Filha da Índia

Esta quarta-feira (16) vai passar no auditório do Ibirapuera o documentário Filha da Índia. O filme trata de um caso ocorrido em 2012, quando a estudante de medicina Jyoti Singh foi estuprada e espancada por seis homens dentro de um ônibus. Ela morreu duas semanas após o crime, catalisando uma série de protestos em diversas cidades da Índia que trouxeram uma breve atenção ao problema da violência contra a mulher.

Dirigido por Leslee Udwin, o filme tenta investigar o pensamento machista e patriarcal que permeia a sociedade indiana (e todas as outras também), que permite com que esse tipo de crime seja frequente. Além dos parentes de Jyoti, os próprios estupradores são entrevistados, dias antes de morrerem na forca.

O filme, que é de 2015, foi censurado na Índia.

 
https://www.youtube.com/watch?v=YROBVxk17cM
 
Além do filme, o evento no Ibirapuera conta com um bate-papo entre a diretora Leslee Udwin, Viviane Santiago (especialista de gênero da Plan Internacional Brasil) e Kátia Cristina dos Reis (coordenadora-adjunta da coordenação de políticas para crianças e adolescentes da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo). A mediação é de Juliana de Faria (ONG Think Olga).

Mais de Barbara Mastrobuono

Por um mundo com menos caras legais

É hora de textão desabafo. Depois do ‪#meuprimeiroassédio e ‪#‎agoraéquesãoelas surgiram algumas respostas de homens do tipo #meaculpa e outras defesas piores que não quero nem comentar, e honestamente já deu.

Estou CANSADA de ver homem defendendo o assédio dele com a razão “mas eu sou uma ótima pessoa”. Querido, pode ser que você acorde cedo e lave prato e divida todas as contas possíveis do restaurante, que sua mãe trabalhe com você e você tenha várias amigas mulheres, que você se considere feminista e ache que todas nós temos o direito de votar. Pode ser, mesmo. Acontece que todos nós (sim, todos nós, eu inclusive, e sua mãe que trabalha com você) somos produtos de uma sociedade machista, e como tal, acabamos cometendo atitudes opressoras. Então, homem, caso você se veja sendo alertado ao fato de que cometeu uma atitude opressora, por favor nos poupe dos seus relatos de como você é um indivíduo fantástico. Você pode ser a pessoa mais maravilhosa do mundo, isso não te isenta de cometer atitudes opressoras. Afinal, tem muita mulher fantástica por ai que lavou muita louça e sempre dividiu conta que tá sendo estuprada, então a essa altura a gente sabe que ser fantástico não conta para nada. Se você, lendo as hashtags do primeiro assédio, lendo os textos do Agora é que são elas, percebeu que você também já teve atitudes opressoras, use isso como um momento de reflexão. Converse com seus amigos, veja o que podem fazer para desconstruir, para melhorar. Não vem pedir confete já que “olha, ofendi aqui, mas na verdade sou um cara super”. “Nossa, você sempre dividiu a conta? Ah, então tudo bem! Vou avisar aquela menina que você chamou de vadia pros amigos porque ela não quis te beijar, pode deixar que a gente te coloca no banco de dados feminista como ‘cara que sempre lavou a louça e na verdade é super legal'”. Meaculpa na delegacia ninguém tá fazendo né?

Acho engraçado também a velocidade com a qual homens que estão se envolvendo na defesa desses movimentos que estão brotando ultimamente pulam para defender o amiguinho que é legal mas foi acusado de machismo. Gente, se chama DESCONSTRUÇÃO, não diversão. Se fosse fácil ia chamar dia-na-praia, não vamos-desconstruir-e-tentar-derrubar-o-patriarcado-pras-mina-viver-em-paz. Porque acreditem, a única coisa pior que ter o seu espaço violado é depois ter que ouvir que o cara que violou o espaço é super legal então é pra você relevar. Dói ter que perceber que foi machista? Que machucou a menina? Que as pessoas vão achar você escroto pelo que fez? Que a sua ação teve significados que você não achava que teriam? Que você foi opressor, que colaborou para propagar um sistema opressor que tira vidas todos os dias? Dói. Mas dói muito, muito mais ver homens que dizem estar ajudando achando mais importante tirar o deles da reta porque são “caras legais” do que estar genuinamente interessados em fazer algo para mudar essa situação. Se metade da energia que os homens colocam em se justificar e tentar provar que eles são legais fosse posta em homens conversando um com o outro, tentando entender porque eles agiram desse jeito e tentando desconstruir juntos o machismo deles, a gente já estaria topless na praia com o aborto legalizado. Ou em um plano mais realista, talvez se os homens usassem suas plataformas de amplo acesso para explicar porque o que fizeram foi errado e machucou, ao invés de se justificar e tentar convencer todo mundo de como eles são caras ótimos, a gente já estaria andando de shorts na rua sem medo (parece tão pouco a se pedir né?).

Às vezes vale mais simplesmente ouvir, refletir, pedir desculpas. E pronto. Isso que vai fazer de você, não um cara legal que vai ganhar biscoito das feministas, mas uma pessoa humana, que entende a importância de tratar os outros com a mesma humanidade que espera que tratem você, entendendo de uma vez por todas que a dor do outro é mais importante que a sua justificativa. E que, no mundo real, onde mulheres são assassinadas todos os dias, não vai fazer a mínima diferença quantas louças você já lavou.
 

Arte da capa via.

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auditório do Ibirapuera o documentário Filha da Índia. O filme trata de um caso ocorrido em 2012, quando a estudante de medicina Jyoti Singh foi estuprada e espancada por seis homens dentro de um ônibus. Ela morreu duas semanas após o crime, catalisando uma série de protestos em diversas cidades da Índia que trouxeram uma breve atenção ao problema da violência contra a mulher.

Dirigido por Leslee Udwin, o filme tenta investigar o pensamento machista e patriarcal que permeia a sociedade indiana (e todas as outras também), que permite com que esse tipo de crime seja frequente. Além dos parentes de Jyoti, os próprios estupradores são entrevistados, dias antes de morrerem na forca.

O filme, que é de 2015, foi censurado na Índia.

 
https://www.youtube.com/watch?v=YROBVxk17cM
 
Além do filme, o evento no Ibirapuera conta com um bate-papo entre a diretora Leslee Udwin, Viviane Santiago (especialista de gênero da Plan Internacional Brasil) e Kátia Cristina dos Reis (coordenadora-adjunta da coordenação de políticas para crianças e adolescentes da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo). A mediação é de Juliana de Faria (ONG Think Olga).

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