Claude Cahun e as “Heroínas” desconhecidas

Arte de Bárbara Malagoli (Baby C)

Desde fevereiro de 2015 estou em uma empreitada de só ler livros escritos por mulheres. Nesse meio tempo, já respondi às mais variadas perguntas, indo desde “Você pode me indicar alguns livros?” até “Você não sente falta de ler autores homens?”. Mas a grande pergunta a ser respondida nesses quase dois anos deveria ser: “O quanto isso mudou a sua vida?” E posso responder essa pergunta falando de uma autora que conheci fazendo buscas de novas autoras para ler, a Claude Cahun “heroína desconhecida”, poeta, narcisa, ensaísta, andrógina, contista, feminista indefinida, jornalista, humanista eventual, panfletária, amiga dos gatos, epistoleira, dândi, memorialista, simbolista, atriz, naturista, criadora de objetos, individualista, fotógrafa, surrealista, ativista política, idealista, esteta, resistente, mítica, peça única, como consta em seu perfil.

[caption id="attachment_12217" align="aligncenter" width="700"]Autorretrato de Claude Cahun em 1928 Autorretrato de Claude Cahun em 1928[/caption]

A melhor coisa de ter entrado nesse esquema ~exclusivista feminazi~ (risos) foi a amplitude que passei a dar às minhas pesquisas e buscas por autores para ler. É muito fácil chegar até um autor homem novo, ele é indicado em todos os livros, posts de blog, outdoors de ônibus, buscas no Google e até mesmo na porta do CCBB vendendo poesia. Eles caem no nosso colo como sempre, arrojados invadindo o espaço e conquistando, como bandeirantes, os olhares de seus leitores. Talvez seja só comigo, mas sinto que com as mulheres é diferente, as indicações funcionam em esquema de receitas secretas de família: uma amiga que passa pra outra que passa pra outra que passa pra outra. Restringir meu objetivo de leitura, na verdade, me fez ampliar meus cliques e pesquisas, chegando até esta artista única que é a Claude Cahun.

Nascida em 1894, em Nantes, na França, Lucy Schwob, como foi registrada em seu nascimento, produziu em diversos meios artísticos entre as décadas de 1920 e 1940. Mais conhecida por seus autorretratos e fotomontagens, Claude Cahun também se dedicou à escrita e publicou textos em revistas literárias europeias, dando origem a esse conjunto de histórias nomeado “Heroínas”. Mas o que mais me chamou atenção nesta artista multifoco não foi sua produção, mas sim a falta de divulgação e de conhecimento sobre o seu trabalho.

[caption id="attachment_12218" align="aligncenter" width="509"]"I am in training don't kiss me", Autorretrato “I am in training don’t kiss me”, Autorretrato[/caption]

Quando cheguei até o livro, lançado através de um crowdfunding pela A Bolha Editora, acreditei piamente se tratar de uma nova autora. Com um projeto gráfico lindão, o livro soa super atual, principalmente pela temática: são dezesseis contos que retratam uma nova perspectiva de diversas figuras femininas famosas de fabulas ou mitologias antigas. Claude Cahun faz uma leitura atravessada destas figuras impactantes, como Maria ou Cinderella, e ataca com sua ironia refinada e ácida.

[caption id="attachment_12229" align="aligncenter" width="700"]Heroínas lançado pela A Bolha Editora Heroínas lançado pela A Bolha Editora[/caption]

Corrigindo a história e dando voz a essas personagens, a autora nos traz uma nova perspectiva sobre o papel da mulher nos contos de fada e nas mitologias. Ou seja: Claude Cahun, em 1920, já era uma figura feminista marcante, que desafiava os padrões de gênero não só em sua escrita, como também em sua vida. A edição do livro, bastante completa, traz um posfácio do filósofo François Leperlier, que descreve precisamente a aura dos textos de Claude:

A intenção é clara, ela é irônica e subversiva ao se atacar à imagem da mulher como apresentada nos contos e mitos; uma tentativa de corrigir e reescrever biografias fabulosas, fazendo oposição às versões admitidas, conformes e banalizadas com outras versões inesperadas, rebeldes, cáusticas e irreverentes.

– François Leperlier

A escolha do nome Claude, feita aos 22 anos, não foi à toa: a possibilidade de ter um nome que abarcasse os dois gêneros era essencial para sua obra. Com uma aparência andrógina, considerando-se gênero neutro, e uma escrita ácida, Claude fez da sua vida sua obra e conquistou um espaço revolucionário quando muitas mulheres sequer pensavam em escrever.

Mas por que não falamos mais sobre Claude Cahun? O livro “Heroínas”, editado pela A Bolha, conta com uma introdução essencial para entender a figura de Claude Cahun. A também escritora Nathanaël, na introdução do livro, faz uma análise muito acertada dessa figura múltipla e traz à tona o esquecimento de uma artista talentosérrima:

(…) foi por muito tempo presumida como derrotada em combate, apagando-se alegremente dos registros históricos a fim de se confundir no anonimato… não fosse esse salvamento intempestivo de uma obra que, caso contrário, ficaria dedicada ao esquecimento e cujos rastros nos chegam hoje para além até das línguas que lhe eram próprias.

Nathanaël

Esquecidos, os textos de Claude Cahun, redigidos em diversas línguas, foram resgatados nos anos 80, caindo novamente no esquecimento e sendo trazidos à tona, em uma edição francesa, em 2006. Mas o que torna tudo ainda mais curioso é que Claude Cahun era uma presença importante e fundamental para autores que construíram o Surrealismo. Amiga de Henri Michaux, Andre Breton e George Bataille, Cahun participou de diversos movimentos e organizações surrealistas, integrando também movimentos políticos e lutando ativamente contra a o Nazismo que crescia na Europa. Acaba presa em 1944, junto a sua eterna companheira e amante, Marcel Moore, e são condenadas à morte. Conseguem fugir, mas atribui-se a morte de Claude Cahun a este período presa, por conta de sua saúde debilitada.

[caption id="attachment_12219" align="aligncenter" width="700"]Marcel Moore (Suzanne Malherbe) e Claude Cahun (Lucy Schwob), Autorretrato refletido no espelho, 1920. Marcel Moore (Suzanne Malherbe) e Claude Cahun (Lucy Schwob), Autorretrato refletido no espelho, 1920.[/caption]

Uma mulher com uma trajetória tão intensa e à frente de seu tempo, presente em movimentos artísticos e políticos, foi apagada de nossa história sem dó. Fico me perguntando o quanto conhecer Claude Cahun e sua história pode mudar a nossa concepção do que é ser mulher, a concepção de gênero, e como podemos nos colocar frente ao mundo. “Heroínas” acaba sendo um testemunho de como suas ideias são fundamentais para a construção da nossa força enquanto mulheres. Em uma das histórias, Cahun dá voz a Margarida, personagem de Fausto, de Goethe, e questiona diversos estigmas atribuídos às mulheres:

Uma mulher que tem lá seus desejos é mesmo um monstro? Será minha culpa? Quando esse mal começou, eu era muito jovem, jovem demais para entender.

Claude Cahun

É preciso ler essas mulheres, tão vanguarda ainda hoje em dia. Evoluímos muito, mas ao mesmo tempo muito pouco, e é ao se deparar com esse tipo de apagamento e resgate que percebemos a necessidade de preencher os mais diversos buracos da nossa história enquanto mulheres. Não se trata de não termos participado da história, com feitos importantes, se trata da história ainda ser escrita apenas por quem nos oprime e apaga: homens. É preciso conhecer nossa história, é preciso ler “Heroínas” de Claude Cahun, é preciso reescrever nossa trajetória tão cheia de lacunas.

Você encontra o livro “Heroínas” através da loja online da Editora A Bolha e também na loja física, que fica no mesmo prédio da Comuna, no Rio de Janeiro (Rua Sorocaba, 585 – Botafogo). Além disso, você pode seguir A Bolha Editora no Facebook e ficar por dentro dos lançamentos, sempre bem bacanas.

E antes de começar a ler o livro, vem cá dar o play nessa playlist mara inspiradas nas “Heroínas” de Claude Cahun.

 

Mais de Estela Rosa

Estante das minas: Elena Ferrante

Sempre fui adepta a não saber muita coisa sobre os autores dos livros que lia. Mesmo depois de entrar para a Faculdade de Letras e isso se tornar, de certa forma, imprescindível, nunca me apeguei o suficiente a datas, histórias, nomes, escalas sociais nas quais os autores estavam inseridos. Sei que essas informações influenciam totalmente um texto, que a história por trás do autor é o principal background para um romance e até mesmo para uma poesia, mas o mistério em volta de um autor sempre me seduziu mais.

Conheço pessoas curiosas, que se jogam na vida do autor, leem biografias, fofocas, dados, buscam fotos. Mas essa pessoa, definitivamente, não sou eu. Já li autoras achando que eram autores, já li poesias sem saber quem havia escrito. Beira um prazer esse véu que cobre os meus livros. E foi nesse clima que li o primeiro livro da escritora Elena Ferrante, A amiga genial. Eu não sabia nada sobre a autora, apenas que sua escrita era maravilhosa e que o livro fazia parte de uma tetralogia. SPOILER: Mal sabia eu que não haveria nada para saber.

Eu, que adoro o suspense do próximo volume, me joguei inteira no livro. Foi inevitável me apaixonar. Elena Ferrante escreve de maneira reta e direta, sem rodeios, mas, ao mesmo tempo, imersa em um mar de sentimentos inexplicáveis. Fui lendo e sendo imersa em uma rotina italiana, pobre, marginal e interiorana. Era como ler o dia a dia de outro lugar, um lugar onde eu mesma poderia ter vivido de tão intensa que é a maneira como Elena descreve cada situação e sentimento despertado na trama.

A tetralogia ficou conhecida como Série Napolitana. O primeiro volume, A amiga genial, se passa em uma vizinhança pobre de Nápoles em 1950. A ambientação me fez lembrar do subúrbio carioca e seus estigmas, o que me prendeu ainda mais a essa narrativa. A história relata a amizade entre duas meninas extremamente diferentes uma da outra, Lila e Lenu, mas que sentem uma intensa amizade, muitas vezes até dolorida. Quem cumpre o papel de narradora no livro é Elena Greco, a Lenu, personagem homônima à autora, que fez com que muitas pessoas cogitassem que o livro fosse uma autobiografia.

–Obrigada, mas a certa altura a escola termina.”

–Não para você: você é minha amiga genial, precisa se tornar a melhor de todos, homens e mulheres.

>> A amiga genial.

Mas é aí que mora o mistério que fez com que me apaixonasse ainda mais pela história e por Elena Ferrante: há mais de 20 anos o mercado literário agoniza com o total mistério que paira sobre a autora. Elena Ferrante nada mais é que um pseudônimo de uma escritora italiana que jamais revelou seu rosto e seu nome verdadeiro. Diversas foram as buscas e hipóteses. A última delas é que Elena Ferrante seria uma professora italiana chamada Marcella Marmo. Mas a professora jura de pés juntos que não se trata dela. Sendo assim, para a minha felicidade, o mistério continua.

Pareceu-me – formulado com as palavras de hoje – que não apenas sabia dizer bem as coisas, mas que estivesse desenvolvendo um dom que eu já conhecia: melhor do que fazia quando menina, tomava os fatos e os transformava com naturalidade em eventos cheios de tensão; reforçava a realidade enquanto a reduzia em palavras, injetava-lhes energia.

>> A amiga genial.

Quando saí daquele estado de dormência que o livro me causou, resolvi buscar algumas informações sobre a autora e foi quando soube de toda essa história que a cerca. Mais um motivo para mergulhar nisso tudo, Elena Ferrante não só escreveu uma linda história com altas doses de suspense como também transformou sua própria vida em uma história digna de perder horas a fio fazendo pesquisas. Em uma entrevista, Elena soltou uma frase que aqueceu meu coração: O romance não precisa de seu autor depois de escrito. Essa defesa que a autora faz de seu anonimato resume muito a minha ideia de que não preciso ter informações sobre o autor, de que o texto é uma obra independente.

Havia algo de insustentável nas coisas, nas pessoas, nos prédios, nas ruas, que somente reinventando tudo, como num jogo, se tornava aceitável.

– A amiga genial.

Além disso, Elena Ferrante também traz à tona o tópico literatura feminina. A autora diz já ter se preocupado com o fato de ser mulher e confessa ter acreditado que para escrever era necessário escrever como um homem. Foi só após conhecer o feminismo e grandes autoras mulheres que ela encontrou sua forma de escrever: livre do estigma machista da verdadeira literatura, aquela escrita por homens. E esse é mais um dos motivos do porquê devemos ler mais e mais mulheres, para que a força dessas grandes autoras traga ainda mais ânimo para nós, pequenas leitoras (e às vezes escritoras também).

O segundo livro da Série Napolitana, A história do novo sobrenome, acaba de ser lançado no Brasil e já estou louca para ler. Você pode encontrar os dois volumes na Amazon. Eles foram lançados pela lindinha Biblioteca Azul, numa edição simples, mas muito poderosa.

Leiam Elena Ferrante, meninas, uma mulher apenas misteriosíssima assim merece um espaço na sua estante!

 

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Desde fevereiro de 2015 estou em uma empreitada de só ler livros escritos por mulheres. Nesse meio tempo, já respondi às mais variadas perguntas, indo desde “Você pode me indicar alguns livros?” até “Você não sente falta de ler autores homens?”. Mas a grande pergunta a ser respondida nesses quase dois anos deveria ser: “O quanto isso mudou a sua vida?” E posso responder essa pergunta falando de uma autora que conheci fazendo buscas de novas autoras para ler, a Claude Cahun “heroína desconhecida”, poeta, narcisa, ensaísta, andrógina, contista, feminista indefinida, jornalista, humanista eventual, panfletária, amiga dos gatos, epistoleira, dândi, memorialista, simbolista, atriz, naturista, criadora de objetos, individualista, fotógrafa, surrealista, ativista política, idealista, esteta, resistente, mítica, peça única, como consta em seu perfil.

A melhor coisa de ter entrado nesse esquema ~exclusivista feminazi~ (risos) foi a amplitude que passei a dar às minhas pesquisas e buscas por autores para ler. É muito fácil chegar até um autor homem novo, ele é indicado em todos os livros, posts de blog, outdoors de ônibus, buscas no Google e até mesmo na porta do CCBB vendendo poesia. Eles caem no nosso colo como sempre, arrojados invadindo o espaço e conquistando, como bandeirantes, os olhares de seus leitores. Talvez seja só comigo, mas sinto que com as mulheres é diferente, as indicações funcionam em esquema de receitas secretas de família: uma amiga que passa pra outra que passa pra outra que passa pra outra. Restringir meu objetivo de leitura, na verdade, me fez ampliar meus cliques e pesquisas, chegando até esta artista única que é a Claude Cahun.

Nascida em 1894, em Nantes, na França, Lucy Schwob, como foi registrada em seu nascimento, produziu em diversos meios artísticos entre as décadas de 1920 e 1940. Mais conhecida por seus autorretratos e fotomontagens, Claude Cahun também se dedicou à escrita e publicou textos em revistas literárias europeias, dando origem a esse conjunto de histórias nomeado “Heroínas”. Mas o que mais me chamou atenção nesta artista multifoco não foi sua produção, mas sim a falta de divulgação e de conhecimento sobre o seu trabalho.

Quando cheguei até o livro, lançado através de um crowdfunding pela A Bolha Editora, acreditei piamente se tratar de uma nova autora. Com um projeto gráfico lindão, o livro soa super atual, principalmente pela temática: são dezesseis contos que retratam uma nova perspectiva de diversas figuras femininas famosas de fabulas ou mitologias antigas. Claude Cahun faz uma leitura atravessada destas figuras impactantes, como Maria ou Cinderella, e ataca com sua ironia refinada e ácida.

Corrigindo a história e dando voz a essas personagens, a autora nos traz uma nova perspectiva sobre o papel da mulher nos contos de fada e nas mitologias. Ou seja: Claude Cahun, em 1920, já era uma figura feminista marcante, que desafiava os padrões de gênero não só em sua escrita, como também em sua vida. A edição do livro, bastante completa, traz um posfácio do filósofo François Leperlier, que descreve precisamente a aura dos textos de Claude:

A intenção é clara, ela é irônica e subversiva ao se atacar à imagem da mulher como apresentada nos contos e mitos; uma tentativa de corrigir e reescrever biografias fabulosas, fazendo oposição às versões admitidas, conformes e banalizadas com outras versões inesperadas, rebeldes, cáusticas e irreverentes.

– François Leperlier

A escolha do nome Claude, feita aos 22 anos, não foi à toa: a possibilidade de ter um nome que abarcasse os dois gêneros era essencial para sua obra. Com uma aparência andrógina, considerando-se gênero neutro, e uma escrita ácida, Claude fez da sua vida sua obra e conquistou um espaço revolucionário quando muitas mulheres sequer pensavam em escrever.

Mas por que não falamos mais sobre Claude Cahun? O livro “Heroínas”, editado pela A Bolha, conta com uma introdução essencial para entender a figura de Claude Cahun. A também escritora Nathanaël, na introdução do livro, faz uma análise muito acertada dessa figura múltipla e traz à tona o esquecimento de uma artista talentosérrima:

(…) foi por muito tempo presumida como derrotada em combate, apagando-se alegremente dos registros históricos a fim de se confundir no anonimato… não fosse esse salvamento intempestivo de uma obra que, caso contrário, ficaria dedicada ao esquecimento e cujos rastros nos chegam hoje para além até das línguas que lhe eram próprias.

Nathanaël

Esquecidos, os textos de Claude Cahun, redigidos em diversas línguas, foram resgatados nos anos 80, caindo novamente no esquecimento e sendo trazidos à tona, em uma edição francesa, em 2006. Mas o que torna tudo ainda mais curioso é que Claude Cahun era uma presença importante e fundamental para autores que construíram o Surrealismo. Amiga de Henri Michaux, Andre Breton e George Bataille, Cahun participou de diversos movimentos e organizações surrealistas, integrando também movimentos políticos e lutando ativamente contra a o Nazismo que crescia na Europa. Acaba presa em 1944, junto a sua eterna companheira e amante, Marcel Moore, e são condenadas à morte. Conseguem fugir, mas atribui-se a morte de Claude Cahun a este período presa, por conta de sua saúde debilitada.

Uma mulher com uma trajetória tão intensa e à frente de seu tempo, presente em movimentos artísticos e políticos, foi apagada de nossa história sem dó. Fico me perguntando o quanto conhecer Claude Cahun e sua história pode mudar a nossa concepção do que é ser mulher, a concepção de gênero, e como podemos nos colocar frente ao mundo. “Heroínas” acaba sendo um testemunho de como suas ideias são fundamentais para a construção da nossa força enquanto mulheres. Em uma das histórias, Cahun dá voz a Margarida, personagem de Fausto, de Goethe, e questiona diversos estigmas atribuídos às mulheres:

Uma mulher que tem lá seus desejos é mesmo um monstro? Será minha culpa? Quando esse mal começou, eu era muito jovem, jovem demais para entender.

Claude Cahun

É preciso ler essas mulheres, tão vanguarda ainda hoje em dia. Evoluímos muito, mas ao mesmo tempo muito pouco, e é ao se deparar com esse tipo de apagamento e resgate que percebemos a necessidade de preencher os mais diversos buracos da nossa história enquanto mulheres. Não se trata de não termos participado da história, com feitos importantes, se trata da história ainda ser escrita apenas por quem nos oprime e apaga: homens. É preciso conhecer nossa história, é preciso ler “Heroínas” de Claude Cahun, é preciso reescrever nossa trajetória tão cheia de lacunas.

Você encontra o livro “Heroínas” através da loja online da Editora A Bolha e também na loja física, que fica no mesmo prédio da Comuna, no Rio de Janeiro (Rua Sorocaba, 585 – Botafogo). Além disso, você pode seguir A Bolha Editora no Facebook e ficar por dentro dos lançamentos, sempre bem bacanas.

E antes de começar a ler o livro, vem cá dar o play nessa playlist mara inspiradas nas “Heroínas” de Claude Cahun.

 

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