Recentemente percebi que meu dia mais esperado da semana é terça-feira, dia de Masterchef Brasil Profissionais, dia de ver a Dayse Paparoto chutando bundas.
Essa última temporada do programa tem me marcado mais ainda que as anteriores (que também tiveram seusaltos e baixos), pelas atitudes machistas e descaradas de alguns participantes. No último episódio, exibido dia 29 de novembro, os participantes realizaram uma prova em que precisavam apresentar três receitas diferentes com o mesmo ingrediente. Dario e Marcelo ousaram no preparo, enquanto Dayse e Ivo optaram por receitas mais simples e sofisticadas. A prova decidia quem dos quatro participantes iria direto para a semifinal.
Bem tranquilo, Marcelo ressaltava a Dario que eles já estavam garantidos e que a vitória claramente ia para algum deles. De fato, Marcelo ganhou disparado na prova por maioria de votos, mas a sua surpresa estava mesmo na prova de eliminação a seguir.
Todos acreditavam que Dayse seria a candidata com “menos técnica” e seus conhecimentos eram erroneamente subestimados pelos demais. “Quero derrubar a Dayse de qualquer jeito, hoje”, disse Marcelo, achando que ela seria a mais fácil de passar por cima, se comparada a Ivo e Dario.
Dayse desenvolveu uma receita que surpreendeu a todos, inclusive a Marcelo, que desceu do mezanino (a convite inédito de Paola Carosella) para provar o prato que consistia em duas proteínas: fraldinha e vieiras com molho de maracujá.
Infelizmente não foi a primeira vez que a participante foi desacreditada, com constantes comentários de que ela seria a “menos perigosa” dos concorrentes, “muito teimosa” e por aí vai. Argumento atrás de argumento tentando desqualificar alguém que nunca foi pra berlinda – sorry not sorry!
E para todas as críticas Dayse só tem os melhores posicionamentos <3
Eu podia até cozinhar pra surpreender o Marcelo, mas a verdade é que eu não tô nem aí pra ele.
Fádia, ao ser eliminada em outro episódio, desabafou na saída: “É muito mais difícil (para as mulheres), porque tem os machistas na cozinha. Não aceitam nossa presença dentro de uma cozinha mais corrida, mais puxada. Só que desde que eu coloquei na minha cabeça de seguir isso como profissão, eu falei ‘não! Por quê?!’. Sou mulher, mas eu também tenho potência ou competência suficiente para estar no lugar de qualquer um, sendo homem ou mulher”.
Lógico que como todo programa de televisão, ainda mais um reallity show, o Masterchef tem suas edições e cortes calculados para cada episódio. Mas isso não necessariamente desqualifica os preconceitos demonstrados durante a competição.
Engraçado como é comum a mulher ser relacionada ao papel de dona de casa, na cozinha e afins (vide o “bela, recatada e do lar“). Mas quando se trata de uma competição entre homens e mulheres, o papel da mulher facilmente se transforma a algo inferior. Como no comentário do participante Ivo (ex-chefe de Dayse), em um episódio passado, quando disse para que ela pegasse a vassoura e que varresse o chão, enquanto ele e Dario cozinhavam.
¯\_(ツ)_/¯
Em entrevista recente, Dayse comentou sobre esse machismo que sofreu e ainda sofre dentro da cozinha: “Sempre tive que ser meio bruta para conseguir me manter em um emprego, porque o chef coloca as meninas na salada e eu não queria salada, queria fogão, ser subchef, chef. Quando entrava na salada, eu tinha que me esforçar o dobro dos caras para mostrar que podia ir para o fogão”.
A própria poderosíssima chef Paola Carosella comentou em entrevista pra revista Trip, em novembro de 2015, sobre os maus bocados que passou na cozinha, pelo simples fato de ser mulher. Hoje a bem-sucedida chef argentina conta que sofreu com assédios sexuais, com encoxadas de chefes a ameaças de morte por colegas de trabalho.
O relato das duas e de outras competidoras do Masterchef Brasil Profissionais prova que a cozinha profissional é um ambiente extremamente machista, por mais difícil que seja imaginar isso – considerando as décadas em que mulheres foram mandadas para onde? Pra cozinha!
Mas elas estão conquistando seus espaços e derrubando alguns machistas pelo caminho. Não é, Dayse?! <3
“Ver meu ex-chefe sair da competição é um sentimento que não sei explicar, porque, quando eu era subchefe dele, ele não acreditava em mim. Ele não acredita em mim até hoje. Ver essa cena é um pouco estranho, mas me deixa um pouco feliz porque me faz pensar que estou no caminho certo”, disse a chef orgulhosa, depois da eliminação de Ivo.
Lugar de mulher é na cozinha, no escritório, pilotando um airbus, ou onde quer que ela decida. E isso vai continuar ferindo o ego de muitos homens até que eles relaxem e aprendam que a gente tá aqui sim e é pra arrebentar. Deal with it.
Texto por Fernanda Garcia (Kissy) com a colaboração de Débora Backes.
Recentemente percebi que meu dia mais esperado da semana é terça-feira, dia de Masterchef Brasil Profissionais, dia de ver a Dayse Paparoto chutando bundas.
Essa última temporada do programa tem me marcado mais ainda que as anteriores (que também tiveram seusaltos e baixos), pelas atitudes machistas e descaradas de alguns participantes. No último episódio, exibido dia 29 de novembro, os participantes realizaram uma prova em que precisavam apresentar três receitas diferentes com o mesmo ingrediente. Dario e Marcelo ousaram no preparo, enquanto Dayse e Ivo optaram por receitas mais simples e sofisticadas. A prova decidia quem dos quatro participantes iria direto para a semifinal.
Bem tranquilo, Marcelo ressaltava a Dario que eles já estavam garantidos e que a vitória claramente ia para algum deles. De fato, Marcelo ganhou disparado na prova por maioria de votos, mas a sua surpresa estava mesmo na prova de eliminação a seguir.
Todos acreditavam que Dayse seria a candidata com “menos técnica” e seus conhecimentos eram erroneamente subestimados pelos demais. “Quero derrubar a Dayse de qualquer jeito, hoje”, disse Marcelo, achando que ela seria a mais fácil de passar por cima, se comparada a Ivo e Dario.
Dayse desenvolveu uma receita que surpreendeu a todos, inclusive a Marcelo, que desceu do mezanino (a convite inédito de Paola Carosella) para provar o prato que consistia em duas proteínas: fraldinha e vieiras com molho de maracujá.
Infelizmente não foi a primeira vez que a participante foi desacreditada, com constantes comentários de que ela seria a “menos perigosa” dos concorrentes, “muito teimosa” e por aí vai. Argumento atrás de argumento tentando desqualificar alguém que nunca foi pra berlinda – sorry not sorry!
E para todas as críticas Dayse só tem os melhores posicionamentos <3
Eu podia até cozinhar pra surpreender o Marcelo, mas a verdade é que eu não tô nem aí pra ele.
Fádia, ao ser eliminada em outro episódio, desabafou na saída: “É muito mais difícil (para as mulheres), porque tem os machistas na cozinha. Não aceitam nossa presença dentro de uma cozinha mais corrida, mais puxada. Só que desde que eu coloquei na minha cabeça de seguir isso como profissão, eu falei ‘não! Por quê?!’. Sou mulher, mas eu também tenho potência ou competência suficiente para estar no lugar de qualquer um, sendo homem ou mulher”.
Lógico que como todo programa de televisão, ainda mais um reallity show, o Masterchef tem suas edições e cortes calculados para cada episódio. Mas isso não necessariamente desqualifica os preconceitos demonstrados durante a competição.
Engraçado como é comum a mulher ser relacionada ao papel de dona de casa, na cozinha e afins (vide o “bela, recatada e do lar“). Mas quando se trata de uma competição entre homens e mulheres, o papel da mulher facilmente se transforma a algo inferior. Como no comentário do participante Ivo (ex-chefe de Dayse), em um episódio passado, quando disse para que ela pegasse a vassoura e que varresse o chão, enquanto ele e Dario cozinhavam.
¯\_(ツ)_/¯
Em entrevista recente, Dayse comentou sobre esse machismo que sofreu e ainda sofre dentro da cozinha: “Sempre tive que ser meio bruta para conseguir me manter em um emprego, porque o chef coloca as meninas na salada e eu não queria salada, queria fogão, ser subchef, chef. Quando entrava na salada, eu tinha que me esforçar o dobro dos caras para mostrar que podia ir para o fogão”.
A própria poderosíssima chef Paola Carosella comentou em entrevista pra revista Trip, em novembro de 2015, sobre os maus bocados que passou na cozinha, pelo simples fato de ser mulher. Hoje a bem-sucedida chef argentina conta que sofreu com assédios sexuais, com encoxadas de chefes a ameaças de morte por colegas de trabalho.
O relato das duas e de outras competidoras do Masterchef Brasil Profissionais prova que a cozinha profissional é um ambiente extremamente machista, por mais difícil que seja imaginar isso – considerando as décadas em que mulheres foram mandadas para onde? Pra cozinha!
Mas elas estão conquistando seus espaços e derrubando alguns machistas pelo caminho. Não é, Dayse?! <3
“Ver meu ex-chefe sair da competição é um sentimento que não sei explicar, porque, quando eu era subchefe dele, ele não acreditava em mim. Ele não acredita em mim até hoje. Ver essa cena é um pouco estranho, mas me deixa um pouco feliz porque me faz pensar que estou no caminho certo”, disse a chef orgulhosa, depois da eliminação de Ivo.
Lugar de mulher é na cozinha, no escritório, pilotando um airbus, ou onde quer que ela decida. E isso vai continuar ferindo o ego de muitos homens até que eles relaxem e aprendam que a gente tá aqui sim e é pra arrebentar. Deal with it.
Texto por Fernanda Garcia (Kissy) com a colaboração de Débora Backes.
Dayse, participante do MasterChef Brasil Profissionais. Colagem digital feita por Fernanda Garcia (Kissy)
Recentemente percebi que meu dia mais esperado da semana é terça-feira, dia de Masterchef Brasil Profissionais, dia de ver a Dayse Paparoto chutando bundas.
Essa última temporada do programa tem me marcado mais ainda que as anteriores (que também tiveram seusaltos e baixos), pelas atitudes machistas e descaradas de alguns participantes. No último episódio, exibido dia 29 de novembro, os participantes realizaram uma prova em que precisavam apresentar três receitas diferentes com o mesmo ingrediente. Dario e Marcelo ousaram no preparo, enquanto Dayse e Ivo optaram por receitas mais simples e sofisticadas. A prova decidia quem dos quatro participantes iria direto para a semifinal.
Bem tranquilo, Marcelo ressaltava a Dario que eles já estavam garantidos e que a vitória claramente ia para algum deles. De fato, Marcelo ganhou disparado na prova por maioria de votos, mas a sua surpresa estava mesmo na prova de eliminação a seguir.
[caption id="attachment_12479" align="alignnone" width="1000"] Antes de começar a prova de eliminação Paola Carosella dá o toque nos chefs.[/caption]
Todos acreditavam que Dayse seria a candidata com “menos técnica” e seus conhecimentos eram erroneamente subestimados pelos demais. “Quero derrubar a Dayse de qualquer jeito, hoje”, disse Marcelo, achando que ela seria a mais fácil de passar por cima, se comparada a Ivo e Dario.
Dayse desenvolveu uma receita que surpreendeu a todos, inclusive a Marcelo, que desceu do mezanino (a convite inédito de Paola Carosella) para provar o prato que consistia em duas proteínas: fraldinha e vieiras com molho de maracujá.
[caption id="attachment_12475" align="alignnone" width="1000"] vlw flw[/caption]
Infelizmente não foi a primeira vez que a participante foi desacreditada, com constantes comentários de que ela seria a “menos perigosa” dos concorrentes, “muito teimosa” e por aí vai. Argumento atrás de argumento tentando desqualificar alguém que nunca foi pra berlinda – sorry not sorry!
E para todas as críticas Dayse só tem os melhores posicionamentos <3
Eu podia até cozinhar pra surpreender o Marcelo, mas a verdade é que eu não tô nem aí pra ele.
Fádia, ao ser eliminada em outro episódio, desabafou na saída: “É muito mais difícil (para as mulheres), porque tem os machistas na cozinha. Não aceitam nossa presença dentro de uma cozinha mais corrida, mais puxada. Só que desde que eu coloquei na minha cabeça de seguir isso como profissão, eu falei ‘não! Por quê?!’. Sou mulher, mas eu também tenho potência ou competência suficiente para estar no lugar de qualquer um, sendo homem ou mulher”.
Lógico que como todo programa de televisão, ainda mais um reallity show, o Masterchef tem suas edições e cortes calculados para cada episódio. Mas isso não necessariamente desqualifica os preconceitos demonstrados durante a competição.
Engraçado como é comum a mulher ser relacionada ao papel de dona de casa, na cozinha e afins (vide o “bela, recatada e do lar“). Mas quando se trata de uma competição entre homens e mulheres, o papel da mulher facilmente se transforma a algo inferior. Como no comentário do participante Ivo (ex-chefe de Dayse), em um episódio passado, quando disse para que ela pegasse a vassoura e que varresse o chão, enquanto ele e Dario cozinhavam.
¯\_(ツ)_/¯
Em entrevista recente, Dayse comentou sobre esse machismo que sofreu e ainda sofre dentro da cozinha: “Sempre tive que ser meio bruta para conseguir me manter em um emprego, porque o chef coloca as meninas na salada e eu não queria salada, queria fogão, ser subchef, chef. Quando entrava na salada, eu tinha que me esforçar o dobro dos caras para mostrar que podia ir para o fogão”.
A própria poderosíssima chef Paola Carosella comentou em entrevista pra revista Trip, em novembro de 2015, sobre os maus bocados que passou na cozinha, pelo simples fato de ser mulher. Hoje a bem-sucedida chef argentina conta que sofreu com assédios sexuais, com encoxadas de chefes a ameaças de morte por colegas de trabalho.
O relato das duas e de outras competidoras do Masterchef Brasil Profissionais prova que a cozinha profissional é um ambiente extremamente machista, por mais difícil que seja imaginar isso – considerando as décadas em que mulheres foram mandadas para onde? Pra cozinha!
Mas elas estão conquistando seus espaços e derrubando alguns machistas pelo caminho. Não é, Dayse?! <3
“Ver meu ex-chefe sair da competição é um sentimento que não sei explicar, porque, quando eu era subchefe dele, ele não acreditava em mim. Ele não acredita em mim até hoje. Ver essa cena é um pouco estranho, mas me deixa um pouco feliz porque me faz pensar que estou no caminho certo”, disse a chef orgulhosa, depois da eliminação de Ivo.
Lugar de mulher é na cozinha, no escritório, pilotando um airbus, ou onde quer que ela decida. E isso vai continuar ferindo o ego de muitos homens até que eles relaxem e aprendam que a gente tá aqui sim e é pra arrebentar. Deal with it.
Texto por Fernanda Garcia (Kissy) com a colaboração de Débora Backes.
Em um disfarçado tom de ataque à indústria alimentícia, Okja – que estreou na Netflix em junho deste ano – traz divertidos personagens numa história dura, porém reflexiva.
Por trás da aparência fofa dos primeiros minutos do filme – onde a personagem principal Mija (Seo-Hyun Ahn) se diverte com sua superporca de estimação em meio a natureza sul-coreana – existe uma crítica à maneira como produzimos e consumimos nossos alimentos, em especial à indústria da carne.
Do diretor Bong Joon-ho, o longa mostra a história de Mija, uma órfã que vive com seu avô e a superporca Okja em uma casa simples no alto de uma montanha. Este animal é resultado de um experimento genético da empresa de Lucy Mirando (interpretada por Tilda Swinton), que criou não apenas Okja mas outros porcos da mesma espécie e os distribuiu para diferentes criadores ao redor do mundo. Após alguns anos, Mirando quer os porcos de volta, como desfecho de uma empreitada publicitária.
Ao longo da trama, uma organização de ativistas se envolve no resgate de Okja a fim de expor as reais intenções de Lucy Mirando e sua indústria, que por trás da imagem de sustentabilidade pretende promover uma grande campanha de carne processada. Aí entra também uma suave crítica ao capitalismo, que explora os meios de produção com uma lógica de ganhos a qual não se preocupa com seus danos gerados.
Mas além das críticas trazidas pelo roteiro, o filme conta com uma bela fotografia e impressionantes efeitos visuais, onde os detalhes como textura, sombreamento e movimento nos animais aparecem impecáveis.
A atuação da jovem Seo-Hyun Ahn também é um destaque trazido por Mija, sua forte personagem. Persistente, a menina foge de sua casa no interior para salvar sua porca e nenhuma aventura impede sua determinação – nem a dificuldade com a língua estrangeira, quando Mija chega aos EUA em busca de Okja.
Mesmo sendo muito aplaudido em Cannes, Okja recebeu críticas durante o festival pelo seu envolvimento com a Netflix em relação ao seu modelo de distribuição. Na França, o lançamento de filmes online só é permitido 3 anos após a estreia no cinema. Para o diretor Bong Joon-ho, isso é compreensível, mas a produção do filme não seria possível de outra maneira. Após apresentar o projeto a outros estúdios e produtoras, o interesse destas se voltava a algo mais superficial, diferente da liberdade total oferecida pela Netflix. “Eles viam uma menina e belos animais. Queriam alguma coisa tipo Disney”, disse Joon-ho, em entrevista.
Sobre o tema do filme, a atriz Tilda Swinton comentou que mostra “a ideia de caminhar como sonâmbulos rumo ao consumismo”.
Essa última temporada do programa tem me marcado mais ainda que as anteriores (que também tiveram seusaltos e baixos), pelas atitudes machistas e descaradas de alguns participantes. No último episódio, exibido dia 29 de novembro, os participantes realizaram uma prova em que precisavam apresentar três receitas diferentes com o mesmo ingrediente. Dario e Marcelo ousaram no preparo, enquanto Dayse e Ivo optaram por receitas mais simples e sofisticadas. A prova decidia quem dos quatro participantes iria direto para a semifinal.
Bem tranquilo, Marcelo ressaltava a Dario que eles já estavam garantidos e que a vitória claramente ia para algum deles. De fato, Marcelo ganhou disparado na prova por maioria de votos, mas a sua surpresa estava mesmo na prova de eliminação a seguir.
Todos acreditavam que Dayse seria a candidata com “menos técnica” e seus conhecimentos eram erroneamente subestimados pelos demais. “Quero derrubar a Dayse de qualquer jeito, hoje”, disse Marcelo, achando que ela seria a mais fácil de passar por cima, se comparada a Ivo e Dario.
Dayse desenvolveu uma receita que surpreendeu a todos, inclusive a Marcelo, que desceu do mezanino (a convite inédito de Paola Carosella) para provar o prato que consistia em duas proteínas: fraldinha e vieiras com molho de maracujá.
Infelizmente não foi a primeira vez que a participante foi desacreditada, com constantes comentários de que ela seria a “menos perigosa” dos concorrentes, “muito teimosa” e por aí vai. Argumento atrás de argumento tentando desqualificar alguém que nunca foi pra berlinda – sorry not sorry!
E para todas as críticas Dayse só tem os melhores posicionamentos <3
Eu podia até cozinhar pra surpreender o Marcelo, mas a verdade é que eu não tô nem aí pra ele.
Fádia, ao ser eliminada em outro episódio, desabafou na saída: “É muito mais difícil (para as mulheres), porque tem os machistas na cozinha. Não aceitam nossa presença dentro de uma cozinha mais corrida, mais puxada. Só que desde que eu coloquei na minha cabeça de seguir isso como profissão, eu falei ‘não! Por quê?!’. Sou mulher, mas eu também tenho potência ou competência suficiente para estar no lugar de qualquer um, sendo homem ou mulher”.
Lógico que como todo programa de televisão, ainda mais um reallity show, o Masterchef tem suas edições e cortes calculados para cada episódio. Mas isso não necessariamente desqualifica os preconceitos demonstrados durante a competição.
Engraçado como é comum a mulher ser relacionada ao papel de dona de casa, na cozinha e afins (vide o “bela, recatada e do lar“). Mas quando se trata de uma competição entre homens e mulheres, o papel da mulher facilmente se transforma a algo inferior. Como no comentário do participante Ivo (ex-chefe de Dayse), em um episódio passado, quando disse para que ela pegasse a vassoura e que varresse o chão, enquanto ele e Dario cozinhavam.
¯\_(ツ)_/¯
Em entrevista recente, Dayse comentou sobre esse machismo que sofreu e ainda sofre dentro da cozinha: “Sempre tive que ser meio bruta para conseguir me manter em um emprego, porque o chef coloca as meninas na salada e eu não queria salada, queria fogão, ser subchef, chef. Quando entrava na salada, eu tinha que me esforçar o dobro dos caras para mostrar que podia ir para o fogão”.
A própria poderosíssima chef Paola Carosella comentou em entrevista pra revista Trip, em novembro de 2015, sobre os maus bocados que passou na cozinha, pelo simples fato de ser mulher. Hoje a bem-sucedida chef argentina conta que sofreu com assédios sexuais, com encoxadas de chefes a ameaças de morte por colegas de trabalho.
O relato das duas e de outras competidoras do Masterchef Brasil Profissionais prova que a cozinha profissional é um ambiente extremamente machista, por mais difícil que seja imaginar isso – considerando as décadas em que mulheres foram mandadas para onde? Pra cozinha!
Mas elas estão conquistando seus espaços e derrubando alguns machistas pelo caminho. Não é, Dayse?! <3
“Ver meu ex-chefe sair da competição é um sentimento que não sei explicar, porque, quando eu era subchefe dele, ele não acreditava em mim. Ele não acredita em mim até hoje. Ver essa cena é um pouco estranho, mas me deixa um pouco feliz porque me faz pensar que estou no caminho certo”, disse a chef orgulhosa, depois da eliminação de Ivo.
Lugar de mulher é na cozinha, no escritório, pilotando um airbus, ou onde quer que ela decida. E isso vai continuar ferindo o ego de muitos homens até que eles relaxem e aprendam que a gente tá aqui sim e é pra arrebentar. Deal with it.
Texto por Fernanda Garcia (Kissy) com a colaboração de Débora Backes.