Ajude a InfoPreta

Colagem digital feita com exclusividade por Bárbara Malagoli (Baby C)

Gentes, a InfoPreta é um projeto maravilhoso idealizado pela Buh Santos e que precisa da nossa contribuição! Acho que muitas de vocês já devem conhecer a InfoPreta, mas vou contar um pouquinho dessa empresa incrível.

Bom, a primeira coisa de todas é saber que a Buh tem 22 anos e já tem certificados de eletrônica, automação industrial, manutenção, tecnologia da informação (TI) e robótica. Ah, e agora ela tá cursando bacharelado em sistemas da informação. (UAU).

O setor de tecnologia é mega racista e machista, então a Buh resolveu fundar sua própria empresa, com o foco em mulheres negras! Nessa reportagem da Vice, a Buh conta que a empresa “surgiu para falar de tecnologia com a mulher negra de igual para igual. Sem prevalecer a linguagem técnica da área e sem desmerecer o conhecimento leigo de quem pede salvação imediata para recuperar um computador. A função é simples: prestar um serviço de qualidade e cobrar um preço justo”.

Ah, gentes, a InfoPreta tem um projeto incrível: elas consertam computadores de mulheres em situação de vulnerabilidade social por preços acessíveis (leia mais aqui).

A empresa também criou a campanha Note Solidário da Preta, em que computadores doados são consertados e depois repassados para mulheres, estudantes, negras e de baixo poder aquisitivo, com boas notas no boletim. :)

“Resolvi criar o projeto porque eu sempre tive muitas dificuldades em conseguir os materiais que eu precisava para estudar tecnologia. A mulher negra, seja ela cisgênero ou transsexual, nunca está realmente inserida na sociedade. O meu objetivo, então, é o de dar condições para que essa mulher, que vive em vulnerabilidade, consiga estudar e se formar”, explica Buh.

 
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O que você pode fazer para ajudar a InfoPreta?

A primeira coisa é seguir a InfoPreta e divulgar o trabalho da empresa! A segunda coisa é, se você tiver um computador dando sopa aí, PODE IR DOANDO PRA BUH CONSERTAR e repassar pra alguém que precisa!

E a terceira coisa é ajudar no financiamento coletivo de um novo espaço pra InfoPreta. O espaço em que a InfoPreta atende clientes hoje em dia é uma ocupação e os donos precisam do local de volta. E para esse projeto continuar acontecendo, é preciso garantir um espaço físico, né, gente?  Então clique aqui e faça uma contribuição. :)

Ah, e uma quarta coisa, que é tão óbvia que nem precisaria falar é: se o seu computador tá quebrado, pode levar lá pra consertar que o preço é justo e o trabalho é bom!
 

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Eu penso em todas nós todos os dias

Passei as últimas semanas pensando na Rayzza Ribeiro. Ela tinha 21 anos, era negra e feminista. Foi a um show de metal em uma das escolas ocupadas de Cabo Frio. Ela foi torturada, assassinada e seu corpo foi queimado. O irmão da Rayzza reconheceu o corpo pelas tatuagens, já que ele estava desfigurado e carbonizado. Também fiquei muitos dias pensando na adolescente de 16 anos que foi estuprada por 33 homens. Eu não consigo desligar essa frase: “adolescente de 16 anos é estuprada por 33 homens”.

No começo desse ano, a Isadora, estudante da UFRRJ, sofreu violência sexual em um dos alojamentos da universidade. Denunciou, abriu processo, fez escândalo. Foi estigmatizada, criticada, culpabilizada, julgada. Na quinta retrasada, a Isadora cometeu suicídio. Esses dias eu li que a Comissão Holandesa de Eutanásia autorizou que uma mulher de 20 anos se submetesse à eutanásia. Ela havia sido abusada dos 5 aos 15 anos e sofria de estresse pós-traumático, anorexia severa, depressão crônica e alucinações. Penso nelas duas toda hora. Na segunda passada, passei o dia todo pensando na minha amiga que foi assediada no Metrô de São Paulo. Quando ela tentou denunciar, o funcionário do Metrô perguntou se ela “tinha certeza” do que tinha acontecido. 

De manhã, de frente pro espelho ou no caminho pro ponto de ônibus, o inevitável cálculo: “qual a probabilidade de eu ser estuprada hoje”? Um cara me chama de “morena gostosa” na rua. Eu mando ele ir se foder. Ele revida. Anda atrás de mim por segundos que duraram horas, me chamando de “cadela preta”. Assim mesmo. Seis da tarde em Pinheiros.

Qual é a estatística mesmo? Uma em cada cinco? Eu e quatro amigas entramos no carro pra ir pro sítio: “vai acontecer com pelo menos uma de nós um dia, talvez até já tenha acontecido”. A cada dia que esse terror não se concretiza, é um misto de alívio com “não foi hoje, mas pode ser amanhã”. Recomeço a calcular. Não é como se houvesse uma saída óbvia pra nada disso.

Caminhando pra casa percebo que me condicionei a sempre andar muito rápido. “Sempre fui meio acelerada”. Sempre mesmo? O espaço público é hostil a mulheres como eu. O espaço público é hostil a qualquer mulher. Lembro que o espaço privado também é. Penso na amiga que apanhou do namorado; na menina que veio me contar esses dias que um amigo meu a havia assediado; na amiga que foi estuprada pelo colega de curso.

Eu penso em todas nós todos os dias. Compulsivamente.

 

Ilustração feita com exclusividade por Malu Risi.
 

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InfoPreta é um projeto maravilhoso idealizado pela Buh Santos e que precisa da nossa contribuição! Acho que muitas de vocês já devem conhecer a InfoPreta, mas vou contar um pouquinho dessa empresa incrível.

Bom, a primeira coisa de todas é saber que a Buh tem 22 anos e já tem certificados de eletrônica, automação industrial, manutenção, tecnologia da informação (TI) e robótica. Ah, e agora ela tá cursando bacharelado em sistemas da informação. (UAU).

O setor de tecnologia é mega racista e machista, então a Buh resolveu fundar sua própria empresa, com o foco em mulheres negras! Nessa reportagem da Vice, a Buh conta que a empresa “surgiu para falar de tecnologia com a mulher negra de igual para igual. Sem prevalecer a linguagem técnica da área e sem desmerecer o conhecimento leigo de quem pede salvação imediata para recuperar um computador. A função é simples: prestar um serviço de qualidade e cobrar um preço justo”.

Ah, gentes, a InfoPreta tem um projeto incrível: elas consertam computadores de mulheres em situação de vulnerabilidade social por preços acessíveis (leia mais aqui).

A empresa também criou a campanha Note Solidário da Preta, em que computadores doados são consertados e depois repassados para mulheres, estudantes, negras e de baixo poder aquisitivo, com boas notas no boletim. :)

“Resolvi criar o projeto porque eu sempre tive muitas dificuldades em conseguir os materiais que eu precisava para estudar tecnologia. A mulher negra, seja ela cisgênero ou transsexual, nunca está realmente inserida na sociedade. O meu objetivo, então, é o de dar condições para que essa mulher, que vive em vulnerabilidade, consiga estudar e se formar”, explica Buh.

 
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O que você pode fazer para ajudar a InfoPreta?

A primeira coisa é seguir a InfoPreta e divulgar o trabalho da empresa! A segunda coisa é, se você tiver um computador dando sopa aí, PODE IR DOANDO PRA BUH CONSERTAR e repassar pra alguém que precisa!

E a terceira coisa é ajudar no financiamento coletivo de um novo espaço pra InfoPreta. O espaço em que a InfoPreta atende clientes hoje em dia é uma ocupação e os donos precisam do local de volta. E para esse projeto continuar acontecendo, é preciso garantir um espaço físico, né, gente?  Então clique aqui e faça uma contribuição. :)

Ah, e uma quarta coisa, que é tão óbvia que nem precisaria falar é: se o seu computador tá quebrado, pode levar lá pra consertar que o preço é justo e o trabalho é bom!
 

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