Despretensiosamente, fui procurar um filme sci-fi (meus favoritos) para assistir sexta à noite e fiz uma busca básica no Netflix. Achei o Advantageous, me chamou bastante a atenção por ter ganhado o Festival Sundance em 2015 e principalmente por ser dirigido e escrito por uma mulher, Jennifer Phang. Foi escrito também pela Jacqueline Kim, que é a atriz principal do filme e que também é uma diretora de cinema.
Advantageous é um filme esteticamente muito lindo. Tem uma trilha sonora simples, neutra e a direção de arte é impecável, tanto na fotografia quanto nos planos escolhidos. As cores sempre análogas compõem e ditam o ritmo do filme, que é calmo, lento. Mas não é lento-chato, é um filme extremamente crítico que faz uma crítica direta na forma em que estamos conduzindo as relações humanas. A ficção científica entra de forma complementar no filme, não fazem uso extremo de invenções megalomaníacas, mas é um futuro distópico em que as pessoas, por causa da alimentação entre outras coisas, não conseguem mais reproduzir.
A questão da não-reprodução levanta questões básicas como: por que precisamos ter filhos? Precisamos ter filhos? Por que temos filhos? Por que não adotamos? Por que estamos vivos? Eu mesma sempre me questionei a validade da reprodução porque ainda não consigo achar uma resposta pessoal válida do porquê eu deveria ter filhos, minhas respostas são sempre muito egoístas, a resposta vem com: porque eu quero que… porque eu desejo… Sempre no eu, eu, eu. Esse questionamento é pessoal, viu, galera? Hahaha. :) Desejo ter filhos futuramente mas não deixo de questionar minhas escolhas.
Gwen é a personagem principal e cria sua filha Jules sozinha. As questões das mulheres são extremamente fortes nesse filme, Gwen é uma mulher que trabalha numa empresa de bem-estar que poderia assemelhar-se a uma clínica de cirurgia plástica em nossos dias atuais, mas a clínica de bem estar vem com um conceito marketeiro de envolvimento não só físico, mas psicológico, afinal, nossa aparência influencia diretamente em nossos egos, sim.
O mote é que Gwen está numa idade em que não serve mais para representar a empresa e o futuro da Jules depende diretamente disso. Gwen precisa tomar uma decisão difícil para garantir o futuro de sua filha, ou seja, a história de muitas mães que conhecemos hoje em dia. Muitas questões acerca da opressão no universo feminino são levantadas, ditadura do padrão estético, prostituição infantil, ser mãe solteira, maniqueísmo da mulher santa ou puta, raças, tudo de forma levemente inserida e natural.
Com os trabalhos automatizados, ao chegarem a uma certa idade, as mulheres são as mais afetadas. Nada distante da nossa realidade atual, não é verdade? Segundo a lógica corporativa dentro do filme, mesmo que as mulheres cheguem em uma situação de pobreza insuportável, elas não reagem com agressividade ou se tornam violentas como homens na mesma situação. Fiquei chocada com isso, mas passou, hahaha.
A relação entre mãe e filha é ditada de forma extremamente natural e poética. Creio que, por não ser mãe e não ter sido criada pela minha mãe, esse filme conseguiu ao máximo me aproximar do sentimento materno, me deixando emocionada diversas vezes. O diálogo, o roteiro, é muito bem escrito, há uma sensibilidade extrema em todas as cenas, o sentimento é latente e a angústia da personagem também.
Esse filme me pegou de surpresa quando eu estava apenas procurando um filme que entretece mais do que adicionasse. Pela poética, pelas problematizações, atuações e direção, minha nota é 7,5!
Despretensiosamente, fui procurar um filme sci-fi (meus favoritos) para assistir sexta à noite e fiz uma busca básica no Netflix. Achei o Advantageous, me chamou bastante a atenção por ter ganhado o Festival Sundance em 2015 e principalmente por ser dirigido e escrito por uma mulher, Jennifer Phang. Foi escrito também pela Jacqueline Kim, que é a atriz principal do filme e que também é uma diretora de cinema.
Advantageous é um filme esteticamente muito lindo. Tem uma trilha sonora simples, neutra e a direção de arte é impecável, tanto na fotografia quanto nos planos escolhidos. As cores sempre análogas compõem e ditam o ritmo do filme, que é calmo, lento. Mas não é lento-chato, é um filme extremamente crítico que faz uma crítica direta na forma em que estamos conduzindo as relações humanas. A ficção científica entra de forma complementar no filme, não fazem uso extremo de invenções megalomaníacas, mas é um futuro distópico em que as pessoas, por causa da alimentação entre outras coisas, não conseguem mais reproduzir.
A questão da não-reprodução levanta questões básicas como: por que precisamos ter filhos? Precisamos ter filhos? Por que temos filhos? Por que não adotamos? Por que estamos vivos? Eu mesma sempre me questionei a validade da reprodução porque ainda não consigo achar uma resposta pessoal válida do porquê eu deveria ter filhos, minhas respostas são sempre muito egoístas, a resposta vem com: porque eu quero que… porque eu desejo… Sempre no eu, eu, eu. Esse questionamento é pessoal, viu, galera? Hahaha. :) Desejo ter filhos futuramente mas não deixo de questionar minhas escolhas.
Gwen é a personagem principal e cria sua filha Jules sozinha. As questões das mulheres são extremamente fortes nesse filme, Gwen é uma mulher que trabalha numa empresa de bem-estar que poderia assemelhar-se a uma clínica de cirurgia plástica em nossos dias atuais, mas a clínica de bem estar vem com um conceito marketeiro de envolvimento não só físico, mas psicológico, afinal, nossa aparência influencia diretamente em nossos egos, sim.
O mote é que Gwen está numa idade em que não serve mais para representar a empresa e o futuro da Jules depende diretamente disso. Gwen precisa tomar uma decisão difícil para garantir o futuro de sua filha, ou seja, a história de muitas mães que conhecemos hoje em dia. Muitas questões acerca da opressão no universo feminino são levantadas, ditadura do padrão estético, prostituição infantil, ser mãe solteira, maniqueísmo da mulher santa ou puta, raças, tudo de forma levemente inserida e natural.
Com os trabalhos automatizados, ao chegarem a uma certa idade, as mulheres são as mais afetadas. Nada distante da nossa realidade atual, não é verdade? Segundo a lógica corporativa dentro do filme, mesmo que as mulheres cheguem em uma situação de pobreza insuportável, elas não reagem com agressividade ou se tornam violentas como homens na mesma situação. Fiquei chocada com isso, mas passou, hahaha.
A relação entre mãe e filha é ditada de forma extremamente natural e poética. Creio que, por não ser mãe e não ter sido criada pela minha mãe, esse filme conseguiu ao máximo me aproximar do sentimento materno, me deixando emocionada diversas vezes. O diálogo, o roteiro, é muito bem escrito, há uma sensibilidade extrema em todas as cenas, o sentimento é latente e a angústia da personagem também.
Esse filme me pegou de surpresa quando eu estava apenas procurando um filme que entretece mais do que adicionasse. Pela poética, pelas problematizações, atuações e direção, minha nota é 7,5!
Despretensiosamente, fui procurar um filme sci-fi (meus favoritos) para assistir sexta à noite e fiz uma busca básica no Netflix. Achei o Advantageous, me chamou bastante a atenção por ter ganhado o Festival Sundance em 2015 e principalmente por ser dirigido e escrito por uma mulher, Jennifer Phang. Foi escrito também pela Jacqueline Kim, que é a atriz principal do filme e que também é uma diretora de cinema.
Advantageous é um filme esteticamente muito lindo. Tem uma trilha sonora simples, neutra e a direção de arte é impecável, tanto na fotografia quanto nos planos escolhidos. As cores sempre análogas compõem e ditam o ritmo do filme, que é calmo, lento. Mas não é lento-chato, é um filme extremamente crítico que faz uma crítica direta na forma em que estamos conduzindo as relações humanas. A ficção científica entra de forma complementar no filme, não fazem uso extremo de invenções megalomaníacas, mas é um futuro distópico em que as pessoas, por causa da alimentação entre outras coisas, não conseguem mais reproduzir.
A questão da não-reprodução levanta questões básicas como: por que precisamos ter filhos? Precisamos ter filhos? Por que temos filhos? Por que não adotamos? Por que estamos vivos? Eu mesma sempre me questionei a validade da reprodução porque ainda não consigo achar uma resposta pessoal válida do porquê eu deveria ter filhos, minhas respostas são sempre muito egoístas, a resposta vem com: porque eu quero que… porque eu desejo… Sempre no eu, eu, eu. Esse questionamento é pessoal, viu, galera? Hahaha. :) Desejo ter filhos futuramente mas não deixo de questionar minhas escolhas.
Gwen é a personagem principal e cria sua filha Jules sozinha. As questões das mulheres são extremamente fortes nesse filme, Gwen é uma mulher que trabalha numa empresa de bem-estar que poderia assemelhar-se a uma clínica de cirurgia plástica em nossos dias atuais, mas a clínica de bem estar vem com um conceito marketeiro de envolvimento não só físico, mas psicológico, afinal, nossa aparência influencia diretamente em nossos egos, sim.
O mote é que Gwen está numa idade em que não serve mais para representar a empresa e o futuro da Jules depende diretamente disso. Gwen precisa tomar uma decisão difícil para garantir o futuro de sua filha, ou seja, a história de muitas mães que conhecemos hoje em dia. Muitas questões acerca da opressão no universo feminino são levantadas, ditadura do padrão estético, prostituição infantil, ser mãe solteira, maniqueísmo da mulher santa ou puta, raças, tudo de forma levemente inserida e natural.
Com os trabalhos automatizados, ao chegarem a uma certa idade, as mulheres são as mais afetadas. Nada distante da nossa realidade atual, não é verdade? Segundo a lógica corporativa dentro do filme, mesmo que as mulheres cheguem em uma situação de pobreza insuportável, elas não reagem com agressividade ou se tornam violentas como homens na mesma situação. Fiquei chocada com isso, mas passou, hahaha.
A relação entre mãe e filha é ditada de forma extremamente natural e poética. Creio que, por não ser mãe e não ter sido criada pela minha mãe, esse filme conseguiu ao máximo me aproximar do sentimento materno, me deixando emocionada diversas vezes. O diálogo, o roteiro, é muito bem escrito, há uma sensibilidade extrema em todas as cenas, o sentimento é latente e a angústia da personagem também.
Esse filme me pegou de surpresa quando eu estava apenas procurando um filme que entretece mais do que adicionasse. Pela poética, pelas problematizações, atuações e direção, minha nota é 7,5!
Em uma breve passagem pela cidade de São Paulo no ano passado, visitei a Bienal de Arte, uma das mais importantes exposições/encontros de arte da América Latina. Logo na entrada, me deparei com uma instalação chamada Espaço para Abortar, uma estrutura de arame com 7 cabines que formam sete úteros. Essa instalação foi criada pelo núcleo e coletivo feminista boliviano Mujeres Creando.
Mandei um email despretensioso para o coletivo que me respondeu prontamente aceitando fazer uma pequena entrevista. Inicialmente minha ideia era falar sobre a peça na Bienal, mas tive outras prioridades quando me encontrei na posição de estar ‘de frente’ com um coletivo feminista de 22 anos que tem uma enorme e inspiradora história de luta. Segue então a conversa que tivemos por email:
OVELHA: No domingo do dia 5 de outubro (de 2014), aconteceu o primeiro turno das eleições brasileiras para presidência da república. Eram 3 candidatas mulheres disputando a presidência, mas só uma com agenda feminista e que contemplavam os requisitos das minorias. Como é a situação política feminista na Bolívia (esqueci completamente de dizer que eu me referia a Luciana Genro e não à Dilma)?
MUJERES CREANDO:Começarei a te dizer que não acredito que Dilma Roussef represente um agenda feminista clara, não acredito na forma que ela alcançou o poder se garantindo a partir de alianças com as igrejas fundamentalistas cristãs, a não intenção de descriminalização do aborto no Brasil e a criminalização da pobreza. A organização de grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas e a política policial de eliminação dos pobres. Eu não acredito que essa seja uma agenda feminista. Não acredito que deveríamos nos resignar e nos contentar com um mal menor. Acredito que é importante como movimento, nos manter à claridade de nossas agendas, a claridade do horizontes e de nossas lutas e que não nos deixemos levar pela ‘oferta’ do mercado eleitoral como único universo de referência política. Na Bolívia, a situação é dramática, se implementou totalmente a paridade e alternância de sexo nas listas eleitorais, mas isso não significa a revisão do papel das mulheres na política, muito menos uma agenda feminista. O movimento ao socialismo do presidente Evo Morales é um projeto popular que tem se endireitado (no sentido de ser menos de esquerda e mais de direita), ao mesmo tempo o perfil tão machista dos candidatos exacerba o discurso das mulheres objeto, ao ponto que temos Miss Rainhas de Beleza como aliadas políticas mais importantes do partido de governo porque exaltam a virilidade destes personagens. A descriminalização do aborto nem sequer entrou em debate e a campanha eleitoral é um desperdício de promessas populistas vinculadas com as graves condições de vida das pessoas.
OVELHA: Apesar de estarmos muito próximos geograficamente, (infelizmente) pelas diferenças culturais e linguísticas, o Brasil se distancia muito da unidade latino americana. Como você acha que poderíamos nos aproximar em vista que as lutas das mulheres permeiam as mesmas causas?
MUJERES CREANDO: Eu creio que tínhamos um cenário latino americano comum nos encontros feministas latino americanos e que lamentavelmente a partir dos anos 90 entraram em uma grave crise devido a cooptação da cooperação internacional destes cenários, que se tornaram cenários exclusivos de uma elite de trabalhadoras de organizações não governamentais (ongs). Acredito que devemos construir o intercâmbio e procurar a partir da cultura como cenário. Nós temos duas casas, uma em La Paz e outra em Santra Cruz (de La Sierra) e ali estamos dispostas a receber companheiras que querem vir e fazer intercâmbio cultural. Creio que isso é fundamental.
OVELHA: A militância feminista é tão maravilhosa quanto é pesada, fico extremamente feliz de ver que vocês estão juntas há 22 anos. Com qual frequência se reúnem? Vocês fazem algum tipo de apoio interno para membros do coletivo?
MUJERES CREANDO: O que acontece com o Mujeres Creando é muito original em todo continente. Sabe, nós não entendemos o feminismo como a construção de um grupo ou como um passatempo, mas como um modo de vida e de luta cotidiana. Temos duas casas em diferentes cidades e a partir da gestão dessas casas desenvolvemos formas de política concreta com a sociedade. Sempre estamos atuando de forma contínua e direta com os temas que preocupam a gente e isso cria uma dinâmica muito intensa dentro do movimento. Ao mesmo tempo temos pequenas cooperativas que vão surgindo e que vão gerando formas de auto sustentação econômica para muitas mulheres. Isso é fabuloso porque gera coesão, gera trabalho contínuo, gera capacidade de resposta social imediata a todo tempo, gera produção de teoria de ideias e de conhecimento a todo o tempo e produção cultural contínua também.
OVELHA: Às vezes para passarmos uma mensagem é preciso dialogar com partes que nos são adversas. Como por exemplo, a instituição de arte da Bienal de São Paulo. Vi que vocês fizeram uma carta aberta em repúdio ao logo do estado de Israel (ato do qual apoio integralmente) que estava nos apoios do evento. Quanto podemos nos permitir dialogar com certas instituições para que possamos passar a mensagem para frente?
MUJERES CREANDO: Olha, nós não temos uma visão maniqueísta de onde qualificamos o de fora como limpo e válido e toda instituição como podre. Cremos que temos que estar com nosso próprio discurso e com suas próprias condições em todos os lugares, seja na rua, até na televisão, passando por um cenário como a Bienal de Arte de São Paulo. Não se trata de se submeter à instituição, não se trata de absorver seus códigos, quase sem diálogo. Se trata de tornar a instituição como qualquer outro espaço possível e se instalar ali com a mesma lógica de invasão, como a qual em que o mendigo se instala na porta de uma igreja. Logo creio que as próprias instituições tem muitíssimas contradições e que temos que aproveitar. A arte, a universidade, o estado estão em crise, não se trata de ser uma catarse para sua crise mas sim de aproveitar esses espaços de crise para expandir ideias propostas, desacatos, desobediências. Há pouco tempo o vice presidente da Bolívia me chamou para uma entrevista. Eu repudio sua política e poderia ter dito que não, ao invés disso, decidi ir de encontro ao diálogo com ele mas sem me auto censurar, sem nenhum tipo de reverência grave ao encontro e foi uma bomba até hoje.
OVELHA: Como se dá a resistência feminista das Cholas? Há um movimento de contrapartida camponês?
MUJERES CREANDO: O movimento campesino na Bolívia está cooptado pelo governo e sofre um momento de inércia e complacência. São os clientes privilegiados pelo governo, mas se trata de uma aliança só com os líderes do movimento embora as bases também se alegrem com essa aliança. Em nosso movimento há muitas que são cholas, parte porque não construímos um movimento homogêneo branco urbano, mas são literalmente e metaforicamente putas e lésbicas, juntas e revoltas e geminadas como irmãs.
Fiquei muitíssimo tocada com as respostas fortes da Maria Galindo (uma das representantes do coletivo), me lembrei muito da nossa musa brasileira Indianara Siqueira que tem uma história sólida de militância há anos e pela qual tenho muita admiração. Agradeço muitíssimo o coletivo Mujeres Creando por ceder uma entrevista, e a Maria Galindo. Viva las que luchan!
Nota: A entrevista foi concedida à página xereca no dia 06/10/2014 e foi elaborada e traduzida por Bárbara Gondar.
Netflix. Achei o Advantageous, me chamou bastante a atenção por ter ganhado o Festival Sundance em 2015 e principalmente por ser dirigido e escrito por uma mulher, Jennifer Phang. Foi escrito também pela Jacqueline Kim, que é a atriz principal do filme e que também é uma diretora de cinema.
Advantageous é um filme esteticamente muito lindo. Tem uma trilha sonora simples, neutra e a direção de arte é impecável, tanto na fotografia quanto nos planos escolhidos. As cores sempre análogas compõem e ditam o ritmo do filme, que é calmo, lento. Mas não é lento-chato, é um filme extremamente crítico que faz uma crítica direta na forma em que estamos conduzindo as relações humanas. A ficção científica entra de forma complementar no filme, não fazem uso extremo de invenções megalomaníacas, mas é um futuro distópico em que as pessoas, por causa da alimentação entre outras coisas, não conseguem mais reproduzir.
A questão da não-reprodução levanta questões básicas como: por que precisamos ter filhos? Precisamos ter filhos? Por que temos filhos? Por que não adotamos? Por que estamos vivos? Eu mesma sempre me questionei a validade da reprodução porque ainda não consigo achar uma resposta pessoal válida do porquê eu deveria ter filhos, minhas respostas são sempre muito egoístas, a resposta vem com: porque eu quero que… porque eu desejo… Sempre no eu, eu, eu. Esse questionamento é pessoal, viu, galera? Hahaha. :) Desejo ter filhos futuramente mas não deixo de questionar minhas escolhas.
Gwen é a personagem principal e cria sua filha Jules sozinha. As questões das mulheres são extremamente fortes nesse filme, Gwen é uma mulher que trabalha numa empresa de bem-estar que poderia assemelhar-se a uma clínica de cirurgia plástica em nossos dias atuais, mas a clínica de bem estar vem com um conceito marketeiro de envolvimento não só físico, mas psicológico, afinal, nossa aparência influencia diretamente em nossos egos, sim.
O mote é que Gwen está numa idade em que não serve mais para representar a empresa e o futuro da Jules depende diretamente disso. Gwen precisa tomar uma decisão difícil para garantir o futuro de sua filha, ou seja, a história de muitas mães que conhecemos hoje em dia. Muitas questões acerca da opressão no universo feminino são levantadas, ditadura do padrão estético, prostituição infantil, ser mãe solteira, maniqueísmo da mulher santa ou puta, raças, tudo de forma levemente inserida e natural.
Com os trabalhos automatizados, ao chegarem a uma certa idade, as mulheres são as mais afetadas. Nada distante da nossa realidade atual, não é verdade? Segundo a lógica corporativa dentro do filme, mesmo que as mulheres cheguem em uma situação de pobreza insuportável, elas não reagem com agressividade ou se tornam violentas como homens na mesma situação. Fiquei chocada com isso, mas passou, hahaha.
A relação entre mãe e filha é ditada de forma extremamente natural e poética. Creio que, por não ser mãe e não ter sido criada pela minha mãe, esse filme conseguiu ao máximo me aproximar do sentimento materno, me deixando emocionada diversas vezes. O diálogo, o roteiro, é muito bem escrito, há uma sensibilidade extrema em todas as cenas, o sentimento é latente e a angústia da personagem também.
Esse filme me pegou de surpresa quando eu estava apenas procurando um filme que entretece mais do que adicionasse. Pela poética, pelas problematizações, atuações e direção, minha nota é 7,5!