Leia: as escritoras da Flip 2017

A Festa Literária Internacional de Paraty chega ao 15º ano em edição que ficará marcada por mais mulheres do que homens nas mesas de debate. O evento começou ontem, dia 26, e rola até 30 de julho, com a curadoria da jornalista Josélia Aguiar.

Em todos os anos bate aquele mesmo desespero: “Preciso ler todos esses livros e conhecer todos esses autores”. Caindo na real, não dá tempo de fazer tudo isso num período de 5 dias. Por isso, seleciono algumas das autoras que estarão lá na Flip e que guardarei para a vida. Se não der para ler agora, tudo bem, elas estarão na minha lista de leituras futuras com certeza:

1. Conceição Evaristo

De Belo Horizonte, nascida em 1946, ela é uma das principais vozes da memória negra brasileira, apesar de ter sido publicada em inglês, francês e espanhol bem antes de ser reconhecida no Brasil. Seu livro Olhos d’água (2015) levou o Prêmio Jabuti, e ela também escreveu Ponciá Vicêncio e Becos da memória (ambos pela Pallas Editora, 2017) e Insubmissas lágrimas de mulheres (Malê, 2017).

O que saiu sobre Conceição Evaristo na mídia:

– ‘A autoria negra existe e não é de hoje’, diz escritora Conceição Evaristo – Folha
O encontro da escritora Conceição Evaristo com a ativista Angela Davis – Ilustríssima
Conceição Evaristo: a literatura como arte da ‘escrevivência’ – O Globo

2. Diamela Eltit

Chilena, nascida em 1949, fez parte do Colectivo de Acciones De Arte (CADA) durante a ditadura de Pinochet. Estreou na ficção com Lumpérica (Ediciones del Ornitorrinco, 1983). Jamais o fogo nunca (Relicário, 2017) é a primeira tradução em português de um de seus mais importantes romances. Recentemente, seus manuscritos foram adquiridos pela Universidade de Princeton.

O que saiu sobre Diamela Eltit na mídia:

– Escritora chilena Diamela Eltit retrata vácuo pós-luta contra ditadura – Folha
– Diamela Eltit: “A literatura continua sendo patrimônio do masculino como dominação” – Suplemento Pernambuco

3. Natalia Borges Polesso

Natalia tem 35 anos e nasceu em Bento Gonçalves (RS). Estreou na literatura com Recortes para álbum de fotografia sem gente (Modelo de Nuvem, 2013), premiado com o Açorianos. Em 2015, publicou sua poesia em Coração à corda (Patuá). Ganhou o Prêmio Jabuti com Amora (Não Editora, 2016), livro de contos sobre o amor no feminino.

O que saiu sobre a Natalia na mídia:

– Quem são as brasileiras que estão entre os melhores jovens escritores da América Latina – Nexo

4. Djaimilia Pereira de Almeida

De Luanda, Djaimilia tem 34 anos e seu primeiro livro se chama Esse cabelo (LeYa, 2017), que a consagrou como uma das novas vozes da literatura lusófona. Foi uma das vencedoras, em 2013, do prêmio de ensaios da revista serrote e assina coluna mensal na Revista Pessoa.

O que saiu sobre a Djaimilia na mídia:

Entrevista ao Suplemento Pernambuco

5. Scholastique Mukasonga

Ela nasceu em Ruanda, em 1956, e presenciou a violência dos conflitos no país. Mudou-se para a França em 1992, pouco antes do Genocídio de Ruanda, que dizimou ao menos meio milhão de ruandeses, incluindo sua mãe e parentes. Em 2006, publicou as memórias Inyenzi ou les Cafards (Gallimard). Seus premiados A mulher dos pés nus e Nossa Senhora do Nilo serão publicados pela editora Nós, por conta de sua ida à Flip.

O que saiu sobre a Scholastique Mukasonga na mídia:

– ‘Escrevo para salvaguardar memória’, diz ruandesa Scholastique Mukasonga – Folha


Mais livros de autoras da Flip que quero ler:

+ O martelo, de Adelaide Ivánova

+ Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves

+ Xica da Silva: a Cinderela negra, de Ana Miranda

+ Sem vista para o mar, de Carol Rodrigues

+ Coisas que não quero saber, de Deborah Levy

+ Por Elise, de Grace Passô

+ Roça barroca, de Josely Vianna Baptista

Uma história simples, de Leila Guerriero

Outros cantos, de Maria Valéria Rezende


Para quem estará lá, aproveitando todos os momentos lindos que uma Flip pode proporcionar, a Estela Rosa montou uma programação apenas com mulheres escritoras. Como estou bem distante do Brasil nesse momento, acompanharei pela transmissão online. Aproveitem todos os minutos possíveis de sabedoria dessas mulheres!

Mais de Letícia Mendes

Links da semana

Olá, ovelhitas!

Mais uma semana com um monte de coisas legais, importantes e inspiradoras que vimos e achamos que merecem a atenção de vocês.


// SILVANA LIMA

A BBC Brasil entrevistou a surfista cearense Silvana Lima (foto acima), de 31 anos. “Para as marcas de ‘surfwear’ (principais patrocinadores do esporte), a gente tem que ser modelo e surfista ao mesmo tempo. Então quem não é tipo modelinho acaba não tendo patrocínio, como foi o meu caso. Você acaba ficando de fora, é descartável.”

Assista à entrevista.

 


// LENA DUNHAM

A criadora de “Girls” criticou a revista “Tentaciones”, do jornal “El País”, por usar Photoshop em uma foto sua. Acontece que eles não usaram Photoshop nenhum. A revista enviou a imagem original a Lena para provar que não houve modificações. A questão é que ela mesma não se reconheceu na foto. Quem nunca?

Hey Tentaciones- thank you for sending the uncropped image (note to the confused: not unretouched, uncropped!) and for being so good natured about my request for accuracy. I understand that a whole bunch of people approved this photo before it got to you- and why wouldn’t they? I look great. But it’s a weird feeling to see a photo and not know if it’s your own body anymore (and I’m pretty sure that will never be my thigh width but I honestly can’t tell what’s been slimmed and what hasn’t.) I’m not blaming anyone (y’know, except society at large.) I have a long and complicated history with retouching. I wanna live in this wild world and play the game and get my work seen, and I also want to be honest about who I am and what I stand for. Maybe it’s turning 30. Maybe it’s seeing my candidate of choice get bashed as much for having a normal woman’s body as she is for her policies. Maybe it’s getting sick and realizing ALL that matters is that this body work, not that it be milky white and slim. But I want something different now. Thanks for helping me figure that out and sorry to make you the problem, you cool Spanish magazine you. Time to get to the bottom of this in a bigger way. Time to walk the talk. With endless love, Lena PS I’d love the Tentaciones subscription I was offered!

Uma foto publicada por Lena Dunham (@lenadunham) em


// OSCAR 2016

A cerimônia deste ano teve tantos atores brancos concorrendo – quer dizer, só atores brancos concorrendo – que a cor branca foi tendência até no tapete vermelho. Que ironia. Veja.

 


// DALVINA

A diarista Dalvina Borges Ramos, de 74 anos, ganhou o prêmio internacional Building of the Year 2016 (melhor construção do ano), promovido por um dos sites mais importantes do segmento no mundo, o ArchDaily. A casa dela é realmente muito bonita!

Leia entrevista aqui.

 


// SABA QAISER

A documentarista Sharmeen Obaid-Chinoy procurava personagens para seu filme “A Girl in the River: The Price of Forgiveness”, que ganhou o Oscar deste ano de melhor documentário em curta-metragem, quando achou Saba Qaiser. O pai de Saba deu um tiro no rosto da jovem, colocou a moça em uma sacola e a lançou em um rio.

Leia aqui.

160224193754_saba_qaiser_640x360_bbc_nocredit

 


// DORGAS

Um grupo de mulheres que dizem que fumar maconha as transforma em melhores mães se encontram todo mês para um jantar cujo cardápio é cannabis em Beverly Hills, Califórnia.

Assista ao vídeo.

 


// ESPORTE

Meninas afegãs encontram no skate uma saída contra proibições feitas a mulheres.

Assista ao vídeo.

 


// MASTURBAÇÃO

Aqui vai um calendário que te desafia a se masturbar de 30 formas diferentes durante 30 dias.

 


// TV

Pela primeira vez, a BBC escalou somente atores negros para os papéis principais de uma série dramática de TV.

Leia aqui.

 


Até a próxima semana! Força \o/

Leia mais
edição que ficará marcada por mais mulheres do que homens nas mesas de debate. O evento começou ontem, dia 26, e rola até 30 de julho, com a curadoria da jornalista Josélia Aguiar.

Em todos os anos bate aquele mesmo desespero: “Preciso ler todos esses livros e conhecer todos esses autores”. Caindo na real, não dá tempo de fazer tudo isso num período de 5 dias. Por isso, seleciono algumas das autoras que estarão lá na Flip e que guardarei para a vida. Se não der para ler agora, tudo bem, elas estarão na minha lista de leituras futuras com certeza:

1. Conceição Evaristo

De Belo Horizonte, nascida em 1946, ela é uma das principais vozes da memória negra brasileira, apesar de ter sido publicada em inglês, francês e espanhol bem antes de ser reconhecida no Brasil. Seu livro Olhos d’água (2015) levou o Prêmio Jabuti, e ela também escreveu Ponciá Vicêncio e Becos da memória (ambos pela Pallas Editora, 2017) e Insubmissas lágrimas de mulheres (Malê, 2017).

O que saiu sobre Conceição Evaristo na mídia:

– ‘A autoria negra existe e não é de hoje’, diz escritora Conceição Evaristo – Folha
O encontro da escritora Conceição Evaristo com a ativista Angela Davis – Ilustríssima
Conceição Evaristo: a literatura como arte da ‘escrevivência’ – O Globo

2. Diamela Eltit

Chilena, nascida em 1949, fez parte do Colectivo de Acciones De Arte (CADA) durante a ditadura de Pinochet. Estreou na ficção com Lumpérica (Ediciones del Ornitorrinco, 1983). Jamais o fogo nunca (Relicário, 2017) é a primeira tradução em português de um de seus mais importantes romances. Recentemente, seus manuscritos foram adquiridos pela Universidade de Princeton.

O que saiu sobre Diamela Eltit na mídia:

– Escritora chilena Diamela Eltit retrata vácuo pós-luta contra ditadura – Folha
– Diamela Eltit: “A literatura continua sendo patrimônio do masculino como dominação” – Suplemento Pernambuco

3. Natalia Borges Polesso

Natalia tem 35 anos e nasceu em Bento Gonçalves (RS). Estreou na literatura com Recortes para álbum de fotografia sem gente (Modelo de Nuvem, 2013), premiado com o Açorianos. Em 2015, publicou sua poesia em Coração à corda (Patuá). Ganhou o Prêmio Jabuti com Amora (Não Editora, 2016), livro de contos sobre o amor no feminino.

O que saiu sobre a Natalia na mídia:

– Quem são as brasileiras que estão entre os melhores jovens escritores da América Latina – Nexo

4. Djaimilia Pereira de Almeida

De Luanda, Djaimilia tem 34 anos e seu primeiro livro se chama Esse cabelo (LeYa, 2017), que a consagrou como uma das novas vozes da literatura lusófona. Foi uma das vencedoras, em 2013, do prêmio de ensaios da revista serrote e assina coluna mensal na Revista Pessoa.

O que saiu sobre a Djaimilia na mídia:

Entrevista ao Suplemento Pernambuco

5. Scholastique Mukasonga

Ela nasceu em Ruanda, em 1956, e presenciou a violência dos conflitos no país. Mudou-se para a França em 1992, pouco antes do Genocídio de Ruanda, que dizimou ao menos meio milhão de ruandeses, incluindo sua mãe e parentes. Em 2006, publicou as memórias Inyenzi ou les Cafards (Gallimard). Seus premiados A mulher dos pés nus e Nossa Senhora do Nilo serão publicados pela editora Nós, por conta de sua ida à Flip.

O que saiu sobre a Scholastique Mukasonga na mídia:

– ‘Escrevo para salvaguardar memória’, diz ruandesa Scholastique Mukasonga – Folha


Mais livros de autoras da Flip que quero ler:

+ O martelo, de Adelaide Ivánova

+ Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves

+ Xica da Silva: a Cinderela negra, de Ana Miranda

+ Sem vista para o mar, de Carol Rodrigues

+ Coisas que não quero saber, de Deborah Levy

+ Por Elise, de Grace Passô

+ Roça barroca, de Josely Vianna Baptista

Uma história simples, de Leila Guerriero

Outros cantos, de Maria Valéria Rezende


Para quem estará lá, aproveitando todos os momentos lindos que uma Flip pode proporcionar, a Estela Rosa montou uma programação apenas com mulheres escritoras. Como estou bem distante do Brasil nesse momento, acompanharei pela transmissão online. Aproveitem todos os minutos possíveis de sabedoria dessas mulheres!

" />