Ouça: Ibeyi

IBEYI – divulgação

Ibeyi, em iorubá, significa gêmeo. É o nome perfeito para a dupla franco-cubana composta pelas irmãs gêmeas Lisa-Kaindé Diaz e Naomi Diaz. Nascidas em Paris e criadas em Havana, as duas conseguem canalizar com equilíbrio perfeito a fluidez de suas raízes. Seu pai, o famoso percussionista Anga Díaz, integrante do Buena Vista Social Club, e a mãe venezuelana foram duas grandes influências para a dupla que afirma que a criação musical não tem nada a ver com o som delas, e sim a ligação espiritual que têm com a música.

Naomi aprendeu a tocar seu primeiro instrumento musical aos onze anos de idade, logo após a morte do pai em 2006. “Eu acho que teve uma coisa espiritual acerca da coisa toda. Era o instrumento novo do nosso pai, o instrumento no qual ele ainda queria se aperfeiçoar. [Naomi] ainda não sabia disso sobre o instrumento, e mesmo assim ela começou a tocá-lo… então tem algo ai” disse Lisa-Kaindé em entrevista para o The Guardian a respeito de sua irmã aprendendo a tocar o cajón do pai falecido.

 

 
Naomi é responsável pela percussão e pela produção da dupla, enquanto Lisa-Kaindé atua como cantora principal e compositora. Elas cantam em inglês e em iorubá, língua falada na Nigéria. Suas músicas misturam jazz com batidas eletrônicas, e o canto lento e ritmado das irmãs nos remete a cantos religiosos. Seu primeiro disco, o homônimo Ibeyi, foi lançado em 2015.

 

 
Esse ano também lançaram o single River. O clip da música mostra as duas irmãs se revezando para respirar enquanto cantam. Parafraseando River, é o som perfeito para quem está precisando lavar a alma.
 
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Mais de Barbara Mastrobuono

Por um mundo com menos caras legais

É hora de textão desabafo. Depois do ‪#meuprimeiroassédio e ‪#‎agoraéquesãoelas surgiram algumas respostas de homens do tipo #meaculpa e outras defesas piores que não quero nem comentar, e honestamente já deu.

Estou CANSADA de ver homem defendendo o assédio dele com a razão “mas eu sou uma ótima pessoa”. Querido, pode ser que você acorde cedo e lave prato e divida todas as contas possíveis do restaurante, que sua mãe trabalhe com você e você tenha várias amigas mulheres, que você se considere feminista e ache que todas nós temos o direito de votar. Pode ser, mesmo. Acontece que todos nós (sim, todos nós, eu inclusive, e sua mãe que trabalha com você) somos produtos de uma sociedade machista, e como tal, acabamos cometendo atitudes opressoras. Então, homem, caso você se veja sendo alertado ao fato de que cometeu uma atitude opressora, por favor nos poupe dos seus relatos de como você é um indivíduo fantástico. Você pode ser a pessoa mais maravilhosa do mundo, isso não te isenta de cometer atitudes opressoras. Afinal, tem muita mulher fantástica por ai que lavou muita louça e sempre dividiu conta que tá sendo estuprada, então a essa altura a gente sabe que ser fantástico não conta para nada. Se você, lendo as hashtags do primeiro assédio, lendo os textos do Agora é que são elas, percebeu que você também já teve atitudes opressoras, use isso como um momento de reflexão. Converse com seus amigos, veja o que podem fazer para desconstruir, para melhorar. Não vem pedir confete já que “olha, ofendi aqui, mas na verdade sou um cara super”. “Nossa, você sempre dividiu a conta? Ah, então tudo bem! Vou avisar aquela menina que você chamou de vadia pros amigos porque ela não quis te beijar, pode deixar que a gente te coloca no banco de dados feminista como ‘cara que sempre lavou a louça e na verdade é super legal'”. Meaculpa na delegacia ninguém tá fazendo né?

Acho engraçado também a velocidade com a qual homens que estão se envolvendo na defesa desses movimentos que estão brotando ultimamente pulam para defender o amiguinho que é legal mas foi acusado de machismo. Gente, se chama DESCONSTRUÇÃO, não diversão. Se fosse fácil ia chamar dia-na-praia, não vamos-desconstruir-e-tentar-derrubar-o-patriarcado-pras-mina-viver-em-paz. Porque acreditem, a única coisa pior que ter o seu espaço violado é depois ter que ouvir que o cara que violou o espaço é super legal então é pra você relevar. Dói ter que perceber que foi machista? Que machucou a menina? Que as pessoas vão achar você escroto pelo que fez? Que a sua ação teve significados que você não achava que teriam? Que você foi opressor, que colaborou para propagar um sistema opressor que tira vidas todos os dias? Dói. Mas dói muito, muito mais ver homens que dizem estar ajudando achando mais importante tirar o deles da reta porque são “caras legais” do que estar genuinamente interessados em fazer algo para mudar essa situação. Se metade da energia que os homens colocam em se justificar e tentar provar que eles são legais fosse posta em homens conversando um com o outro, tentando entender porque eles agiram desse jeito e tentando desconstruir juntos o machismo deles, a gente já estaria topless na praia com o aborto legalizado. Ou em um plano mais realista, talvez se os homens usassem suas plataformas de amplo acesso para explicar porque o que fizeram foi errado e machucou, ao invés de se justificar e tentar convencer todo mundo de como eles são caras ótimos, a gente já estaria andando de shorts na rua sem medo (parece tão pouco a se pedir né?).

Às vezes vale mais simplesmente ouvir, refletir, pedir desculpas. E pronto. Isso que vai fazer de você, não um cara legal que vai ganhar biscoito das feministas, mas uma pessoa humana, que entende a importância de tratar os outros com a mesma humanidade que espera que tratem você, entendendo de uma vez por todas que a dor do outro é mais importante que a sua justificativa. E que, no mundo real, onde mulheres são assassinadas todos os dias, não vai fazer a mínima diferença quantas louças você já lavou.
 

Arte da capa via.

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Naomi é responsável pela percussão e pela produção da dupla, enquanto Lisa-Kaindé atua como cantora principal e compositora. Elas cantam em inglês e em iorubá, língua falada na Nigéria. Suas músicas misturam jazz com batidas eletrônicas, e o canto lento e ritmado das irmãs nos remete a cantos religiosos. Seu primeiro disco, o homônimo Ibeyi, foi lançado em 2015.

 

 
Esse ano também lançaram o single River. O clip da música mostra as duas irmãs se revezando para respirar enquanto cantam. Parafraseando River, é o som perfeito para quem está precisando lavar a alma.
 

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