Assista: Okja

Em um disfarçado tom de ataque à indústria alimentícia, Okja – que estreou na Netflix em junho deste ano – traz divertidos personagens numa história dura, porém reflexiva.

Por trás da aparência fofa dos primeiros minutos do filme – onde a personagem principal Mija (Seo-Hyun Ahn) se diverte com sua superporca de estimação em meio a natureza sul-coreana – existe uma crítica à maneira como produzimos e consumimos nossos alimentos, em especial à indústria da carne.  

Do diretor Bong Joon-ho, o longa mostra a história de Mija, uma órfã que vive com seu avô e a superporca Okja em uma casa simples no alto de uma montanha. Este animal é resultado de um experimento genético da empresa de Lucy Mirando (interpretada por Tilda Swinton), que criou não apenas Okja mas outros porcos da mesma espécie e os distribuiu para diferentes criadores ao redor do mundo. Após alguns anos, Mirando quer os porcos de volta, como desfecho de uma empreitada publicitária.

Ao longo da trama, uma organização de ativistas se envolve no resgate de Okja a fim de expor as reais intenções de Lucy Mirando e sua indústria, que por trás da imagem de sustentabilidade pretende promover uma grande campanha de carne processada. Aí entra também uma suave crítica ao capitalismo, que explora os meios de produção com uma lógica de ganhos a qual não se preocupa com seus danos gerados.

“Porcos merecem sonhos felizes”

Mas além das críticas trazidas pelo roteiro, o filme conta com uma bela fotografia e impressionantes efeitos visuais, onde os detalhes como textura, sombreamento e movimento nos animais aparecem impecáveis.

A atuação da jovem Seo-Hyun Ahn também é um destaque trazido por Mija, sua forte personagem. Persistente, a menina foge de sua casa no interior para salvar sua porca e nenhuma aventura impede sua determinação – nem a dificuldade com a língua estrangeira, quando Mija chega aos EUA em busca de Okja.

 

Mesmo sendo muito aplaudido em Cannes, Okja recebeu críticas durante o festival pelo seu envolvimento com a Netflix em relação ao seu modelo de distribuição. Na França, o lançamento de filmes online só é permitido 3 anos após a estreia no cinema. Para o diretor Bong Joon-ho, isso é compreensível, mas a produção do filme não seria possível de outra maneira. Após apresentar o projeto a outros estúdios e produtoras, o interesse destas se voltava a algo mais superficial, diferente da liberdade total oferecida pela Netflix. “Eles viam uma menina e belos animais. Queriam alguma coisa tipo Disney”, disse Joon-ho, em entrevista.

Sobre o tema do filme, a atriz Tilda Swinton comentou que mostra “a ideia de caminhar como sonâmbulos rumo ao consumismo”.

Paul Dano, Stephen Yeun, Giancarlo Esposito, Seo-Hyun Ahn, Brad Pitt, Tilda Swinton, Lily Collins e Devon Bostick na pré-estreia de “Okja” em NY (a produtora de Brad Pitt, Plan B, também está envolvida).
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