Modefica: ativismo online e offline

Site Modefica. Arte digital por Bárbara Malagoli (Baby C).

Toda a leitora da Ovelha deveria acompanhar o Modefica, uma plataforma que não é só mais um site de moda e lifestyle; ele tem a missão de levar um conteúdo feminista e de consciência vegana para suas leitoras.

Quando eu digo plataforma, é porque o Modefica não é só um site. O projeto se estende também por outras frentes, como um e-commerce que corresponde aos mesmos valores éticos, que vende apenas produtos veganos e que não fazem testes em animais.

Os ideais e a história do Modefica se assemelham aos da Ovelha, mas essa sinergia incrível não termina aí. Assim como eu, a fundadora e editora-chefe do Modefica é a Marina Colerato que, além de xará (meu “Nina” é só apelido), também trabalha com pesquisa de tendências. Até cabelo rosa ela teve! ♡
 
[caption id="attachment_11623" align="aligncenter" width="1800"]Marina Colerato, fundadora do Modefica. Foto: divulgação. Marina Colerato, fundadora do Modefica. Foto: divulgação.[/caption]  
A Marina me convidou recentemente para participar do Modefica Offline, um evento anual que se configura numa feirinha, bate-papos e workshops que acontecem durante um final de semana, com o intuito de debater ideias e inspirar mudanças.

No próximo sábado, dia 6, vou mediar o bate-papo “A importância do ativismo online para mudanças offline“, que contará com a presença das incríveis Stephanie Ribeiro, Aline Ramos, Amara Moira e Súlivam Sena (saiba mais sobre cada uma aqui). Aproveito para fazer o convite para ver essas mulheres sensacionais no palco! Dá ainda para se inscrever nos bate-papos ;)

Conversei rapidamente com a Marina pra saber um pouco mais sobre o Modefica e, especialmente, o Modefica Offline.

Ovelha: O Modifica surgiu na mesma época que a Ovelha, e também veio pra fazer a diferença. Conta um pouco do que a levou a criar esse projeto tão importante.

Marina Colerato: O Modefica nasceu em 2014 depois de 6 anos acumulando o desejo de ver uma moda mais criativa e diversificada no Brasil. Sou formada na área e via a dificuldade de sucesso dos novos designers e estilistas, além de uma mídia de moda que só divulga produtos de marcas de luxo ou grandes marcas. Desde o Mercado Mundo Mix, nos anos 90, não tínhamos nem mais eventos autorais e independentes para unir novos criadores. Foi nos últimos 3 anos que a coisa começou a mudar, o MMM voltou e novas feiras e espaços como Jardim Secreto e Endossa foram surgindo, além da possibilidade de criar sua loja virtual e divulgar nas mídias sociais. O cenário mudou bastante nesses dois últimos anos, mas continua sendo muito difícil para quem é designer de moda/estilista.

Acrescentou-se a isso o desejo de falar de moda de maneira séria porque a indústria da moda é coisa séria. Ela emprega milhões de pessoas, vale trilhões de dólares, ao mesmo tempo que escraviza pessoas, majoritariamente mulheres, mata bilhões de animais não-humanos e polui o mundo. O Modefica veio para incentivar a criatividade na moda, mas também veio para pensar essa criatividade de maneira séria, responsável e interseccional. A moda tange várias indústrias e várias pessoas, por isso, ao falar de moda, o pensamento precisa ser amplificado e, mais uma vez, a mídia de moda só fala de tendências ou de negócios (lucros, ações e CEOs). O Modefica surgiu do desejo de humanizar a comunicação de moda para promover uma produção e consumo mais conscientes.
 
 
Ovelha: Como você acha que o Modifica, em seu ativismo online, cria mudanças offline?

Marina Colerato: Nós somos uma plataforma bastante informativa e é isso que queremos. É a informação certa que faz as pessoas repensarem. Desse repensar, vem a vontade de mudança. Da vontade, aliada às dicas que nós damos, vem a mudança de fato. É um trabalho de formiguinha, mas é assim que a gente acredita que deve ser. É claro que promovemos eventos fora da internet, como é o caso do Modefica Offline e da Mentoria Modefica, pra fortalecer esse repasse de informação e troca para além da irternet, torcendo assim pra que as mudanças aconteçam mais rápido.
 
 
Ovelha: Você poderia falar um pouco mais sobre como é a Mentoria Modefica?

Marina Colerato: Estamos notando um crescente número de mulheres empreendendo marcas de moda com cada vez mais consciência, e diversas delas com muito potencial. A Mentoria busca reforçar as chances de sucesso dessas marcas, e, ao mesmo tempo, sugerir abordagens realmente positivas e conscientes, pensando como a moda pode ser uma ferramenta de transformação socioambiental positiva.

A mentoria é gratuita e conta com convidados especiais em todos os encontros para enriquecer o diálogo. Fizemos uma edição 2016 com 8 encontros de 3 horas cada, e 2017 tem mais também. Era pra ser pontual, como uma maneira de retribuir pela mentoria que eu recebi do Think Olga (Olga Mentoring), mas tivemos muitas marcas interessadas e acreditamos que é mais uma maneira de nos posicionarmos como agente transformador. Por isso rola ano que vem de novo!
 
 
Ovelha: Já em seu primeiro ano, as leitoras do Modifica foram agraciadas com um evento que reflete todo o ideal do site, o Modifica Offline. Pra você, qual é a importância de materializar a proposta do site em um espaço físico? Como o ativismo do site é ampliado por seu evento?

Marina Colerato: Eu acredito que a maior importância, e por isso que fizemos o evento, é mostrar que na ‘vida real’ tem muita gente pensando sobre isso. Pode parecer que estamos sozinhas, mas não estamos. Há outras mulheres dividindo esse mar com a gente e o evento vem para mostrar isso para quem participa, além de promover trocas olho no olho. Além disso, da produção às convidadas, todo mundo que trabalha com a gente é mulher. Desde a segurança até a fotógrafa. É uma forma de mostrar que há mulheres capacitadas em todas as profissões. Também juntamos o empreendedorismo feminino e uma nova maneira de pensar moda dentro da nossa loja pop-up, com marcas que estão produzindo com critérios bacanas, possuem costureiras próprias, não usam materiais de origem animal, trabalham o slow fashion. E tem as rodas de conversa, com meninas debatendo temas que sempre abordamos: de melhores maneiras de produzir a novas formas de negócios. Há uma discussão sobre distúrbios alimentares, que trata da relação da mulher com o corpo, e também de beleza, sob um ponto de vista mais holístico, que fala sobre aceitação. Então o evento é um desafio, onde tentamos colocar em prática tudo sobre o que falamos o ano inteiro.

 
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O Modefica Offline acontece nos dias 6 e 7 de agosto, é aberto ao público e tem entrada gratuita. Apenas para participas dos bate-papos e workshops é necessário fazer inscrição. Acompanhe o evento no Facebook.

Siga o Modefica: Site / Instagram / Facebook / Twitter / Pinterest
 

Mais de Nina Grando

A violência nos namoros de atrizes pornô

A atriz pornô Stoya postou recentemente dois Tweets que diziam explicitamente que seu ex-namorado, o celebrado ator pornô James Deen, a tinha estuprado. Pra quem não conhece, Stoya e Deen são duas figuras populares do pornô mainstream atual, não só para os seus filmes, mas também por contribuírem em publicações relacionadas a sexo, desmistificando alguns preconceitos sobre a pornografia.

 


 
Traduzindo livremente: “Aquele momento em que você entra na internet por um segundo e vê as pessoas idolatrando o cara que te estuprou como uma feminista. É uma merda.”

“James Deen me segurou e me fodeu enquanto eu falava não, pare, usando até a minha palavra de segurança. Eu não posso simplesmente acenar e sorrir quando as pessoas trazem ele à tona.”

 
Os tweets de Stoya rapidamente repercutiram na internet. A atriz ganhou o apoio da produtora pornô Joanna Angel, via Twitter. Além disso, a editora-chefe do The Frisky, revista para qual James Deen tem escrito sua coluna, chamada “What Would James Deen Do?” (O que James Deen faria?), anunciou que vai encerrar sua parceria com o ator na publicação, além de dar todo o apoio à atriz via Twitter.

Diferente do que está rolando atualmente na campanha #meuamigosecreto, que incentiva as mulheres a denunciarem as diversas situações de abuso, machismo e violência sem apontar nomes, Stoya não titubeou e disse com todas as letras quem foi o homem que a violentou. A denúncia pública da Stoya mostrou não só sua coragem de expor o que sofreu como também de expor publicamente seu agressor, sem medo das consequências. Porque por mais que a partir daí venham entrevistas e um processo, ela sabe que foi o certo a ser feito.

 

 
Deen ganhou fama por seu trabalho na indústria de filmes adultos, anunciado como o galã da indústria pornô, com muitas fãs do sexo feminino. Ele rotulou a si mesmo como feminista (é, pois é) em entrevistas anteriores, tendo dito que “no final do dia, eu desejo que todos tenham o respeito que eles merecem e que respeitem as liberdades e os direitos civis das pessoas.”

Essa denúncia feita pela Stoya é seríssima, pois não só expôs uma celebridade sem medo para que ela sofra a consequência de seu ato como também ajuda a lançar mais luz sobre a importância do consentimento durante todo o momento do sexo. O fato de Deen ter ignorado a palavra de segurança de sua parceira é alarmante, especialmente para um ator que lida com a natureza do consentimento no seu trabalho! Mesmo se o consentimento foi dado inicialmente, se a pessoa pede para parar e isso não for respeitado, conta como estupro. Stoya é uma mulher feminista e defensora dos direitos dos trabalhadores do sexo e não pode ser ignorada.
 

Atrizes pornôs são comumente violentadas fora das câmeras pelos homens que amam

Não podemos esquecer da também recente e terrível história do que aconteceu com a atriz pornô Christy Mack, que foi estuprada e espancada pelo lutador de MMA Jonathan Koppenhaver, mais conhecido por War Machine (Máquina de Guerra).

 

 
Em uma audiência, o advogado do lutador, Brandon Sua, chegou a dizer que seu cliente era inocente (!) e afirmou o pior dos absurdos: que não há como estuprar uma atriz pornô. “Não haveria como estuprar Christy por ela ser uma atriz pornô e gostar de sexo violento”, disse o advogado.

O absurdo desse caso não pára por aí. O lutador riu da situação e não demonstrou nenhum tipo de arrependimento. Ele ainda mandou um beijo para a promotora que cuidava do caso, Jacqueline Bluth, durante a audiência. O estuprador e lutador foi acusado de 34 crimes, incluindo estupro, sequestro e tentativa de assassinato da ex-namorada.

Este ano, Christy Mack falou à HBO Sports sobre a condenação do lutador. Depois de tudo que ele fez e de quase tê-la matado, ele só vai pegar até 5 anos de prisão, não os 20 anos que a atriz esperava. O mais triste disso? “Assim que ele for solto, ele vai me matar”, disse Christy.

Não é porque a mulher escolhe se prostituir, virar atriz pornô ou usar mini-saia que ela “merece” o estupro. Ninguém merece ser estuprada. Ninguém.

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Modefica, uma plataforma que não é só mais um site de moda e lifestyle; ele tem a missão de levar um conteúdo feminista e de consciência vegana para suas leitoras.

Quando eu digo plataforma, é porque o Modefica não é só um site. O projeto se estende também por outras frentes, como um e-commerce que corresponde aos mesmos valores éticos, que vende apenas produtos veganos e que não fazem testes em animais.

Os ideais e a história do Modefica se assemelham aos da Ovelha, mas essa sinergia incrível não termina aí. Assim como eu, a fundadora e editora-chefe do Modefica é a Marina Colerato que, além de xará (meu “Nina” é só apelido), também trabalha com pesquisa de tendências. Até cabelo rosa ela teve! ♡
 

 
A Marina me convidou recentemente para participar do Modefica Offline, um evento anual que se configura numa feirinha, bate-papos e workshops que acontecem durante um final de semana, com o intuito de debater ideias e inspirar mudanças.

No próximo sábado, dia 6, vou mediar o bate-papo “A importância do ativismo online para mudanças offline“, que contará com a presença das incríveis Stephanie Ribeiro, Aline Ramos, Amara Moira e Súlivam Sena (saiba mais sobre cada uma aqui). Aproveito para fazer o convite para ver essas mulheres sensacionais no palco! Dá ainda para se inscrever nos bate-papos ;)

Conversei rapidamente com a Marina pra saber um pouco mais sobre o Modefica e, especialmente, o Modefica Offline.

Ovelha: O Modifica surgiu na mesma época que a Ovelha, e também veio pra fazer a diferença. Conta um pouco do que a levou a criar esse projeto tão importante.

Marina Colerato: O Modefica nasceu em 2014 depois de 6 anos acumulando o desejo de ver uma moda mais criativa e diversificada no Brasil. Sou formada na área e via a dificuldade de sucesso dos novos designers e estilistas, além de uma mídia de moda que só divulga produtos de marcas de luxo ou grandes marcas. Desde o Mercado Mundo Mix, nos anos 90, não tínhamos nem mais eventos autorais e independentes para unir novos criadores. Foi nos últimos 3 anos que a coisa começou a mudar, o MMM voltou e novas feiras e espaços como Jardim Secreto e Endossa foram surgindo, além da possibilidade de criar sua loja virtual e divulgar nas mídias sociais. O cenário mudou bastante nesses dois últimos anos, mas continua sendo muito difícil para quem é designer de moda/estilista.

Acrescentou-se a isso o desejo de falar de moda de maneira séria porque a indústria da moda é coisa séria. Ela emprega milhões de pessoas, vale trilhões de dólares, ao mesmo tempo que escraviza pessoas, majoritariamente mulheres, mata bilhões de animais não-humanos e polui o mundo. O Modefica veio para incentivar a criatividade na moda, mas também veio para pensar essa criatividade de maneira séria, responsável e interseccional. A moda tange várias indústrias e várias pessoas, por isso, ao falar de moda, o pensamento precisa ser amplificado e, mais uma vez, a mídia de moda só fala de tendências ou de negócios (lucros, ações e CEOs). O Modefica surgiu do desejo de humanizar a comunicação de moda para promover uma produção e consumo mais conscientes.
 
 
Ovelha: Como você acha que o Modifica, em seu ativismo online, cria mudanças offline?

Marina Colerato: Nós somos uma plataforma bastante informativa e é isso que queremos. É a informação certa que faz as pessoas repensarem. Desse repensar, vem a vontade de mudança. Da vontade, aliada às dicas que nós damos, vem a mudança de fato. É um trabalho de formiguinha, mas é assim que a gente acredita que deve ser. É claro que promovemos eventos fora da internet, como é o caso do Modefica Offline e da Mentoria Modefica, pra fortalecer esse repasse de informação e troca para além da irternet, torcendo assim pra que as mudanças aconteçam mais rápido.
 
 
Ovelha: Você poderia falar um pouco mais sobre como é a Mentoria Modefica?

Marina Colerato: Estamos notando um crescente número de mulheres empreendendo marcas de moda com cada vez mais consciência, e diversas delas com muito potencial. A Mentoria busca reforçar as chances de sucesso dessas marcas, e, ao mesmo tempo, sugerir abordagens realmente positivas e conscientes, pensando como a moda pode ser uma ferramenta de transformação socioambiental positiva.

A mentoria é gratuita e conta com convidados especiais em todos os encontros para enriquecer o diálogo. Fizemos uma edição 2016 com 8 encontros de 3 horas cada, e 2017 tem mais também. Era pra ser pontual, como uma maneira de retribuir pela mentoria que eu recebi do Think Olga (Olga Mentoring), mas tivemos muitas marcas interessadas e acreditamos que é mais uma maneira de nos posicionarmos como agente transformador. Por isso rola ano que vem de novo!
 
 
Ovelha: Já em seu primeiro ano, as leitoras do Modifica foram agraciadas com um evento que reflete todo o ideal do site, o Modifica Offline. Pra você, qual é a importância de materializar a proposta do site em um espaço físico? Como o ativismo do site é ampliado por seu evento?

Marina Colerato: Eu acredito que a maior importância, e por isso que fizemos o evento, é mostrar que na ‘vida real’ tem muita gente pensando sobre isso. Pode parecer que estamos sozinhas, mas não estamos. Há outras mulheres dividindo esse mar com a gente e o evento vem para mostrar isso para quem participa, além de promover trocas olho no olho. Além disso, da produção às convidadas, todo mundo que trabalha com a gente é mulher. Desde a segurança até a fotógrafa. É uma forma de mostrar que há mulheres capacitadas em todas as profissões. Também juntamos o empreendedorismo feminino e uma nova maneira de pensar moda dentro da nossa loja pop-up, com marcas que estão produzindo com critérios bacanas, possuem costureiras próprias, não usam materiais de origem animal, trabalham o slow fashion. E tem as rodas de conversa, com meninas debatendo temas que sempre abordamos: de melhores maneiras de produzir a novas formas de negócios. Há uma discussão sobre distúrbios alimentares, que trata da relação da mulher com o corpo, e também de beleza, sob um ponto de vista mais holístico, que fala sobre aceitação. Então o evento é um desafio, onde tentamos colocar em prática tudo sobre o que falamos o ano inteiro.

 

 
O Modefica Offline acontece nos dias 6 e 7 de agosto, é aberto ao público e tem entrada gratuita. Apenas para participas dos bate-papos e workshops é necessário fazer inscrição. Acompanhe o evento no Facebook.

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