Que já não viveu aquele misto de ansiedade, angústia e curiosidade quando rolamos nosso feed do Facebook e Instagram e somos inundadas por fotos de praia, janelas de avião, piqueniques em parques ensolarados, drinks e jantares elaborados, exposições, Nova York (sempre temos ela, mesmo com o dólar nas alturas), exposições, festas incríveis, piscinas, risadas, looks de revista e corpos incríveis?
Os amigos vivendo um vidão e eu aqui, em casa, só de calcinha, encolhida na cama com o celular na mão. DEPRÊ. Poxa! Estamos lá, praticando o de boismo quando as redes sociais estapeiam nossa cara. O que você está fazendo? Penteia esse cabelo! Faz uma pose! Mostre que você tá por cima! Afinal, de que adianta ser feliz sem platéia?
Uma platéia, acima de tudo, humana. Que tem um zilhão de medos, falta de confiança e uma autoestima sensível à primeira dúvida. O que uma boa pose e um filtro do Instagram não fazem para arrasar com nosso emocional, hein? Isso reflete diretamente em nós, interferindo em como nos sentimos com nós mesmas e com as coisas que temos. Quando compartilhamos uma foto, um link ou um pensamento nas redes sociais, apresentamos fragmentos daquilo que desejamos que nos defina. Porque esperamos por aceitação. Queremos elogios, queremos ser lembradas.
Parece narcisismo, mas é carência. É necessidade de aceitação. E é algo tão compulsivo quanto uma droga. Na esperança de preencher algum vazio, precisamos de mais likes. Mais shares. Audiência. Quantidade ganhando da qualidade. Tudo é quantificável. São números.
A gente não vive mais. A gente mostra. Vamos num museu ver uma exposição incrível como do Ron Mueck ou Yayoy Kusama e vemos selfies, duck faces, dedos em paz e amor. Almoçamos com os amigos e tiramos foto do drink, foto do prato – e somos marcadas ali, no crouton da caesar salad.
A atriz Kirsten Dunst estrelou um curta que faz justamente uma crítica a esta geração dos likes, em que tudo o que importa é a exposição de um ideal cool. O curta tem direção de Matthew Frost e foi produzido para a Vs. Magazine.
Ano passado o jornal britânico The Guardian, em parceria com o National Film Board e a produtora digital Jam3, criou o web-documentário interativo Seven Digital Deadly Sins, que apresenta os sete pecados capitais — soberba (arrogância), avareza (ganância), luxúria, ira, gula, inveja e preguiça — traduzidos para o ambiente digital por meio de entrevistas com diferentes personagens. Durante a navegação, somos questionados sobre diversos aspectos dos hábitos digitais contemporâneos: você condena ou perdoa? Você peca ou não peca?
Resolvi reascender essa discussão por causa da Essena O’Neill, uma garota que ganhou fama no Instagram por suas fotos maravilhosas – que ostentam um corpo perfeito, drinks, roupas de grife e maquiagem impecável – resolveu abrir o jogo em um vídeo para falar que tudo aquilo era falso, era uma idealização. Que, para cada foto ali, eram mais de 40 cliques para a pose perfeita, além de filtros e retoques. Ela fala abertamente sobre sua decisão em um vídeo incrível e corajoso, em que diz que todas as fotos escondiam sua depressão e baixa autoestima. E ela não quer mais que suas fotos façam outras pessoas se sentirem mal com seus corpos, com suas vidas, ao se compararem com essa fantasia.
Essena editou a descrição de várias fotos do seu Instagram, que até pouco haviam mais de 750 mil seguidores, para falar a verdade por trás de cada clique. Muitas das suas descrições falam “I won the genetic lottery” (traduzindo: “eu ganhei na loteria genética”). Muitas pessoas podem interpretar mal. Ela não diz isso porque ela se acha MARAVILHOSA, ela diz isso porque a ditadura da beleza da nossa sociedade enfiou na cabeça de todo mundo que a beleza ideal é de uma mulher magra, alta, de traços europeus, olhos claros, cabelos loiros, pele clara – bronzeada é um plus. Por isso que para ela os likes vinham com tanta facilidade.
Para coroar esse momento, Essena O’Neill está com uma campanha online chamada Let’s Be Game Changers. No site, ela explica sua intenção:
Eu queria criar uma plataforma que atua para difundir mensagens de uma nova era da vida consciente, que vão além de tecnologia, afim de minimizar a cultura de celebridade, promover o veganismo, nutrição baseada em vegetais, consciência ambiental, questões sociais, igualdade de gênero, arte controversa. Quero apresentar uma série de entrevistas com os indivíduos que estão querendo virar o jogo que foi-lhes dito para jogar. Além disso, criei um fórum colaborativo positivo, para as pessoas poderem falar sobre coisas do mundo real, para se conectarem através de ideias, não de likes, seguidores ou número de visualizações.
Que já não viveu aquele misto de ansiedade, angústia e curiosidade quando rolamos nosso feed do Facebook e Instagram e somos inundadas por fotos de praia, janelas de avião, piqueniques em parques ensolarados, drinks e jantares elaborados, exposições, Nova York (sempre temos ela, mesmo com o dólar nas alturas), exposições, festas incríveis, piscinas, risadas, looks de revista e corpos incríveis?
Os amigos vivendo um vidão e eu aqui, em casa, só de calcinha, encolhida na cama com o celular na mão. DEPRÊ. Poxa! Estamos lá, praticando o de boismo quando as redes sociais estapeiam nossa cara. O que você está fazendo? Penteia esse cabelo! Faz uma pose! Mostre que você tá por cima! Afinal, de que adianta ser feliz sem platéia?
Uma platéia, acima de tudo, humana. Que tem um zilhão de medos, falta de confiança e uma autoestima sensível à primeira dúvida. O que uma boa pose e um filtro do Instagram não fazem para arrasar com nosso emocional, hein? Isso reflete diretamente em nós, interferindo em como nos sentimos com nós mesmas e com as coisas que temos. Quando compartilhamos uma foto, um link ou um pensamento nas redes sociais, apresentamos fragmentos daquilo que desejamos que nos defina. Porque esperamos por aceitação. Queremos elogios, queremos ser lembradas.
Parece narcisismo, mas é carência. É necessidade de aceitação. E é algo tão compulsivo quanto uma droga. Na esperança de preencher algum vazio, precisamos de mais likes. Mais shares. Audiência. Quantidade ganhando da qualidade. Tudo é quantificável. São números.
A gente não vive mais. A gente mostra. Vamos num museu ver uma exposição incrível como do Ron Mueck ou Yayoy Kusama e vemos selfies, duck faces, dedos em paz e amor. Almoçamos com os amigos e tiramos foto do drink, foto do prato – e somos marcadas ali, no crouton da caesar salad.
A atriz Kirsten Dunst estrelou um curta que faz justamente uma crítica a esta geração dos likes, em que tudo o que importa é a exposição de um ideal cool. O curta tem direção de Matthew Frost e foi produzido para a Vs. Magazine.
Ano passado o jornal britânico The Guardian, em parceria com o National Film Board e a produtora digital Jam3, criou o web-documentário interativo Seven Digital Deadly Sins, que apresenta os sete pecados capitais — soberba (arrogância), avareza (ganância), luxúria, ira, gula, inveja e preguiça — traduzidos para o ambiente digital por meio de entrevistas com diferentes personagens. Durante a navegação, somos questionados sobre diversos aspectos dos hábitos digitais contemporâneos: você condena ou perdoa? Você peca ou não peca?
Resolvi reascender essa discussão por causa da Essena O’Neill, uma garota que ganhou fama no Instagram por suas fotos maravilhosas – que ostentam um corpo perfeito, drinks, roupas de grife e maquiagem impecável – resolveu abrir o jogo em um vídeo para falar que tudo aquilo era falso, era uma idealização. Que, para cada foto ali, eram mais de 40 cliques para a pose perfeita, além de filtros e retoques. Ela fala abertamente sobre sua decisão em um vídeo incrível e corajoso, em que diz que todas as fotos escondiam sua depressão e baixa autoestima. E ela não quer mais que suas fotos façam outras pessoas se sentirem mal com seus corpos, com suas vidas, ao se compararem com essa fantasia.
Essena editou a descrição de várias fotos do seu Instagram, que até pouco haviam mais de 750 mil seguidores, para falar a verdade por trás de cada clique. Muitas das suas descrições falam “I won the genetic lottery” (traduzindo: “eu ganhei na loteria genética”). Muitas pessoas podem interpretar mal. Ela não diz isso porque ela se acha MARAVILHOSA, ela diz isso porque a ditadura da beleza da nossa sociedade enfiou na cabeça de todo mundo que a beleza ideal é de uma mulher magra, alta, de traços europeus, olhos claros, cabelos loiros, pele clara – bronzeada é um plus. Por isso que para ela os likes vinham com tanta facilidade.
Para coroar esse momento, Essena O’Neill está com uma campanha online chamada Let’s Be Game Changers. No site, ela explica sua intenção:
Eu queria criar uma plataforma que atua para difundir mensagens de uma nova era da vida consciente, que vão além de tecnologia, afim de minimizar a cultura de celebridade, promover o veganismo, nutrição baseada em vegetais, consciência ambiental, questões sociais, igualdade de gênero, arte controversa. Quero apresentar uma série de entrevistas com os indivíduos que estão querendo virar o jogo que foi-lhes dito para jogar. Além disso, criei um fórum colaborativo positivo, para as pessoas poderem falar sobre coisas do mundo real, para se conectarem através de ideias, não de likes, seguidores ou número de visualizações.
Que já não viveu aquele misto de ansiedade, angústia e curiosidade quando rolamos nosso feed do Facebook e Instagram e somos inundadas por fotos de praia, janelas de avião, piqueniques em parques ensolarados, drinks e jantares elaborados, exposições, Nova York (sempre temos ela, mesmo com o dólar nas alturas), exposições, festas incríveis, piscinas, risadas, looks de revista e corpos incríveis?
Os amigos vivendo um vidão e eu aqui, em casa, só de calcinha, encolhida na cama com o celular na mão. DEPRÊ. Poxa! Estamos lá, praticando o de boismo quando as redes sociais estapeiam nossa cara. O que você está fazendo? Penteia esse cabelo! Faz uma pose! Mostre que você tá por cima! Afinal, de que adianta ser feliz sem platéia?
Uma platéia, acima de tudo, humana. Que tem um zilhão de medos, falta de confiança e uma autoestima sensível à primeira dúvida. O que uma boa pose e um filtro do Instagram não fazem para arrasar com nosso emocional, hein? Isso reflete diretamente em nós, interferindo em como nos sentimos com nós mesmas e com as coisas que temos. Quando compartilhamos uma foto, um link ou um pensamento nas redes sociais, apresentamos fragmentos daquilo que desejamos que nos defina. Porque esperamos por aceitação. Queremos elogios, queremos ser lembradas.
Parece narcisismo, mas é carência. É necessidade de aceitação. E é algo tão compulsivo quanto uma droga. Na esperança de preencher algum vazio, precisamos de mais likes. Mais shares. Audiência. Quantidade ganhando da qualidade. Tudo é quantificável. São números.
A gente não vive mais. A gente mostra. Vamos num museu ver uma exposição incrível como do Ron Mueck ou Yayoy Kusama e vemos selfies, duck faces, dedos em paz e amor. Almoçamos com os amigos e tiramos foto do drink, foto do prato – e somos marcadas ali, no crouton da caesar salad.
A atriz Kirsten Dunst estrelou um curta que faz justamente uma crítica a esta geração dos likes, em que tudo o que importa é a exposição de um ideal cool. O curta tem direção de Matthew Frost e foi produzido para a Vs. Magazine.
Ano passado o jornal britânico The Guardian, em parceria com o National Film Board e a produtora digital Jam3, criou o web-documentário interativo Seven Digital Deadly Sins, que apresenta os sete pecados capitais — soberba (arrogância), avareza (ganância), luxúria, ira, gula, inveja e preguiça — traduzidos para o ambiente digital por meio de entrevistas com diferentes personagens. Durante a navegação, somos questionados sobre diversos aspectos dos hábitos digitais contemporâneos: você condena ou perdoa? Você peca ou não peca?
Resolvi reascender essa discussão por causa da Essena O’Neill, uma garota que ganhou fama no Instagram por suas fotos maravilhosas – que ostentam um corpo perfeito, drinks, roupas de grife e maquiagem impecável – resolveu abrir o jogo em um vídeo para falar que tudo aquilo era falso, era uma idealização. Que, para cada foto ali, eram mais de 40 cliques para a pose perfeita, além de filtros e retoques. Ela fala abertamente sobre sua decisão em um vídeo incrível e corajoso, em que diz que todas as fotos escondiam sua depressão e baixa autoestima. E ela não quer mais que suas fotos façam outras pessoas se sentirem mal com seus corpos, com suas vidas, ao se compararem com essa fantasia.
Essena editou a descrição de várias fotos do seu Instagram, que até pouco haviam mais de 750 mil seguidores, para falar a verdade por trás de cada clique. Muitas das suas descrições falam “I won the genetic lottery” (traduzindo: “eu ganhei na loteria genética”). Muitas pessoas podem interpretar mal. Ela não diz isso porque ela se acha MARAVILHOSA, ela diz isso porque a ditadura da beleza da nossa sociedade enfiou na cabeça de todo mundo que a beleza ideal é de uma mulher magra, alta, de traços europeus, olhos claros, cabelos loiros, pele clara – bronzeada é um plus. Por isso que para ela os likes vinham com tanta facilidade.
Para coroar esse momento, Essena O’Neill está com uma campanha online chamada Let’s Be Game Changers. No site, ela explica sua intenção:
Eu queria criar uma plataforma que atua para difundir mensagens de uma nova era da vida consciente, que vão além de tecnologia, afim de minimizar a cultura de celebridade, promover o veganismo, nutrição baseada em vegetais, consciência ambiental, questões sociais, igualdade de gênero, arte controversa. Quero apresentar uma série de entrevistas com os indivíduos que estão querendo virar o jogo que foi-lhes dito para jogar. Além disso, criei um fórum colaborativo positivo, para as pessoas poderem falar sobre coisas do mundo real, para se conectarem através de ideias, não de likes, seguidores ou número de visualizações.
Ontem a Elisa Rocha me passou o clipe da Tove Lo, uma artista que eu ainda não conhecia. Ela é uma cantora e compositora sueca e lançou esse som ainda em 2013, chocando um pouco as pessoas com o teor da letra. “Habits” é uma música sobre sexo e abuso de drogas pelo término de um relacionamento. O videoclipe deixa tudo ainda mais explícito.
Me identifiquei. Vi a Nina de vinte e poucos anos que passava as madrugadas no saudoso Vegas da Augusta, dançando e bebendo ao som das DJs Rassif, tentando lidar com um relacionamento estranho que vivia na época com um cara 13 anos mais velho. Ou quando ela bebeu tanto na Funhouse por causa do mesmo cara que acabou falando besteiras pra namorada do melhor amigo.
Quem nunca afogou as mágoas em gin tônicas no meio da pista de dança? Não, eu não estou aqui para fazer apologia do abuso de álcool. Mas sei que é algo que faz parte da vida de muitas garotas que, como eu, sabem se divertir quando querem ou quando precisam. Mesmo que depois a gente acabe chorando no banheiro.
Sabe quando aquele casinho dá um pé na bunda, quando estamos apaixonadas platônicamente ou quando só precisamos de um incentivo para relaxar não pensar na vida? É quando nós abraçamos uma garrafa e saímos dançando. Mas aí no dia seguinte temos que lidar não só com a ressaca, mas com as consequências das atitudes que fizemos quando tudo que a gente queria era sumir do mundo.
Eu só queria continuar bêbada.
EDIT: O vídeo acima é do Hippie Sabotage Remix. O original está logo abaixo, que traz a Tove cantando e mais cenas picantes (além de ser mais linear). Ah! E tem a letra logo depois pra você cantar junto:
I eat my dinner in my bathtub
Then I go to sex clubs
Watching freaky people gettin’ it on
It doesn’t make me nervous
If anything I’m restless
Yeah, I’ve been around and I’ve seen it all
I get home, I got the munchies
Binge on all my twinkies
Throw up in the tub
Then I go to sleep
And I drank up all my money
Dazed and kinda lonely
You’re gone and I gotta stay
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
Spend my days locked in a haze
Trying to forget you babe
I fall back down
Gotta stay high all my life
To forget I’m missing you
Uh, uh, uh, uh
Pick up daddies at the playground
How I spend my day time
Loosen up the frown
Make them feel alive
Oh, make it fast and greasy
I’m numb and way too easy
You’re gone and I gotta stay
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
Spend my days locked in a haze
Trying to forget you babe
I fall back down
Gotta stay high all my life
To forget I’m missing you
Uh, uh, uh, uh
Staying in my play pretend
Where the fun ain’t got no end
Ooh
Can’t go home alone again
Need someone to numb the pain
Ooh
Staying in my play pretend
Where the fun ain’t got no end
Ooh
Can’t go home alone again
Need someone to numb the pain
You’re gone and I gotta stay
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
Spend my days locked in a haze
Trying to forget you babe
I fall back down
Gotta stay high all my life
To forget I’m missing you
Uh, uh, uh, uh
Uma platéia, acima de tudo, humana. Que tem um zilhão de medos, falta de confiança e uma autoestima sensível à primeira dúvida. O que uma boa pose e um filtro do Instagram não fazem para arrasar com nosso emocional, hein? Isso reflete diretamente em nós, interferindo em como nos sentimos com nós mesmas e com as coisas que temos. Quando compartilhamos uma foto, um link ou um pensamento nas redes sociais, apresentamos fragmentos daquilo que desejamos que nos defina. Porque esperamos por aceitação. Queremos elogios, queremos ser lembradas.
Parece narcisismo, mas é carência. É necessidade de aceitação. E é algo tão compulsivo quanto uma droga. Na esperança de preencher algum vazio, precisamos de mais likes. Mais shares. Audiência. Quantidade ganhando da qualidade. Tudo é quantificável. São números.
A gente não vive mais. A gente mostra. Vamos num museu ver uma exposição incrível como do Ron Mueck ou Yayoy Kusama e vemos selfies, duck faces, dedos em paz e amor. Almoçamos com os amigos e tiramos foto do drink, foto do prato – e somos marcadas ali, no crouton da caesar salad.
A atriz Kirsten Dunst estrelou um curta que faz justamente uma crítica a esta geração dos likes, em que tudo o que importa é a exposição de um ideal cool. O curta tem direção de Matthew Frost e foi produzido para a Vs. Magazine.
Ano passado o jornal britânico The Guardian, em parceria com o National Film Board e a produtora digital Jam3, criou o web-documentário interativo Seven Digital Deadly Sins, que apresenta os sete pecados capitais — soberba (arrogância), avareza (ganância), luxúria, ira, gula, inveja e preguiça — traduzidos para o ambiente digital por meio de entrevistas com diferentes personagens. Durante a navegação, somos questionados sobre diversos aspectos dos hábitos digitais contemporâneos: você condena ou perdoa? Você peca ou não peca?
Resolvi reascender essa discussão por causa da Essena O’Neill, uma garota que ganhou fama no Instagram por suas fotos maravilhosas – que ostentam um corpo perfeito, drinks, roupas de grife e maquiagem impecável – resolveu abrir o jogo em um vídeo para falar que tudo aquilo era falso, era uma idealização. Que, para cada foto ali, eram mais de 40 cliques para a pose perfeita, além de filtros e retoques. Ela fala abertamente sobre sua decisão em um vídeo incrível e corajoso, em que diz que todas as fotos escondiam sua depressão e baixa autoestima. E ela não quer mais que suas fotos façam outras pessoas se sentirem mal com seus corpos, com suas vidas, ao se compararem com essa fantasia.
Essena editou a descrição de várias fotos do seu Instagram, que até pouco haviam mais de 750 mil seguidores, para falar a verdade por trás de cada clique. Muitas das suas descrições falam “I won the genetic lottery” (traduzindo: “eu ganhei na loteria genética”). Muitas pessoas podem interpretar mal. Ela não diz isso porque ela se acha MARAVILHOSA, ela diz isso porque a ditadura da beleza da nossa sociedade enfiou na cabeça de todo mundo que a beleza ideal é de uma mulher magra, alta, de traços europeus, olhos claros, cabelos loiros, pele clara – bronzeada é um plus. Por isso que para ela os likes vinham com tanta facilidade.
Para coroar esse momento, Essena O’Neill está com uma campanha online chamada Let’s Be Game Changers. No site, ela explica sua intenção:
Eu queria criar uma plataforma que atua para difundir mensagens de uma nova era da vida consciente, que vão além de tecnologia, afim de minimizar a cultura de celebridade, promover o veganismo, nutrição baseada em vegetais, consciência ambiental, questões sociais, igualdade de gênero, arte controversa. Quero apresentar uma série de entrevistas com os indivíduos que estão querendo virar o jogo que foi-lhes dito para jogar. Além disso, criei um fórum colaborativo positivo, para as pessoas poderem falar sobre coisas do mundo real, para se conectarem através de ideias, não de likes, seguidores ou número de visualizações.