A Normal Lost Phone é um jogo em que você pode colocar pra fora todo aquele seu talento reprimido de stalker.
Alguém perdeu um celular, aparentemente novo, e você teve a sorte (ou o azar…) de encontrá-lo. O telefone está desbloqueado e você pode fuçar livremente para descobrir o paradeiro do dono – ou simplesmente pelo prazer de stalkear a vida alheia.
O jogo foi criado pelo grupo europeu de animadores e desenvolvedores de games Accidental Queens e exibido durante o 5º Festival Internacional de VideoGames Independentes em Berlim, o A MAZE 2016.
Além do design bonitinho e até que bastante realista, o game tem a temática LGBT e queer como pano de fundo (Elizabeth Maler, uma das designers do jogo, me explicou o porquê da problemática de gênero em uma curta conversa que você lê no fim desse texto). Achei muito válida a ideia de trazer o tema à tona através do game, para que se possa refletir sobre o assunto de forma mais descontraída e natural. Foi uma bela sacada!
Joguei A Normal Lost Phone por alguns minutos no A MAZE, mas confesso que não consegui terminar tão rápido quanto imaginava. O objetivo do jogo é descobrir duas senhas necessárias para acessar o perfil do usuário no Love Birds, um dating app (tipo Tinder, Happn, Grindr). No celular, você pode acessar a lista de contatos, últimas mensagens (inclusive receber e enviar mensagens), galeria de fotos e calendário… Com eles, aos poucos, o jogador descobre que o telefone pertence a um garoto chamado Sam e, mais além, consegue saber o que foi acontecendo na vida de Sam desde que ele ganhou seu novo smartphone. Mas isso eu não vou contar!! Hihihi
O jogo é bem divertido e mexe com a curiosidade (ainda mais se você é uma curiosa de carteirinha como eu). Eu cheguei a um ponto em que não queria mais largar o tal game porque queria muito saber o que tinha acontecido com o Sam. E foi realmente interessante perceber como um simples celular pode dizer tanto sobre a vida de alguém… Portanto, cuidem bem de seus telefones!
O Accidental Queens está planejando uma nova versão do jogo com algumas novidades: mais aplicativos, códigos para desvendar, músicas e mais sobre a história de Sam. E possivelmente uma versão em português! Elizabeth me contou que a versão teste teve boa receptividade no Brasil e, por isso, eles pretendem fazer uma tradução – até agora, A Normal Lost Phone está disponível em inglês, espanhol e francês.
No dia 17 de maio, dia internacional contra a homofobia, o grupo lançará uma campanha de financiamento coletivo. Para isso, eles estão fazendo uma pesquisa sobre o que as pessoas gostariam de ganhar como recompensa em troca da contribuição. O questionário online também é uma forma de saber qual a receptividade do jogo no Brasil, para saber se vale a pena traduzi-lo para o português. Então, vamos ajudar e mostrar que queremos uma versão A Normal Lost Phone em nosso lindo idioma!
Segue a conversa que tive com Elizabeth Maler sobre a criação do jogo e do Accidental Queens:
Ovelha: Por que vocês decidiram trabalhar a temática LBGTQ no game A Normal Lost Phone?
Elizabeth: O projeto foi criado durante o Global Game Jam, um evento em que desenvolvedores se encontram e tentam montar o protótipo de um jogo em 48 horas. Depois que o tema “ritual” foi anunciado, nós (Elizabeth e outras duas meninas) começamos a pensar em um jogo com um celular perdido, em que você poderia explorar a identidade da pessoa. Nós queríamos fazer algo feminista. Queríamos também poder trabalhar por nossa conta, sem ter que lidar com algum troll, o que pode ser muito exaustivo para mulheres na área de games. Não é que haja muitas pessoas assim na indústria, mas há algumas… Então quando apresentamos a ideia para todo mundo no Game Jam para formar os times, decidimos dizer que iríamos fazer um game sobre a problemática de gênero. Nós achamos que seria uma boa maneira de ter certeza que não teríamos nenhum homofóbico ou misógino no grupo.
Ovelha: De onde vocês tiveram as ideias para montar a personalidade de Sam e sua história?
Elizabeth: Um amigo meu tinha acabado de me contar que era gay e que estava com medo de contar isso pros pais, que eram abertamente homofóbicos, e eu queria escrever algo sobre esse medo. Mas esse medo é a única ligação entre esse meu amigo e Sam. Outras partes da história de Sam e de sua personalidade foram inspiradas em outros amigos ou em pessoas da equipe de criação.
Ovelha: E por que vocês escolheram o nome Accidental Queens para o grupo desenvolvedor do jogo?
Elizabeth: O grupo é composto majoritariamente por mulheres, mas em francês, temos essa regra gramatical estúpida que diz que mesmo se o grupo for composto por 10 mil mulheres e apenas um homem, o adjetivo que se refere a esse grupo deve concordar com o gênero masculino… Acredito que seja o mesmo em português, como “são muito bonitos”, mesmo que seja um grupo 99% feminino. Bom, nós somos um grupo de maioria feminina e isso é raro na indústria de videogames. Por isso decidimos usar a palavra “queens” (rainhas, em inglês). Os meninos do grupo também gostaram da ideia de não ter um nome masculino e agora são eles que têm que se adaptar com isso (o nome feminino). Accidental é principalmente pelo fato do protótipo que fizemos ter se tornado um grande sucesso. Isso não foi planejado. Nós não tínhamos a pretensão de ficar famosas com o jogo, foi apenas um feliz acidente!
A Normal Lost Phone é um jogo em que você pode colocar pra fora todo aquele seu talento reprimido de stalker.
Alguém perdeu um celular, aparentemente novo, e você teve a sorte (ou o azar…) de encontrá-lo. O telefone está desbloqueado e você pode fuçar livremente para descobrir o paradeiro do dono – ou simplesmente pelo prazer de stalkear a vida alheia.
O jogo foi criado pelo grupo europeu de animadores e desenvolvedores de games Accidental Queens e exibido durante o 5º Festival Internacional de VideoGames Independentes em Berlim, o A MAZE 2016.
Além do design bonitinho e até que bastante realista, o game tem a temática LGBT e queer como pano de fundo (Elizabeth Maler, uma das designers do jogo, me explicou o porquê da problemática de gênero em uma curta conversa que você lê no fim desse texto). Achei muito válida a ideia de trazer o tema à tona através do game, para que se possa refletir sobre o assunto de forma mais descontraída e natural. Foi uma bela sacada!
Joguei A Normal Lost Phone por alguns minutos no A MAZE, mas confesso que não consegui terminar tão rápido quanto imaginava. O objetivo do jogo é descobrir duas senhas necessárias para acessar o perfil do usuário no Love Birds, um dating app (tipo Tinder, Happn, Grindr). No celular, você pode acessar a lista de contatos, últimas mensagens (inclusive receber e enviar mensagens), galeria de fotos e calendário… Com eles, aos poucos, o jogador descobre que o telefone pertence a um garoto chamado Sam e, mais além, consegue saber o que foi acontecendo na vida de Sam desde que ele ganhou seu novo smartphone. Mas isso eu não vou contar!! Hihihi
O jogo é bem divertido e mexe com a curiosidade (ainda mais se você é uma curiosa de carteirinha como eu). Eu cheguei a um ponto em que não queria mais largar o tal game porque queria muito saber o que tinha acontecido com o Sam. E foi realmente interessante perceber como um simples celular pode dizer tanto sobre a vida de alguém… Portanto, cuidem bem de seus telefones!
O Accidental Queens está planejando uma nova versão do jogo com algumas novidades: mais aplicativos, códigos para desvendar, músicas e mais sobre a história de Sam. E possivelmente uma versão em português! Elizabeth me contou que a versão teste teve boa receptividade no Brasil e, por isso, eles pretendem fazer uma tradução – até agora, A Normal Lost Phone está disponível em inglês, espanhol e francês.
No dia 17 de maio, dia internacional contra a homofobia, o grupo lançará uma campanha de financiamento coletivo. Para isso, eles estão fazendo uma pesquisa sobre o que as pessoas gostariam de ganhar como recompensa em troca da contribuição. O questionário online também é uma forma de saber qual a receptividade do jogo no Brasil, para saber se vale a pena traduzi-lo para o português. Então, vamos ajudar e mostrar que queremos uma versão A Normal Lost Phone em nosso lindo idioma!
Segue a conversa que tive com Elizabeth Maler sobre a criação do jogo e do Accidental Queens:
Ovelha: Por que vocês decidiram trabalhar a temática LBGTQ no game A Normal Lost Phone?
Elizabeth: O projeto foi criado durante o Global Game Jam, um evento em que desenvolvedores se encontram e tentam montar o protótipo de um jogo em 48 horas. Depois que o tema “ritual” foi anunciado, nós (Elizabeth e outras duas meninas) começamos a pensar em um jogo com um celular perdido, em que você poderia explorar a identidade da pessoa. Nós queríamos fazer algo feminista. Queríamos também poder trabalhar por nossa conta, sem ter que lidar com algum troll, o que pode ser muito exaustivo para mulheres na área de games. Não é que haja muitas pessoas assim na indústria, mas há algumas… Então quando apresentamos a ideia para todo mundo no Game Jam para formar os times, decidimos dizer que iríamos fazer um game sobre a problemática de gênero. Nós achamos que seria uma boa maneira de ter certeza que não teríamos nenhum homofóbico ou misógino no grupo.
Ovelha: De onde vocês tiveram as ideias para montar a personalidade de Sam e sua história?
Elizabeth: Um amigo meu tinha acabado de me contar que era gay e que estava com medo de contar isso pros pais, que eram abertamente homofóbicos, e eu queria escrever algo sobre esse medo. Mas esse medo é a única ligação entre esse meu amigo e Sam. Outras partes da história de Sam e de sua personalidade foram inspiradas em outros amigos ou em pessoas da equipe de criação.
Ovelha: E por que vocês escolheram o nome Accidental Queens para o grupo desenvolvedor do jogo?
Elizabeth: O grupo é composto majoritariamente por mulheres, mas em francês, temos essa regra gramatical estúpida que diz que mesmo se o grupo for composto por 10 mil mulheres e apenas um homem, o adjetivo que se refere a esse grupo deve concordar com o gênero masculino… Acredito que seja o mesmo em português, como “são muito bonitos”, mesmo que seja um grupo 99% feminino. Bom, nós somos um grupo de maioria feminina e isso é raro na indústria de videogames. Por isso decidimos usar a palavra “queens” (rainhas, em inglês). Os meninos do grupo também gostaram da ideia de não ter um nome masculino e agora são eles que têm que se adaptar com isso (o nome feminino). Accidental é principalmente pelo fato do protótipo que fizemos ter se tornado um grande sucesso. Isso não foi planejado. Nós não tínhamos a pretensão de ficar famosas com o jogo, foi apenas um feliz acidente!
A Normal Lost Phone é um jogo em que você pode colocar pra fora todo aquele seu talento reprimido de stalker.
Alguém perdeu um celular, aparentemente novo, e você teve a sorte (ou o azar…) de encontrá-lo. O telefone está desbloqueado e você pode fuçar livremente para descobrir o paradeiro do dono – ou simplesmente pelo prazer de stalkear a vida alheia.
O jogo foi criado pelo grupo europeu de animadores e desenvolvedores de games Accidental Queens e exibido durante o 5º Festival Internacional de VideoGames Independentes em Berlim, o A MAZE 2016.
Além do design bonitinho e até que bastante realista, o game tem a temática LGBT e queer como pano de fundo (Elizabeth Maler, uma das designers do jogo, me explicou o porquê da problemática de gênero em uma curta conversa que você lê no fim desse texto). Achei muito válida a ideia de trazer o tema à tona através do game, para que se possa refletir sobre o assunto de forma mais descontraída e natural. Foi uma bela sacada!
Joguei A Normal Lost Phone por alguns minutos no A MAZE, mas confesso que não consegui terminar tão rápido quanto imaginava. O objetivo do jogo é descobrir duas senhas necessárias para acessar o perfil do usuário no Love Birds, um dating app (tipo Tinder, Happn, Grindr). No celular, você pode acessar a lista de contatos, últimas mensagens (inclusive receber e enviar mensagens), galeria de fotos e calendário… Com eles, aos poucos, o jogador descobre que o telefone pertence a um garoto chamado Sam e, mais além, consegue saber o que foi acontecendo na vida de Sam desde que ele ganhou seu novo smartphone. Mas isso eu não vou contar!! Hihihi
O jogo é bem divertido e mexe com a curiosidade (ainda mais se você é uma curiosa de carteirinha como eu). Eu cheguei a um ponto em que não queria mais largar o tal game porque queria muito saber o que tinha acontecido com o Sam. E foi realmente interessante perceber como um simples celular pode dizer tanto sobre a vida de alguém… Portanto, cuidem bem de seus telefones!
O Accidental Queens está planejando uma nova versão do jogo com algumas novidades: mais aplicativos, códigos para desvendar, músicas e mais sobre a história de Sam. E possivelmente uma versão em português! Elizabeth me contou que a versão teste teve boa receptividade no Brasil e, por isso, eles pretendem fazer uma tradução – até agora, A Normal Lost Phone está disponível em inglês, espanhol e francês.
No dia 17 de maio, dia internacional contra a homofobia, o grupo lançará uma campanha de financiamento coletivo. Para isso, eles estão fazendo uma pesquisa sobre o que as pessoas gostariam de ganhar como recompensa em troca da contribuição. O questionário online também é uma forma de saber qual a receptividade do jogo no Brasil, para saber se vale a pena traduzi-lo para o português. Então, vamos ajudar e mostrar que queremos uma versão A Normal Lost Phone em nosso lindo idioma!
Segue a conversa que tive com Elizabeth Maler sobre a criação do jogo e do Accidental Queens:
Ovelha: Por que vocês decidiram trabalhar a temática LBGTQ no game A Normal Lost Phone?
Elizabeth: O projeto foi criado durante o Global Game Jam, um evento em que desenvolvedores se encontram e tentam montar o protótipo de um jogo em 48 horas. Depois que o tema “ritual” foi anunciado, nós (Elizabeth e outras duas meninas) começamos a pensar em um jogo com um celular perdido, em que você poderia explorar a identidade da pessoa. Nós queríamos fazer algo feminista. Queríamos também poder trabalhar por nossa conta, sem ter que lidar com algum troll, o que pode ser muito exaustivo para mulheres na área de games. Não é que haja muitas pessoas assim na indústria, mas há algumas… Então quando apresentamos a ideia para todo mundo no Game Jam para formar os times, decidimos dizer que iríamos fazer um game sobre a problemática de gênero. Nós achamos que seria uma boa maneira de ter certeza que não teríamos nenhum homofóbico ou misógino no grupo.
Ovelha: De onde vocês tiveram as ideias para montar a personalidade de Sam e sua história?
Elizabeth: Um amigo meu tinha acabado de me contar que era gay e que estava com medo de contar isso pros pais, que eram abertamente homofóbicos, e eu queria escrever algo sobre esse medo. Mas esse medo é a única ligação entre esse meu amigo e Sam. Outras partes da história de Sam e de sua personalidade foram inspiradas em outros amigos ou em pessoas da equipe de criação.
Ovelha: E por que vocês escolheram o nome Accidental Queens para o grupo desenvolvedor do jogo?
Elizabeth: O grupo é composto majoritariamente por mulheres, mas em francês, temos essa regra gramatical estúpida que diz que mesmo se o grupo for composto por 10 mil mulheres e apenas um homem, o adjetivo que se refere a esse grupo deve concordar com o gênero masculino… Acredito que seja o mesmo em português, como “são muito bonitos”, mesmo que seja um grupo 99% feminino. Bom, nós somos um grupo de maioria feminina e isso é raro na indústria de videogames. Por isso decidimos usar a palavra “queens” (rainhas, em inglês). Os meninos do grupo também gostaram da ideia de não ter um nome masculino e agora são eles que têm que se adaptar com isso (o nome feminino). Accidental é principalmente pelo fato do protótipo que fizemos ter se tornado um grande sucesso. Isso não foi planejado. Nós não tínhamos a pretensão de ficar famosas com o jogo, foi apenas um feliz acidente!
Pensa em uma mulher f*. Com uma história de vida pesada. Agora a imagine com um microfone na mão, fazendo rap sobre sua infância e adolescência violentas. Essa é Angel Haze, uma rapper americana, com origens indígena e africana, que nos presenteia com letras marcantes e questionadoras.
Batizada Raeen Angel Wilson, a rapper nasceu em Detroit em 1991, depois que seu pai, envolvido em diferentes gangues, morreu com um tiro no estômago numa briga. Sua mãe era uma índia Cherokee que começou a se relacionar com um pastor da Greater Apostolic Faith, uma vertente americana da igreja pentecostal cristã.
Em um artigo sobre Angel Haze, o jornalista Tom Lamont, do Guardian, descreve essa religião como uma que admite que os homens que estão dentro dela se comportem de forma extravagante. Como no caso do padrasto de Haze, que tinha outra esposa e filhos, mas dizia que Deus queria que a família Wilson fosse morar com eles.
Até os 14 anos, Angel Haze viveu nessa comunidade religiosa e cresceu com a ideia de que poderia morrer espontaneamente caso não se comportasse adequadamente.
Foi também ali que a rapper foi abusada sexualmente quando tinha apenas sete anos. O homem que a atacou era um amigo da família que tinha livre acesso a casa e as crianças. Ela fala explicitamente sobre isso na sua releitura de “Cleaning Up my Closet”, de Eminem.
“E aconteceu em uma casa
Onde todos sabiam (…)
Uma noite ele chegou em casa e eu estava dormindo na minha cama.
Ele subiu em cima de mim e se forçou entre minhas pernas
E ele disse, ei Ray, eu vi que você gosta de picolés
Então coloca a boca no meu pau e engole essa porra
(…) Imagine ter sete anos e ver porra na sua calcinha
Eu sei que é desagradável, mas às vezes eu até sangro pela bunda
Nojento, não é? Agora deixa esse sentimento te tocar fundo”
A letra toda é explícita, sem segredos, e nos faz encarar seus traumas como menina e como mulher. Em sua entrevista para o Guardian, a rapper diz que, antes da música, não conseguia ficar no mesmo espaço consiga mesma sem se ver sendo arrastada para o fundo por suas experiências de vida. Mas com a música, ela consegue colocar isso pra fora e “vomitar demônios pra todos os lados”.
O clipe do single Battle Cry parece ser outra forte referência ao seu passado. Nele, um pastor parece tirar os demônios de uma garotinha em um culto, enquanto sua mãe e um segundo homem observam. Depois disso, ela é colocada no carro com esse homem, enquanto chora pela mãe. Haze passa pela cena e canta: “Mas um dia você será mais forte do que tudo isso./ Você será./ E então você poderá dizer/ Não há dinheiro que possa comprar/Todo o amor que está aqui, esta noite”.
Seu passado e seu presente de superação são temas recorrentes em suas letras, como em A Tribe Called Red, Black Dahlia e Black Synagoge, todas do álbum Dirty Gold, de 2013. O seu mais recente álbum é Black To The Woods, de 2015.
Vale lembrar que Angel Haze ficou também conhecida por seu relacionamento com a modelo Ireland Baldwin, filha de Alec Baldwin e Kim Basinger. Mas a rapper não gosta de se definir como gay, bi ou hetero, apenas como ela mesma, Angel Haze, um vulcão em erupção depois de anos sendo oprimido.
O seu mais recente single é exatamente sobre isso. Sobre ressurgir como uma fênix. É lindo e ficamos felizes em ver que Haze sobreviveu ao seu passado.
Para conferir mais sobre essa monstra detonadora do rap, dá uma conferida na sua página do Facebook, Spotify, Instagram e YouTube.
A Normal Lost Phone é um jogo em que você pode colocar pra fora todo aquele seu talento reprimido de stalker.
Alguém perdeu um celular, aparentemente novo, e você teve a sorte (ou o azar…) de encontrá-lo. O telefone está desbloqueado e você pode fuçar livremente para descobrir o paradeiro do dono – ou simplesmente pelo prazer de stalkear a vida alheia.
O jogo foi criado pelo grupo europeu de animadores e desenvolvedores de games Accidental Queens e exibido durante o 5º Festival Internacional de VideoGames Independentes em Berlim, o A MAZE 2016.
Além do design bonitinho e até que bastante realista, o game tem a temática LGBT e queer como pano de fundo (Elizabeth Maler, uma das designers do jogo, me explicou o porquê da problemática de gênero em uma curta conversa que você lê no fim desse texto). Achei muito válida a ideia de trazer o tema à tona através do game, para que se possa refletir sobre o assunto de forma mais descontraída e natural. Foi uma bela sacada!
Joguei A Normal Lost Phone por alguns minutos no A MAZE, mas confesso que não consegui terminar tão rápido quanto imaginava. O objetivo do jogo é descobrir duas senhas necessárias para acessar o perfil do usuário no Love Birds, um dating app (tipo Tinder, Happn, Grindr). No celular, você pode acessar a lista de contatos, últimas mensagens (inclusive receber e enviar mensagens), galeria de fotos e calendário… Com eles, aos poucos, o jogador descobre que o telefone pertence a um garoto chamado Sam e, mais além, consegue saber o que foi acontecendo na vida de Sam desde que ele ganhou seu novo smartphone. Mas isso eu não vou contar!! Hihihi
O jogo é bem divertido e mexe com a curiosidade (ainda mais se você é uma curiosa de carteirinha como eu). Eu cheguei a um ponto em que não queria mais largar o tal game porque queria muito saber o que tinha acontecido com o Sam. E foi realmente interessante perceber como um simples celular pode dizer tanto sobre a vida de alguém… Portanto, cuidem bem de seus telefones!
O Accidental Queens está planejando uma nova versão do jogo com algumas novidades: mais aplicativos, códigos para desvendar, músicas e mais sobre a história de Sam. E possivelmente uma versão em português! Elizabeth me contou que a versão teste teve boa receptividade no Brasil e, por isso, eles pretendem fazer uma tradução – até agora, A Normal Lost Phone está disponível em inglês, espanhol e francês.
No dia 17 de maio, dia internacional contra a homofobia, o grupo lançará uma campanha de financiamento coletivo. Para isso, eles estão fazendo uma pesquisa sobre o que as pessoas gostariam de ganhar como recompensa em troca da contribuição. O questionário online também é uma forma de saber qual a receptividade do jogo no Brasil, para saber se vale a pena traduzi-lo para o português. Então, vamos ajudar e mostrar que queremos uma versão A Normal Lost Phone em nosso lindo idioma!
Segue a conversa que tive com Elizabeth Maler sobre a criação do jogo e do Accidental Queens:
Ovelha: Por que vocês decidiram trabalhar a temática LBGTQ no game A Normal Lost Phone?
Elizabeth: O projeto foi criado durante o Global Game Jam, um evento em que desenvolvedores se encontram e tentam montar o protótipo de um jogo em 48 horas. Depois que o tema “ritual” foi anunciado, nós (Elizabeth e outras duas meninas) começamos a pensar em um jogo com um celular perdido, em que você poderia explorar a identidade da pessoa. Nós queríamos fazer algo feminista. Queríamos também poder trabalhar por nossa conta, sem ter que lidar com algum troll, o que pode ser muito exaustivo para mulheres na área de games. Não é que haja muitas pessoas assim na indústria, mas há algumas… Então quando apresentamos a ideia para todo mundo no Game Jam para formar os times, decidimos dizer que iríamos fazer um game sobre a problemática de gênero. Nós achamos que seria uma boa maneira de ter certeza que não teríamos nenhum homofóbico ou misógino no grupo.
Ovelha: De onde vocês tiveram as ideias para montar a personalidade de Sam e sua história?
Elizabeth: Um amigo meu tinha acabado de me contar que era gay e que estava com medo de contar isso pros pais, que eram abertamente homofóbicos, e eu queria escrever algo sobre esse medo. Mas esse medo é a única ligação entre esse meu amigo e Sam. Outras partes da história de Sam e de sua personalidade foram inspiradas em outros amigos ou em pessoas da equipe de criação.
Ovelha: E por que vocês escolheram o nome Accidental Queens para o grupo desenvolvedor do jogo?
Elizabeth: O grupo é composto majoritariamente por mulheres, mas em francês, temos essa regra gramatical estúpida que diz que mesmo se o grupo for composto por 10 mil mulheres e apenas um homem, o adjetivo que se refere a esse grupo deve concordar com o gênero masculino… Acredito que seja o mesmo em português, como “são muito bonitos”, mesmo que seja um grupo 99% feminino. Bom, nós somos um grupo de maioria feminina e isso é raro na indústria de videogames. Por isso decidimos usar a palavra “queens” (rainhas, em inglês). Os meninos do grupo também gostaram da ideia de não ter um nome masculino e agora são eles que têm que se adaptar com isso (o nome feminino). Accidental é principalmente pelo fato do protótipo que fizemos ter se tornado um grande sucesso. Isso não foi planejado. Nós não tínhamos a pretensão de ficar famosas com o jogo, foi apenas um feliz acidente!
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A Normal Lost Phone é um jogo em que você pode colocar pra fora todo aquele seu talento reprimido de stalker.
Alguém perdeu um celular, aparentemente novo, e você teve a sorte (ou o azar…) de encontrá-lo. O telefone está desbloqueado e você pode fuçar livremente para descobrir o paradeiro do dono – ou simplesmente pelo prazer de stalkear a vida alheia.
O jogo foi criado pelo grupo europeu de animadores e desenvolvedores de games Accidental Queens e exibido durante o 5º Festival Internacional de VideoGames Independentes em Berlim, o A MAZE 2016.
Além do design bonitinho e até que bastante realista, o game tem a temática LGBT e queer como pano de fundo (Elizabeth Maler, uma das designers do jogo, me explicou o porquê da problemática de gênero em uma curta conversa que você lê no fim desse texto). Achei muito válida a ideia de trazer o tema à tona através do game, para que se possa refletir sobre o assunto de forma mais descontraída e natural. Foi uma bela sacada!
Joguei A Normal Lost Phone por alguns minutos no A MAZE, mas confesso que não consegui terminar tão rápido quanto imaginava. O objetivo do jogo é descobrir duas senhas necessárias para acessar o perfil do usuário no Love Birds, um dating app (tipo Tinder, Happn, Grindr). No celular, você pode acessar a lista de contatos, últimas mensagens (inclusive receber e enviar mensagens), galeria de fotos e calendário… Com eles, aos poucos, o jogador descobre que o telefone pertence a um garoto chamado Sam e, mais além, consegue saber o que foi acontecendo na vida de Sam desde que ele ganhou seu novo smartphone. Mas isso eu não vou contar!! Hihihi
O jogo é bem divertido e mexe com a curiosidade (ainda mais se você é uma curiosa de carteirinha como eu). Eu cheguei a um ponto em que não queria mais largar o tal game porque queria muito saber o que tinha acontecido com o Sam. E foi realmente interessante perceber como um simples celular pode dizer tanto sobre a vida de alguém… Portanto, cuidem bem de seus telefones!
O Accidental Queens está planejando uma nova versão do jogo com algumas novidades: mais aplicativos, códigos para desvendar, músicas e mais sobre a história de Sam. E possivelmente uma versão em português! Elizabeth me contou que a versão teste teve boa receptividade no Brasil e, por isso, eles pretendem fazer uma tradução – até agora, A Normal Lost Phone está disponível em inglês, espanhol e francês.
No dia 17 de maio, dia internacional contra a homofobia, o grupo lançará uma campanha de financiamento coletivo. Para isso, eles estão fazendo uma pesquisa sobre o que as pessoas gostariam de ganhar como recompensa em troca da contribuição. O questionário online também é uma forma de saber qual a receptividade do jogo no Brasil, para saber se vale a pena traduzi-lo para o português. Então, vamos ajudar e mostrar que queremos uma versão A Normal Lost Phone em nosso lindo idioma!
Segue a conversa que tive com Elizabeth Maler sobre a criação do jogo e do Accidental Queens:
Ovelha: Por que vocês decidiram trabalhar a temática LBGTQ no game A Normal Lost Phone?
Elizabeth: O projeto foi criado durante o Global Game Jam, um evento em que desenvolvedores se encontram e tentam montar o protótipo de um jogo em 48 horas. Depois que o tema “ritual” foi anunciado, nós (Elizabeth e outras duas meninas) começamos a pensar em um jogo com um celular perdido, em que você poderia explorar a identidade da pessoa. Nós queríamos fazer algo feminista. Queríamos também poder trabalhar por nossa conta, sem ter que lidar com algum troll, o que pode ser muito exaustivo para mulheres na área de games. Não é que haja muitas pessoas assim na indústria, mas há algumas… Então quando apresentamos a ideia para todo mundo no Game Jam para formar os times, decidimos dizer que iríamos fazer um game sobre a problemática de gênero. Nós achamos que seria uma boa maneira de ter certeza que não teríamos nenhum homofóbico ou misógino no grupo.
Ovelha: De onde vocês tiveram as ideias para montar a personalidade de Sam e sua história?
Elizabeth: Um amigo meu tinha acabado de me contar que era gay e que estava com medo de contar isso pros pais, que eram abertamente homofóbicos, e eu queria escrever algo sobre esse medo. Mas esse medo é a única ligação entre esse meu amigo e Sam. Outras partes da história de Sam e de sua personalidade foram inspiradas em outros amigos ou em pessoas da equipe de criação.
Ovelha: E por que vocês escolheram o nome Accidental Queens para o grupo desenvolvedor do jogo?
Elizabeth: O grupo é composto majoritariamente por mulheres, mas em francês, temos essa regra gramatical estúpida que diz que mesmo se o grupo for composto por 10 mil mulheres e apenas um homem, o adjetivo que se refere a esse grupo deve concordar com o gênero masculino… Acredito que seja o mesmo em português, como “são muito bonitos”, mesmo que seja um grupo 99% feminino. Bom, nós somos um grupo de maioria feminina e isso é raro na indústria de videogames. Por isso decidimos usar a palavra “queens” (rainhas, em inglês). Os meninos do grupo também gostaram da ideia de não ter um nome masculino e agora são eles que têm que se adaptar com isso (o nome feminino). Accidental é principalmente pelo fato do protótipo que fizemos ter se tornado um grande sucesso. Isso não foi planejado. Nós não tínhamos a pretensão de ficar famosas com o jogo, foi apenas um feliz acidente!