Pare sua vida e jogue Undertale

Quem convive comigo no dia-a-dia fora de ambientes de labuta, nos quais eu posso expressar minhas facetas com maior liberdade, certamente ouviu falar de Undertale. E ouviu que tinha que jogar. Agora. Nesse exato minuto. Juro, vai, tá só 20 pila no Steam e eles aceitam boleto, cartão, etc.!

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É difícil explicar porque você precisa jogar Undertale. Falar sobre o jogo é risco sério de dar spoilers – algo que eu geralmente não me importo. Nunca senti que spoiler realmente estragava alguma coisa. Aí joguei Undertale – e foi mais uma coisa que esse jogo mudou na minha vida.

Então, sem estragar o jogo: Undertale é certamente o melhor RPG do ano. Ele é metalinguístico de uma maneira não punhetada, ele tem personagens super carismáticos que você pode escolher conhecer, ele tem um sabor de infância sem ser infantil, ele tem vários cachorros e você pode ir num date romântico com um esqueleto. O que mais você poderia querer?

Se você for jogar um jogo esse ano, jogue Undertale. Especialmente se você gosta de jogos. Se você é uma pessoa que ama, consome e pensa essa mídia, você irá aproveitá-lo ainda mais.

Se você não é ligada em jogos, não fica falando “ai, gente, o potencial dessa mídia” e discursando por horas sobre isso, jogue Undertale. É um jogo muito divertido. Você vai ter uma ótima experiência.  Você não precisa amar, consumir e pensar essa mídia para amá-lo.

E, se você não jogou Undertale…

 
[infobox maintitle="PARE DE LER AGORA!" subtitle="Se você ainda não jogou Undertale, é melhor parar por aqui. Eu vou começar a falar porque eu amei o jogo. E VAI ESTRAGAR UM POUCO DO ROLÊ PRA QUEM AINDA NÃO JOGOU. E eu não quero isso. Eu quero que você aproveite e descubra cada pedacinho de Undertale. Então vai lá desembolsar 20 contos e 6 horinhas do seu dia pra então voltar depois e ler o resto, ok?" bg="red" color="black" opacity="on" space="30" link="http://store.steampowered.com/app/391540/?l=portuguese"]  

Ok.
 

 

COMEÇANDO OS SPOILERS!!!

Sério.

 
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Ok.
 

Undertale é um RPG sobre jogos e sobre ser o jogador. A princípio, tanto sua arte quanto mecânica parecem simples: um pixel art nostálgico, tantas vezes presente em jogos indies, e um sistema de turnos clássico somado a mecânicas de bullet hell. Ele de cara apresenta uma novidade que faz toda a diferença, porém: a possibilidade de não matar seus “inimigos”, mas agir de modo persuadi-los a não lutar. Isso torna agredir uma escolha – e o jogo vai te fazer pensar sobre ela.

 
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Em Undertale suas escolhas tem consequências. Até mesmo apertar o botão de Reset ou escolher investigar outros finais. Suas ações são, de certo modo, permanentes – ou ao menos impregnantes. O mundo de Undertale não é para nós, do modo que tantos jogos são. Seus personagens não estão ali para prover nossa experiência, mas habitando um mundo.

 
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Talvez por isso quando me dei conta que teria de enfrentar um personagem eu acabei batalhando entre lágrimas. O jogo conseguiu me tocar de modo que ferir aquele personagem tinha um significado que nenhuma batalha em jogo já teve. Aquele não era meu momento épico de glória, como essas lutas costumam ser: era uma necessidade feita com pesar.

Eu não consegui “ver tudo” de Undertale ao jogar. Não matei ninguém na minha Neutral Run (afinal, se o jogo me dava essa novidade era ela que eu queria conhecer) e depois fiz o Pacifist Ending. Abrir o jogo novamente me fez dar de cara com a consequência de re-jogar: tirar daqueles personagens seu final feliz. Pra que? Apenas pelo meu prazer.

Como tantas coisas que fazemos em jogos: apenas porque podemos, apenas porque nosso prazer manda.

Fechei o jogo. Não abro mais. Quero aquele pessoal feliz pra sempre nos meus saves. – Eu tinha outros recursos, afinal, como vídeos de gameplay de outros.

Só assim tive contato com a violência que é matar aqueles personagens, especialmente na trágica Genocide Run – na qual você elimina absolutamente todos os monstros. Ruas vazias, sem a alegria que encontrei quando joguei.

Mas você não precisa matar todo mundo pra que existam efeitos, também. Um personagem que some já faz falta para outros. Sua ausência não é indiferente. Assim como no mundo.

Undertale te ensina sobre empatia e bondade através das consequências de sê-lo ou não. Ele delicadamente supera todos sistemas de moralidade e escolhas “relevantes” que jogos com muito mais dindin nos oferecem.

E, acima de tudo, palpável em cada monstro, em cada música, em cada cenário, sente-se: Undertale é feito com profundo amor e atenção.

Bem, caso alguém lá de cima que não jogou tenha ignorado meus pedidos, não vou me adentrar em mais detalhes. Você ainda pode ter o gosto de conhecer os personagens dessa história sozinha – mesmo que vá entrar nela cheia de avisos agora, né?

Manda um  abraço pro Papyrus por mim.

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Mais de Cacau Birdmad

Três HQs com mulheres incríveis

O fim do ano está chegando e todo mundo sabe o que isso significa: festas cheias de situações constrangedoras! Recomendo compensar lendo esses quadrinhos cheios de mulheres incríveis.
 

1. Rat Queens

É difícil descrever as Rat Queens. Elas são um grupo de mercenárias, mas são muito mais que isso. Elas são um grupo de amigas, mas são muito mais que isso. Um grupo de mulheres intensas, com suas razões, paixões e histórias, unidas por um afeto que não é fácil de entender. Temos a Hannah, uma elfa maga, inconsequente e esquentada com uma misteriosa ligação com uma entidade sobrenatural, Violet, uma anã guerreira que quer escapar de suas tradições familiares, Dee, uma clériga agnóstica e tímida buscando compreender suas crenças, dúvidas e cultura e Betty, uma ladra halfling doce e serelepe.

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Há uma intensa lealdade entre as personagens, algo que não é muito retratado em grupos de mulheres. Independente de suas diferenças, se amam e cuidam umas das outras.  Elas vivem intensamente, seguem suas escolhas e tem personalidades bastante cativantes.

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Gosto, também, de como as personagens tem uma sexualidade livre, não condenada ou questionada durante o quadrinho.  Betty, além de romper com a heteronormatividade, também faz uso recreativo de drogas, sem ser retratada como viciada ou problemática por isso.

As personagens são, acima de tudo, humanas. – E, por mais triste que seja dizer isso, faltam retratos humanos de mulheres por aí!

 

2. Lumberjanes

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Há algo de muito bizarro acontecendo nesse acampamento apenas para garotas e essas cinco amigas estão prontas a desvendar isso!

Escrito e ilustrado por mulheres, sendo uma delas a incrível da Noelle Stevenson, autora do também maravilhoso Nimona, o quadrinho é puro Girl Power.

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As personagens não tem medo de enfrentar os monstros que encontram e cada uma conta com habilidades muito particulares que as ajudam a solucionar os mistérios do local. Além disso, há um romance rolando entre duas das protagonistas, o que é um plus no quesito representatividade!

 

3. Sex Criminals

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Eu sou apaixonada por Sex Criminals. O traço não me atrai, mas algo nos personagens me prende. Principalmente a Suzie.

Primeira protagonista do quadrinho, Suzie é uma bibliotecária que, na adolescência, descobriu-se detentora um poder especial: adentrava um universo paralelo quando chegava ao orgasmo, algo semelhante a parar o tempo, mas não ser parada por ele. Sua única escapatória de uma vida conturbada, passou a chamar esse poder-momento de “O Silêncio”, onde repousava, se explorava e se expressava. – Mas eu gosto de Suzie porque é uma personagem sincera. Quando ela conta as coisas para você, leitora, a sensação é de realmente se estar conversando com ela. Quando ela para tudo que está fazendo porque está tocando “Fat Bottomed Girls” do Queen, você ri como se fosse uma amiga sua.

Na verdade eu tenho esse sentimento de sinceridade durante todo o quadrinho. Parece algo real, honesto, íntimo. E que maneira melhor para conversar de sexo né?

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Bem, Suzie conhece um cara. E aí a história muda. E é aí que os crimes entram.

Novamente, assim como Rat Queens, é a humanidade de Suzie que a faz uma personagem tão interessante. É sua paixão pela biblioteca onde trabalha. É sua relação com o silêncio. É ela dizendo: “ESSA É A MINHA MÚSICA!”.

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Bem, uma pena é isso: não tem como abordar muito mais esses quadrinhos sem estragá-los um pouco! Mas espero que, nestas breves e cuidadosas descrições, você possa encontrar algum para te fazer companhia nesse final de ano – e, se for boa, no próximo também!

Leia mais
20 pila no Steam e eles aceitam boleto, cartão, etc.!

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É difícil explicar porque você precisa jogar Undertale. Falar sobre o jogo é risco sério de dar spoilers – algo que eu geralmente não me importo. Nunca senti que spoiler realmente estragava alguma coisa. Aí joguei Undertale – e foi mais uma coisa que esse jogo mudou na minha vida.

Então, sem estragar o jogo: Undertale é certamente o melhor RPG do ano. Ele é metalinguístico de uma maneira não punhetada, ele tem personagens super carismáticos que você pode escolher conhecer, ele tem um sabor de infância sem ser infantil, ele tem vários cachorros e você pode ir num date romântico com um esqueleto. O que mais você poderia querer?

Se você for jogar um jogo esse ano, jogue Undertale. Especialmente se você gosta de jogos. Se você é uma pessoa que ama, consome e pensa essa mídia, você irá aproveitá-lo ainda mais.

Se você não é ligada em jogos, não fica falando “ai, gente, o potencial dessa mídia” e discursando por horas sobre isso, jogue Undertale. É um jogo muito divertido. Você vai ter uma ótima experiência.  Você não precisa amar, consumir e pensar essa mídia para amá-lo.

E, se você não jogou Undertale…

 

 

Ok.
 

 

COMEÇANDO OS SPOILERS!!!

Sério.

 
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Ok.
 

Undertale é um RPG sobre jogos e sobre ser o jogador. A princípio, tanto sua arte quanto mecânica parecem simples: um pixel art nostálgico, tantas vezes presente em jogos indies, e um sistema de turnos clássico somado a mecânicas de bullet hell. Ele de cara apresenta uma novidade que faz toda a diferença, porém: a possibilidade de não matar seus “inimigos”, mas agir de modo persuadi-los a não lutar. Isso torna agredir uma escolha – e o jogo vai te fazer pensar sobre ela.

 
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Em Undertale suas escolhas tem consequências. Até mesmo apertar o botão de Reset ou escolher investigar outros finais. Suas ações são, de certo modo, permanentes – ou ao menos impregnantes. O mundo de Undertale não é para nós, do modo que tantos jogos são. Seus personagens não estão ali para prover nossa experiência, mas habitando um mundo.

 
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Talvez por isso quando me dei conta que teria de enfrentar um personagem eu acabei batalhando entre lágrimas. O jogo conseguiu me tocar de modo que ferir aquele personagem tinha um significado que nenhuma batalha em jogo já teve. Aquele não era meu momento épico de glória, como essas lutas costumam ser: era uma necessidade feita com pesar.

Eu não consegui “ver tudo” de Undertale ao jogar. Não matei ninguém na minha Neutral Run (afinal, se o jogo me dava essa novidade era ela que eu queria conhecer) e depois fiz o Pacifist Ending. Abrir o jogo novamente me fez dar de cara com a consequência de re-jogar: tirar daqueles personagens seu final feliz. Pra que? Apenas pelo meu prazer.

Como tantas coisas que fazemos em jogos: apenas porque podemos, apenas porque nosso prazer manda.

Fechei o jogo. Não abro mais. Quero aquele pessoal feliz pra sempre nos meus saves. – Eu tinha outros recursos, afinal, como vídeos de gameplay de outros.

Só assim tive contato com a violência que é matar aqueles personagens, especialmente na trágica Genocide Run – na qual você elimina absolutamente todos os monstros. Ruas vazias, sem a alegria que encontrei quando joguei.

Mas você não precisa matar todo mundo pra que existam efeitos, também. Um personagem que some já faz falta para outros. Sua ausência não é indiferente. Assim como no mundo.

Undertale te ensina sobre empatia e bondade através das consequências de sê-lo ou não. Ele delicadamente supera todos sistemas de moralidade e escolhas “relevantes” que jogos com muito mais dindin nos oferecem.

E, acima de tudo, palpável em cada monstro, em cada música, em cada cenário, sente-se: Undertale é feito com profundo amor e atenção.

Bem, caso alguém lá de cima que não jogou tenha ignorado meus pedidos, não vou me adentrar em mais detalhes. Você ainda pode ter o gosto de conhecer os personagens dessa história sozinha – mesmo que vá entrar nela cheia de avisos agora, né?

Manda um  abraço pro Papyrus por mim.

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