‘Garotas’ que não vemos no cinema

Ando me surpreendendo com filmes que falam sobre adolescência. Em dezembro, vi o belíssimo sueco “Nós somos as melhores” e, agora, está estreando em apenas um cinema de São Paulo (Reserva Cultural, na av. Paulista) o filme francês “Garotas”.

Mas não foi só o assunto do filme que me conquistou. Sabemos que mulheres negras não tem espaço no cinema. Em uma matéria que fiz para o G1, podemos ver como a falta de diversidade na indústria cinematográfica, destacando a de Hollywood, é uma questão cada vez maior. Assim, a diretora Céline Sciamma (que fez “Lírios D’água” e “Tomboy” – também sobre adolescentes) foi lá e colocou quatro atrizes iniciantes negras protagonizando uma história de amizade.
 
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Karidja Touré, de 21 anos, interpreta Marieme, uma garota de 16 que mora na periferia de Paris com os irmãos e a mãe que mal fica em casa por conta do trabalho de faxineira. O pai nem aparece na história. O irmão mais velho é violento e a agride por qualquer motivo. Ao saber que não conseguirá ingressar no curso técnico por causa das notas baixas, ela fica puta da vida e é aí que ela conhece Lady (Assa Sylla), Adiatou (Lindsay Karamoh) e Fily (Mariétou Touré).

Dois segundos e Marieme muda de estilo. Troca o moletom e as tranças afro por jaqueta de couro e cabelo liso. E ela também ganha um apelido: Vic. Em uma das cenas mais bonitas do filme, as quatro garotas alugam um quarto de hotel, se vestem com roupas de festa roubadas e dançam e cantam juntas “Diamonds”, da Rihanna. Sim, isso é ser uma adolescente! É recriar sua identidade em um grupo. É olhar para a miga e dizer “estamos juntas!”.
 
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É bom ficar ligada nos trabalhos da Céline Sciamma. A diretora do filme acerta muito ao abordar o racismo e o machismo sem tirar o amadurecimento das protagonistas do foco. Os dramas delas que importam. As brigas violentas com as garotas rivais (sim, temos meninas vs meninas), a perda da virgindade (sim, ela é chamada de puta), a falta de oportunidades na vida etc.

“A adolescência torna possível contar todo tipo de história. É um gênero que pode ser realista e naturalista, mas também permite fantasiar, falar de amor, de amizade, uma mistura que adoro fazer”, disse ela em uma entrevista bacana à Folha de S. Paulo.

Eu já era fã de Sciamma por causa de “Tomboy”, um filme sobre uma menina de dez anos que assume a identidade de menino. Essas histórias contemporâneas que me interessam e que são raras no cinema. Vale muito a pena acompanhar essa trajetória.
 
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Mais de Letícia Mendes

Links da semana

Bom dia, ovelhitas!

Aqui veremos conteúdos produzidos principalmente por mulheres inspiradoras para nós mulheres. Se quiserem compartilhar mais assuntos interessantes, é só comentar lá no fim do post <3


// SOLANGE

Ainda sob o impacto de “Lemonade”, da rainha Beyoncé, agora temos mais um disco belíssimo para ouvir o dia todo. Solange Knowles, apenas irmã de Beyoncé, lançou na semana passada “A seat at the table” e divulgou os vídeos de “Cranes in the sky” e “Don’t touch my hair”. Por favor, veja essas obras de arte:

Leia duas entrevistas (em inglês) com a Solange. No Stereogum e na revista The Fader.

 


// 1ª MINISTRA TRANS

Uma ‘hacker’ para digitalizar Taiwan. Matéria do El País sobre Audrey Tang, programadora, ativista digital e a primeira ministra transsexual do mundo.

 


// POLÔNIA

“Vestidas de preto, milhares de mulheres tomaram as ruas de mais de 60 cidades polonesas no dia 3 de outubro. Elas protestaram contra uma mudança na legislação que restringiria ainda mais o direito ao aborto no país.

O movimento foi tão massivo que fez o governo polonês recuar na quarta-feira (5).”

Como as mulheres fizeram o governo da Polônia recuar na proibição total do aborto. Matéria do Nexo.

 


// ADÉLIA SAMPAIO

A primeira negra a dirigir um longa-metragem no Brasil. Vídeo do Nexo:

 


// CASO ELENA FERRANTE

Também nesta semana o jornalista Claudio Gatti resolveu DAR UM FURO e revelou a “verdadeira identidade” da escritora Elena Ferrante em uma situação absurda de invasão de privacidade.

O El País entrevistou a Silvia Querini, diretora literária do grupo editorial Lumen e editora do trabalho de Ferrante na Espanha. E ela disse exatamente o que achamos:

“Sua ideia (de Elena Ferrante) é que o texto é o que importa, e o que o jornalista fez foi fuçar no anonimato, nos nomes. Em vez de investigar a evasão fiscal, tem se dedicado a pesquisar as contas de uma escritora. Para mim, o verdadeiro nome não importa, nem como editora nem como leitora.”

Já falamos sobre a escritora na Ovelha: Elena Ferrante é uma mulher e pronto / Estante das minas: Elena Ferrante

 


// É O AMOR

A atriz Samira Wiley, de “Orange is the new black”, foi pedida em casamento pela namorada Lauren Morelli, roteirista da série <3

Yes.

A photo posted by Samira Wiley (@whododatlikedat) on


// 100% FEMINISTA

A MC Carol e a Karol Conká lançaram o single “100% feminista”. Essa faixa e a também ótima “Delação premiada” estão no primeiro disco da MC Carol, “Bandida”. O funk, o rap e o feminismo ganham muito com essa parceria que pode ser considerada nosso novo hino.

Trecho da matéria do Globo:

“— Eu não sabia que era feminista. Eu já era desde criança, mas não sabia que tinha um nome para isso, para essa forma de pensar. Vim descobrir há pouco tempo, acho que no ano passado, através da minha empresária. Ela me explicou o significado e eu me identifiquei. Essa música explica por que eu sou feminista, por que eu tenho essa forma de pensar — conta a funkeira, que completa 23 anos nesta quinta-feira. — Hoje em dia, estou muito melhor, mas eu achava que, em um relacionamento, alguém tinha que bater e alguém tinha que apanhar. E, depois de tudo o que eu presenciei, eu vi que não queria ser esse tipo de mulher submissa. Eu quero bater.”

 


// BIENAL DE SP

A arte feita por mulheres é diferente? – Matéria do jornal português Público sobre o evento deste ano, que convidou 47 artistas mulheres, o maior número de todos os tempos.

 


// GINECOLOGISTA SINCERA

A Luiza Sahd, da revista TPM, entrevistou as mulheres que criaram a página do Facebook Ginecologista Sincera, que tem mais de 120 mil seguidores. Elas falam sobre sexo, pílula, aborto, menopausa, machismo, maternidade, pornografia e o papel social da mulher. Tá pouco pra você?

 


// QUEM MATOU ELOÁ?

Quando a violência contra a mulher vira espetáculo na mídia: o que aprendemos com o caso Eloá. – Matéria do Think Olga sobre o documentário “Quem matou Eloá?”, da diretora Lívia Perez.

Dá para assistir ao filme, que tem 24 minutos, no site Porta Curtas.

 


// ATENÇÃO!

Os aplicativos sobre os ciclos menstruais e a exposição de dados pessoais das usuárias – Matéria do Nexo.

“Ao usar apps como o Glow, Period Tracker e o Clue, por exemplo, as mulheres dão informações sobre seus ciclos menstruais, alterações de humor, período fértil e até mesmo se fizeram sexo (e em qual posição). E, na maior parte dos casos, não é só as empresas por trás dos aplicativos que têm acesso a eles.”

 


// MAIS SOLANGE

Para finalizar, um vídeo que mostra o processo de criação do novo álbum de Solange, “A seat at the table”, porque estamos obcecadas:

 


Até a próxima semana! Força \o/

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vi o belíssimo sueco “Nós somos as melhores” e, agora, está estreando em apenas um cinema de São Paulo (Reserva Cultural, na av. Paulista) o filme francês “Garotas”.

Mas não foi só o assunto do filme que me conquistou. Sabemos que mulheres negras não tem espaço no cinema. Em uma matéria que fiz para o G1, podemos ver como a falta de diversidade na indústria cinematográfica, destacando a de Hollywood, é uma questão cada vez maior. Assim, a diretora Céline Sciamma (que fez “Lírios D’água” e “Tomboy” – também sobre adolescentes) foi lá e colocou quatro atrizes iniciantes negras protagonizando uma história de amizade.
 
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Karidja Touré, de 21 anos, interpreta Marieme, uma garota de 16 que mora na periferia de Paris com os irmãos e a mãe que mal fica em casa por conta do trabalho de faxineira. O pai nem aparece na história. O irmão mais velho é violento e a agride por qualquer motivo. Ao saber que não conseguirá ingressar no curso técnico por causa das notas baixas, ela fica puta da vida e é aí que ela conhece Lady (Assa Sylla), Adiatou (Lindsay Karamoh) e Fily (Mariétou Touré).

Dois segundos e Marieme muda de estilo. Troca o moletom e as tranças afro por jaqueta de couro e cabelo liso. E ela também ganha um apelido: Vic. Em uma das cenas mais bonitas do filme, as quatro garotas alugam um quarto de hotel, se vestem com roupas de festa roubadas e dançam e cantam juntas “Diamonds”, da Rihanna. Sim, isso é ser uma adolescente! É recriar sua identidade em um grupo. É olhar para a miga e dizer “estamos juntas!”.
 
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É bom ficar ligada nos trabalhos da Céline Sciamma. A diretora do filme acerta muito ao abordar o racismo e o machismo sem tirar o amadurecimento das protagonistas do foco. Os dramas delas que importam. As brigas violentas com as garotas rivais (sim, temos meninas vs meninas), a perda da virgindade (sim, ela é chamada de puta), a falta de oportunidades na vida etc.

“A adolescência torna possível contar todo tipo de história. É um gênero que pode ser realista e naturalista, mas também permite fantasiar, falar de amor, de amizade, uma mistura que adoro fazer”, disse ela em uma entrevista bacana à Folha de S. Paulo.

Eu já era fã de Sciamma por causa de “Tomboy”, um filme sobre uma menina de dez anos que assume a identidade de menino. Essas histórias contemporâneas que me interessam e que são raras no cinema. Vale muito a pena acompanhar essa trajetória.
 
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vi o belíssimo sueco “Nós somos as melhores” e, agora, está estreando em apenas um cinema de São Paulo (Reserva Cultural, na av. Paulista) o filme francês “Garotas”.

Mas não foi só o assunto do filme que me conquistou. Sabemos que mulheres negras não tem espaço no cinema. Em uma matéria que fiz para o G1, podemos ver como a falta de diversidade na indústria cinematográfica, destacando a de Hollywood, é uma questão cada vez maior. Assim, a diretora Céline Sciamma (que fez “Lírios D’água” e “Tomboy” – também sobre adolescentes) foi lá e colocou quatro atrizes iniciantes negras protagonizando uma história de amizade.
 
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Karidja Touré, de 21 anos, interpreta Marieme, uma garota de 16 que mora na periferia de Paris com os irmãos e a mãe que mal fica em casa por conta do trabalho de faxineira. O pai nem aparece na história. O irmão mais velho é violento e a agride por qualquer motivo. Ao saber que não conseguirá ingressar no curso técnico por causa das notas baixas, ela fica puta da vida e é aí que ela conhece Lady (Assa Sylla), Adiatou (Lindsay Karamoh) e Fily (Mariétou Touré).

Dois segundos e Marieme muda de estilo. Troca o moletom e as tranças afro por jaqueta de couro e cabelo liso. E ela também ganha um apelido: Vic. Em uma das cenas mais bonitas do filme, as quatro garotas alugam um quarto de hotel, se vestem com roupas de festa roubadas e dançam e cantam juntas “Diamonds”, da Rihanna. Sim, isso é ser uma adolescente! É recriar sua identidade em um grupo. É olhar para a miga e dizer “estamos juntas!”.
 
les 4 ho¦étel
 
É bom ficar ligada nos trabalhos da Céline Sciamma. A diretora do filme acerta muito ao abordar o racismo e o machismo sem tirar o amadurecimento das protagonistas do foco. Os dramas delas que importam. As brigas violentas com as garotas rivais (sim, temos meninas vs meninas), a perda da virgindade (sim, ela é chamada de puta), a falta de oportunidades na vida etc.

“A adolescência torna possível contar todo tipo de história. É um gênero que pode ser realista e naturalista, mas também permite fantasiar, falar de amor, de amizade, uma mistura que adoro fazer”, disse ela em uma entrevista bacana à Folha de S. Paulo.

Eu já era fã de Sciamma por causa de “Tomboy”, um filme sobre uma menina de dez anos que assume a identidade de menino. Essas histórias contemporâneas que me interessam e que são raras no cinema. Vale muito a pena acompanhar essa trajetória.
 
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