Eeei, Eô Eô! Pra quem não conhece, Rainha da Sucata foi uma novela nos anos 90, fizemos aqui um trocadalho do carilho em portuñol porque isso é o que a vida tem sido no momento, barracos, micos, lambadas, e tudo isso no cômodo de su casa, mas sem Regininha Duarte porque a gente não tem medo. Começamos esse não-blog pra falar como foi imigrar, as dificuldades que eu e meu companheiro passamos e espero que goste, estou aberta à perguntas também no meu twitter e/ou sugestão de temas! Me chama que eu vô!
Faz umas semanas que eu tenho tido memórias específicas de coisas que vivi junto com pessoas queridas ou não. Viver, de certa forma, isolados, traz tanto o nosso melhor quanto o nosso pior. Sabe aqueles memes no melhor estilo ~ estava indo dormir e aí bateu aquela bad que você fez 5 anos atrás, ou 10 (tô na idade que já rola até 15 anos atrás, irmã). Tem rolado comigo demais, mas revisitar essas memórias está trazendo paz pra mim. Encarar as merdas feitas, ditas, entender os erros, se emocionar com os acertos, os embates internos, tem sido maravilhoso.
Foi aí então que eu achei melhor começar a escrever sobre a vida aqui na Espanha. Sanar a saudade de todas as experiências vividas, das boas e das más, para servir como registro, para satisfazer a curiosidade dos amigos sobre como estamos (eu e Ivan, meu companheiro), onde estamos e como viemos parar aqui. Isso tudo sem ter que ser repetitiva e ainda depender da internet precária que temos para dar notícias. Mas não tô reclamando da internet não, viu Nossa Senhora do Wifi Alheio (explico em outro post, haha)? <3
Começou a primavera, acho que isso dá mais vontade de escrever, também. Vão fazer 4 meses que chegamos aqui mas só essa última semana é que consigo sair do banho e ir me vestir no quarto, ou onde eu quiser ir me vestir. Sempre odiei me vestir no banheiro depois do banho, tudo está úmido e não é confortável. Mas há pouco tempo atrás era a única forma de sair protegida do frio. A casa que estamos não tem aquecimento, só um aquecedor elétrico individual que usávamos só pra dormir! É uma casinha super simples no sudeste da Espanha, dentro do Parque Natural Cabo de Gata.
Tudo começou a um tempo atrás na ilha do sol (piadinha 25+). Tudo começou com a morte do meu avô em 2013, calma, não é pra ficar mórbido. Assim que meu avô faleceu, fomos morar no apartamento dele em Copacabana. A história é bem mais longa do que essa, o que importa é que conseguimos sair do aluguel e no (agora) nosso apartamento alugamos um dos dois quartos para viajantes Airbnb a partir de 2014. Eu e Ivan conseguimos juntar um bom dinheiro para reformar o apartamento que estava caindo aos pedaços e colocar pra alugar (para ir viajar).
Eu e Ivan compartilhamos a maioria das coisas, somos muito companheiros. Em 2013 fizemos um mochilão pelo leste da Europa que nos deixou com vontade de passar um tempo fora para conseguir absorver outras culturas sem pressa. Então começamos a botar esse plano em ação, com um ano de antecedência, começamos a juntar dinheiro, nos preparar psicologicamente e deixar a vida pronta para nossa ida. E assim fomos, ou viemos, haha. Escolhemos a Espanha porque o Ivan é neto de espanhol e no final de 1 ano vivendo aqui, há possibilidade de tirarmos uma dupla cidadania, o que facilitaria viajarmos pra onde quisermos sem chatices.
Vendemos tudo o que tínhamos e doamos muitas outras coisas, 2015 foi um ano difícil (para todes né?) e de muito desapego. Um ano de muita loucura, juntando dinheiro, arrumando o apartamento, morar um tempo na casa dos sogros (obrigada sogros maravilhosos!), conseguir vencer a burocracia de viajar com 3 mascotas para fora do Brasil, casar para facilitar a burocracia de conseguir tirar um visto de residência, pressão de ver amigos, pressão de ver familiares, medo, ansiedade (patológica e não), enfim, acho que deu pra entender. Foi um ano meio ~ quem ri por último rivotril, sabe assim? ~
Chegou num ponto em que já estávamos com tudo certo, só faltava o consulado liberar (ou não) o nosso visto. Foram semanas de angústia e resolvi ir a São Paulo visitar meu pai e meus amigos enquanto aguardava o resultado. Um dia eu acordei e chequei o site do consulado como todos os dias eu fazia (pelo menos 3 vezes ao dia aloca) e estava lá, eles tinham liberado. Eu gritava, corria pela casa do meu pai que nem o Mcaulin Caulkin seilacomoescreve no Esqueceram de Mim. Liguei pro Ivan berrando, mas ele entendeu depois de alguns segundos, hahaha. Chorava e ria ao mesmo tempo, emoçaum. <3
Voltei pro Rio uns dois dias depois, fizemos uma micro despedida tanto em SP quanto no RJ e viajamos logo em seguida. Chegamos em Madri no dia 18 de Dezembro de 2015. O ano tinha sido tão pesado, eu fiz questão de fazê-lo acabar com outra perspectiva. CONSEGUI, <3.
Saímos daquele Rio 40 graus e chegamos no aeroporto de Barajas em Madri. Devia estar fazendo uns 14 graus. Não estava tão frio pra época e eu queria absorver tudo, todos os cheiros, os sentidos estavam aguçadíssimos. Os animais chegaram bem, com carinhas ótimas, ufa! Um cara no aeroporto pediu pra ver a mochila do Ivan depois de passar no raio-x porque tinha um brinquedo do Madiba que parece um pinto, HAHA. ~micos.
O taxi já estava nos esperando com uma plaquinha com nosso nome. Como estávamos com caixas enormes dos animais, e mais 3 malas, foi preciso reservar uma van para 8 pessoas, hahaha. Vergonha alheia só que minha mesmo. O motorista foi extremamente simpático durante o caminho e nos ajudou a baixar as malas em nosso endereço para os próximos 5 dias, Calle Ave Maria, 23 em Lavapiés.
Chegando no endereço, o cara que daria as chaves pra gente (Airbnb) demorou mais de uma hora pra chegar, hahaha. O problema nem era o frio (só um pouquinho) é que as mascotas não comiam há mil horas, então deixei Ivan com as tralhas todas e fui achar um supermercado pra dar comida pra galera ali na rua mesmo. Infelizmente não pode transportar ração, nem sei se falei isso no post de viajar com mascotas, gulp!
Quando entrei no supermercado para comprar comida de cachorro e de gato, senti um climão! Como eu estava com pressa porque minhas mascotas não comiam já faziam muitas horas, ignorei e continuei procurando a comida, era um daqueles mini supermercados, sabe? Era um Dia% mini, pop up, sei lá como chama, hahaha. Fiquei achando que eu tava fazendo algo de errado, aloca, brasileiro vai pra gringa e acha que respirar já tá fazendo merda, hahaha. Quando cheguei no caixa, um funcionário já estava discutindo (barracão mermo) com um cara espanhol que tinha furtado alguns produtos. O cara que tinha furtado era um espanholzão de uns 45 anos e mesmo na condição de ter sido pego no flagrante, usou seu privilégio pra esbravejar xenofobia para o funcionário que era oriental. Cara, que ódio que deu, mas eu não tava pronta linguisticamente pra jogar o raio problematizador. A polícia chegou em menos de 5 minutos. De qualquer forma, pra quem conhece o RJ, sabe que depois de um barracão, há de se sentir em casa.
Voltei pra encontrar com o Ivan, demos comida pra galera e o cara do Airbnb chegou. Não foi muito fácil subir com a tralha toda, super pesada, por 4 lances duplos de escada, mas a excitação era tanta que foi até rápido. Compramos chip para celular em um locutório do lado de onde ficamos e já contactamos familiares, amigos, mandando o grande joínha dizendo que o vôo tinha sido ótimo e que chegamos bem.
Madri é foda. Lavapiés é um bairro de imigrantes e por isso tem os melhores bares, bares feministas, grafites políticos nas ruas, antifas, lugares vegetarianos e veganos, me senti em casa. Tinha um grafite que até já rolava um spoiler de Star Wars mas nem fiquei puta, achei engraçado, hahaha. A gente não tinha assistido ainda! De quebra ainda saímos com meu querido amigo Andrei, da época da faculdade, provavelmente ele vai surgir muitas vezes por aqui ~ spoiler.
Ah sim, claro. Como nós viemos parar aqui nas Presillas Bajas dentro do Parque Natural Cabo de Gata. É o seguinte, meu pai tem uma amizade de mais de 30 anos. Vou preservar os nomes porque nem sabem que estão sendo citados, tá? Hahaha. A casa foi comprada há uns 25 anos. A amiga do meu pai é francesa e deve ter custado praticamente nada para ela na época, se essa ainda é a região mais pobre da Espanha, na época, em Pesetas, deve ter sido bem baratinha mesmo. Mas como eu disse, ela é francesa e mora na França. Passa uma ou duas semanas por ano nessa casinha durante o verão e as vezes natal/ano novo. Ela nos ofereceu para ficarmos um tempo aqui até conseguirmos nos ajeitar minimamente, claro que aceitamos. Aqui somos caseiros, cuidamos da casa e pagamos as contas, claro. :) #migadomeupairainhaorestonadinha
Assim sendo, chegamos no dia 23 de dezembro na pequena aldeia de 20 pessoas (isso mesmo), Las Presillas Bajas, no sudeste da Espanha. Região desértica e praiana ao mesmo tempo. Assim começou a nossa aventura! Espero que vocês tenham gostado dessa intro porque terão mais textos e fotos sobre as altas aventuras e perrengues da sessão da tarde que passamos por aqui! Vídeos ainda não temos coragem mas das mascotas, com certeza!
Eeei, Eô Eô! Pra quem não conhece, Rainha da Sucata foi uma novela nos anos 90, fizemos aqui um trocadalho do carilho em portuñol porque isso é o que a vida tem sido no momento, barracos, micos, lambadas, e tudo isso no cômodo de su casa, mas sem Regininha Duarte porque a gente não tem medo. Começamos esse não-blog pra falar como foi imigrar, as dificuldades que eu e meu companheiro passamos e espero que goste, estou aberta à perguntas também no meu twitter e/ou sugestão de temas! Me chama que eu vô!
Faz umas semanas que eu tenho tido memórias específicas de coisas que vivi junto com pessoas queridas ou não. Viver, de certa forma, isolados, traz tanto o nosso melhor quanto o nosso pior. Sabe aqueles memes no melhor estilo ~ estava indo dormir e aí bateu aquela bad que você fez 5 anos atrás, ou 10 (tô na idade que já rola até 15 anos atrás, irmã). Tem rolado comigo demais, mas revisitar essas memórias está trazendo paz pra mim. Encarar as merdas feitas, ditas, entender os erros, se emocionar com os acertos, os embates internos, tem sido maravilhoso.
Foi aí então que eu achei melhor começar a escrever sobre a vida aqui na Espanha. Sanar a saudade de todas as experiências vividas, das boas e das más, para servir como registro, para satisfazer a curiosidade dos amigos sobre como estamos (eu e Ivan, meu companheiro), onde estamos e como viemos parar aqui. Isso tudo sem ter que ser repetitiva e ainda depender da internet precária que temos para dar notícias. Mas não tô reclamando da internet não, viu Nossa Senhora do Wifi Alheio (explico em outro post, haha)? <3
Começou a primavera, acho que isso dá mais vontade de escrever, também. Vão fazer 4 meses que chegamos aqui mas só essa última semana é que consigo sair do banho e ir me vestir no quarto, ou onde eu quiser ir me vestir. Sempre odiei me vestir no banheiro depois do banho, tudo está úmido e não é confortável. Mas há pouco tempo atrás era a única forma de sair protegida do frio. A casa que estamos não tem aquecimento, só um aquecedor elétrico individual que usávamos só pra dormir! É uma casinha super simples no sudeste da Espanha, dentro do Parque Natural Cabo de Gata.
Tudo começou a um tempo atrás na ilha do sol (piadinha 25+). Tudo começou com a morte do meu avô em 2013, calma, não é pra ficar mórbido. Assim que meu avô faleceu, fomos morar no apartamento dele em Copacabana. A história é bem mais longa do que essa, o que importa é que conseguimos sair do aluguel e no (agora) nosso apartamento alugamos um dos dois quartos para viajantes Airbnb a partir de 2014. Eu e Ivan conseguimos juntar um bom dinheiro para reformar o apartamento que estava caindo aos pedaços e colocar pra alugar (para ir viajar).
Eu e Ivan compartilhamos a maioria das coisas, somos muito companheiros. Em 2013 fizemos um mochilão pelo leste da Europa que nos deixou com vontade de passar um tempo fora para conseguir absorver outras culturas sem pressa. Então começamos a botar esse plano em ação, com um ano de antecedência, começamos a juntar dinheiro, nos preparar psicologicamente e deixar a vida pronta para nossa ida. E assim fomos, ou viemos, haha. Escolhemos a Espanha porque o Ivan é neto de espanhol e no final de 1 ano vivendo aqui, há possibilidade de tirarmos uma dupla cidadania, o que facilitaria viajarmos pra onde quisermos sem chatices.
Vendemos tudo o que tínhamos e doamos muitas outras coisas, 2015 foi um ano difícil (para todes né?) e de muito desapego. Um ano de muita loucura, juntando dinheiro, arrumando o apartamento, morar um tempo na casa dos sogros (obrigada sogros maravilhosos!), conseguir vencer a burocracia de viajar com 3 mascotas para fora do Brasil, casar para facilitar a burocracia de conseguir tirar um visto de residência, pressão de ver amigos, pressão de ver familiares, medo, ansiedade (patológica e não), enfim, acho que deu pra entender. Foi um ano meio ~ quem ri por último rivotril, sabe assim? ~
Chegou num ponto em que já estávamos com tudo certo, só faltava o consulado liberar (ou não) o nosso visto. Foram semanas de angústia e resolvi ir a São Paulo visitar meu pai e meus amigos enquanto aguardava o resultado. Um dia eu acordei e chequei o site do consulado como todos os dias eu fazia (pelo menos 3 vezes ao dia aloca) e estava lá, eles tinham liberado. Eu gritava, corria pela casa do meu pai que nem o Mcaulin Caulkin seilacomoescreve no Esqueceram de Mim. Liguei pro Ivan berrando, mas ele entendeu depois de alguns segundos, hahaha. Chorava e ria ao mesmo tempo, emoçaum. <3
Voltei pro Rio uns dois dias depois, fizemos uma micro despedida tanto em SP quanto no RJ e viajamos logo em seguida. Chegamos em Madri no dia 18 de Dezembro de 2015. O ano tinha sido tão pesado, eu fiz questão de fazê-lo acabar com outra perspectiva. CONSEGUI, <3.
Saímos daquele Rio 40 graus e chegamos no aeroporto de Barajas em Madri. Devia estar fazendo uns 14 graus. Não estava tão frio pra época e eu queria absorver tudo, todos os cheiros, os sentidos estavam aguçadíssimos. Os animais chegaram bem, com carinhas ótimas, ufa! Um cara no aeroporto pediu pra ver a mochila do Ivan depois de passar no raio-x porque tinha um brinquedo do Madiba que parece um pinto, HAHA. ~micos.
O taxi já estava nos esperando com uma plaquinha com nosso nome. Como estávamos com caixas enormes dos animais, e mais 3 malas, foi preciso reservar uma van para 8 pessoas, hahaha. Vergonha alheia só que minha mesmo. O motorista foi extremamente simpático durante o caminho e nos ajudou a baixar as malas em nosso endereço para os próximos 5 dias, Calle Ave Maria, 23 em Lavapiés.
Chegando no endereço, o cara que daria as chaves pra gente (Airbnb) demorou mais de uma hora pra chegar, hahaha. O problema nem era o frio (só um pouquinho) é que as mascotas não comiam há mil horas, então deixei Ivan com as tralhas todas e fui achar um supermercado pra dar comida pra galera ali na rua mesmo. Infelizmente não pode transportar ração, nem sei se falei isso no post de viajar com mascotas, gulp!
Quando entrei no supermercado para comprar comida de cachorro e de gato, senti um climão! Como eu estava com pressa porque minhas mascotas não comiam já faziam muitas horas, ignorei e continuei procurando a comida, era um daqueles mini supermercados, sabe? Era um Dia% mini, pop up, sei lá como chama, hahaha. Fiquei achando que eu tava fazendo algo de errado, aloca, brasileiro vai pra gringa e acha que respirar já tá fazendo merda, hahaha. Quando cheguei no caixa, um funcionário já estava discutindo (barracão mermo) com um cara espanhol que tinha furtado alguns produtos. O cara que tinha furtado era um espanholzão de uns 45 anos e mesmo na condição de ter sido pego no flagrante, usou seu privilégio pra esbravejar xenofobia para o funcionário que era oriental. Cara, que ódio que deu, mas eu não tava pronta linguisticamente pra jogar o raio problematizador. A polícia chegou em menos de 5 minutos. De qualquer forma, pra quem conhece o RJ, sabe que depois de um barracão, há de se sentir em casa.
Voltei pra encontrar com o Ivan, demos comida pra galera e o cara do Airbnb chegou. Não foi muito fácil subir com a tralha toda, super pesada, por 4 lances duplos de escada, mas a excitação era tanta que foi até rápido. Compramos chip para celular em um locutório do lado de onde ficamos e já contactamos familiares, amigos, mandando o grande joínha dizendo que o vôo tinha sido ótimo e que chegamos bem.
Madri é foda. Lavapiés é um bairro de imigrantes e por isso tem os melhores bares, bares feministas, grafites políticos nas ruas, antifas, lugares vegetarianos e veganos, me senti em casa. Tinha um grafite que até já rolava um spoiler de Star Wars mas nem fiquei puta, achei engraçado, hahaha. A gente não tinha assistido ainda! De quebra ainda saímos com meu querido amigo Andrei, da época da faculdade, provavelmente ele vai surgir muitas vezes por aqui ~ spoiler.
Ah sim, claro. Como nós viemos parar aqui nas Presillas Bajas dentro do Parque Natural Cabo de Gata. É o seguinte, meu pai tem uma amizade de mais de 30 anos. Vou preservar os nomes porque nem sabem que estão sendo citados, tá? Hahaha. A casa foi comprada há uns 25 anos. A amiga do meu pai é francesa e deve ter custado praticamente nada para ela na época, se essa ainda é a região mais pobre da Espanha, na época, em Pesetas, deve ter sido bem baratinha mesmo. Mas como eu disse, ela é francesa e mora na França. Passa uma ou duas semanas por ano nessa casinha durante o verão e as vezes natal/ano novo. Ela nos ofereceu para ficarmos um tempo aqui até conseguirmos nos ajeitar minimamente, claro que aceitamos. Aqui somos caseiros, cuidamos da casa e pagamos as contas, claro. :) #migadomeupairainhaorestonadinha
Assim sendo, chegamos no dia 23 de dezembro na pequena aldeia de 20 pessoas (isso mesmo), Las Presillas Bajas, no sudeste da Espanha. Região desértica e praiana ao mesmo tempo. Assim começou a nossa aventura! Espero que vocês tenham gostado dessa intro porque terão mais textos e fotos sobre as altas aventuras e perrengues da sessão da tarde que passamos por aqui! Vídeos ainda não temos coragem mas das mascotas, com certeza!
Eeei, Eô Eô! Pra quem não conhece, Rainha da Sucata foi uma novela nos anos 90, fizemos aqui um trocadalho do carilho em portuñol porque isso é o que a vida tem sido no momento, barracos, micos, lambadas, e tudo isso no cômodo de su casa, mas sem Regininha Duarte porque a gente não tem medo. Começamos esse não-blog pra falar como foi imigrar, as dificuldades que eu e meu companheiro passamos e espero que goste, estou aberta à perguntas também no meu twitter e/ou sugestão de temas! Me chama que eu vô!
Faz umas semanas que eu tenho tido memórias específicas de coisas que vivi junto com pessoas queridas ou não. Viver, de certa forma, isolados, traz tanto o nosso melhor quanto o nosso pior. Sabe aqueles memes no melhor estilo ~ estava indo dormir e aí bateu aquela bad que você fez 5 anos atrás, ou 10 (tô na idade que já rola até 15 anos atrás, irmã). Tem rolado comigo demais, mas revisitar essas memórias está trazendo paz pra mim. Encarar as merdas feitas, ditas, entender os erros, se emocionar com os acertos, os embates internos, tem sido maravilhoso.
Foi aí então que eu achei melhor começar a escrever sobre a vida aqui na Espanha. Sanar a saudade de todas as experiências vividas, das boas e das más, para servir como registro, para satisfazer a curiosidade dos amigos sobre como estamos (eu e Ivan, meu companheiro), onde estamos e como viemos parar aqui. Isso tudo sem ter que ser repetitiva e ainda depender da internet precária que temos para dar notícias. Mas não tô reclamando da internet não, viu Nossa Senhora do Wifi Alheio (explico em outro post, haha)? <3
Começou a primavera, acho que isso dá mais vontade de escrever, também. Vão fazer 4 meses que chegamos aqui mas só essa última semana é que consigo sair do banho e ir me vestir no quarto, ou onde eu quiser ir me vestir. Sempre odiei me vestir no banheiro depois do banho, tudo está úmido e não é confortável. Mas há pouco tempo atrás era a única forma de sair protegida do frio. A casa que estamos não tem aquecimento, só um aquecedor elétrico individual que usávamos só pra dormir! É uma casinha super simples no sudeste da Espanha, dentro do Parque Natural Cabo de Gata.
[caption id="attachment_10239" align="aligncenter" width="700"] é aqui onde estamos, Las Presillas Bajas, a 40km ao leste de Almería <3[/caption]
Tudo começou a um tempo atrás na ilha do sol (piadinha 25+). Tudo começou com a morte do meu avô em 2013, calma, não é pra ficar mórbido. Assim que meu avô faleceu, fomos morar no apartamento dele em Copacabana. A história é bem mais longa do que essa, o que importa é que conseguimos sair do aluguel e no (agora) nosso apartamento alugamos um dos dois quartos para viajantes Airbnb a partir de 2014. Eu e Ivan conseguimos juntar um bom dinheiro para reformar o apartamento que estava caindo aos pedaços e colocar pra alugar (para ir viajar).
Eu e Ivan compartilhamos a maioria das coisas, somos muito companheiros. Em 2013 fizemos um mochilão pelo leste da Europa que nos deixou com vontade de passar um tempo fora para conseguir absorver outras culturas sem pressa. Então começamos a botar esse plano em ação, com um ano de antecedência, começamos a juntar dinheiro, nos preparar psicologicamente e deixar a vida pronta para nossa ida. E assim fomos, ou viemos, haha. Escolhemos a Espanha porque o Ivan é neto de espanhol e no final de 1 ano vivendo aqui, há possibilidade de tirarmos uma dupla cidadania, o que facilitaria viajarmos pra onde quisermos sem chatices.
[caption id="attachment_10245" align="aligncenter" width="700"] tentativas de fotos para deixar no consulado, mas como a gente é ridículo, fomos num profissional mermo.[/caption]
Vendemos tudo o que tínhamos e doamos muitas outras coisas, 2015 foi um ano difícil (para todes né?) e de muito desapego. Um ano de muita loucura, juntando dinheiro, arrumando o apartamento, morar um tempo na casa dos sogros (obrigada sogros maravilhosos!), conseguir vencer a burocracia de viajar com 3 mascotas para fora do Brasil, casar para facilitar a burocracia de conseguir tirar um visto de residência, pressão de ver amigos, pressão de ver familiares, medo, ansiedade (patológica e não), enfim, acho que deu pra entender. Foi um ano meio ~ quem ri por último rivotril, sabe assim? ~
Chegou num ponto em que já estávamos com tudo certo, só faltava o consulado liberar (ou não) o nosso visto. Foram semanas de angústia e resolvi ir a São Paulo visitar meu pai e meus amigos enquanto aguardava o resultado. Um dia eu acordei e chequei o site do consulado como todos os dias eu fazia (pelo menos 3 vezes ao dia aloca) e estava lá, eles tinham liberado. Eu gritava, corria pela casa do meu pai que nem o Mcaulin Caulkin seilacomoescreve no Esqueceram de Mim. Liguei pro Ivan berrando, mas ele entendeu depois de alguns segundos, hahaha. Chorava e ria ao mesmo tempo, emoçaum. <3
[caption id="attachment_10243" align="aligncenter" width="280"] foi exatamente assim[/caption]
Voltei pro Rio uns dois dias depois, fizemos uma micro despedida tanto em SP quanto no RJ e viajamos logo em seguida. Chegamos em Madri no dia 18 de Dezembro de 2015. O ano tinha sido tão pesado, eu fiz questão de fazê-lo acabar com outra perspectiva. CONSEGUI, <3.
Saímos daquele Rio 40 graus e chegamos no aeroporto de Barajas em Madri. Devia estar fazendo uns 14 graus. Não estava tão frio pra época e eu queria absorver tudo, todos os cheiros, os sentidos estavam aguçadíssimos. Os animais chegaram bem, com carinhas ótimas, ufa! Um cara no aeroporto pediu pra ver a mochila do Ivan depois de passar no raio-x porque tinha um brinquedo do Madiba que parece um pinto, HAHA. ~micos.
[caption id="attachment_10244" align="aligncenter" width="690"] vai dizer ~ risos[/caption]
O taxi já estava nos esperando com uma plaquinha com nosso nome. Como estávamos com caixas enormes dos animais, e mais 3 malas, foi preciso reservar uma van para 8 pessoas, hahaha. Vergonha alheia só que minha mesmo. O motorista foi extremamente simpático durante o caminho e nos ajudou a baixar as malas em nosso endereço para os próximos 5 dias, Calle Ave Maria, 23 em Lavapiés.
Chegando no endereço, o cara que daria as chaves pra gente (Airbnb) demorou mais de uma hora pra chegar, hahaha. O problema nem era o frio (só um pouquinho) é que as mascotas não comiam há mil horas, então deixei Ivan com as tralhas todas e fui achar um supermercado pra dar comida pra galera ali na rua mesmo. Infelizmente não pode transportar ração, nem sei se falei isso no post de viajar com mascotas, gulp!
[caption id="attachment_10018" align="aligncenter" width="591"] todes ama essa foto, mas a gente tava há um tempão já ali aguardando (olha eu com note no colo, fiz o celular de roteador ~ malaca). a caixa de papelão tava com as comidas das mascotas! Hahaha. ~ segredos por trás das fotos ~[/caption]
Quando entrei no supermercado para comprar comida de cachorro e de gato, senti um climão! Como eu estava com pressa porque minhas mascotas não comiam já faziam muitas horas, ignorei e continuei procurando a comida, era um daqueles mini supermercados, sabe? Era um Dia% mini, pop up, sei lá como chama, hahaha. Fiquei achando que eu tava fazendo algo de errado, aloca, brasileiro vai pra gringa e acha que respirar já tá fazendo merda, hahaha. Quando cheguei no caixa, um funcionário já estava discutindo (barracão mermo) com um cara espanhol que tinha furtado alguns produtos. O cara que tinha furtado era um espanholzão de uns 45 anos e mesmo na condição de ter sido pego no flagrante, usou seu privilégio pra esbravejar xenofobia para o funcionário que era oriental. Cara, que ódio que deu, mas eu não tava pronta linguisticamente pra jogar o raio problematizador. A polícia chegou em menos de 5 minutos. De qualquer forma, pra quem conhece o RJ, sabe que depois de um barracão, há de se sentir em casa.
Voltei pra encontrar com o Ivan, demos comida pra galera e o cara do Airbnb chegou. Não foi muito fácil subir com a tralha toda, super pesada, por 4 lances duplos de escada, mas a excitação era tanta que foi até rápido. Compramos chip para celular em um locutório do lado de onde ficamos e já contactamos familiares, amigos, mandando o grande joínha dizendo que o vôo tinha sido ótimo e que chegamos bem.
[caption id="attachment_10297" align="aligncenter" width="310"] quem nunca? haha[/caption]
Madri é foda. Lavapiés é um bairro de imigrantes e por isso tem os melhores bares, bares feministas, grafites políticos nas ruas, antifas, lugares vegetarianos e veganos, me senti em casa. Tinha um grafite que até já rolava um spoiler de Star Wars mas nem fiquei puta, achei engraçado, hahaha. A gente não tinha assistido ainda! De quebra ainda saímos com meu querido amigo Andrei, da época da faculdade, provavelmente ele vai surgir muitas vezes por aqui ~ spoiler.
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Ah sim, claro. Como nós viemos parar aqui nas Presillas Bajas dentro do Parque Natural Cabo de Gata. É o seguinte, meu pai tem uma amizade de mais de 30 anos. Vou preservar os nomes porque nem sabem que estão sendo citados, tá? Hahaha. A casa foi comprada há uns 25 anos. A amiga do meu pai é francesa e deve ter custado praticamente nada para ela na época, se essa ainda é a região mais pobre da Espanha, na época, em Pesetas, deve ter sido bem baratinha mesmo. Mas como eu disse, ela é francesa e mora na França. Passa uma ou duas semanas por ano nessa casinha durante o verão e as vezes natal/ano novo. Ela nos ofereceu para ficarmos um tempo aqui até conseguirmos nos ajeitar minimamente, claro que aceitamos. Aqui somos caseiros, cuidamos da casa e pagamos as contas, claro. :) #migadomeupairainhaorestonadinha
Assim sendo, chegamos no dia 23 de dezembro na pequena aldeia de 20 pessoas (isso mesmo), Las Presillas Bajas, no sudeste da Espanha. Região desértica e praiana ao mesmo tempo. Assim começou a nossa aventura! Espero que vocês tenham gostado dessa intro porque terão mais textos e fotos sobre as altas aventuras e perrengues da sessão da tarde que passamos por aqui! Vídeos ainda não temos coragem mas das mascotas, com certeza!
Não sei vocês, mas eu já sou fã da Brit Marling faz alguns anos. Desde que vi Another Earth (2011) fiquei fascinada pela história, pela atuação e pela própria Brit (bff) quando descobri que tinha sido ela quem havia escrito o roteiro do filme (em conjunto com o Zal Batmanglij, também em The OA). Logo depois assisti The East(2013), também escrito por ela, e Sound of my Voice (2011).
Esse último foi o que eu menos gostei e, ainda assim, muitas coisas interessantes. Inclusive, muitas coisas relacionadas com The OA, muitas mesmo. Acho que ela também não deve ter ficado muito satisfeita com o final e quis elaborar mais a ideia (pretensiosa, eu? risos). Inclusive uma sequência de movimentos de saudação, tão ~ infantis quanto a construção dos Movimentos em The OA.
Segue o trailer, vejam o que vocês acham.
Quando soube que ela havia feito (escrito e produzido) uma série, fiquei super feliz, fazia anos que não ouvia o nome dela. Apesar de ter lido críticas contundentes vindas de amigos próximos, fui logo assistir.
Não esperava nada menos vindo dela. Continua a mesma linha de raciocínio de sempre, traz problematizações reais e fortes, assuntos sérios dentro de de um universo que é ao mesmo tempo fantástico e realista. Uma direção de arte maravilhosa, com uma ambientação muito natural, uma narrativa fluída, trilha sonora boa, é muito bem amarrado. #táamarrado
Pessoalmente achei a série um ode à excelente narrativa. Coisas maravilhosas que só a mágica do cinema pode nos trazer tão bem, inclusive eu acredito que The OA seja um filme de 8 horas, haha. A série pode ser contemplada de diferentes formas, de acordo com a expectativa e ideologia do espectador. Explico.
Caso você seja uma pessoa cética, a história é sobre uma superação de trauma e tudo o que pode discorrer dentro disso, histórias justificadas, personagens fictícios, muitos detalhes. Mas o melhor é que, durante toda a história, você pode fazer essa construção tranquilamente na sua cabeça e editar o que foi real e o que foi imaginário, sendo cético ou não. Até porque, o roteiro traz todas as peças para que isso aconteça, o psicólogo do FBI e a aceitação de Nina/Prairie/OA sobre suas deliberações, os livros embaixo da cama etc.
Trata também de pessoas acreditarem em fantasias e ilusões dependendo do seu estado de vulnerabilidade para suprir alguma necessidade. Ou seja, ter um apoio moral, psicológico e físico, um tipo de pertencimento e acolhimento.
Muito provavelmente, se você é uma dessas pessoas mais céticas, os movimentos trazidos e executados pelos personagens foram infantis e podem até ter beirado o ridículo, o que pode ter culminado na distração do atirador no final da série e permitiu que ele fosse desarmado.
O que eu acredito desse tipo de interpretação da narrativa é que a nossa vida segue essa mesma linha. Acredito que nós também fazemos movimentos ridículos, nossas rotinas, nossas manhas, nossos trabalhos, nossos relacionamentos, sexo, tudo é uma composição de movimentos que nos levam a outros lugares, coisas e sentimentos. Acredito também que todos nós em algum estado de vulnerabilidade nos abrimos para ser pertencidos, acolhidos, que seja por um grupo e/ou uma religião, e/ou tantas outras coisas mais. Por isso, acredito que essa série, mesmo que a pessoa seja muito cética, possa fazer alusões à narrativa do dia a dia, do mortal, do material com base no fantástico e continuar sendo boa.
Não é uma medida de saúde mental para ser bem ajustado em uma sociedade que está muito doente.
Caso você não seja uma pessoa cética, a série é o que ela realmente apresenta, a vivência de um trauma com uma base mística, com um aninhamento em algo agnóstico, apresentando uma experiência diferente de pós-morte para cada pessoa. Isso eu achei incrível. Uma representação feminina, com aparência indiana e falando árabe, um ser superior, a Kathun. Mas vai para muito além de algo místico-religioso, misturando uma maravilhosa ficção científica, falando sobre outras dimensões e de sentimentos de forma subjetiva e linda.
Fiquei apaixonada pela escolha de colocar pessoas com experiência de quase-morte com alguma capacidade de fazer algo com excelência, como a música, tocar algum instrumento, cantar com uma potência sentimental muito grande etc. Isso porque as artes, de alguma forma, nos tiram da nossa rotina maçante e nos colocam em algum estado alfa. Quem nunca se pegou viajando vendo alguma apresentação de dança ou música ou lendo um livro, uma poesia/poema, olhando um quadro? É difícil expressar esses sentimentos tão subjetivos e eu acredito que a série fez isso com maestria.
O mais interessante, na minha opinião, é que não interessa a forma que você tenha escolhido acreditar em como a história tenha se desdobrado porque, para a personagem principal, tudo aquilo foi verdade. Para os personagens secundários, pode ser que não além do aninhamento e pertencimento, mas ela viveu aquilo de forma intensa, assim como todos os outros. Inclusive, ela faz tudo para poder se reencontrar com o Homer, homem que também é mantido em cativeiro junto com ela e mais 4 pessoas. Nina/Prairie/OA mesma diz que não é o desfecho de um trauma, é o início de uma história.
A história apresenta realidades super pesadas: uma criança que sofreu um acidente e ficou cega, precisou imigrar para sobreviver, perdeu um pai, foi vendida pela tia, foi adotada por um casal e teve imensos problemas psicológicos, precisou tomar remédio a vida toda, foi sequestrada e mantida em cativeiro por 7 anos, tentou escapar, apanhou, voltou a enxergar. Depois de livre, não conseguiu se adaptar ao mundo real e foi contar sua história para pessoas extremamente vulneráveis, e tudo isso, todo esse concentrado de vida real, foi diluído em 8 episódios da forma mais linda possível. Ainda temos as histórias dos personagens secundários que lidam com suicídio (Jesse) e falecimento (DDA) de parentes próximos, transexualidade (BUCK), bullying (STEVE), pressão da sociedade por ser não-branco e precisar fazer tudo perfeito para tentar se igualar num privilégio branco (Alfonso) e o ataque à escola no final. São todos temas atuais que foram colocados de forma explícita e ao mesmo tempo muito bem colocados, naturalmente colocados.
Sinceramente, não sei se espero ou não uma segunda temporada. Claro que, por causa do ~ capitalismo selvagem, tudo vai depender da aceitação do público. Mas como eu disse, já está tudo tão bem amarrado que seria muito difícil continuar a história com sua dubiedade por mais episódios. Mas boto fé na menina, vamos ver o que acontece. Pra finalizar, quero dizer que eu amei o final e chorei pra cacete, parece que eu saí da história por dois minutos e assisti a um espetáculo de dança, pra depois voltar à não-realidade, mas realidade da série. Como em outra dimensão, haha. Ah, claro, sua percepção do final fica inteiramente por sua conta dependendo de como você acredita ou não na sucessão dos fatos! E não é só sobre ser cético ou não, é a mistura de tudo e todas as suas variáveis. <3 ~ #migasualouca#doubleinception
viajar com 3 mascotas para fora do Brasil, casar para facilitar a burocracia de conseguir tirar um visto de residência, pressão de ver amigos, pressão de ver familiares, medo, ansiedade (patológica e não), enfim, acho que deu pra entender. Foi um ano meio ~ quem ri por último rivotril, sabe assim? ~
Chegou num ponto em que já estávamos com tudo certo, só faltava o consulado liberar (ou não) o nosso visto. Foram semanas de angústia e resolvi ir a São Paulo visitar meu pai e meus amigos enquanto aguardava o resultado. Um dia eu acordei e chequei o site do consulado como todos os dias eu fazia (pelo menos 3 vezes ao dia aloca) e estava lá, eles tinham liberado. Eu gritava, corria pela casa do meu pai que nem o Mcaulin Caulkin seilacomoescreve no Esqueceram de Mim. Liguei pro Ivan berrando, mas ele entendeu depois de alguns segundos, hahaha. Chorava e ria ao mesmo tempo, emoçaum. <3
Voltei pro Rio uns dois dias depois, fizemos uma micro despedida tanto em SP quanto no RJ e viajamos logo em seguida. Chegamos em Madri no dia 18 de Dezembro de 2015. O ano tinha sido tão pesado, eu fiz questão de fazê-lo acabar com outra perspectiva. CONSEGUI, <3.
Saímos daquele Rio 40 graus e chegamos no aeroporto de Barajas em Madri. Devia estar fazendo uns 14 graus. Não estava tão frio pra época e eu queria absorver tudo, todos os cheiros, os sentidos estavam aguçadíssimos. Os animais chegaram bem, com carinhas ótimas, ufa! Um cara no aeroporto pediu pra ver a mochila do Ivan depois de passar no raio-x porque tinha um brinquedo do Madiba que parece um pinto, HAHA. ~micos.
O taxi já estava nos esperando com uma plaquinha com nosso nome. Como estávamos com caixas enormes dos animais, e mais 3 malas, foi preciso reservar uma van para 8 pessoas, hahaha. Vergonha alheia só que minha mesmo. O motorista foi extremamente simpático durante o caminho e nos ajudou a baixar as malas em nosso endereço para os próximos 5 dias, Calle Ave Maria, 23 em Lavapiés.
Chegando no endereço, o cara que daria as chaves pra gente (Airbnb) demorou mais de uma hora pra chegar, hahaha. O problema nem era o frio (só um pouquinho) é que as mascotas não comiam há mil horas, então deixei Ivan com as tralhas todas e fui achar um supermercado pra dar comida pra galera ali na rua mesmo. Infelizmente não pode transportar ração, nem sei se falei isso no post de viajar com mascotas, gulp!
Quando entrei no supermercado para comprar comida de cachorro e de gato, senti um climão! Como eu estava com pressa porque minhas mascotas não comiam já faziam muitas horas, ignorei e continuei procurando a comida, era um daqueles mini supermercados, sabe? Era um Dia% mini, pop up, sei lá como chama, hahaha. Fiquei achando que eu tava fazendo algo de errado, aloca, brasileiro vai pra gringa e acha que respirar já tá fazendo merda, hahaha. Quando cheguei no caixa, um funcionário já estava discutindo (barracão mermo) com um cara espanhol que tinha furtado alguns produtos. O cara que tinha furtado era um espanholzão de uns 45 anos e mesmo na condição de ter sido pego no flagrante, usou seu privilégio pra esbravejar xenofobia para o funcionário que era oriental. Cara, que ódio que deu, mas eu não tava pronta linguisticamente pra jogar o raio problematizador. A polícia chegou em menos de 5 minutos. De qualquer forma, pra quem conhece o RJ, sabe que depois de um barracão, há de se sentir em casa.
Voltei pra encontrar com o Ivan, demos comida pra galera e o cara do Airbnb chegou. Não foi muito fácil subir com a tralha toda, super pesada, por 4 lances duplos de escada, mas a excitação era tanta que foi até rápido. Compramos chip para celular em um locutório do lado de onde ficamos e já contactamos familiares, amigos, mandando o grande joínha dizendo que o vôo tinha sido ótimo e que chegamos bem.
Madri é foda. Lavapiés é um bairro de imigrantes e por isso tem os melhores bares, bares feministas, grafites políticos nas ruas, antifas, lugares vegetarianos e veganos, me senti em casa. Tinha um grafite que até já rolava um spoiler de Star Wars mas nem fiquei puta, achei engraçado, hahaha. A gente não tinha assistido ainda! De quebra ainda saímos com meu querido amigo Andrei, da época da faculdade, provavelmente ele vai surgir muitas vezes por aqui ~ spoiler.
Ah sim, claro. Como nós viemos parar aqui nas Presillas Bajas dentro do Parque Natural Cabo de Gata. É o seguinte, meu pai tem uma amizade de mais de 30 anos. Vou preservar os nomes porque nem sabem que estão sendo citados, tá? Hahaha. A casa foi comprada há uns 25 anos. A amiga do meu pai é francesa e deve ter custado praticamente nada para ela na época, se essa ainda é a região mais pobre da Espanha, na época, em Pesetas, deve ter sido bem baratinha mesmo. Mas como eu disse, ela é francesa e mora na França. Passa uma ou duas semanas por ano nessa casinha durante o verão e as vezes natal/ano novo. Ela nos ofereceu para ficarmos um tempo aqui até conseguirmos nos ajeitar minimamente, claro que aceitamos. Aqui somos caseiros, cuidamos da casa e pagamos as contas, claro. :) #migadomeupairainhaorestonadinha
Assim sendo, chegamos no dia 23 de dezembro na pequena aldeia de 20 pessoas (isso mesmo), Las Presillas Bajas, no sudeste da Espanha. Região desértica e praiana ao mesmo tempo. Assim começou a nossa aventura! Espero que vocês tenham gostado dessa intro porque terão mais textos e fotos sobre as altas aventuras e perrengues da sessão da tarde que passamos por aqui! Vídeos ainda não temos coragem mas das mascotas, com certeza!