Islândia: o melhor país para mulheres

Ilustração exclusiva feita por Thais Cortez (a.k.a. Emily)

Enquanto escolas de princesas se preocupam em ensinar meninas a serem belas, recatadas e do lar, em um reino longuínquo o verdadeiro conto de fadas feminista acontece. Em escolas islandesas, garotinhas de apenas três anos aprendem que “ser uma princesa” pode ser o mesmo que ter força e coragem.

É por essas e outras que a Islândia é hoje em dia o melhor lugar para se ser mulher, segundo o relatório Global Gender Gap feito pelo World Economic Forum. Ele avalia as disparidades de gênero, como em níveis de educação, participação na economia, representação política, e seus progressos para mostrar os países com os melhores e piores índices de igualdade de gênero. O Brasil ficou, infelizmente, em 85º lugar nesse ranking.

Em reportagem publicada em outubro de 2016, o The Guardian expõe algumas razões para o exemplar nível de igualdade entre homens e mulheres na Islândia. Em um país com uma população de 330 mil, existem 19 creches e escolas primárias que ensinam meninas a serem empoderadas. Uma delas é a creche Reykjavik, em que bonecas não fazem parte da decoração. “Nós treinamos [nossas meninas] para usar suas vozes. Estamos treinando a sua força física. Estamos treinando elas para serem corajosas”, diz a fundadora da escola, Margrét Pála Ólafsdóttir, ao The Guardian.

Mas as pré-escolas feministas não podem ser o único motivo pelo sucesso da Islândia em se tornar o melhor país do mundo para se ser mulher. Redes de escolas como a Reykjavik começaram a aparecer há menos de 20 anos. Todos os bons resultados em igualdade de gêneros vêm de um longo passado de lutas.

Durante séculos, mulheres islandesas ficaram em casa enquanto seus maridos navegavam oceanos. Sem os homens em casa, elas aprenderam a fazer todas as tarefas antes designadas a eles. Viraram fanzendeiras e aprenderam a caçar, além de dar contas das finanças domésticas e, por fim, das do país.

1975 foi um ano decisivo para as mulheres na Islândia. Depois de anos sendo grandes reponsáveis pelo progresso do país, elas se cansaram de receber pouco reconhecimento pelo trabalho pesado e de não ter suficiente representatividade política – até então, somente nove mulheres preenchiam cadeiras no parlamento. Acompanhando a onda de protestos feministas pelo mundo, as islandesas organizaram um ato no dia 24 de outubro de 1975. Mas não foi só o impacto das 25 mil mulheres reunidas na rua que fez o país parar e prestar atenção nas vozes feministas. Além disso, 90% da população feminina parou seus trabalhos, domésticos e profissionais, pelo dia inteiro. Tudo isso provou o quão indispensável elas eram – e ainda são – para o funcionamento do país.

Cinco anos depois, a Islândia teve sua primeira presidente mulher eleita democraticamente. Vigdis Finnbogadottir governou de 1980 até 1996. Nos anos seguintes, outras mudanças significativas aconteceram. O partido Women’s Alliance (Aliança das Mulheres) foi criado e mulheres ganharam mais representatividade parlamentar. Em 2000, as leis de licença maternidade (ou licença paternal, como é chamada em inglês) ganhou uma versão mais igualitária vigente até hoje. Atualmente, cada um dos pais recebe uma licença remunerada de três meses que não pode ser transferida. Depois desse tempo, eles ganham três meses adicionais para dividir entre eles como quiserem.

Por causa do adicional significativo oferecido pela licença, 90 % dos pais islandeses aceitam tirá-la. Isso mudou a vida em família no país. Assim, não só as mulheres voltam mais rápido para o trabalho depois do parto, mas conseguem retomar seu ritmo normal de trabalho – que tinham antes do nascimento – mais rápido também. Além disso, estudos mostram que mesmo depois dos três meses de licença, pais seguem envolvidos nos cuidados das crianças e da casa.

Mesmo assim, nenhuma terra de contos de fadas é totalmente perfeita. Talvez muito menos as de contos de fadas feministas. A luta contra desigualdade de gêneros continua mesmo em países tão bem avaliados nesse tópico, como a Islândia. Mulheres continuam ganhando 14% menos que os homens e ocupam apenas 22% dos cargos de gerência.

 

[caption id="attachment_12136" align="aligncenter" width="1600"]As integrantes do grupo de rap feminista Reykjavíkurdætur (via) As integrantes do grupo de rap feminista Reykjavíkurdætur (via)[/caption]

As rappers do coletivo de rap feminista Reykjavíkurdætur (também conhecido como Daughters of Reykjavik), Steiney Skuladottir e Bloer Johanusdottir, têm explicações para as desigualdades em um país em que 80% das mulheres trabalham e são 65% da população universitária. As colegas de coletivo acreditam que ainda há muita relutância por parte das mulheres em pedir por salários mais justos. “É como se não quisessemos parecer convencidas. Como se tivessemos que parecer modestas”, diz Bloer.

A experiência na Islândia é um exemplo de como a pressão da população aliada a esforços do governo podem promover mudanças. Entretanto, não pude deixar de me perguntar se as mudanças positivas que levam mulheres na Islândia a terem as mesmas oportunidades que os homens chegam até as mulheres imigrantes.

A organização Multicultural Center (Centro Multicultural), que dá auxílio na integração de imigrantes na Islândia, publicou um estudo em 2014 sobre as discriminações sofridas por imigrantes, em sua grande parte vindos da Polônia e Tailândia. Segundo estátisticas oficiais de 2014, havia até então 732 mulheres e 203 homens de origem tailandesas vivendo na Islândia, e 4462 mulheres e 4909 homens de origem polonesa. O estudo do Centro Multicultural com questionários não foi feito, porém, com essa totalidade dos imigrantes.

Apesar de a Islândia ser um país com baixas taxas de desemprego, o número de imigrantes desempregados por mais de um ano é significativo (o estudo não especificou quantos). 26% dos entrevistados pelo Centro Multicultural apontaram o preconceito étnico como uma das causas para não conseguir emprego. No geral, 61% das mulheres entrevistadas dizem já ter vivido experiências negativas (não só no ambiente de trabalho) na Islândia devido a sua origem étnica.

Apenas 20% das mulheres entrevistadas disseram estar em empregos condizentes com sua educação profissional, enquanto 35% dos homens disseram o mesmo. Algumas das razões para que imigrantes tenham posições inferiores em empresas islandesas ou estejam desempregados são a falta de conhecimento da língua islandesa e a falta de reconhecimento de suas qualificações adquiridas no exterior.

Esses poucos dados já mostram algo que não é relevante só na Islândia, mas em todos os lugares em que se discute feminismo. Feminismo pra quem? Tem que ser pra todas nós. Países desenvolvidos no tema, como a Islândia, tem que levar em consideração cidadãs que não são necessarimente islandesas e as incluir em sua luta. Creio que isso foi o ponto mais difícil do feminismo das décadas passadas e, surpreendetemente, ainda é. E é por essas e outras que não se pode glorificar países europeus achando que o feminismo já obteve seu sucesso pleno aí. Ainda há muito a ser feito por todas nós…

Escrito por
Mais de Débora Backes

Conheça: As ecobags da Colibrii

Mesmo nascida e criada em Porto Alegre, eu nunca coloquei os pés no Morro da Cruz. Lá é o lar da Dona Eni. Mesmo sem me conhecer, nunca ter me visto nem por foto, ela me presenteou com a seguinte frase: “Ser pedra é fácil. Difícil é ser vidraça”. Afinal, quem se atreve a ser transparente hoje em dia, né Dona Eni? Além do gosto por essa frase, não temos muito em comum a não ser duas coisas: Porto Alegre e a Colibrii, empresa que nos aproximou através de uma simples mochila.

A Colibrii é um negócio socioambiental, idealizado por duas porto-alegrenses. O objetivo é simples: valorizar o trabalho de artesãs de comunidades de baixa renda de Porto Alegre e dar um novo significado a materiais reutilizáveis. Nessa lista de materiais entra, por exemplo, cinto de segurança de carro, lona de guarda-chuva, resto de tecidos e de calça jeans. Esses pedaços esquecidos dão resultado a algo útil e querido por quem os adquire, como é o caso da minha mochila de couro ecológico e resto de tecidos com alça de cinto de segurança que eu comprei quando estava de férias em casa.

Alice Meditsch, de 26 anos, e Gabriela Ruiz Gonçalves, de 31, estão à frente da Colibrii, mas não querem levar todo o crédito pela criação das mochilas, carteiras, ecobags e outros produtos destinados a guardar coisas. Desde que começou a ser montada, entre o fim de 2013 e o início de 2014 por Gabriela e sua sócia na época, Marília Martins, a ideia da Colibrii é desenvolver os acessórios – desde o design até a confecção – junto com as próprias artesãs. “A gente conversou com elas e falou que não era só a gente ir ali com uma ideia já pronta e pedir pra elas fazerem. A gente via a importância de abrir o espaço para que existisse uma troca”, explica Gabriela.

Foi graças a essa troca de conhecimentos com essas criativas senhoras que surgiu a ideia de ressignificar materiais nas confecções. “A Eni já trabalhava há muito tempo com jeans e reaproveitamento, daí a gente fez um teste. Teve uma aceitação super boa e então desenvolvemos essa proposta”, conta Gabriela. Já o forro das mochilas e das ecobags é feito com guarda-chuvas. Dona Natalia, moradora do bairro Partenon, já tinha experiência com esse material e sugeriu sua incorporação.

Além do conhecimento e criatividade de quem já trabalhava com costura há tempos, os produtos também carregam a escrita das artesãs. Cada um deles é vendido com um bilhetinho com uma mensagem escrita pela artesã que o fez – como a mensagem que a Dona Eni me mandou. “Elas valorizam muito isso de ter o bilhete, de ter a assinatura delas. No início, era assim ‘ai tá, tem que assinar…’, mas agora elas vêem como um produto delas e se orgulham disso”, conta Alice.

E o retorno para as artesãs? Cada uma recebe pelo que confeccionou, no momento que entregam os produtos. Em casos de produção em grande escala em parceria com empresas maiores, o valor do projeto é dividido entre as artesãs e a Colibrii. Mas tudo isso é acertado em conjunto. “Isso é uma coisa que a gente faz na criação. A gente senta com elas pra pensar no valor para confeccionar e o valor total da produção será dividido entre todas as artesãs participantes”, explica Alice, que além de sócia da Colibrii também é designer de produto. Entre as empresas parceiras estão a Insecta Shoes, Surfari (pra quem elas confeccionaram capas de pranchas), YouCom e Cravo e Canela. Também com a ThyssenKrup Elevadores, a Colibrii fez uma parceria em que confeccionou estojos feitos dos uniformes da empresa que foram dados de brindes no Dia dos Pais.

Mas, claro, além das consequências positivas na renda dessas senhoras, há também um retorno pessoal. No contexto familiar, essas mulheres passaram a ter seu trabalho levado mais a sério e ser motivo de orgulho para os familiares. A nível individual, essas mulheres de 40 a 60 anos se redescobriram através de seu trabalho. Se deram conta de seu poder e talento. Alice observa:

A gente não gosta de falar que a gente empodera. Não é a gente que faz o impacto social, na verdade é todo mundo junto que promove esse impacto. A gente nota que esse trabalho faz com que elas percebam que elas têm esse poder.

As duas porto-alegrenses dizem não querer banalizar o termo “empoderamento” já que, como Alice diz, as mudanças sociais não são feitas só pelas duas. “Começou esse boom do empoderamento e é sempre com essa visão de inferioridade: alguém tem que ter mais porque alguém tem menos, e o que tem mais vai lá e empodera o que tem menos. Pensando no conceito da coisa, existe um empoderamento no sentido da pessoa entender que ela tem o poder, não que ela vai receber”, defende Gabriela.

Em três anos, esse lindo projeto de cocriação da Colibrii chegou a outras comunidades de Porto Alegre. Hoje, a empresa conta com o trabalho de artesãs também na Ilha das Flores, Glória e Humaitá. Para determinados projetos, até 20 artesãs participam da formação de ideias e confecção dos acessórios.

Até então, as parcerias para confecção e venda de produtos foram feitas somente com empresas gaúchas. Mas Gabriela e Alice esperam levar seus produtos em breve para outras partes do Brasil. Por enquanto, você pode dar uma conferida nas mochilas no site da Insecta Shoes e da Cravo Canela.

Leia mais
Enquanto escolas de princesas se preocupam em ensinar meninas a serem belas, recatadas e do lar, em um reino longuínquo o verdadeiro conto de fadas feminista acontece. Em escolas islandesas, garotinhas de apenas três anos aprendem que “ser uma princesa” pode ser o mesmo que ter força e coragem.

É por essas e outras que a Islândia é hoje em dia o melhor lugar para se ser mulher, segundo o relatório Global Gender Gap feito pelo World Economic Forum. Ele avalia as disparidades de gênero, como em níveis de educação, participação na economia, representação política, e seus progressos para mostrar os países com os melhores e piores índices de igualdade de gênero. O Brasil ficou, infelizmente, em 85º lugar nesse ranking.

Em reportagem publicada em outubro de 2016, o The Guardian expõe algumas razões para o exemplar nível de igualdade entre homens e mulheres na Islândia. Em um país com uma população de 330 mil, existem 19 creches e escolas primárias que ensinam meninas a serem empoderadas. Uma delas é a creche Reykjavik, em que bonecas não fazem parte da decoração. “Nós treinamos [nossas meninas] para usar suas vozes. Estamos treinando a sua força física. Estamos treinando elas para serem corajosas”, diz a fundadora da escola, Margrét Pála Ólafsdóttir, ao The Guardian.

Mas as pré-escolas feministas não podem ser o único motivo pelo sucesso da Islândia em se tornar o melhor país do mundo para se ser mulher. Redes de escolas como a Reykjavik começaram a aparecer há menos de 20 anos. Todos os bons resultados em igualdade de gêneros vêm de um longo passado de lutas.

Durante séculos, mulheres islandesas ficaram em casa enquanto seus maridos navegavam oceanos. Sem os homens em casa, elas aprenderam a fazer todas as tarefas antes designadas a eles. Viraram fanzendeiras e aprenderam a caçar, além de dar contas das finanças domésticas e, por fim, das do país.

1975 foi um ano decisivo para as mulheres na Islândia. Depois de anos sendo grandes reponsáveis pelo progresso do país, elas se cansaram de receber pouco reconhecimento pelo trabalho pesado e de não ter suficiente representatividade política – até então, somente nove mulheres preenchiam cadeiras no parlamento. Acompanhando a onda de protestos feministas pelo mundo, as islandesas organizaram um ato no dia 24 de outubro de 1975. Mas não foi só o impacto das 25 mil mulheres reunidas na rua que fez o país parar e prestar atenção nas vozes feministas. Além disso, 90% da população feminina parou seus trabalhos, domésticos e profissionais, pelo dia inteiro. Tudo isso provou o quão indispensável elas eram – e ainda são – para o funcionamento do país.

Cinco anos depois, a Islândia teve sua primeira presidente mulher eleita democraticamente. Vigdis Finnbogadottir governou de 1980 até 1996. Nos anos seguintes, outras mudanças significativas aconteceram. O partido Women’s Alliance (Aliança das Mulheres) foi criado e mulheres ganharam mais representatividade parlamentar. Em 2000, as leis de licença maternidade (ou licença paternal, como é chamada em inglês) ganhou uma versão mais igualitária vigente até hoje. Atualmente, cada um dos pais recebe uma licença remunerada de três meses que não pode ser transferida. Depois desse tempo, eles ganham três meses adicionais para dividir entre eles como quiserem.

Por causa do adicional significativo oferecido pela licença, 90 % dos pais islandeses aceitam tirá-la. Isso mudou a vida em família no país. Assim, não só as mulheres voltam mais rápido para o trabalho depois do parto, mas conseguem retomar seu ritmo normal de trabalho – que tinham antes do nascimento – mais rápido também. Além disso, estudos mostram que mesmo depois dos três meses de licença, pais seguem envolvidos nos cuidados das crianças e da casa.

Mesmo assim, nenhuma terra de contos de fadas é totalmente perfeita. Talvez muito menos as de contos de fadas feministas. A luta contra desigualdade de gêneros continua mesmo em países tão bem avaliados nesse tópico, como a Islândia. Mulheres continuam ganhando 14% menos que os homens e ocupam apenas 22% dos cargos de gerência.

 

As rappers do coletivo de rap feminista Reykjavíkurdætur (também conhecido como Daughters of Reykjavik), Steiney Skuladottir e Bloer Johanusdottir, têm explicações para as desigualdades em um país em que 80% das mulheres trabalham e são 65% da população universitária. As colegas de coletivo acreditam que ainda há muita relutância por parte das mulheres em pedir por salários mais justos. “É como se não quisessemos parecer convencidas. Como se tivessemos que parecer modestas”, diz Bloer.

A experiência na Islândia é um exemplo de como a pressão da população aliada a esforços do governo podem promover mudanças. Entretanto, não pude deixar de me perguntar se as mudanças positivas que levam mulheres na Islândia a terem as mesmas oportunidades que os homens chegam até as mulheres imigrantes.

A organização Multicultural Center (Centro Multicultural), que dá auxílio na integração de imigrantes na Islândia, publicou um estudo em 2014 sobre as discriminações sofridas por imigrantes, em sua grande parte vindos da Polônia e Tailândia. Segundo estátisticas oficiais de 2014, havia até então 732 mulheres e 203 homens de origem tailandesas vivendo na Islândia, e 4462 mulheres e 4909 homens de origem polonesa. O estudo do Centro Multicultural com questionários não foi feito, porém, com essa totalidade dos imigrantes.

Apesar de a Islândia ser um país com baixas taxas de desemprego, o número de imigrantes desempregados por mais de um ano é significativo (o estudo não especificou quantos). 26% dos entrevistados pelo Centro Multicultural apontaram o preconceito étnico como uma das causas para não conseguir emprego. No geral, 61% das mulheres entrevistadas dizem já ter vivido experiências negativas (não só no ambiente de trabalho) na Islândia devido a sua origem étnica.

Apenas 20% das mulheres entrevistadas disseram estar em empregos condizentes com sua educação profissional, enquanto 35% dos homens disseram o mesmo. Algumas das razões para que imigrantes tenham posições inferiores em empresas islandesas ou estejam desempregados são a falta de conhecimento da língua islandesa e a falta de reconhecimento de suas qualificações adquiridas no exterior.

Esses poucos dados já mostram algo que não é relevante só na Islândia, mas em todos os lugares em que se discute feminismo. Feminismo pra quem? Tem que ser pra todas nós. Países desenvolvidos no tema, como a Islândia, tem que levar em consideração cidadãs que não são necessarimente islandesas e as incluir em sua luta. Creio que isso foi o ponto mais difícil do feminismo das décadas passadas e, surpreendetemente, ainda é. E é por essas e outras que não se pode glorificar países europeus achando que o feminismo já obteve seu sucesso pleno aí. Ainda há muito a ser feito por todas nós…

" />