Ouça: Those Darlins

As músicas e arte de Jessi Zazu precisam ser celebradas!

Conheci a banda de alt-country punk Those Darlins com a notícia de que sua vocalista, Jessi Zazu, morreu aos 28 anos depois de lutar contra um câncer cervical.

Ela era jovem e liderava uma banda (quase) só de mulheres há 10 anos. Ela era compositora, guitarrista e vocalista. Faziam poucos anos que a banda havia começado a ser ficar mais conhecida. No decorrer de três álbuns, Those Darlins ganhou a atenção da crítica especializada e uma bela base de fãs graças à capacidade do grupo de misturar elementos de alt-country, punk e garagem rock em sua música.

A estréia oficial da banda foi em 2009 com um álbum de mesmo nome, que chamou a atenção da cena. Misturada à atitude punk, o som também trazia um mix inteligente do pop com elementos country mais “tradiças”.

Em 2011 veio o álbum Get Loose (meu favorito), com mais peso nas guitarras elétricas e letras do universo feminino, que lembra um pouco da incrível Holly Golightly.

O último álbum lançado em 2013, Blur the Line, expandiu sua sonoridade com texturas mais suaves e baladas mais diretas que casavam bem com a voz de Jessi Zazu.

A notícia do câncer veio cinco anos depois de descartar a suspeita de um tumor, que levou Zazu a escrever a música Ain’t Afraid:

There’s a tumor growing on my body
I don’t know what lays in store
But I ain’t afraid
I ain’t afraid anymore

Na época, não era nada. Mas isso levou Jessi Zazu a mudar seus hábitos em busca de uma vida mais saudável. A descoberta do câncer veio no fim da turnê de despedida da banda e exatamente três anos depois de decidir viver sóbria, sem álcool nem drogas. O vídeo abaixo foi a revelação sobre o câncer contada pela própria Zazu para seus fãs. Ela aproveitou o momento para raspar a cabeça e contar que ela não tinha medo da luta que ia travar pelos próximos meses:

Jessi Zazu também fazia arte além da música. Antes de morrer, ela pintou uma série de quadros com mãos vestidas de luvas de boxe coloridas e estampadas com flores. Cada obra leva o nome de uma pessoas, sendo a maioria mulheres. Sua arte simbolizou o quanto Zazu foi guerreira e lutou até o fim.

Obrigada por sua arte, Zazu. Você nos ensinou a não temer.

 
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Those Darlins: Spotify / Deezer / Facebook

Jessi Zazu: Site / Instagram
 

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Priya Shakti: uma HQ contra o estupro

A falta de representatividade da mulher nos quadrinhos está, aos poucos, sendo preenchida com boas iniciativas. A Marvel, por exemplo, trouxe uma garota de origem muçulmana para viver a super-heroína Ms. Marvel, transformou Thor em uma mulher e nos apresentou a Silk.

Também vemos o quadrinho independente ganhar força com histórias incríveis e divertidas de protagonistas femininas poderosas, como Rat Queens e Lumberjanes.

Recentemente, o cineasta indo-americano Ram Devineni lançou uma HQ para discutir a ainda latente violência sexual contra mulheres na Índia. Priya Shakti conta a história de Priya, uma jovem que sobrevive a um estupro coletivo e resolve lutar – com a ajuda de um tigre e das deusas hindu Parvati e Shiva – contra os agressores, com a missão erradicar os crimes de gênero no país.
 

 
Ram Devineni diz que teve a ideia da HQ após o assassinato de uma estudante em um ônibus em Nova Déli em decorrência de um estupro coletivo, que gerou uma onda de protestos na Índia. Ele disse que, ao conversar com um policial, ouviu que “garotas sérias não deveriam andar sozinhas à noite” – claramente culpabilizando a vítima. Isso fez com que ele percebesse que o estupro e a violência sexual são culturais. Assim, usou de uma das mídias pop mais poderosas para conseguir falar com crianças entre 10 a 12 anos sobre esse problema sério, afim de educá-las desde cedo sobre o problema.

A HQ é ainda transmídia, feita para interagir com tablets e smartphones, proporcionando uma experiência amplificada através da tecnologia da realidade aumentada. Essas interações do leitor com a história ajudou a espalhar a campanha #IStandForPriya (tradução livre: eu apoio Priya), que potencializa a missão do quadrinho.

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