As famosas que querem mudar o mundo

A década de 2010 está sendo muito gloriosa para a história do feminismo. O movimento começou a colher bons frutos a partir do uso das redes sociais, que possibilitou dar voz às mulheres que uniram forças em plataformas como o Twitter, Facebook e Tumblr. De lá surgiram milhares de projetos ao redor do mundo: coletivos artísticos, blogs, passeatas, zines, revistas, etc. Mas o movimento começou a atingir o popular de fato com a ajuda do entretenimento.

Nos últimos anos, vimos surgir séries como ‘Girls‘, ‘Orange Is The New Black‘, ‘American Horror Story‘, ‘Bomb Girls‘, ‘The Honorable Woman‘ e ‘Orphan Black‘ – para mencionar apenas algumas –, que apresentam histórias de mulheres reais na tela da TV. Reais, não poderosas, porque como mesmo disse Maggie Gyllenhaal ao receber um Globo de Ouro como melhor atriz em mini-série: “Não temos visto mais papéis de mulheres poderosas na TV – temos visto mais papéis sobre a complexidade do que é ser mulher”.

Quando a Beyoncé subiu no palco do MTV Video Music Awards em frente ao painel luminoso que trazia em letras garrafais a tão temida palavra, “FEMINISM”, entoando o discurso da escritora nigeriana Chimamanda Adichie que abre sua canção Flawless, ela estava marcando o início do reconhecimento e apoio da indústria pop dessa revolução feita por mulheres há tantos séculos.

beyonce-feminist

E isso foi apenas o início. O discurso da Emma Watson, que aconteceu logo em seguida na sede da ONU, lançou a campanha HeForShe, que conclama os homens a apoiar a igualdade de gênero, já que isso traz benefícios para ambos os lados. E, apesar dessas iniciativas não serem revolucionárias e terem levantado muitas críticas entre feministas, não podemos descartar sua importância. Principalmente pelo impacto gerado entre as celebridades. Aliás, os discursos de agradecimento das vencedoras do Globo de Ouro desse ano são um exemplo disso.

emma-heforshe

Porém, este mundo dos homens não facilita: ainda em pleno início de 2015 vimos Ava DuVernay, diretora do filme ‘Selma‘, não ganhar seu lugar merecido na disputa do Oscar. Isso deixou mais do que claro a mensagem enviada pela grande maioria dos diretores da Academia (homens brancos): que ela, sendo mulher e negra, não merece crédito por seu próprio filme.

Mas para minha alegria mal virou o ano e já me deparei com diversas iniciativas vindas de outras famosas de Hollywood que resolveram usaram seu poder de influência e talento para provocar mudanças pelas mulheres – principalmente na participação das mesmas na cultura e indústria do entretenimento.

Resolvi listar algumas iniciativas vindas de celebridades – sim, algumas, porque muito provavelmente vou deixar de fora coisas muito incríveis que simplesmente não lembrei de mencionar – que mal surgiram e já dão muito orgulho:

Reese Witherspoon

reesewitherspoon-ovelha

Depois de ver seis das suas atrizes favoritas se debaterem por um papel medíocre em um filme, Reese Witherspoon resolveu que já era tempo de arregaçar as mangas para fazer com que mais histórias de mulheres poderosas ganhem um lugar em Hollywood. A produtora da atriz, Pacific Standard, produziu dois grandes filmes escritos por mulheres: ‘Gone Girl‘ (‘Garota Exemplar’, na adaptação para o português), escrito por Gillian Flynn e ‘Wild‘ (‘Livre’, na adaptação para o português), baseado na própria vivência da autora Cheryl Strayed. E parece que vem muito mais por aí.
 

Rashida Jones

rashidajones-ovelha

Rashida é conhecida por sua atuação em comédias, especialmente na série americana Parks & Recreation. Porém, ela também mostra um lado sério e comprometido com causas importantes. Um exemplo disso foi sua participação como produtora em um longa documentário, ‘Hot Girls Wanted‘, dirigido por outras duas mulheres: Jill Bauer e Ronna Gradus. O filme que aborda os efeitos da indústria pornô online para jovens mulheres da geração Millennial e teve sua estreia no festival Sundance deste ano.
 

Amy Poehler

amypoehler-askhermore

Ano passado a poderosíssima Cate Blanchett sapateou na cara do sexismo ao confrontar o cinegrafista que mostrava seu look da cabeça aos pés durante o tapete vermelho de uma premiação com a pergunta: “vocês também fazem isso com os caras?”. Virou o ano e, com a temporada de premiações, a comediante Amy Poehler resolveu aproveitar a deixa da colega e criou a campanha “Ask Her More” (“pergunte mais a ela”, em tradução livre), na esperança que os reporters perguntem coisas mais interessantes e profundas do que simplesmente “quem você está vestindo?”.

scarlettjohansson-rabbitfood

Um dos aspectos que motivaram a atriz é o fato de que as perguntas feitas às celebridades mulheres sempre são menos elaboradas que as realizadas pelos mesmos repórteres aos homens.

Vale lembrar que a atriz que interpreta a amada Leslie Knope, da série Parks and Recreation (e, portanto, colega da nossa amiga aqui em cima), também é fundadora do projeto Smart Girls, uma comunidade online em encorajar jovens mulheres (seja na idade ou no coração) a serem e fazerem muito mais que as capas de revistas esperam delas.
 

Jill Soloway

2014 Summer TCA Tour Portraits - Day 5

A criadora da premiadíssima série Transparent está fazendo uma série de comédia feminista para a MTV americana. A série, ainda sem título, foca em duas garotas (interpretadas por Ashley Skidmore e Lyle Friedman, do canal #hotmessmoves) que se conhecem durante um acampamento de férias e se tornam melhores amigas depois de serem atingidas por um raio (!). Dez anos depois – com o poder da amizade e da segunda onda do feminismo americano – elas decidem salvar as mulheres do mundo contra o mal. Parece interessante e bem louco. Com os ótimos insights de Jill, tenho certeza que a série não vai fazer feio na TV.
 

Geena Davis

geenadaves-ovelha

Geena Davis é uma atriz maravilhosa, mas uma ativista ainda mais incrível. Pra quem não sabe, ela criou há 10 anos atrás o Instituto Geena Davis de Gênero na Mídia, que apresenta estudos incríveis sobre gênero na indústria do entretenimento. Agora, ela vai lançar o Bentonville Film Festival, um festival de filmes que celebra as mulheres e a diversidade. O festival vai acontecer no início de maio deste ano e é o primeiro que vai garantir a distribuição dos filmes em salas de cinema, televisão, via streaming e varejo. Serão 75 filmes totais, a maioria documentários e independentes.
 

Kate Nash

katenash2-ovelha

Kate Nash é a única do grupo que não faz filmes de Hollywood, a sua praia é música. A ex-ruiva sempre revela novas facetas, surpreendendo seus fãs positivamente a todo o momento. Seu último trabalho, por exemplo, mostra seu lado roqueira, um som totalmente diferente do que quando a conhecemos cantando ‘Foundations’ e ‘Mariella’. E é nesse embalo que ela montou uma banda só de garotas, que chamou carinhosamente de ‘Girl Gang‘. Ela levantou a bandeira do feminismo de vez e resolveu aproveitar sua influência para atingir outras garotas ao redor do mundo com suas mensagem empoderadora: logo no início deste ano ela estreou a ‘Girl Gang TV‘, que traz diversos vídeos feitos por ela e sua gangue que apresentam desde outras bandas de garotas como também vídeos enviados por garotas do mundo todo.

Lembrou de alguma famosa que recentemente fez algo pelas mulheres usando o entretenimento como plataforma? Não deixe de comentar!

(imagens via, via, via, via, via, via, via, via, via)

Mais de Nina Grando

Let’s celebrate women!

É tão gostoso receber mensagens das nossas ovelhas! Essa semana a Fabiana Figueiredo veio até nós contar sobre seu projeto F-A-N-T-Á-S-T-C-O: Let’s Celebrate Women, um Tumblr e fanpage no Facebook que tem o intuito de celebrar mulheres históricas, de ontem e de hoje.

 
Let's Celebrate Women: Chimas

11401479_1450779958573362_6926522444067610146_n
 
Let's Celebrate Women: Laverne Cox

Let's Celebrate Women: Laverne Cox
 
A página é muito bonita, com um cuidado pelo design e ilustrações. Cada mulher homenageada tem uma imagem própria, com o desenho de seu rosto. Dá vontade de transformar tudo em quadrinho e pendurar na parede de casa! Para saber mais sobre o projeto, batemos um papinho com a Fabi, que é responsável por tudo ali, do design à ilustração – menos pelo logo, feito pelo namorado.

 

Ovelha: De onde veio a ideia do projeto?

Fabiana: Sempre senti muita falta de mulheres nos meus livros de história. Quando cresci e comecei a pesquisar por conta própria, descobri que tem muita mulher maravilhosa nesse mundão, e que o problema não é que elas não fazem história, mas sim que não são celebradas apropriadamente por isso.
 

Você diz que sentia falta de mulheres nos livros de história. Porém, o projeto retrata não só importantes mulheres do passado como também as do nosso tempo, como Kathleen Hanna e Laverne Cox. Há algum critério?

Eu não quis trabalhar apenas com mulheres do passado, porque minha intenção é mostrar que as mulheres sempre estiveram presentes na história e vão continuar estando. Eu não tenho muitos critérios para escolher as mulheres, mas estou tentando não focar em apenas uma profissão, etnia e nacionalidade. Já que tenho uma grande influencia da cultura norte-americana, tendo a conhecer mais mulheres americanas. Mas estou me esforçando para mostrar minas do mundo todo.

 
Let's Celebrate Women: Anita Garibaldi

Let's Celebrate Women: Anita Garibaldi
 
Let's Celebrate Women: Simone de Beauvoir

Let's Celebrate Women: Simone de Beauvoir
 
Let's Celebrate Women: Frida Kahlo

Let's Celebrate Women: Frida Kahlo
 

Qual a sua intenção com o projeto?

Chegou uma época da minha vida em que comecei a sentir muita falta de representação feminina. Eu trabalho em uma área dominada por homens (Fabiana é designer), e até meus hobbies são inicialmente feitos pelo e para o público masculino (videogame, quadrinhos, etc). Isso acabou mexendo um pouco comigo, como se fosse um veneno. Comecei a me perguntar se mulheres eram mesmo inferiores, como ouvia por aí. Mas não precisei pesquisar muito para ver que não.

Minha intenção é que nenhuma outra menina se sinta como eu me senti. E se conseguir fazer alguém que pensa que mulheres são inferiores ver a situação de outra forma, já vai valer a pena também.
 

Quais são os planos futuros para o LCW?

Eu não tenho nenhum plano ainda (a fanpage é recente – a primeira publicação foi em maio desse ano), mas penso na possibilidade futura de transformar o LCW em livro. #

Leia mais
como mesmo disse Maggie Gyllenhaal ao receber um Globo de Ouro como melhor atriz em mini-série: “Não temos visto mais papéis de mulheres poderosas na TV – temos visto mais papéis sobre a complexidade do que é ser mulher”.

Quando a Beyoncé subiu no palco do MTV Video Music Awards em frente ao painel luminoso que trazia em letras garrafais a tão temida palavra, “FEMINISM”, entoando o discurso da escritora nigeriana Chimamanda Adichie que abre sua canção Flawless, ela estava marcando o início do reconhecimento e apoio da indústria pop dessa revolução feita por mulheres há tantos séculos.

beyonce-feminist

E isso foi apenas o início. O discurso da Emma Watson, que aconteceu logo em seguida na sede da ONU, lançou a campanha HeForShe, que conclama os homens a apoiar a igualdade de gênero, já que isso traz benefícios para ambos os lados. E, apesar dessas iniciativas não serem revolucionárias e terem levantado muitas críticas entre feministas, não podemos descartar sua importância. Principalmente pelo impacto gerado entre as celebridades. Aliás, os discursos de agradecimento das vencedoras do Globo de Ouro desse ano são um exemplo disso.

emma-heforshe

Porém, este mundo dos homens não facilita: ainda em pleno início de 2015 vimos Ava DuVernay, diretora do filme ‘Selma‘, não ganhar seu lugar merecido na disputa do Oscar. Isso deixou mais do que claro a mensagem enviada pela grande maioria dos diretores da Academia (homens brancos): que ela, sendo mulher e negra, não merece crédito por seu próprio filme.

Mas para minha alegria mal virou o ano e já me deparei com diversas iniciativas vindas de outras famosas de Hollywood que resolveram usaram seu poder de influência e talento para provocar mudanças pelas mulheres – principalmente na participação das mesmas na cultura e indústria do entretenimento.

Resolvi listar algumas iniciativas vindas de celebridades – sim, algumas, porque muito provavelmente vou deixar de fora coisas muito incríveis que simplesmente não lembrei de mencionar – que mal surgiram e já dão muito orgulho:

Reese Witherspoon

reesewitherspoon-ovelha

Depois de ver seis das suas atrizes favoritas se debaterem por um papel medíocre em um filme, Reese Witherspoon resolveu que já era tempo de arregaçar as mangas para fazer com que mais histórias de mulheres poderosas ganhem um lugar em Hollywood. A produtora da atriz, Pacific Standard, produziu dois grandes filmes escritos por mulheres: ‘Gone Girl‘ (‘Garota Exemplar’, na adaptação para o português), escrito por Gillian Flynn e ‘Wild‘ (‘Livre’, na adaptação para o português), baseado na própria vivência da autora Cheryl Strayed. E parece que vem muito mais por aí.
 

Rashida Jones

rashidajones-ovelha

Rashida é conhecida por sua atuação em comédias, especialmente na série americana Parks & Recreation. Porém, ela também mostra um lado sério e comprometido com causas importantes. Um exemplo disso foi sua participação como produtora em um longa documentário, ‘Hot Girls Wanted‘, dirigido por outras duas mulheres: Jill Bauer e Ronna Gradus. O filme que aborda os efeitos da indústria pornô online para jovens mulheres da geração Millennial e teve sua estreia no festival Sundance deste ano.
 

Amy Poehler

amypoehler-askhermore

Ano passado a poderosíssima Cate Blanchett sapateou na cara do sexismo ao confrontar o cinegrafista que mostrava seu look da cabeça aos pés durante o tapete vermelho de uma premiação com a pergunta: “vocês também fazem isso com os caras?”. Virou o ano e, com a temporada de premiações, a comediante Amy Poehler resolveu aproveitar a deixa da colega e criou a campanha “Ask Her More” (“pergunte mais a ela”, em tradução livre), na esperança que os reporters perguntem coisas mais interessantes e profundas do que simplesmente “quem você está vestindo?”.

scarlettjohansson-rabbitfood

Um dos aspectos que motivaram a atriz é o fato de que as perguntas feitas às celebridades mulheres sempre são menos elaboradas que as realizadas pelos mesmos repórteres aos homens.

Vale lembrar que a atriz que interpreta a amada Leslie Knope, da série Parks and Recreation (e, portanto, colega da nossa amiga aqui em cima), também é fundadora do projeto Smart Girls, uma comunidade online em encorajar jovens mulheres (seja na idade ou no coração) a serem e fazerem muito mais que as capas de revistas esperam delas.
 

Jill Soloway

2014 Summer TCA Tour Portraits - Day 5

A criadora da premiadíssima série Transparent está fazendo uma série de comédia feminista para a MTV americana. A série, ainda sem título, foca em duas garotas (interpretadas por Ashley Skidmore e Lyle Friedman, do canal #hotmessmoves) que se conhecem durante um acampamento de férias e se tornam melhores amigas depois de serem atingidas por um raio (!). Dez anos depois – com o poder da amizade e da segunda onda do feminismo americano – elas decidem salvar as mulheres do mundo contra o mal. Parece interessante e bem louco. Com os ótimos insights de Jill, tenho certeza que a série não vai fazer feio na TV.
 

Geena Davis

geenadaves-ovelha

Geena Davis é uma atriz maravilhosa, mas uma ativista ainda mais incrível. Pra quem não sabe, ela criou há 10 anos atrás o Instituto Geena Davis de Gênero na Mídia, que apresenta estudos incríveis sobre gênero na indústria do entretenimento. Agora, ela vai lançar o Bentonville Film Festival, um festival de filmes que celebra as mulheres e a diversidade. O festival vai acontecer no início de maio deste ano e é o primeiro que vai garantir a distribuição dos filmes em salas de cinema, televisão, via streaming e varejo. Serão 75 filmes totais, a maioria documentários e independentes.
 

Kate Nash

katenash2-ovelha

Kate Nash é a única do grupo que não faz filmes de Hollywood, a sua praia é música. A ex-ruiva sempre revela novas facetas, surpreendendo seus fãs positivamente a todo o momento. Seu último trabalho, por exemplo, mostra seu lado roqueira, um som totalmente diferente do que quando a conhecemos cantando ‘Foundations’ e ‘Mariella’. E é nesse embalo que ela montou uma banda só de garotas, que chamou carinhosamente de ‘Girl Gang‘. Ela levantou a bandeira do feminismo de vez e resolveu aproveitar sua influência para atingir outras garotas ao redor do mundo com suas mensagem empoderadora: logo no início deste ano ela estreou a ‘Girl Gang TV‘, que traz diversos vídeos feitos por ela e sua gangue que apresentam desde outras bandas de garotas como também vídeos enviados por garotas do mundo todo.

Lembrou de alguma famosa que recentemente fez algo pelas mulheres usando o entretenimento como plataforma? Não deixe de comentar!

(imagens via, via, via, via, via, via, via, via, via)

" />