No começo do ano ganhei um Kindle de aniversário e parti praquela loucura de baixar livros e mais livros e, dentro desse cenário, resolvi ler alguns livros que ganharam prêmios importantes em décadas passadas. Escolhi de cara “How to kill a mockingbird”, vencedor do Pulitzer em 1960, um livro que fala sobre o fim da segregação racial visto pelo olhar de uma menininha, escrito por Harper Lee.
Comecei a ler o livro sem muito procurar saber dele porque sou dessas que foge de spoiler de tudo, dessas que morre de medo de se decepcionar com o escritor ao buscar saber mais sobre ele. Fui lendo e me apaixonando, me envolvendo, até que não deu mais e resolvi procurar saber mais sobre o livro. E foi então que descobri: Harper Lee é uma mulher, uma incrível mulher.
Confesso que fiquei com vergonha, constrangida comigo mesma por ser alguém formada em Letras que nunca tinha ouvido falar nela. Mas conforme comentava sobre o livro (lembre-se que ele foi super premiado e aclamado pela crítica), percebia que meus amigos também não a conheciam.
Eu, recém-convertida ao feminismo, nunca havia parado para pensar de verdade nas escritoras mulheres. Sempre fui louca por elas, principalmente as brasileiras, tive professoras que deram cursos inteiros sobre mulheres brasileiras autoras. Lá conheci Marina Colassanti, Livia Garcia-Roza, Angélica Freitas, Beatriz Bracher, Marília Garcia, me aprofundei em Clarice Lispector, amei Lygia Fagundes Telles e Adélia Prado, acreditava que meu conhecimento sobre autoras mulheres era grande, mas inocentemente não pensava no mundo que ainda me aguardava.
Depois desse baque de ver que Harper Lee era uma mulher, que por sinal assinava assim para disfarçar ser mulher, minha cabeça explodiu. Decidi passar todo o ano de 2015 lendo autoras mulheres, consumindo mulheres, divulgando mulheres, elogiando mulheres. Nesse tempo, li mais dois livros da Angélica Freitas, um da Verônica Stigger, li muito quadrinho feminino, como o Batoquim, de Thais Ueda e Yumi Takatsuka, conheci a Alison Bechdel e surtei de amor, li Amanda Palmer, Brené Brown. Nesse tempo, descobri autoras fantásticas que, se não fosse por essa dedicação, eu jamais conheceria.
Digo tudo isso para incentivar vocês, moças e moços, a darem uma chance para essa luta de divulgar nossas escritoras brasileiras além da Clarice Lispector! Vamos buscar saber mais sobre autoras negras, como a lindíssima Chimamanda, vamos sair do eixo Europa-Estados Unidos e descobrir outras realidades. Vamos nos dedicar a divulgar esse universo incrível de autoras que batalham diariamente para serem reconhecidas no mundo literário que, ainda que não pareça, é extremamente machista e patriarcal.
Vamos consumir, devorar, mastigar, engolir tudo o que for feito por mulheres. Eu continuo firme nessa empreitada e acho que ela ainda vai se estender por anos. Não sinto como se estivesse abrindo mão de nada ao fazer essa escolha, a verdade é que expandi meu olhar e sinto a sororidade brotar a cada nova palavra. E que venham mais mulheres!
Lista de livros lidos
Angélica Freitas – Um útero é do tamanho de um punho
Amanda Palmer – A arte de pedir
Brené Brown – A coragem de ser imperfeito
Harper Lee – O sol é para todos
Thais Ueda e Yumi Takatsuka – Batoquim
Verônica Stigger – Opisanie Swiata
Chimamanda Ngozi Adichie – Americanah
Inês Pedrosa – Fazes-me falta
Angélica Freitas e Odyr – Guadalupe (HQ)
Alison Bechdel – Você é minha mãe? (HQ)
Vanessa Barbara e Fido Nesti – A máquina de Goldberg (HQ)
PS: Aceitamos sugestões e indicações. <3
*Estela Rosa é crazy cat lady, meio piadista meio poeta, ama chuva&vento e, como boa caipira, curte ouvir e contar histórias. É redatora na Cyan Design e produz conteúdo para o blog Casar é um barato.
**Ilustrações feitas com exclusividade por Fernanda Garcia
Por Estela Rosa*
No começo do ano ganhei um Kindle de aniversário e parti praquela loucura de baixar livros e mais livros e, dentro desse cenário, resolvi ler alguns livros que ganharam prêmios importantes em décadas passadas. Escolhi de cara “How to kill a mockingbird”, vencedor do Pulitzer em 1960, um livro que fala sobre o fim da segregação racial visto pelo olhar de uma menininha, escrito por Harper Lee.
Comecei a ler o livro sem muito procurar saber dele porque sou dessas que foge de spoiler de tudo, dessas que morre de medo de se decepcionar com o escritor ao buscar saber mais sobre ele. Fui lendo e me apaixonando, me envolvendo, até que não deu mais e resolvi procurar saber mais sobre o livro. E foi então que descobri: Harper Lee é uma mulher, uma incrível mulher.
Confesso que fiquei com vergonha, constrangida comigo mesma por ser alguém formada em Letras que nunca tinha ouvido falar nela. Mas conforme comentava sobre o livro (lembre-se que ele foi super premiado e aclamado pela crítica), percebia que meus amigos também não a conheciam.
Eu, recém-convertida ao feminismo, nunca havia parado para pensar de verdade nas escritoras mulheres. Sempre fui louca por elas, principalmente as brasileiras, tive professoras que deram cursos inteiros sobre mulheres brasileiras autoras. Lá conheci Marina Colassanti, Livia Garcia-Roza, Angélica Freitas, Beatriz Bracher, Marília Garcia, me aprofundei em Clarice Lispector, amei Lygia Fagundes Telles e Adélia Prado, acreditava que meu conhecimento sobre autoras mulheres era grande, mas inocentemente não pensava no mundo que ainda me aguardava.
Depois desse baque de ver que Harper Lee era uma mulher, que por sinal assinava assim para disfarçar ser mulher, minha cabeça explodiu. Decidi passar todo o ano de 2015 lendo autoras mulheres, consumindo mulheres, divulgando mulheres, elogiando mulheres. Nesse tempo, li mais dois livros da Angélica Freitas, um da Verônica Stigger, li muito quadrinho feminino, como o Batoquim, de Thais Ueda e Yumi Takatsuka, conheci a Alison Bechdel e surtei de amor, li Amanda Palmer, Brené Brown. Nesse tempo, descobri autoras fantásticas que, se não fosse por essa dedicação, eu jamais conheceria.
Digo tudo isso para incentivar vocês, moças e moços, a darem uma chance para essa luta de divulgar nossas escritoras brasileiras além da Clarice Lispector! Vamos buscar saber mais sobre autoras negras, como a lindíssima Chimamanda, vamos sair do eixo Europa-Estados Unidos e descobrir outras realidades. Vamos nos dedicar a divulgar esse universo incrível de autoras que batalham diariamente para serem reconhecidas no mundo literário que, ainda que não pareça, é extremamente machista e patriarcal.
Vamos consumir, devorar, mastigar, engolir tudo o que for feito por mulheres. Eu continuo firme nessa empreitada e acho que ela ainda vai se estender por anos. Não sinto como se estivesse abrindo mão de nada ao fazer essa escolha, a verdade é que expandi meu olhar e sinto a sororidade brotar a cada nova palavra. E que venham mais mulheres!
Lista de livros lidos
Angélica Freitas – Um útero é do tamanho de um punho
Amanda Palmer – A arte de pedir
Brené Brown – A coragem de ser imperfeito
Harper Lee – O sol é para todos
Thais Ueda e Yumi Takatsuka – Batoquim
Verônica Stigger – Opisanie Swiata
Chimamanda Ngozi Adichie – Americanah
Inês Pedrosa – Fazes-me falta
Angélica Freitas e Odyr – Guadalupe (HQ)
Alison Bechdel – Você é minha mãe? (HQ)
Vanessa Barbara e Fido Nesti – A máquina de Goldberg (HQ)
PS: Aceitamos sugestões e indicações. <3
*Estela Rosa é crazy cat lady, meio piadista meio poeta, ama chuva&vento e, como boa caipira, curte ouvir e contar histórias. É redatora na Cyan Design e produz conteúdo para o blog Casar é um barato.
**Ilustrações feitas com exclusividade por Fernanda Garcia
Ilustração feita com exclusividade por Fernanda Garcia
Por Estela Rosa*
No começo do ano ganhei um Kindle de aniversário e parti praquela loucura de baixar livros e mais livros e, dentro desse cenário, resolvi ler alguns livros que ganharam prêmios importantes em décadas passadas. Escolhi de cara “How to kill a mockingbird”, vencedor do Pulitzer em 1960, um livro que fala sobre o fim da segregação racial visto pelo olhar de uma menininha, escrito por Harper Lee.
Comecei a ler o livro sem muito procurar saber dele porque sou dessas que foge de spoiler de tudo, dessas que morre de medo de se decepcionar com o escritor ao buscar saber mais sobre ele. Fui lendo e me apaixonando, me envolvendo, até que não deu mais e resolvi procurar saber mais sobre o livro. E foi então que descobri: Harper Lee é uma mulher, uma incrível mulher.
Confesso que fiquei com vergonha, constrangida comigo mesma por ser alguém formada em Letras que nunca tinha ouvido falar nela. Mas conforme comentava sobre o livro (lembre-se que ele foi super premiado e aclamado pela crítica), percebia que meus amigos também não a conheciam.
Eu, recém-convertida ao feminismo, nunca havia parado para pensar de verdade nas escritoras mulheres. Sempre fui louca por elas, principalmente as brasileiras, tive professoras que deram cursos inteiros sobre mulheres brasileiras autoras. Lá conheci Marina Colassanti, Livia Garcia-Roza, Angélica Freitas, Beatriz Bracher, Marília Garcia, me aprofundei em Clarice Lispector, amei Lygia Fagundes Telles e Adélia Prado, acreditava que meu conhecimento sobre autoras mulheres era grande, mas inocentemente não pensava no mundo que ainda me aguardava.
Depois desse baque de ver que Harper Lee era uma mulher, que por sinal assinava assim para disfarçar ser mulher, minha cabeça explodiu. Decidi passar todo o ano de 2015 lendo autoras mulheres, consumindo mulheres, divulgando mulheres, elogiando mulheres. Nesse tempo, li mais dois livros da Angélica Freitas, um da Verônica Stigger, li muito quadrinho feminino, como o Batoquim, de Thais Ueda e Yumi Takatsuka, conheci a Alison Bechdel e surtei de amor, li Amanda Palmer, Brené Brown. Nesse tempo, descobri autoras fantásticas que, se não fosse por essa dedicação, eu jamais conheceria.
Digo tudo isso para incentivar vocês, moças e moços, a darem uma chance para essa luta de divulgar nossas escritoras brasileiras além da Clarice Lispector! Vamos buscar saber mais sobre autoras negras, como a lindíssima Chimamanda, vamos sair do eixo Europa-Estados Unidos e descobrir outras realidades. Vamos nos dedicar a divulgar esse universo incrível de autoras que batalham diariamente para serem reconhecidas no mundo literário que, ainda que não pareça, é extremamente machista e patriarcal.
Vamos consumir, devorar, mastigar, engolir tudo o que for feito por mulheres. Eu continuo firme nessa empreitada e acho que ela ainda vai se estender por anos. Não sinto como se estivesse abrindo mão de nada ao fazer essa escolha, a verdade é que expandi meu olhar e sinto a sororidade brotar a cada nova palavra. E que venham mais mulheres!
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Lista de livros lidos
Angélica Freitas – Um útero é do tamanho de um punho
Amanda Palmer – A arte de pedir
Brené Brown – A coragem de ser imperfeito
Harper Lee – O sol é para todos
Thais Ueda e Yumi Takatsuka – Batoquim
Verônica Stigger – Opisanie Swiata
Chimamanda Ngozi Adichie – Americanah
Inês Pedrosa – Fazes-me falta
Angélica Freitas e Odyr – Guadalupe (HQ)
Alison Bechdel – Você é minha mãe? (HQ)
Vanessa Barbara e Fido Nesti – A máquina de Goldberg (HQ)
PS: Aceitamos sugestões e indicações. <3
*Estela Rosa é crazy cat lady, meio piadista meio poeta, ama chuva&vento e, como boa caipira, curte ouvir e contar histórias. É redatora na Cyan Design e produz conteúdo para o blog Casar é um barato.
**Ilustrações feitas com exclusividade por Fernanda Garcia
Meu nome é Ana Carolina Matsusaki, conhecida pelos amigos como Nã. Antes, a China para mim era um shopping cheio de lojinhas com produtos pirateados na Avenida Paulista ou na 25 de março. O yakisoba era o prato oficial do país, e provavelmente o biscoito da sorte devia ser a sobremesa tradicional deles.
De repente, fui parar na China e tudo mudou. Era 2012 e estávamos eu e meu namorado em uma trip de 5 meses pela Ásia. Passamos pela Tailândia, Camboja, Vietnã, Laos, mas nenhum foi tão marcante em termos de choque cultural quanto foi a China. Gosto de comparar nossa viagem à Ásia a um videogame, sendo os países do Sudeste Asiático o nível fácil. A China é o Chefão.
E por que falar justamente da China? Até hoje, quando penso na China, quando falo sobre a China, é como se eu estivesse contando um sonho. Como encaixar na minha realidade as noites dormidas nos trens me alimentando com macarrão instantâneo, os dumplings no café da manhã, os chineses de cócoras jogando xadrez chinês, suas sopas quentes e perfumadas, os bebês com suas bundinhas de fora, chineses levantando da mesa do restaurante e deixando sobras que alimentariam 10 pessoas, os seus barcos de bambu, seus olhos curiosos nos sondando o tempo todo?
Durante 45 dias viajamos por montanhas, campos de arroz e cidades com lanternas vermelhas. Foram cerca de 10 cidades: Yangshuo, Longsheng, Dali, Lijiang, Shangri-la, Chengdu, Leshan, Xiaan, Luoyang, Pingyao e Beijing.
Tínhamos acabado de passar uma semana em Hong Kong quando colocamos nosso pé pela primeira vez na China de fato. Estávamos em Guanzhou, uma “pequena cidade” de 14 milhões de habitantes. Até então eu e meu namorado tínhamos viajado por 3 meses pela Ásia sem fazer nenhuma reserva de hotel. Chegávamos nas cidades e procurávamos na hora ou íamos até um hotel indicado pelo nosso guia de viagens. Na China percebemos que teríamos que mudar o nosso esquema, questão de sobrevivência. No primeiro hotel onde batemos à porta, ninguém falava inglês, e não havia vagas. Desespero. Eu já queria ir embora do país. Ainda bem que ficamos.
6 sabedorias milenares para pisar na China
Hospede-se em hostels
Na maioria dos hotéis não se fala inglês, e acredite, qualquer pessoa que fale inglês na China é uma pessoa em potencial para resolver 90% dos seus problemas. Nós sempre pedíamos para os recepcionistas dos hostels onde ficávamos, anotarem em papeizinhos tudo o que precisávamos: lugares que queríamos ir, nomes de remédios e o mais imprescindível para mim – a frase “sem pimenta, por favor”.
Vá de trem
Seguros e confortáveis são a forma mais divertida de se viajar pela China. Pássavamos horas conversando com os outros passageiros através de mímica. E eles costumam ser generosos, oferecendo – quase obrigando – comidinhas ao longo da viagem. Pode ser um milho cozido, pode ser uma lata de cerveja quente. Lembrando que você, mulher, provavelmente ficará de fora da oferta da cerveja quente e de alguns cigarros. Sim, a China é um país machista. Sim, vale a pena ficar fora da oferta de cerveja quente.
Like a superstar
Não faz tanto tempo assim que a China se abriu para o mundo. Turistas ocidentais ainda são raros por lá, principalmente fora de Beijing e Shanghai. Se o seu biotipo é diferente do dos chineses prepare-se para ser o centro das atenções. Os chineses vão querer tirar fotos com você (e inclusive fazer fila para isso), tocar seu cabelo (especialmente se você tiver dreads) e ficar na tua cola o tempo todo. Quando eu e meu namorado estávamos nas estações de trem jogando xadrez chinês para passar o tempo, não era raro nos vermos envoltos por uma multidão de curiosos.
Cadê meu yakisoba?
Embora você não encontre o yakisoba como conhecemos no Brasil (e com esse nome), há pratos muito similares. As comidas de lá são bem temperadas, muitas com molho agridoce e eles comem bastante sopa com noodles no dia a dia. Não dispenso e vou junto. Os deliciosos dumplings cozidos ao vapor em cestinhas de bambu são o pau pra toda obra. E para os mais lariquentos a dica é carregar sempre alguns potes de macarrão instantâneo com você, os boilers com água fervendo estão espalhados por todos os lados – trens, hotéis, hostels, estações de trem e de ônibus.
Internet controlada
Sim, é verdade que o acesso a sites como Facebook ou Instagram é censurado no país. Quem vê as lojinhas abarrotadas de turistas em cidades como Yangshuo ou Lijiang não diz que a China é um país comunista. Mas quanto mais viajávamos por lá, mais nos dávamos conta da triste mão de ferro que controla o país. Chineses totalmente desinformados (alguns não sabiam dos conflitos no Tibet), controle rigoroso para pisar na Praça da Paz Celestial (raio X e muitas câmeras) e boatos de que nosso guia poderia ser confiscado (por não mostrar Taiwan como parte da China).
Talvez doa em você
Escarrar no chão é normal. O tempo todo. Homens e mulheres. E dentro do restaurante, dentro do aeroporto, quando não tem placa proibindo. É a sinfonia da cidade. Além disso, em cidades pequenas, era comum ver crianças pequenas com roupas com uma abertura no bumbum <3 . Para facilitar o processo. Na rua mesmo.
Cinco momentos maravilhosos para se viver na China
Pedalar de bicicleta em Shangri-la, uma pequena cidade próxima ao Tibet
Navegar de bambu boat pelo rio Amarelo em Yangshuo
O famoso bairro 798 de Beijing
O bairro muçulmano em Xiaan, a cidade com os guerreiros de Terracota
Os terraços de arroz em Longsheng, conhecido como A Espinha do Dragão
Onde fiquei: China Quanto tempo: 45 dias Com quem: meu namorado Quanto gastei:
Passagens (via Bangkok): R$ 2.400
Média de preço do hostel: $14 para duas pessoas
Média de gastos diário por pessoa: 20 a 30 dólares
Conclusão: Não é para os fracos. Volto em breve.
Nã Matsusaki é designer, ilustradora, mãe da pug Bullying e colaboradora Ovelha. Se você se apaixonou pela viagem dela, leia os relatos e mais fotos incríveis da sua viagem em seu blog, Ásia de Mochila.
Depois desse baque de ver que Harper Lee era uma mulher, que por sinal assinava assim para disfarçar ser mulher, minha cabeça explodiu. Decidi passar todo o ano de 2015 lendo autoras mulheres, consumindo mulheres, divulgando mulheres, elogiando mulheres. Nesse tempo, li mais dois livros da Angélica Freitas, um da Verônica Stigger, li muito quadrinho feminino, como o Batoquim, de Thais Ueda e Yumi Takatsuka, conheci a Alison Bechdel e surtei de amor, li Amanda Palmer, Brené Brown. Nesse tempo, descobri autoras fantásticas que, se não fosse por essa dedicação, eu jamais conheceria.
Digo tudo isso para incentivar vocês, moças e moços, a darem uma chance para essa luta de divulgar nossas escritoras brasileiras além da Clarice Lispector! Vamos buscar saber mais sobre autoras negras, como a lindíssima Chimamanda, vamos sair do eixo Europa-Estados Unidos e descobrir outras realidades. Vamos nos dedicar a divulgar esse universo incrível de autoras que batalham diariamente para serem reconhecidas no mundo literário que, ainda que não pareça, é extremamente machista e patriarcal.
Vamos consumir, devorar, mastigar, engolir tudo o que for feito por mulheres. Eu continuo firme nessa empreitada e acho que ela ainda vai se estender por anos. Não sinto como se estivesse abrindo mão de nada ao fazer essa escolha, a verdade é que expandi meu olhar e sinto a sororidade brotar a cada nova palavra. E que venham mais mulheres!
Lista de livros lidos
Angélica Freitas – Um útero é do tamanho de um punho
Amanda Palmer – A arte de pedir
Brené Brown – A coragem de ser imperfeito
Harper Lee – O sol é para todos
Thais Ueda e Yumi Takatsuka – Batoquim
Verônica Stigger – Opisanie Swiata
Chimamanda Ngozi Adichie – Americanah
Inês Pedrosa – Fazes-me falta
Angélica Freitas e Odyr – Guadalupe (HQ)
Alison Bechdel – Você é minha mãe? (HQ)
Vanessa Barbara e Fido Nesti – A máquina de Goldberg (HQ)
PS: Aceitamos sugestões e indicações. <3
*Estela Rosa é crazy cat lady, meio piadista meio poeta, ama chuva&vento e, como boa caipira, curte ouvir e contar histórias. É redatora na Cyan Design e produz conteúdo para o blog Casar é um barato.
**Ilustrações feitas com exclusividade por Fernanda Garcia