A Síndrome do Pânico e Eu

Ilustração feita com exclusividade por Sarah Assaf

Achei necessário escrever um texto sobre minha experiência com essa crise de ansiedade que tem assolado muitas pessoas. Muitos amigos vêm me perguntar sobre ela, apelidei ‘carinhosamente’ de orgasmo do terror. Porque chega devagar, tem um ápice horroso e quando acaba te deixa esgotadx. Mas vamos lá, é terror sem susto, prometo. Haha!

Há três anos e meio, tomei uma grande decisão, me mudaria de volta para a cidade em que nasci depois de viver 16 anos em São Paulo. Havia tomado uma outra grande decisão, sair do mercado da publicidade de vez, mercado esse que me deixava extremamente estressada, frustrada, desmotivada com a vida, seres humanos, futuro, passado, fauna e flora (tema pra outro texto).

 

HAHA, exagerada que só a porra
HAHA, exagerada que só a porra
 
Cheguei então no Rio de Janeiro (uhúuuu), eu e meu namorado decidimos morar juntos e eu fui trabalhar num albergue pra dar uma desintoxicada da publicidade. Seis meses depois, arranjei alguns clientes e fiquei trabalhando como designer freelancer, mas como eu havia pegado coisas que pagavam pouco de muita gente, eu trabalhava muito, muito mesmo, e não tinha tempo pra mais nada, comia mal, dormia mal, o aluguel era muito alto e eu ia dormir fazendo contas.

 

bixcoito globo, mate, sinixtro, ketchup na pizza, chopp
bixcoito globo, mate, sinixtro, ketchup na pizza, chopp
 
Um belo dia, eu estava me sentindo super estranha na frente do computador, mas continuei trabalhando normal, o Ivan (meu companheiro) me chamou pra comer alguma coisa na lanchonete que tinha embaixo do nosso prédio e lá fomos nós. Assim que eu dei a última mordida no meu sanduíche, bateu uma sensação muito forte de que eu fosse desmaiar, começou um formigamento nas mãos, nos pés, taquicardia, eu coloquei sal na boca achando que fosse pressão baixa, uma tremedeira que não passava, levantei, joguei água no rosto e não passava, era uma sensação de que eu ir ter um treco, um desmaio, um derrame, uma sensação horrorosa da qual eu fui tomada por medo, muito medo.

 

fui testando todo meu know-how, sal na boca, água na cara, nada funcionava
fui testando todo meu know-how: sal na boca, água na cara… nada funcionava
 
Ivan perguntou se eu queria ir pro hospital e eu disse que sim, achei que eu pudesse estar tendo um pré-ataque-de-alguma-coisa que eu não sabia explicar. Minha sogra demorou um pouco, mas acabou nos levando num hospital que eu era segurada na época. Fui atendida por uma médica super simpática que mediu minha pressão e disse que todos os sinais vitais estavam perfeitos, não havia com o que eu me preocupar. Eu pensei estar ficando maluca, saí do hospital e cheguei em casa num estado completamente esgotado, de como se o corpo tivesse ficado tão tenso por um tempo que agora eu não tinha forças pra mais nada. Resolvi não contar nada pro meu pai porque ele ainda morava e mora em São Paulo, eu não queria deixar ele alarmado com alguma coisa que não tinha nem nome ainda!

 

mixed feelings
mixed feelings
 
Os dias seguintes foram de um pouco de medo, medo de não saber o que tinha acontecido, medo de acontecer de novo, de não saber o porquê tinha acontecido, mas os dias foram passando e eu voltei normalmente à minha rotina ~ da pesada. Na semana seguinte a esse episódio, eu comecei a me sentir estranha da mesma forma que eu tinha estado no dia do primeiro piripaque, essa sensação é difícil de expor, é uma sensação da qual parece que você está desconfortável dentro de você mesma, tem alguma coisa de errado e você sabe. Eu estava trabalhando na frente do computador quando e comecei a sentir a sensação chegando, achei melhor então interromper e ir dormir (já era tarde, na madruga boladona). Desliguei o computador, escovei os dentes e deitei.

 

eu estava trabalhando muitíssimas horas por dia, num nível de estresse muito alto
eu estava trabalhando muitíssimas horas por dia, num nível de estresse muito alto
 

Perguntei pro Ivan: “Amor, você sabe o número do SAMU? É 192, tá? Caso aconteça alguma coisa comigo.”

 
Eu não queria assustar ele, mas como eu senti a parada chegando e já era tarde, achei melhor avisar. Acho que não deu nem 5 segundos depois que eu fiz a pergunta e um novo piripaque começou. Foi bem intenso, eu pedia socorro, achava que ia morrer, as mãos e os pés estavam novamente formigando e suando a taquicardia muito forte, a cabeça parecia que ia explodir, e eu não desmaiava, meu corpo não desligava, eu não sabia o que estava acontecendo, Ivan ficou desesperado sem saber muito o que fazer. E lá fomos nós para o hospital mais uma vez. Dessa vez fui atendida por um homem que estava um pouco impaciente (pregs), era de madrugada, viu meus sinais vitais e me disse que estavam perfeitos e queria me dar um calmante, mas eu não estava nervosa, fiquei ofendida e quis voltar pra casa. Mais uma vez, a sensação de desgate completo, exaustão.
 

Eu estava com medo. Eu queria um diagnóstico e não um remédio pra dormir.

 

giphy (6)
 
Resolvi então ligar para o meu pai para dizer que alguma coisa estava acontecendo e eu não sabia o que era. Já tinham acontecido dois piripaques comigo e pelo visto eu tinha alguma coisa que não sabia o que era. Achei que eu pudesse chegar com um diagnóstico, mas infelizmente não tinha nenhum. Liguei e abri o jogo, contei o que tinha acontecido, contei que já tinha acontecido antes quando meu pai, após uma pausa dramática me falou:
 

“Filha, o que você tem é Síndrome do Pânico, convivo com isso desde os meus 28 anos. Estou indo para o Rio agora para te ajudar, mas fique tranquila que é possível viver numa boa com isso, eu vou te ajudar a passar por isso.”

 

pai, te amo ♡ obrigada!
pai, te amo ♡ obrigada!
 
Me senti uma completa ignorante. Como meu pai tem isso desde antes de eu nascer e eu não tinha ideia do que era ou melhor, de como era? Eu tinha uma imagem na minha cabeça dessa Síndrome de que era uma pessoa que tinha medo de sair de casa, que ficasse num canto com medo, eu não sabia que era assim! Quanta falta de informação, imagina quanta coisa a gente pinta na nossa cabeça por pura ignorância. Mas porra, bota no google imagens ‘síndrome do pânico’ pra vocês verem o que aparece! Hahaha.

 

imagens maravilhosas (sqn) encontradas no google imagens sobre pânico, HAHA
imagens maravilhosas (sqn) encontradas no google imagens sobre pânico, HAHA
 
Meu pai chegou no Rio e me confortou muito, me ensinou algumas técnicas de respiração para interromper a evolução do piripaque, que agora eu chamava de crise, me falou da importância de começar a fazer terapia, de ir a um médico pra saber de eu precisaria tomar remédios ou não. Me deixou tranquila, disse que no começo seria difícil mas que as coisas iriam se normalizar. E se normalizaram mesmo.

 
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☻ Não há um perfil exato de pessoas com pânico, não tem um porquê exato dele se manifestar, podem ser muitos fatores, traumas, estresse, mudanças bruscas, situações, é muito importante procurar tratamento, fazer terapia, pra que possamos entender a causa das crises e aprender a lidar melhor com isso.

 
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☻ O nosso corpo tem muitas válvulas de escape, nós somatizamos, nós temos gastrites nervosas e temos crises de ansiedade. A Síndrome do Pânico nada mais é quando o nosso corpo vai acumulando adrenalina e de repente tem uma descarga muito forte dela, seja onde você estiver. É como se naturalmente fossemos acumulando um copinho de adrenalina no cérebro e a crise é quando esse copinho entorna e vaza. Quando isso acontece, os sintomas são de morte iminente, sudorese, palpitações, taquicardia, pressão na cabeça, falta de ar, tontura, náusea, formigamento, tremedeira, etc. :( Basicamente você acha que vai ter um treco. Acha não, você tem certeza de que vai ter um treco.

 

vai dar tudo certo, é preciso ter um pouco de paciência (que não é meu forte)
vai dar tudo certo, é preciso ter um pouco de paciência (que não é meu forte)
 
☻ O esgotamento que sentimos depois das crises é por causa da tensão em que o corpo se mantém durante, é um exercício físico e mental muito pesado.

☻  Meu pai me passou uma série de respirações que relaxam os músculos do corpo e eu consegui interromper todas as futuras crises, só experienciando o princípio da crise, isso até hoje. Resumidamente, no começo, ele pedia pra que eu deitasse no chão e respirasse em tempos, aspira em 3 tempos e expira em 6, fazendo com que mais ar saia do seu corpo. Por que no chão? Porque você consegue sentir o seu corpo tensionado e consegue concentrar onde tem que relaxar, se você está num colchão macio é mais difícil de perceber os músculos tensionados.

☻ Eu escolhi não tomar remédio porque eu pude escolher, mas por favor, não se enganem, eu consegui interromper o ciclo do medo, mas mudei completamente a minha rotina, passei a ter hora pra acordar, pra trabalhar, pra comer, comia mais saudável, parei de beber por um tempo, praticava esportes, comecei a fazer yoga e terapia. Mas ainda assim tem gente que precisa sim tomar remédio pra que isso aconteça, então por favor, vá num médico de confiança, e se não tiver um, como é o meu caso, vá em mais de um até se sentir confortável com alguém que acredite em você, te entenda e queira te ajudar.

 
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☻ Não seja duro com você mesmo, demorei mais de seis meses pra poder me sentir um pouco segura de fazer as coisas normais de novo, demora um pouco mas é de pessoa pra pessoa. Acredite que você pode ser uma pessoa completamente normal e conviver com a Síndrome. Eu ainda tenho alguns princípios de crise, mas nunca mais tive nenhuma crise. Conheço muitas pessoas que nunca mais tiveram nem princípio de crise, então acredite, podemos sair dessa! :)

 
giphy (11)
 
É isso, galeura. Coloquei muitos gifs pra tentar passar a informação de forma mais bem humorada possível mesmo sabendo que é um assunto delicado. Gosto de lidar com meus problemas dessa forma, me ajuda a tornar as experiências mais leves. Espero que essa minha experiência possa servir de ajuda pra alguém. Se ainda precisarem saber alguma coisa, podem deixar comentários que eu vou ter o maior prazer de ajudar, se for possível. Beixota. ♡

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  • Chloé Pinheiro

    Bárbara, comecei a passar pela mesma coisa em janeiro desse ano, foram três crises que me levaram pro hospital e, na quarta, pro pronto socorro psiquiátrico. Tomei remédios dois meses, cortei também porque não acho que seja o caminho, mas a batalha pra vencer a mente é duríssima às vezes. Ontem mesmo tive que tomar muito chá de camomila pra me convencer de que não estava acontecendo nada com meu corpo. Me sinto menos sozinha vendo alguém descrever exatamente o que eu sinto e de um jeito tão claro. Obrigada :)

    • barbarrá

      Ai Chloé, fico até emocionada em ler seu relato, sentir o que a gente sente não é só um medo de morte iminente, é a real sensação de pré morte, é o corpo acionando os mecanismos de defesa, ainda que o corpo não esteja à frente de um problema físico, e sim psicológico!

      Até esqueci de falar as comidas e bebidas (muitas) que cortei. Moro no Rio, tive que reduzi muito a quantidade de mate, no começo não tomava nada por causa da cafeína. Café então, nem se fala. Chá verde também é ruim, por incrível que pareça! Foram tantas emoções! Hahaha :( Mas hoje em dia já está bem melhor, Coca Cola eu já não tomava há anos, mas o meu mate voltei a tomar, pouco, mas voltei, hahaha.

      Também me sinto menos sozinha sabendo que pude saber da sua história, pelo menos um pouquinho, e se precisar conversar, ou qualquer coisa, pode contar comigo! <3

      • Chloé Pinheiro

        Sim! Acho que foi a primeira vez que falo disso num espaço público. Morro de vontade de escrever sobre o assunto num post, mas acho que ainda tenho que passar pela pior parte (a gente acha que acabou, mas é uma luta constante, né), pra aí sim compartilhar o aprendizado.
        Sobre os alimentos, descobri que o café é mesmo uma das coisas que me deixa mais louquinha, e acho que uma das poucas coisas boas disso tudo é repensar hábitos, também mudei um pouco a alimentação e até caminho no parque, um milagre hahaha
        beijo e força na peruca pra nós <3

        • barbarrá

          beijo! <3

  • Emília Adamo

    Sabe amiga, minha primeira crise foi há 10 anos, logo depois de terminar um trabalho que tinha virado a noite pra terminar. Meu pai me levou pro hospital, mas não tinha nada né, me deram soro e voltei pra casa achando que era só exaustão de final de semestre de faculdade…
    A segunda veio um ano depois, daí fui atras de saber que porra tava acontecendo, pesquisei na internet, fui no médico, tomei remedio por uns 2 ou 3 meses só eu acho. Perdi meu convênio e fui obrigada a parar com a medicação de uma hora pra outra, imagina só, foi horrível! Mas foi assim que aprendi a controlar sozinha. Na época eu não conhecia ninguém com o mesmo problema, e passar por isso sozinha é muito difícil.
    Hoje em dia ainda tem muita gente que não entende e acha que é frescura quando eu digo que não viro a noite trabalhando, sabe? Ou que eu preciso ir dormir cedo quando vou acordar cedo…
    É muito triste que cada vez mais gente sofre disso, mas fico muito feliz por ver também cada vez mais gente falando sobre o assunto, porque troca de informação e de experiência, na minha opinião, ajuda mais que remédio!

    • barbarrá

      Pois é menina. E eu vivo falando pro Ivan: não fica muito tempo sem comer, não leva seu corpo no limite. Mesmo ele vendo o que aconteceu comigo ele teima muitas vezes!

      Demorei muito pra sair e voltar de madrugada de novo, achei que nunca mais fosse acontecer! A gente precisa espalhar essas informações pra frente, é muito importante as pessoas saberem que isso existe e como funciona e como lidar com isso. Fico feliz de você ter comentado aqui, não tinha ideia que tinha passado com você também!

      Sem dúvida alguma, troca de informação e experiência ajuda mais do que remédio! <3

  • Negra Maria

    Oi Bárbara!
    Nossa, muito obrigada pelo texto, me sinto menos sozinha…
    Minha primeira crise se deu ano passado, foi do nada, estava no ponto de ônibus, do lado do meu companheiro e pronto, surtei.Fiquei 3 dias em casa sem me entender, com medo do medo, sem comer, só choro e ranger de dentes. E na verdade, meus pais reconheceram aquela minha reação, de uma época passada quando eu tinha por volta de 8, 9 anos. Fiz terapia até 12 anos, mas eu lembro de só brincar no consultório e não ter diagnóstico nenhum. Enfim, fui ao médico indicado pela minha então nova psicanalista, e ele diagnosticou a Síndrome do Pânico ~plus~ depressão…estou em tratamento desde então, é bem difícil :(.Uma perguntinha sobre uma situação que eu ainda não consegui resolver: Tem uma dica de como controlar as crises assim no meio da rotina?Na rua, na chuva e etc?Pq eu já deixei de sair mtas vezes por medo de ter crise.Minha saída tem sido meu remédio SOS, mas queria mt outra opção…
    Bjundas!!

    • barbarrá

      Oi queridona, por favor, não se sinta sozinha, vamos nos amar e conversar sobre isso, hahaha! :) Sobre as dicas, eu tenho uma sim, ela é um pouco grande, haha. É o seguinte, só faça as coisas que você se sinta à vontade de fazer. Essa doença não é você, mas nesse momento você está subjugada a ela e até que você sinta confiança pra voltar a fazer suas coisas normalmente não se force, mas também não fique esperando cair do céu, é preciso ir testando aos poucos. Quando você está na rua, é claro que não dá pra deitar no chão e começar a relaxar o corpo, hahahaha! Dependendo do lugar até dá (praia, parque, etc.), mas você pode fazer as respirações, seu corpo vai relaxar naturalmente, você precisa tentar aquietar a mente, é difícil, mas dá sim!

      Lembre-se que o gatilho é psicológico, tenha confiança em você mesma, você consegue! <3 O remédio fazer parte do processo, quando você se sentir mais confiante, converse com seu médico pra ver se rola baixar a dosagem, talvez, mas como tem depressão, e eu não tenho muito know-how nisso, não posso falar nada! :)

      Qualquer coisa me avisa, de verdade! <3 Me adiciona se quiser, tu não é miga do Ivan? hahaha

  • Amanda Branco

    Oi Bárbara! Achei muito útil o texto para me esclarecer..eu não tenho síndrome do pânico, mas como você (e acredito que muuuita gente) não sabia o que era, e achava que os sintomas eram muito mais psicológicos, perto de uma depressão, do que físicos!
    Alguns anos atrás eu tive uns problemas de saúde também, causado por ansiedade, somatização e o pacote todo..acho que isso é muito comum atualmente, e é importante as pessoas procurarem saber das causas psicológicas, do modo de vida, de diversos fatores.
    Para todo mundo que em algum momento apresenta ansiedade, (ou seja, todo mundo? rs) eu recomendo um livro do maravilhoso Hermógenes, o “Yoga Para Nervosos”. Nesse livro ele fala sobre a doença de ser “normal” numa sociedade doente, mostra várias práticas para os diferentes tipos de “nervosos”, e tem uma filosofia bem completa, tanto para iniciantes no Yoga quando para quem já pratica. Para mim fez uma enorme diferença!

    • barbarrá

      É isso aí Amanda! O pânico é mais uma no combo somatização, ou seja, o problema é psicológico mas o corpo se manifesta fisicamente, então ambos tem que ser tratados. Yoga mudou a minha vida, juro. Se eu estivesse morrendo e tivesse um conselho pra passar pra próxima geração seria: façam yoga! Hahaha. Que dramática, HAHA! <3

      Você que não tem mas pode ter amigos que tenham, tem que dar muito apoio, não ficar brava com as não-idas nos programas, ou mesmo as saídas repentinas, sabe? Hahaha, é um momento de internalização muito forte, principalmente no começo!

      Super obrigada por ter comentado aqui! E qualquer coisa pode perguntar/falar, beijão!

  • Lorraine

    Tomei uma decisão muito forte na minha vida, que era morar 1 ano fora do Brasil sozinha, e com a minha viagem marcada pro mês que vem, venho passando mal desde o início do ano. Tive duas crises ALTAS de falta de ar horrorosas, meu coração acelerou e comecei a sentir tonteira e ver tudo embaçado. Depois de muitas outras crises de carência, fragilidade emocional e falta de ar, fui numa psicóloga e decidi abrir mão dessa minha viagem… eu tentava explicar para as pessoas o que eu estava passando, as crises que eu tinha, mas elas nunca entendiam, achavam que era só uma ansiedade boba e passageira… mas lendo seu texto agora eu entendo que adquiri a crise do pânico por conta do estresse e medo gerado, após ler TUDO fez sentido, tudo se encaixou! Agora quando me perguntarem pq deu ter desistido, vou indicar esse texto, pra ver se entendem um pouco melhor…
    Ainda esta muito recente, e eu ainda sinto esses princípios de crise, principalmente quando me estresso, parece que tem uma bomba dentro de mim que só eu conheço e que vai explodir a qualquer momento, e por mais que eu tente explicar, ninguém consegue vê-la, só eu.. Espero que nós consigamos sair dessa, força mina!!

    • Força, Lorraine! Que difícil decisão :( mas você foi bastante sábia, melhor se cuidar e domar o Pânico. Agora vale levar isso para uma avaliação médica (ou mesmo com sua psicóloga), logo mais você vai estar incrível! <3

      • barbarrá

        É isso aí que a Nina falou, Lorraine! Você não perdeu controle do seu corpo, você pode domar ele de novo, é preciso acreditar em você, você vai conseguir se sentir segura de novo!

        Por favor, se precisar conversar, ou qualquer outra coisa, pode avisar, viu? Muitas pessoas não entendem o que é, e as vezes só de falar sobre o assunto já causa princípio de crise!

        Fica bem, busca tratamento e quando você estiver segura o suficiente, volte a fazer seus projetos, não desista deles! <3

  • ana

    Minha história com o pânico é cansativa…
    Cheguei até aqui pq precisava de folego para continuar minha caminhada contra esse problema.
    Desde criança sou muito ansiosa, com a escola, notas, trabalhos, mas eram super passageiros e eu seguia a minha vida.
    Com 21 anos, numa consulta de rotina descobri um nodulo no meio seio e tive que fazer biopsia e tudo mais. Isso me traumatizou DEMAIS. Tenho paranóia com doenças desde então.
    Hoje tenho 25 anos e a ansiedade sempre esteve ao meu lado, mas a crise de verdade aconteceu ano passado.
    Comecei a fazer exames e mais exames pq tinha convicçao de que estava muito doente, procurava coisas no corpo, sentia dores, procurava tudo no google.
    Fui oito vezes na emergencia do hospital em uma semana e passei por oito medicos em clinicas diferentes levando meus exames.
    Todos eles me orientaram um acompanhamento psicologico, pq meu quadro de algum transtorno era visivel. Minha familia enlouqueceu junto comigo, foram dias que eu espero esquecer. Nao comia, ficava jogada na cama, nao falava com ninguem e dos meus olhos as lagrimas escorriam sem o minimo esforço. Quando a crise vinha, minha mae me ajudava, mas eu voltava para aquele estado descrito acima.
    Ouvia minha mae chorar com o meu pai, meu namorado estava perdido, até meus cachorros me olhavam de outra forma.
    Nem forças para rezar eu tinha.
    Quem tem ou teve uma crise sabe como saímos machucados dela. É uma dor mental e fisica.
    Meus amigos se assustaram e acabaram se afastando um pouco, mas nao os julgo.
    Tomei oxalato de excitalopram por oito meses e parei por conta própria. Faço analise semanalmente e tudo estava indo bem, quando uma parente proxima ficou muito doente.
    Peguei tudo aquilo pra mim e fui sentindo aquela onda chegando, chegando, chegando. Consegui me controlar muito bem por algumas semanas, mas semana passada eu desmoronei. Foi a pior crise da minha vida.
    Voltei a psiquiatra e ela recomendou recomeçarmos o tratamento, mas sempre com a orientacao dela (jamais parem de tomar a medicacao sem falar com o medico) e aqui estou.
    Sinto que estou um pouco melhor a cada dia, mas nao quero ser refém da medicação. Faço analise e acho que ajuda bastante a identificar a raiz do problema.
    Escrevi esse texto gigante como desabafo, precisa por pra fora em um lugar onde os outros me entendem.
    Eu espero muito que o mundo pare de tratar as pessoas debilitadas emocionalmente como fracas e cheias de frescura. Somos pessoas buscando a luz para dentro de nos mesmos.
    Força pessoal!!!

    • Oi Ana! Queria te desejar muita, muita força. Nós da Ovelha levamos muito em consideração a saúde mental das mulheres. Falamos de depressão, de pânico, de ansiedade… porque não, não é frescura. É algo terrível, um transtorno que não é simplesmente emocional, é físico. Ele te deixa exausta, ele te derruba. Não é frescura. Fez bem de vir aqui, procurar esse abraço virtual das minas. Fico feliz de que esse post tenha te ajudado a erguer a cabeça, a ver perspectiva na sua luta. Obrigada por compartilhar sua história conosco! Você é uma guerreira, todo dia é um dia. Mas estamos contigo. Beijo!

    • barbarrá

      Ana, desculpa a demora pra te responder, obrigada por ter desabafado, obrigada por ter contado a sua história! Saiba que sempre que quiser conversar, pode contactar, de verdade! Pânico é difícil, acima de tudo pra quem passa mas pra quem está ao redor e não sabe como agir, também! Meu twitter é @cruishcredo e meu email é barbara.gondar@gmail caso você queira conversar mais!

      Muita força e um beijão!

  • henrique silveira

    Oi, meu nome é Henrique, moro na grande porto alegre, tenho 45, e tive a primeira grande crise que chamo de colapso nervoso aos 24 anos !!! demorei uns meses a procurar ajuda ¨psiquiatria e psicologa¨. Peito rasgando, taquicardia, sudorese, formigamento e ameaças de desmaio, só nos sabemos o que se passa, brinco com as pessoas que eu não conheço a morte mas sei a cor de seus olhos rsrsrsrs…a um tempo atraz estive lendo o blog da Barbaro, adorei !!! e gostaria de deichar um registro também, ajudar a somar pos quem passa aqui concerteza tem ou conhece alguém que tenha a sindrome, Eu parei com a medicação faz us dois anos, mas tenho uns comprimidos para o caso de precisar, confesso que as vezes eu sinto os medos e a ansiedade chegando mas procuro mudar os pensamentos que é uma das chaves para driblar os efeitos, fazer, ler e penssar em coisas que te agrade. Coisas que não devemos fazer é não nos privarmos de viver e ser feliz por medo que algo vá acontecer. Até mesmo medo de ter orgasmos eu ja passei e várias vezes fingi !!!!!! sim fingi para a ex esposa. Então, só quem tem sabe o que é isso amigos e amigas. Hoje levo uma vida normal, mas …. sei que ela está a espreita, e queria dizer a vocês amigos, que não vamos morrer assim não,,,rsrsrsrs mas que devemos aos poucos dar passos cada vez mais largos, ousar fazer as coisa, viajar pra perto e ir aumentando aos poucos as distâncias. É dificil ???? sim é !!! mas eu acredito que quem tem essa sindrome do pânico começa a ter outras visões do mundo e da vida, coisas que as pessoas ditas normais não vêem, os amores, os amigos ficam mais palpáveis. Então não desistamos dos sonhos, vida , planos, viagens, tudo tem o seu tempo, um grande abraço a todos e PARABÉNS BÁRBARA por este espaço. espero ter contribuido um pouquinho.

    • barbarrá

      Caramba Henrique, que história! A verdade você disse, só quem tem sabe como é. E cada um tem uma história pra contar, obrigada por ter dividido a sua também! :)

  • Pingback: Boneca de Platina | Bruna Aureliano » Arquivos Os melhores links do mês #7 - Boneca de Platina | Bruna Aureliano()

  • Marcelo Dias

    Quanto mais leio sobre a crise do sindrome do panico, mais eu me identifico. Acontece umas coisas comigo, e principalmente a noite, ai fica naquela vou no médico ou não de madrugada, ai acabo optando por ficar em casa( se tiver que ir pra outra dimensão que vá ehe). É complicado convive com isso, e eu sei o que pode está me tumultuando, que no meu caso acho que é o exagero de bebida alcoolica, ai junta as preocupações e chega nesse estágio, que vou te algum piripaque a qualquer momento. Uma sensação mt difícil de se expressar, loucura se torna bobagem, sensação de que vai entra te convulção, ataque no coração e outros derivados, que não desejamos nem para os inimigos. Parece que ninguem te entende, é uma coisa minha e de quem sofre com isso, mesma coisa ir no banheiro pra ca… é o seu o momento, só você que sabe e sente e etc…é complicado. Temos que procurar refugio, fazer atividades, e etc…. mas quem diz que consegue manter esse ritimo, só quando se sente essa sensação novamente que vai fala preciso pra ontem mudar a minha rotina, pra se uma rotina mais saudavel, se faz por um tempo, ai é só melhorar que volta naquela vida que causa todo esse mal. Temos que se objetivos nessa questão, afinal se nós mesmo não se preocupar com a nossa saúde , quem é que vai? E isso pode causar outras doenças e até doenças imaginárias, por isso a importancia de se manter um pensamento saudavel, o pensamento é a principal causa desses problemas. Alem do alcool, creio que o meu problema seja de está em publico no aspecto te que falar, aumenta minha ansiedade. O primeiro passo aliás é esse conhecer o que nos causa desconforto e procurar por si o caminho pra superar ou procurar ajuda, troca idéias com pessoas que quer o nosso bem é muito importante, elas te entenderam e com certeza irá mostrar alternativas. Segundo passo seria fazer algo que goste e faça que esqueça de todo esse desconforto, uma caminhada, escrever, passear, atividade fisica e tantas outras. Ajuda e mt, pois naquele momento é seu…. creio que tb o ambiente possa atrapalhar tb, tipo exemplo. faz uma caminhada e dps volta pra residencia, começa tudo outra vez. Ai já não sei o que fazer, uma mudança seria necessária, (esse acredito que seja o meu caso tb, pra ter esses piripaques), pois vi meu pai morrer em casa, eu já tinha uns negocio desses, mas apos o acontecimento, acontece com mais frequencias. Parece que vou ficando com mais frequencia tb com sensação de paralisado, meio lerdo…. tipo to numa festa uma rave que gosto de está na musica ou show de rock, onde poderia está vibrando, dançando e etc… a mente pede isso, mas o corpo parece que me dx paralisado, lerdo… ai desenvolvo pouco a vibração, preocupado que possa me da um piripaque a qualquer momento. E é estranho mais ainda, pois sempre (pelo menos eu) sinto algo que não havia sentindo na crise anterior, surge umas coisinhas novas pra completar, ai fico naquela o que vem a mais dessa vez. Essas coisas que veem do pensamento é uma das ou se não a pior coisa do mundo, eu sei que temos que pensar sempre positivo, mas não sei o que acontece é volta essa crise, mesmo pensando positivo por grandes periodos ao dia. Eu sei das minhas causas, tenho que ter mais força de vontade pra mante-las após a melhora desses sintomas, não deixar voltar ou qnd voltar vim de forma que nem perceba, pois é duro qnd ela chega agressiva, ai começa os pensamentos negativos que só faz aumentar a crise. Nesse momento que escrevo, tive ou to tendo ainda uma crise ehe, certeza que foi pelo exagero de ontem. Enfim, espero que todos que sofram disso, encontre seu refugio e que mantenha, não pense assim opa melhorou ja posso parar de fazer aquilo ou diminuir, não faça isso, continue fazendo com a mesma frequencia, isso que temos a cura total é longa, não é da noite pro dia que vai ficar 100%, é silenciosa e qnd chega vem que vem, e as vezes pode vim mais forte, por isso a importancia de manter regular o que está dando certo, a maioria ou se não todas as doenças surgem do nosso pensamento, temos que mante-los saúdavel, sem stress e preocupações, manter sempre a mente em atividade, só assim conseguiremos vencer esse mal que nos afligem. Se for necessário temos que mudar a nossa vida da agua pro vinho, mas isso é para o nosso proprio bem, nesse caso temos que se egoísta(no bom sentindo), afinal a vida é nossa, que se a gente não se cuidar quem é que vai? Trabalhar a mente é o segredo, Eu posso, eu quero e eu vou conseguir. Tenho mania as vezes tb culpa terceiros, isso deve te sido uma praguinha de alguem ahahah. Boa sorte a todos, lembre-se se não conseguir tendo uma melhora por si mesmo, procure pessoas que te entende, se não conhecer ninguem, procure uma psicologa. Use remédio só em ultimo caso, pois o remédio as vezes pode ir afetando outras coisas, que vc não tinha. e virando uma bola de neve. Pratique atividades fisicas, soe a camisa…. no começo da preguiça, mas dps a sua alma e o corpo irão agradecer. o melhor remédio está em nós mesmo. Agora por algum motivo não consiga praticar atividades fisica, procure escrever, desabafar,xingar(isso mesmo, foi mostra em um estudo ai, que xingar e ainda mais no papel que não afeta ahaha alivia). Mesmo que seja escrever em blogs eheh isso vai aliviando tb…eu por ex escrevendo aqui ja to tendo uma melhora eheh.O segredo é exercitar a mente, ela estando em atividade, não tem tempo pra pensar em besteira. Ai a internet serviu pra ve que não estamos sozinho nessa, tem mais gente, se não tivesse a internet como iriamos fazer, iriamos pensar se eu for no medico ele vai me chamar de maluco e outros derivados. Pelo menos aqui conhecemos pessoas que estão no mesmo caso que a gente, poderiamos fazer entidades na cidade que vivemos, pra ir passando experiencias e fazer atividade mental tb,…. as vezes até existe tb.
    Sorte para todos nós, que possamos levar uma vida melhor, e bem melhor…. que encontremos o refugio necessário. Se alguem precisar de conversar estou a disposição, mas conversa sadia, que nos agregue… pois eu me identifico rapido com a causa,ai ficar com mais uma preocupação na cabeça não vai se bom pra mim kkkkk vamos em busca de soluções, problemas temos demais e sabemos de cabo a rabo o que nos causa esse desconforto, vamos falar de coisas boas, que nos agrega se não for na cura, mas pelo menos vai melhorando pra ter uma vida tranquila. Acho que preciso ir no mar urgente kkkkk Já falei mt, ai vão pensar que já to numa fase avançada kkkkkk Abraço pros do chapéu e um beijo no coraçao para as de lacinho. E viva a vida ela é bela, ela é unica, Deus no comando sempre. Nós que precisamos encontrar essa mudança e reconhecer nossos erros, para termos uma vida extraordinária.

  • Gustavo Valerio

    Ola gente!
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