos) e como é importante para ela ser uma voz para pessoas negras.

Ainda não sabemos se vai rolar uma segunda temporada ou não, mas fica de olho no Twitter da série pra não perder nada.

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