Leia: A odisséia de Penélope

A Odisséia de Penélope (The Penelopiad, 2005) é um livro da escritora canadense Margaret Atwood que, por sinal, atua em mil coisas. Essa mulher é romancista, poetisa, contista e ensaísta e ganhou o Prêmio Arthur C. Clarke e o Prémio Príncipe das Astúrias na categoria “letras”.

Para localizar quem ainda não sabe quem é essa escritora MARAVILHOSA, lembra do livro Conto da Aia (The Handmaid’s Tale) que inspirou a série? Então queridas, foi Margaret Atwood quem escreveu.

O foco de minha indicação é a trajetória de Penélope, esposa de Ulisses (Odisseu). O livro é narrado por Penélope depois de morta, contando fatos de sua vida. Ao mesmo tempo, assombrada pelas doze escravas que a ajudaram a enganar e distrair os homens (pretendentes) que tentavam usurpar o trono de Ulisses e foram enforcadas injustamente.

Margaret Atwood dá voz a Penélope, uma voz que é secundária dentro do clássico de Homero. Ou seja, dá voz a nós mulheres dentro do clássico. Penélope pode ser conhecida parcialmente por sua fidelidade a seu marido, mas enganam-se os que só acham isso, pois Penélope possui todas as características gregas de um herói que são honra (τιμή), virtude (αρετή), glória (κλέος) e é tão divina quanto Ulisses. Penélope é uma heroína da história.

Atwood segue o padrão clássico grego. A narrativa é cantada e declamada pelas Musas, assim a história alterna entre a narrativa de Penélope e o coro das Musas. Nada de melhor que as 12 escravas de Penélope enforcadas por Ulisses e Telêmaco na odisseia homérica como as Musas dessa narrativa certo? Na introdução do livro, Atwood afirma exatamente sua estrutura para contar e porque contar essa história dessa maneira:

“Optei por entregar a narrativa a Penélope e às doze escravas enforcadas. As escravas formam o Coro, que canta e declama, concentrando-se nas duas questões que se destacam numa leitura atenta da Odisséia: o motivo do enforcamento das escravas e o real propósito de Penélope. A maneira como a história é contada na Odisséia não convence, há muitas incoerências. Sempre vivi assombrada pelas escravas enforcadas; em A odisseia de Penélope, ocorre o mesmo com Penélope. ”

Cheia de ironia e classe, Atwood reconta o clássico homérico. Alguns trechos podem não ficar claro para quem não leu a Odisséia de Homero, assim recomendo a leitura dos resumos dos cantos para facilitar sua vida e para uma leitura 100% proveitosa.

Escrito por
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