Continuamos ocupadas pensando em garotos

Às vezes não dá pra evitar o inevitável

Vou começar esse texto com um pensamento que minha amiga me disse hoje de manhã e que faz muito sentido:

Sabe por que orientação sexual não é opção? Senão ninguém ia gostar de homem hétero. Sério.

Quem aqui não se relaciona com essa decepcão? Afinal, somos feministas e o patriarcado tá aí pra cagar nas nossas cabeças. Porém, o fato é que, para o sofrimento das heteros, amamos rapazes. Mesmo tendo um monte de boy lixo por aí.

[caption id="attachment_15371" align="alignnone" width="680"] Não está sendo fácil[/caption]

Porém, mesmo na dificuldade, viajamos na maionese da paixonite. Quem nunca curtiu flertar, sonhar com aquele colega de trabalho, paquerar o garçom, se imaginar pegando um gatinho da sua série de TV favorita. Crush, crush, crush. A maioria deles nem sabe do nosso interesse. E tem aqueles que nos correspondem em segredo, aquela troca de olhares que fica por isso mesmo. Até porque, na maioria das vezes o divertido é só a graça de ficar imaginando coisas. Seja porque somos tímidas, porque é um caso complicado, ou porque a gente não quer se decepcionar com a realidade.

No início dos anos 2010 conheci um blog que relacionava essa fixação por rapazes, o IMBOYCRAZY, da Alexi Wasser. Os posts eram basicamente sobre seus amores platônicos e dicas de relacionamento e amor próprio – pra não cair em furadas (ou saber se levantar). Ela até fez uma série de curtas há alguns anos atrás sobre isso:

“A busca por amor nunca é fácil. É assustador e estressante. Tentar estar em sua melhor forma e ter a coragem de se colocar no mundo. Ser vista pelos olhos de outra pessoa. Mas nós todos fazemos isso. De novo, de novo e de novo. Nós somos viciados por essa busca. E tudo isso por alguém que pode potencialmente transmitir AIDS.”

Seja por amor ou só pelo rolê, o fato é que estamos sempre de olho. E pensando. Em garotos. Para a nossa alegria, ontem fomos agraciadas com o novo single da Charli XCX, “Boys”:

I was busy thinking ’bout boys, boys, boys
I was busy dreaming ’bout boys, boys, boys
Head is spinning, thinking ’bout boys


 
Tem um trecho muito bom que mostra como a nova música da Charli XCX é o hino das rolezeiras flerteiras quebra-corações à lá Teoria da Branca de Neve da nossa grande MC Mayara. Traduzi:

Eu quero um menino mau pra me dar um trato na sexta-feira
E eu preciso de um bom garoto para cuidar de mim no domingo
Aquele do trabalho pode aparecer na segunda à noite
Eu queria mais, eu queria mais
E quando eles finalmente me deixam, eu fico só
Mas estou aqui de olho nas minhas garotas
Eles estão bombardeando meu celular
Eles vêm cheios de perguntas, me perguntam onde eu estou
Eu nem escrevo de volta


 
Bom, ok, talvez não seja bem assim na vida real. Difícil essa arte de ter um boy pra cada dia da semana, administrar essa agenda seria uma tarefa bastante complicada (e a “fila” de interessados pode nem ser assim tão grande). Mas continuamos ocupadas pensando em garotos.

Quando eu e minha mãe assistíamos TV e a gente via um cara gatinho, seja ele ator ou apresentador de TV, minha mãe já disparava: “Esse é pra ter no armário!”. Não fazendo uma relação com a piada-pronta do Ricardão. Mas sim o devaneio de se ter uma coleção de homem, assim como se tem de vestidos ou sapatos. Dependendo do dia, você escolhe um pra sair, pra amar. Tudo imaginação nossa. Mas… que dá vontade de ter esse armário, dá. Mamãe sabe das coisas.

Pra terminar, deixo um trecho do filme “Thelma and Louise”, quando elas resolveram não deixar o crush “no armário” e voltaram pra buscar:

E aí? Já se apaixonou hoje?

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Eu só queria continuar bêbada

Ontem a Elisa Rocha me passou o clipe da Tove Lo, uma artista que eu ainda não conhecia. Ela é uma cantora e compositora sueca e lançou esse som ainda em 2013, chocando um pouco as pessoas com o teor da letra. “Habits” é uma música sobre sexo e abuso de drogas pelo término de um relacionamento. O videoclipe deixa tudo ainda mais explícito.

Me identifiquei. Vi a Nina de vinte e poucos anos que passava as madrugadas no saudoso Vegas da Augusta, dançando e bebendo ao som das DJs Rassif, tentando lidar com um relacionamento estranho que vivia na época com um cara 13 anos mais velho. Ou quando ela bebeu tanto na Funhouse por causa do mesmo cara que acabou falando besteiras pra namorada do melhor amigo.

Quem nunca afogou as mágoas em gin tônicas no meio da pista de dança? Não, eu não estou aqui para fazer apologia do abuso de álcool. Mas sei que é algo que faz parte da vida de muitas garotas que, como eu, sabem se divertir quando querem ou quando precisam. Mesmo que depois a gente acabe chorando no banheiro.

Sabe quando aquele casinho dá um pé na bunda, quando estamos apaixonadas platônicamente ou quando só precisamos de um incentivo para relaxar não pensar na vida? É quando nós abraçamos uma garrafa e saímos dançando. Mas aí no dia seguinte temos que lidar não só com a ressaca, mas com as consequências das atitudes que fizemos quando tudo que a gente queria era sumir do mundo.

Eu só queria continuar bêbada.


EDIT: O vídeo acima é do Hippie Sabotage Remix. O original está logo abaixo, que traz a Tove cantando e mais cenas picantes (além de ser mais linear). Ah! E tem a letra logo depois pra você cantar junto:

I eat my dinner in my bathtub
Then I go to sex clubs
Watching freaky people gettin’ it on
It doesn’t make me nervous
If anything I’m restless
Yeah, I’ve been around and I’ve seen it all

I get home, I got the munchies
Binge on all my twinkies
Throw up in the tub
Then I go to sleep
And I drank up all my money
Dazed and kinda lonely

You’re gone and I gotta stay
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
Spend my days locked in a haze
Trying to forget you babe
I fall back down
Gotta stay high all my life
To forget I’m missing you
Uh, uh, uh, uh

Pick up daddies at the playground
How I spend my day time
Loosen up the frown
Make them feel alive
Oh, make it fast and greasy
I’m numb and way too easy

You’re gone and I gotta stay
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
Spend my days locked in a haze
Trying to forget you babe
I fall back down
Gotta stay high all my life
To forget I’m missing you
Uh, uh, uh, uh

Staying in my play pretend
Where the fun ain’t got no end
Ooh
Can’t go home alone again
Need someone to numb the pain
Ooh

Staying in my play pretend
Where the fun ain’t got no end
Ooh
Can’t go home alone again
Need someone to numb the pain

You’re gone and I gotta stay
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
Spend my days locked in a haze

Trying to forget you babe
I fall back down
Gotta stay high all my life
To forget I’m missing you
Uh, uh, uh, uh

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