Victoria: uma noite, uma garota, um take

Luzes brancas piscando e uma música techno muito alta são os primeiros personagens a aparecer em Victoria, filme alemão feito em Berlim. O cenário não podia ser algo mais berlinense: uma balada techno em um porão escondido, no centro da cidade. Uma garota dança sozinha de olhos fechados, empolgada pelo ritmo house. Prende o cabelo curto e vai ao bar, pede um shot de vodka e tenta puxar papo com o barman. Sem sucesso, ela pega a jaqueta e decidi ir embora. No seu caminho, quatro alemães bêbados – Sonne, Blinker, Boxer e Fuss – tentam passar pelos seguranças que os expulsam pelo nível de embriaguez. Já na rua, Sonne, numa clara tentativa de flertar com a garota, a convida a se juntar a eles: “What’s your name?”. “Victoria”, ela responde sorridente.

A história segue madrugada a dentro pelas ruas de Berlim. Victoria, a protagonista, é uma jovem de Madrid que se mudou para a capital alemã há três meses. Sem muitos amigos em Berlim, em uma única noite, a garota sai com quatro estranhos, é cúmplice no roubo de um carro, é ameaçada com uma arma por gangsters, assalta um banco, pega o cara que curte e se mete no meio de um tiroteio.

O mais interessante é que tudo isso acontece sem pausa, sem cortes. O filme todo foi feito em apenas UM TAKE. O filme levou duas horas e meia sem intervalos para os atores, diretor ou equipe técnica. Antes de assisti-lo, não conseguia imaginar como isso seria possível, mas é realmente assim: tudo acontece em sequência e parece muito real (claro que tudo foi filmado em um bairro só de Berlim). É como se a câmera fossem os olhos de alguém envolvido na trama. Ela se aproxima dos rostos, como se fossem os espectadores que estivéssemos ali observando as expressões de euforia, pânico e tristeza. O modo de filmagem te deixa muitas vezes sem ar pela quantidade de coisas tensas acontecendo.

Além disso, a personagem de Victoria traz algo interessante à história pela sua complexidade. Victoria não é apenas uma good girl going bad, como pode parecer no início do filme, em que ela bebe vodka e tenta timidamente fazer amizade com o barman da balada.

 
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No começo do filme, eu achava que Victoria era só uma garota inocente tentando ser uma party girl, desesperada em busca de amigos e que, por isso, se deixava levar pelos três estranhos – no início são quarto, mas depois ficam só Boxer, Blinker e Sonne.  Isso, porém, só até a cena do piano dentro da cafeteria, em que ela trabalha e mora. Victoria e Sonne estão conversando e a jovem admite que sabe tocar piano. Curioso, ele pede mostre algo. Ela fecha os olhos e, como se possuída pelas notas, seus dados correm e saltam pelo teclado. É lindo! Nesse momento, pra mim, a personagem ganha uma muita força. Victoria conta, então, que viveu sua adolescência em um conservatório em Madrid, onde tinha que praticar piano sete horas por dia. Devido à extrema competição entre colegas, ela sentia nunca ter feito amigos de verdade ali. Depois da rejeição de seus professores, ela deixa a Espanha e chega na capital alemã. Em nenhum momento ela deixa claro os motivos para ter escolhido a Alemanha – ela não fala alemão e não conhece ninguém em Berlim. Talvez por uma vontade de aventura e de se conhecer longe da realidade que viveu dentro do conservatório musical.  Os motivos de nada ficam claros nesse filme.

Victoria parece ter sido realmente machucada pela rejeição de seus professores de piano. Ela chora escondida depois de terminar sua performance no instrumento, mas não se mostra abalada por isso ao longo do filme. Pelo contrário, ela vai ganhando mais força. Quando questionada por Sonne, Boxer e Blinker se poderia ajuda-los em algo – que é claramente ilegal -, ela não questiona muito e só vai. Como motorista dos rapazes, ela os leva até um estacionamento, onde eles encontram Andi, um gangster que cobra um favor de Boxer. Eles teriam que assaltar um banco naquela manhã e voltar com o dinheiro. A esse ponto, Victoria já está envolvida na história. Sonne tenta, porém, tirá-la da situação e a avisa que ela pode desistir e ir pra casa. Ela não aceita o conselho e decide ir junto e ser a motorista para que os três bandidos amadores executem o assalto.

 
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Nesse momento, o espectador pensa “mas por quê? Por que ela não faz um escândalo, vai embora e deixa eles se f*** sozinhos?!”. Como disse, nenhum motivo fica claro nesse filme e nada é lógico. A complexidade da personagem não deixa suas razões claras. Pode ser que ela faça isso para se provar. Para fazer algo novo. Para testar limites. Por solidariedade aos novos amigos. Por um conjunto de fatores ou por nenhum deles. Às vezes, na vida real, não se precisa de motivos para se fazer esse tipo de loucura e talvez esse seja o caso de Victoria.

 
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Laia Costa (Victoria), atriz de Barcelona, recebeu o Deutscher Filmpreis 2015 de melhor atriz por sua impressionante atuação e talento na improvisação. Em entrevista para o site da revista alemã Spiegel, ela e o diretor Sebastian Schipper explicam que a estrutura do filme e diálogos foram montados no próprio set de filmagem. As cenas foram reconstruídas e mudadas várias vezes até o momento da filmagem. As conversas e interações entre personagens foram acontecendo conforme a câmera corria.

A barreira linguística também teve um papel importante no filme. Laia Costa é espanhola e não fala alemão, assim como sua personagem. E assim como Victoria e os três rapazes, Laia e seus colegas de set se comunicam em inglês. Isso com certeza trouxe mais realidade aos diálogos no filme que são, na maior parte, em inglês. Quando feitos em alemão, Victoria fica confusa – da mesma forma como a própria Laia deve ter ficado.

Nunca tinha visto um filme feito em um só take e achei muito impressionante. Ainda mais pela história, que me deixou super nervosa na cadeira do cinema. Depois de uma madrugada intensa, a garota acaba do mesmo jeito que começou: sozinha pela cidade alemã que nunca dorme. Foi apenas mais uma madrugada em Berlim.

 

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Mais de Débora Backes

Uma mulher bengalesa contra a tradição

Um grupo de mulheres trabalha tirando pedras e tijolos do que parecem ser escombros e os levam em cestas equilibradas sobre as cabeças. Enquanto isso, outras mulheres trabalham em uma fábrica têxtil, concentradas em suas máquinas de costuras. Em um apartamento de classe média, uma mulher dança em frente ao espelho, enquanto outra limpa as janelas da sacada, ouvindo assobios de um operário do prédio da frente. É um prédio em construção, como tantos outros na cidade de Daca, capital de Bangladesh.

“Under Construction” é o segundo filme de Rubaiyat Hossain, uma das poucas mulheres diretoras e roteiristas de Bangladesh, e teve sua estreia na Semana de Cinema Feminista de Berlim. Sem exageros, posso dizer que foi um dos melhores filmes de temática feminista que vi nos últimos tempos. O filme é incrível pela fotografia, roteiro e pela forma como monta críticas à sociedade de Bangladesh de uma perspectiva feminina. A personagem te envolve na história e faz com que você fique querendo saber o que vai acontecer nos diferentes âmbitos de sua vida.

Roya (interpretada pela linda atriz indiana Shahana Goswami) é uma mulher de classe média que tem uma vida confortável em um grande apartamento, uma jovem empregada chamada Monya e um marido que ganha muito bem. Ela é atriz de teatro e atua em “Rakta Karabi” ou “The Red Oleanders”, do dramaturgo Rabindranath Tagore, uma peça bastante tradicional da cultura bengalesa. Roya é Nandini, principal personagem da obra, mas se vê prestes a ser substituída por uma atriz mais jovem. Isso a revolta profundamente.

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Seu marido pouco se importa com seu trabalho no teatro. Quando o tema aparece durante o jantar, ele apenas diz que eles deveriam ter um filho e vê isso como decidido, apesar de Roya não expressar nenhum desejo pela maternidade. Fora da vida de casal, a mãe de Roya também a pressiona para que tenha filhos, cuide do marido e esqueça seu trabalho como atriz. A mãe é uma senhora tradicional muçulmana que, em certo momento do filme, chega a dizer à filha que atrizes são putas.

Diante de toda essa pressão, Roya se vê em um conflito consigo mesma e com a sociedade em que vive. A primeira maneira que encontra para colocar isso para fora é tentar mudar as coisas na companhia de teatro. Eles se preparam para receber a visita do grande diretor Imtiaz que gostaria de levar “The Red Oleanders” em uma turnê europeia, mas, para isso, devem deixar a peça mais moderna. Quando questionada sobre como poderiam mudá-la, Roya responde: “Nandini não é uma mulher real, ela é muito perfeita. Nenhuma mulher bengalesa é assim”. Todos seus colegas acham aquilo absurdo. Afinal, como alguém poderia reinterpretar algo tão tradicional como Tagore? Mas Roya não desiste de suas ideias. Ela quer recriar a tradição.

Assim como sua recriação de Nandini, a personagem de Roya também não é a mulher perfeita. Ela continua sendo uma mulher que depende do marido financeiramente, que tem uma empregada e que pode trabalhar como atriz, enquanto muitas outras mulheres em Daca precisam trabalhar em construções ou fábricas têxteis para sobreviver.

Rubaiyat Hossain não esconde que sua personagem pode ser um pouco mimada e mostra suas imperfeições várias vezes durante o longa. Em uma das cenas na casa da mãe de Roya, as duas discutem. Roya argumenta com a senhora que a vida de uma mulher não deve ser voltada somente ao marido e aos filhos. A mãe a confronta dizendo que ela mesma trabalhou para ganhar seu próprio dinheiro e que muitas outras mulheres de sua classe faziam e fazem a mesma coisa. “E você? Você tem boa educação, por que não consegue um emprego de verdade?”. Nesse momento, o mito da heroína que os espectadores viam em Roya se desmonta.

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Numa conversa com o público, após a exibição do filme, Rubaiyat explica o porquê de montar sua personagem dessa forma. “Acho que Roya representa a mulher bengalesa contemporânea. Muitas mulheres hoje em dia estão tendo esse tipo de conflito pessoal e com a tradição em Bangladesh em suas cabeças. Roya é uma mulher que está passando por um processo de construção, assim como outras mulheres em Bangladesh”, explica a diretora que escolheu o título “Under Construction” exatamente por isso.

Para a surpresa da jovem diretora, que fez Women Studies e South Asian Studies nos Estados Unidos, a recepção de seu filme foi muito positiva em Bangladesh, principalmente entre as mulheres. “Fizemos uma sessão só para mulheres em Daca e, no final do filme, muitas vieram até mim para dizer como tinham se identificado com Roya”, conta Rubaiyat. Claro que as críticas, principalmente da ala masculina, não deixaram de aparecer. Ela conta que a maioria dos homens saiu em defesa da personagem da mãe de Roya – uma mulher tradicional que trabalhou duro na vida e que acreditava que sua filha deveria se dedicar ao marido, a ter filhos e à religião.

Não é fácil ser mulher

A diretora foi questionada pela organizadora do evento, Karin Fornander, como era ser uma cineasta em Bangladesh. “Bom, não é difícil ser uma diretora mulher em Bangladesh, é difícil ser mulher em Bangladesh!”, respondeu. E isso fica bem claro no filme.

Além de toda a tradição machista que constantemente é jogada na cara de Roya, outras situações deixam bem claro o quão difícil é viver no país sul asiático como mulher. Nas primeiras cenas do filme, a jovem empregada Monya é assediada com assobios e palavras de um operário do prédio da frente, enquanto está dentro de casa, limpando a sacada. Em outro momento, Monya se vira para Roya e diz “você tem sorte de ter um bom marido. Ele não bate em você”. Só isso fazia dele um marido maravilhoso.

Mais adiante, outra referência à frequente violência doméstica sofrida por mulheres no país. Monya engravida e vai viver com o novo marido em um bairro muito pobre em Daca, onde Roya vai visitá-la. Enquanto conversam, as duas ouvem gritos e choros. “O vizinho bate na esposa todos os dias”, diz Monya.

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Violência contra mulheres é um caso mais sério em Bangladesh, sendo um dos países com alto número de vítimas femininas de ataques com ácido. Segundo a organização Acid Survivors Foundation, de 1999 até 2015 foram 3.303 casos registrados de ataques com ácido no país. Além disso, mulheres e meninas sofrem com casamentos precoces, violência e assédio sexual, condições inadequadas de trabalho para grávidas… Realmente não é fácil ser mulher por lá.

Bangladesh é lembrado pelo grande número de fábricas têxteis, em que a maior parte dos trabalhadores são mulheres. Segundo a Human Rights Watch, a maioria dos supervisores dessas fábricas são homens, que muitas vezes assediam as funcionárias com comentários de cunho sexual. Pela situação precária para trabalhadoras nessa indústria, seria impossível não fazer referência a ela no filme.

Em vários momentos, as fábricas têxteis aparecem em pano de fundo. Quando Roya caminha pelas ruas de Daca, ela vê homens indo em direção às construções e mulheres em direção às fábricas. No centro da cidade, se vê um anúncio com uma mulher em uma máquina de costura e os dizeres “Maiores colaboradores para a economia nacional”. Mas a referência mais importante é quando Roya está em casa e vê no noticiário o desespero das pessoas diante do colapso do Rana Plaza, tragédia que ocorreu no dia 24 de abril de 2013 e matou mais de 1,1 mil pessoas. Rubaiyat pegou cenas de notícias reais que saíram na época nos canais de TV.

Na minha opinião, a diretora quis, além de criticar tantos aspectos machistas de seu país, atingir o Ocidente, que tanto se beneficia do trabalho de milhares de mulheres nessas fábricas. É difícil não sentir um aperto no peito ao ver as personagens trabalhando em máquinas de costura e, logo depois, o Rana Plaza desmoronando com tantos funcionários lá dentro.

“Under Construction” me surpreendeu positivamente. Há tempos não via um filme que quase não me deixasse piscar diante da tela. Os gestos e expressões faciais de Roya revelam uma mulher em conflito e em um processo complexo de  reconstrução. As falas dos personagens, as situações e referências apresentam o machismo de uma cultura oriental que por vezes se assemelha e se afasta do machismo que conhecemos no Ocidente. Finalmente, o filme cumpre seu papel: dar voz às mulheres de Bangladesh.

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No começo do filme, eu achava que Victoria era só uma garota inocente tentando ser uma party girl, desesperada em busca de amigos e que, por isso, se deixava levar pelos três estranhos – no início são quarto, mas depois ficam só Boxer, Blinker e Sonne.  Isso, porém, só até a cena do piano dentro da cafeteria, em que ela trabalha e mora. Victoria e Sonne estão conversando e a jovem admite que sabe tocar piano. Curioso, ele pede mostre algo. Ela fecha os olhos e, como se possuída pelas notas, seus dados correm e saltam pelo teclado. É lindo! Nesse momento, pra mim, a personagem ganha uma muita força. Victoria conta, então, que viveu sua adolescência em um conservatório em Madrid, onde tinha que praticar piano sete horas por dia. Devido à extrema competição entre colegas, ela sentia nunca ter feito amigos de verdade ali. Depois da rejeição de seus professores, ela deixa a Espanha e chega na capital alemã. Em nenhum momento ela deixa claro os motivos para ter escolhido a Alemanha – ela não fala alemão e não conhece ninguém em Berlim. Talvez por uma vontade de aventura e de se conhecer longe da realidade que viveu dentro do conservatório musical.  Os motivos de nada ficam claros nesse filme.

Victoria parece ter sido realmente machucada pela rejeição de seus professores de piano. Ela chora escondida depois de terminar sua performance no instrumento, mas não se mostra abalada por isso ao longo do filme. Pelo contrário, ela vai ganhando mais força. Quando questionada por Sonne, Boxer e Blinker se poderia ajuda-los em algo – que é claramente ilegal -, ela não questiona muito e só vai. Como motorista dos rapazes, ela os leva até um estacionamento, onde eles encontram Andi, um gangster que cobra um favor de Boxer. Eles teriam que assaltar um banco naquela manhã e voltar com o dinheiro. A esse ponto, Victoria já está envolvida na história. Sonne tenta, porém, tirá-la da situação e a avisa que ela pode desistir e ir pra casa. Ela não aceita o conselho e decide ir junto e ser a motorista para que os três bandidos amadores executem o assalto.

 
victoria und sonne
 
Nesse momento, o espectador pensa “mas por quê? Por que ela não faz um escândalo, vai embora e deixa eles se f*** sozinhos?!”. Como disse, nenhum motivo fica claro nesse filme e nada é lógico. A complexidade da personagem não deixa suas razões claras. Pode ser que ela faça isso para se provar. Para fazer algo novo. Para testar limites. Por solidariedade aos novos amigos. Por um conjunto de fatores ou por nenhum deles. Às vezes, na vida real, não se precisa de motivos para se fazer esse tipo de loucura e talvez esse seja o caso de Victoria.

 
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Laia Costa (Victoria), atriz de Barcelona, recebeu o Deutscher Filmpreis 2015 de melhor atriz por sua impressionante atuação e talento na improvisação. Em entrevista para o site da revista alemã Spiegel, ela e o diretor Sebastian Schipper explicam que a estrutura do filme e diálogos foram montados no próprio set de filmagem. As cenas foram reconstruídas e mudadas várias vezes até o momento da filmagem. As conversas e interações entre personagens foram acontecendo conforme a câmera corria.

A barreira linguística também teve um papel importante no filme. Laia Costa é espanhola e não fala alemão, assim como sua personagem. E assim como Victoria e os três rapazes, Laia e seus colegas de set se comunicam em inglês. Isso com certeza trouxe mais realidade aos diálogos no filme que são, na maior parte, em inglês. Quando feitos em alemão, Victoria fica confusa – da mesma forma como a própria Laia deve ter ficado.

Nunca tinha visto um filme feito em um só take e achei muito impressionante. Ainda mais pela história, que me deixou super nervosa na cadeira do cinema. Depois de uma madrugada intensa, a garota acaba do mesmo jeito que começou: sozinha pela cidade alemã que nunca dorme. Foi apenas mais uma madrugada em Berlim.

 

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