Rainha da Su Casa: La imigrante soy yo

Eeei, Eô Eô! Pra quem não conhece, Rainha da Sucata foi uma novela nos anos 90, fizemos aqui um trocadalho do carilho em portuñol porque isso é o que a vida tem sido no momento, barracos, micos, lambadas, e tudo isso no cômodo de su casa, mas sem Regininha Duarte porque a gente não tem medo. Começamos esse não-blog pra falar como foi imigrar, as dificuldades que eu e meu companheiro passamos e espero que goste, estou aberta à perguntas também no meu twitter e/ou sugestão de temas! Me chama que eu vô!

 

 
Faz umas semanas que eu tenho tido memórias específicas de coisas que vivi junto com pessoas queridas ou não. Viver, de certa forma, isolados, traz tanto o nosso melhor quanto o nosso pior. Sabe aqueles memes no melhor estilo ~ estava indo dormir e aí bateu aquela bad que você fez 5 anos atrás, ou 10 (tô na idade que já rola até 15 anos atrás, irmã). Tem rolado comigo demais, mas revisitar essas memórias está trazendo paz pra mim. Encarar as merdas feitas, ditas, entender os erros, se emocionar com os acertos, os embates internos, tem sido maravilhoso.

Foi aí então que eu achei melhor começar a escrever sobre a vida aqui na Espanha. Sanar a saudade de todas as experiências vividas, das boas e das más, para servir como registro, para satisfazer a curiosidade dos amigos sobre como estamos (eu e Ivan, meu companheiro), onde estamos e como viemos parar aqui. Isso tudo sem ter que ser repetitiva e ainda depender da internet precária que temos para dar notícias. Mas não tô reclamando da internet não, viu Nossa Senhora do Wifi Alheio (explico em outro post, haha)? <3

Começou a primavera, acho que isso dá mais vontade de escrever, também. Vão fazer 4 meses que chegamos aqui mas só essa última semana é que consigo sair do banho e ir me vestir no quarto, ou onde eu quiser ir me vestir. Sempre odiei me vestir no banheiro depois do banho, tudo está úmido e não é confortável. Mas há pouco tempo atrás era a única forma de sair protegida do frio. A casa que estamos não tem aquecimento, só um aquecedor elétrico individual que usávamos só pra dormir! É uma casinha super simples no sudeste da Espanha, dentro do Parque Natural Cabo de Gata.

 
[caption id="attachment_10239" align="aligncenter" width="700"] é aqui onde estamos, Las Presillas Bajas, a 40km ao leste de Almería <3[/caption]  
Tudo começou a um tempo atrás na ilha do sol (piadinha 25+). Tudo começou com a morte do meu avô em 2013, calma, não é pra ficar mórbido. Assim que meu avô faleceu, fomos morar no apartamento dele em Copacabana. A história é bem mais longa do que essa, o que importa é que conseguimos sair do aluguel e no (agora) nosso apartamento alugamos um dos dois quartos para viajantes Airbnb a partir de 2014. Eu e Ivan conseguimos juntar um bom dinheiro para reformar o apartamento que estava caindo aos pedaços e colocar pra alugar (para ir viajar).

Eu e Ivan compartilhamos a maioria das coisas, somos muito companheiros. Em 2013 fizemos um mochilão pelo leste da Europa que nos deixou com vontade de passar um tempo fora para conseguir absorver outras culturas sem pressa. Então começamos a botar esse plano em ação, com um ano de antecedência, começamos a juntar dinheiro, nos preparar psicologicamente e deixar a vida pronta para nossa ida. E assim fomos, ou viemos, haha. Escolhemos a Espanha porque o Ivan é neto de espanhol e no final de 1 ano vivendo aqui, há possibilidade de tirarmos uma dupla cidadania, o que facilitaria viajarmos pra onde quisermos sem chatices.

 
[caption id="attachment_10245" align="aligncenter" width="700"] tentativas de fotos para deixar no consulado, mas como a gente é ridículo, fomos num profissional mermo.[/caption]  
Vendemos tudo o que tínhamos e doamos muitas outras coisas, 2015 foi um ano difícil (para todes né?) e de muito desapego. Um ano de muita loucura, juntando dinheiro, arrumando o apartamento, morar um tempo na casa dos sogros (obrigada sogros maravilhosos!), conseguir vencer a burocracia de viajar com 3 mascotas para fora do Brasil, casar para facilitar a burocracia de conseguir tirar um visto de residência, pressão de ver amigos, pressão de ver familiares, medo, ansiedade (patológica e não), enfim, acho que deu pra entender. Foi um ano meio ~ quem ri por último rivotril, sabe assim? ~

Chegou num ponto em que já estávamos com tudo certo, só faltava o consulado liberar (ou não) o nosso visto. Foram semanas de angústia e resolvi ir a São Paulo visitar meu pai e meus amigos enquanto aguardava o resultado. Um dia eu acordei e chequei o site do consulado como todos os dias eu fazia (pelo menos 3 vezes ao dia aloca) e estava lá, eles tinham liberado. Eu gritava, corria pela casa do meu pai que nem o Mcaulin Caulkin seilacomoescreve no Esqueceram de Mim. Liguei pro Ivan berrando, mas ele entendeu depois de alguns segundos, hahaha. Chorava e ria ao mesmo tempo, emoçaum. <3

 
[caption id="attachment_10243" align="aligncenter" width="280"]foi exatamente assim foi exatamente assim[/caption]                           
 
Voltei pro Rio uns dois dias depois, fizemos uma micro despedida tanto em SP quanto no RJ e viajamos logo em seguida. Chegamos em Madri no dia 18 de Dezembro de 2015. O ano tinha sido tão pesado, eu fiz questão de fazê-lo acabar com outra perspectiva. CONSEGUI, <3.

Saímos daquele Rio 40 graus e chegamos no aeroporto de Barajas em Madri. Devia estar fazendo uns 14 graus. Não estava tão frio pra época e eu queria absorver tudo, todos os cheiros, os sentidos estavam aguçadíssimos. Os animais chegaram bem, com carinhas ótimas, ufa! Um cara no aeroporto pediu pra ver a mochila do Ivan depois de passar no raio-x porque tinha um brinquedo do Madiba que parece um pinto, HAHA. ~micos.

 
[caption id="attachment_10244" align="aligncenter" width="690"] vai dizer  ~ risos[/caption]  
O taxi já estava nos esperando com uma plaquinha com nosso nome. Como estávamos com caixas enormes dos animais, e mais 3 malas, foi preciso reservar uma van para 8 pessoas, hahaha. Vergonha alheia só que minha mesmo. O motorista foi extremamente simpático durante o caminho e nos ajudou a baixar as malas em nosso endereço para os próximos 5 dias, Calle Ave Maria, 23 em Lavapiés.

Chegando no endereço, o cara que daria as chaves pra gente (Airbnb) demorou mais de uma hora pra chegar, hahaha. O problema nem era o frio (só um pouquinho) é que as mascotas não comiam há mil horas, então deixei Ivan com as tralhas todas e fui achar um supermercado pra dar comida pra galera ali na rua mesmo. Infelizmente não pode transportar ração, nem sei se falei isso no post de viajar com mascotas, gulp!

 
[caption id="attachment_10018" align="aligncenter" width="591"] todes ama essa foto, mas a gente tava há um tempão já ali aguardando (olha eu com note no colo, fiz o celular de roteador ~ malaca). a caixa de papelão tava com as comidas das mascotas! Hahaha. ~ segredos por trás das fotos ~[/caption]  
Quando entrei no supermercado para comprar comida de cachorro e de gato, senti um climão! Como eu estava com pressa porque minhas mascotas não comiam já faziam muitas horas, ignorei e continuei procurando a comida, era um daqueles mini supermercados, sabe? Era um Dia% mini, pop up, sei lá como chama, hahaha. Fiquei achando que eu tava fazendo algo de errado, aloca, brasileiro vai pra gringa e acha que respirar já tá fazendo merda, hahaha. Quando cheguei no caixa, um funcionário já estava discutindo (barracão mermo) com um cara espanhol que tinha furtado alguns produtos. O cara que tinha furtado era um espanholzão de uns 45 anos e mesmo na condição de ter sido pego no flagrante, usou seu privilégio pra esbravejar xenofobia para o funcionário que era oriental. Cara, que ódio que deu, mas eu não tava pronta linguisticamente pra jogar o raio problematizador. A polícia chegou em menos de 5 minutos. De qualquer forma, pra quem conhece o RJ, sabe que depois de um barracão, há de se sentir em casa.

Voltei pra encontrar com o Ivan, demos comida pra galera e o cara do Airbnb chegou. Não foi muito fácil subir com a tralha toda, super pesada, por 4 lances duplos de escada, mas a excitação era tanta que foi até rápido. Compramos chip para celular em um locutório do lado de onde ficamos e já contactamos familiares, amigos, mandando o grande joínha dizendo que o vôo tinha sido ótimo e que chegamos bem.

 
[caption id="attachment_10297" align="aligncenter" width="310"]print-like-2 quem nunca? haha[/caption]  
Madri é foda. Lavapiés é um bairro de imigrantes e por isso tem os melhores bares, bares feministas, grafites políticos nas ruas, antifas, lugares vegetarianos e veganos, me senti em casa. Tinha um grafite que até já rolava um spoiler de Star Wars mas nem fiquei puta, achei engraçado, hahaha. A gente não tinha assistido ainda! De quebra ainda saímos com meu querido amigo Andrei, da época da faculdade, provavelmente ele vai surgir muitas vezes por aqui ~ spoiler.

 
[portfolio_slideshow id=10235 exclude="10268,10272,10271,10258,10245,10244,10243,10239,10238,10297"]  
Ah sim, claro. Como nós viemos parar aqui nas Presillas Bajas dentro do Parque Natural Cabo de Gata. É o seguinte, meu pai tem uma amizade de mais de 30 anos. Vou preservar os nomes porque nem sabem que estão sendo citados, tá? Hahaha. A casa foi comprada há uns 25 anos. A amiga do meu pai é francesa e deve ter custado praticamente nada para ela na época, se essa ainda é a região mais pobre da Espanha, na época, em Pesetas, deve ter sido bem baratinha mesmo. Mas como eu disse, ela é francesa e mora na França. Passa uma ou duas semanas por ano nessa casinha durante o verão e as vezes natal/ano novo. Ela nos ofereceu para ficarmos um tempo aqui até conseguirmos nos ajeitar minimamente, claro que aceitamos. Aqui somos caseiros, cuidamos da casa e pagamos as contas, claro. :) #migadomeupairainhaorestonadinha

Assim sendo, chegamos no dia 23 de dezembro na pequena aldeia de 20 pessoas (isso mesmo), Las Presillas Bajas, no sudeste da Espanha. Região desértica e praiana ao mesmo tempo. Assim começou a nossa aventura! Espero que vocês tenham gostado dessa intro porque terão mais textos e fotos sobre as altas aventuras e perrengues da sessão da tarde que passamos por aqui! Vídeos ainda não temos coragem mas das mascotas, com certeza!

 

Mais de Bárbara Gondar

A breve história de um aborto

A ONU fez um pronunciamento pedindo que o aborto fosse legalizado diante da catástrofe da Zika e os casos de microcefalia. Muitas mulheres estão escolhendo abortar com medo do feto contrair a doença durante a gestação. Com isso, achei legal fazer mais um texto sobre o assunto, segura o textão cheio de paixão aí!

Era uma vez uma menina-mulher de 19 anos, branca, classe média, que transou com um amigo e engravidou. Contou pro seu pai, pediu que pagasse um aborto e ele pagou. Ela e uma amiga também branca e classe média, foram numa clínica de aborto em um bairro classe média da cidade de São Paulo. A consulta demorou 20 minutos, marcaram o procedimento para o mesmo dia dali umas horas com um médico ginecologista de um famoso hospital de São Paulo. Elas foram dar uma volta pelo agradável bairro, voltaram e o procedimento durou 15 minutos. Acabou. Ela foi para casa com uma cólica pequena e em uma semana estava nova em folha.

Essa é a breve história do meu aborto. Provavelmente dá pra reduzir para 140 caracteres. Apesar de todo o estresse e sentimentos diversos envolvidos, politicamente esse primeiro parágrafo é o único que importa de uma história de um aborto bem sucedido. Por quê? Porque mulheres morrem todos os dias por fazerem abortos em lugares não seguros, sem higiene, etc. O maior problema é que são mulheres pobres e negras que estão morrendo diariamente por causa de um procedimento médico simples que demanda 15 minutos apenas. Nós sabemos que é praticamente crime ser pobre e negro no Brasil, ninguém liga pra essas mortes. Pelo contrário, as culpam e estigmatizam.

 

HÁ UMA CHUVA DE HATERS SOB MEUS OLHOS, DIZENDO PRA MIM “VOCÊ É PECADORA!” E NÃO DEMORA PRO MEU SANTO CAGAAAA-AAAA-AAAAR!

 

Mentira, eu não cago, tanto é que eu tô aqui pra poder expor meus pontos acerca dos principais ‘contras’ de se fazer um aborto e ser pró aborto. Se você tiver algum ponto novo, eu vou adorar saber, por favor, ou comente nesse post, ou me mande pelo meu twitter @cruishcredo. Então bora lá, começar pelo básico:

 

    • Deus é contra (e tudo o que vem com o argumento religioso)

      R: Eu tenho tanto pra lhe falar, ainda bem que com palavras eu sei dizer, sim. A primeira coisa é, respeite o livre arbítrio alheio e ponto. Tá escrito no livro que eu sei. A única que pode me julgar é Deus, então deixa com Ela, tá bom? “Por que reparas tu o cisco no olho de teu irmão, mas não percebes a viga que está no teu próprio olho?”, isso aqui meu amigo, é a bíblia mandando você cuidar dos seus problemas. Mateus 7:5, fiz meu dever de casa!Tem outro ponto aqui, o Brasil é um estado laico, ou deveria ser (#foracunha). De forma que religião não deveria ser uma questão nesse debate em hipótese alguma, se você já estudou história alguma vez na sua vida, acho que você sabe a merda que deu quando a igreja era parte do Estado, certo?

      Fora que né? Amai-vos uns aos outros, então me ama. Haha. <3

      020

       

    • É uma vida que não pode se defender sozinha!

      R: Eu acho muito engraçado quem usa esse argumento e não é vegetariano, mas vamos lá. Acho que o problema maior é a linha tênue no que pode ser considerado vida ou não, e eu respeito se você acha que a vida é criada na fecundação, mas você precisa respeitar quem acha que não, quem acha que a vida humana e animal é criada a partir de um sistema nervoso central (a partir dos dois meses e meio de gestação, creio). É uma questão moral. Caso você ache que é sim uma vida e não quer respeitar quem acha que não é, eu te pergunto, e a vida da mulher que está em risco? Querendo ou não, o aborto não vai parar de acontecer porque alguém é contra. É por isso que é preciso ser descriminalizado, porque enquanto mulheres brancas e ricas – como eu – podem ser muito bem tratadas em clínicas particulares, mulheres pobres morrem em cima de macas sujas e são jogadas em frente a hospitais públicos. É essa vida com a qual eu me preocupo, essa vida, de uma pessoa que é minoria, uma mulher, que não teve dinheiro e acabou morrendo nas mãos erradas. Canalize sua energia para essa parte da questão. Quantas mulheres famosas já saíram em capas de revista dizendo que abortaram? Nunca nenhuma foi presa, nenhuma foi indiciada, a sociedade aceita esses milhares de casos isolados de pessoas brancas e ricas, somos todos hipócritas.

       

 

    • É um ato egoísta.

      R: É egoísta pensar que não vai ter como financeiramente criar uma criança? Pensar em como não conseguir lidar com as frustrações de um ser que o pai abandonou antes de nascer? Pensar que essa criança vai lembrar eternamente um estupro que aconteceu, se tornando um fardo? Esses são alguns porquês algumas mulheres fazem abortos. Mas existem outros porquês considerados egoístas que me fazem refletir, como por exemplo… Não querer ter um filho agora porque quer acabar os estudos, ou porque simplesmente não quer, ou porque quer focar na carreira… Em uma sociedade que nega direitos às mulheres, que não garante direitos iguais perante a lei, não há representatividade legal, pensar em si em primeiro lugar é resistir, pensar em si mesma e no seu futuro, é garantir o que a lei não nos garante. Sermos donas de nossos próprios corpos é nossa obrigação.

 

    • É ilegal!

      R: Eu sei que esse é um argumento ultra inocente, mas ainda tem gente que usa, e tudo bem. Sabe o que era legal há 25 anos atrás? Racismo! Sabe o que era legal há 130 anos? Escravismo! Sabe o que é ilegal em vários estados dos Estados Unidos? Sexo oral (anal então, highway to hell, haha). Sabe o que era ilegal há 65 anos atrás? Mulheres trabalharem sem pedir permissão pro marido (mulheres brancas né, porque as negras sempre trabalharam). Sabe o que era ilegal há 84 anos atrás? Mulheres votarem. Sabe há quanto tempo, ilegalmente, realiza-se aborto? Desde que o mundo é mundo. Sempre há um chá, uma erva, um remédio e dá-se um jeito. Homens (no nosso caso gênero também, mas quis dizer no sentido de humanidade) fazem as leis, homens são corruptos e fazem as leis de acordo com o seu grau moral, seu grau de instrução ética, sempre beneficiando a si mesmos e sua bolha. Então, as vezes o que é legalizado e o que não é são questões de debate e, como o corpo de políticos brasileiro não é plural, não temos nenhuma representatividade. É por isso que minoria é chamada de minoria, não é porque somos poucos em número, mas é porque temos pouca representatividade legal.

 

  • Se não quer engravidar, use métodos contraceptivos (ou o velho, na hora de fazer não pensou, né?), ou então lide com as consequências.

    R: A consequência esperada da maioria da população em fazer sexo é gozar e ter prazer. A consequência ficar grávida recai sobre a mulher porque muitas vezes com quem ela transou não está nem aí pra saber disso. Se essa consequência recai na mulher, ela é quem deve decidir levar à frente ou não, o corpo é dela e a decisão é e deve ser dela. Fim de papo. E muitas vezes a gente não pensa mesmo, ou porque bebeu, ou porque está bão demais, ou porque o cara falhou na hora de tirar, existem mil possibilidades, sem contar os estupros, que não são poucos. De qualquer forma, métodos contraceptivos falham. Pílulas do dia seguinte falham (me falharam). Nenhuma mulher não vai se proteger pensando em “ah, tudo bem, depois eu faço um aborto”. Não, não vai. Shhh. Nope. Ñ. Sem chance.

     

Por favor, você que é a favor da descriminalização do aborto, jamais use o argumento de que menos crianças indesejadas, menor é a população pobre e diminui o crime. Esse argumento é preconceituoso, e quando usado para ser a favor do aborto é eugenista. Apenas pare. O aborto deve ser apoiado por ser um direito da mulher escolher para si o que é melhor, e não usado para apoiar ~ limpeza social ~ (que expressão escrota).

 

Ainda para as pessoas que são a favor, não faço e acho que também não deveriam fazer a comparação de um aborto de uma mulher com um abandono de uma criança pelo pai pelo simples fato de achar que o abandono é extremamente pior. Cresce-se uma criança sozinha, abandonada, tendo que lidar com inúmeros fatores a mais por causa da sua história e é frustrante e recorrente.

Países como o Uruguai que descriminalizaram o aborto tiveram uma queda significativa em relação ao procedimento. Sabe o por quê? Porque quando um assunto deixa de ser um tabu e se torna uma questão de saúde pública, mulheres têm mais opções para lidar com o assunto, mais conhecimento sobre o procedimento, mais clareza, ajuda psicológica providenciada, etc. Você não precisa ser a favor do aborto para ser a favor da legalização dele, já pensou nisso? :) Olha só essa matemática feita especialmente para pessoas de humanas, como eu:

x fetos morrem por ano. Se o aborto é ilegal e inseguro: X fetos morrerão + um número Y de pessoas também morrerão pelas consequências de terem tentado fazer um aborto ilegal e inseguro. Tendo um aborto legal e seguro, salvamos Y. Eu fico com a opção que salva mais vidas, e você?

 

Ilustração feita com exclusividade por lovelove6.

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viajar com 3 mascotas para fora do Brasil, casar para facilitar a burocracia de conseguir tirar um visto de residência, pressão de ver amigos, pressão de ver familiares, medo, ansiedade (patológica e não), enfim, acho que deu pra entender. Foi um ano meio ~ quem ri por último rivotril, sabe assim? ~

Chegou num ponto em que já estávamos com tudo certo, só faltava o consulado liberar (ou não) o nosso visto. Foram semanas de angústia e resolvi ir a São Paulo visitar meu pai e meus amigos enquanto aguardava o resultado. Um dia eu acordei e chequei o site do consulado como todos os dias eu fazia (pelo menos 3 vezes ao dia aloca) e estava lá, eles tinham liberado. Eu gritava, corria pela casa do meu pai que nem o Mcaulin Caulkin seilacomoescreve no Esqueceram de Mim. Liguei pro Ivan berrando, mas ele entendeu depois de alguns segundos, hahaha. Chorava e ria ao mesmo tempo, emoçaum. <3

 
                           
 
Voltei pro Rio uns dois dias depois, fizemos uma micro despedida tanto em SP quanto no RJ e viajamos logo em seguida. Chegamos em Madri no dia 18 de Dezembro de 2015. O ano tinha sido tão pesado, eu fiz questão de fazê-lo acabar com outra perspectiva. CONSEGUI, <3.

Saímos daquele Rio 40 graus e chegamos no aeroporto de Barajas em Madri. Devia estar fazendo uns 14 graus. Não estava tão frio pra época e eu queria absorver tudo, todos os cheiros, os sentidos estavam aguçadíssimos. Os animais chegaram bem, com carinhas ótimas, ufa! Um cara no aeroporto pediu pra ver a mochila do Ivan depois de passar no raio-x porque tinha um brinquedo do Madiba que parece um pinto, HAHA. ~micos.

 

 
O taxi já estava nos esperando com uma plaquinha com nosso nome. Como estávamos com caixas enormes dos animais, e mais 3 malas, foi preciso reservar uma van para 8 pessoas, hahaha. Vergonha alheia só que minha mesmo. O motorista foi extremamente simpático durante o caminho e nos ajudou a baixar as malas em nosso endereço para os próximos 5 dias, Calle Ave Maria, 23 em Lavapiés.

Chegando no endereço, o cara que daria as chaves pra gente (Airbnb) demorou mais de uma hora pra chegar, hahaha. O problema nem era o frio (só um pouquinho) é que as mascotas não comiam há mil horas, então deixei Ivan com as tralhas todas e fui achar um supermercado pra dar comida pra galera ali na rua mesmo. Infelizmente não pode transportar ração, nem sei se falei isso no post de viajar com mascotas, gulp!

 

 
Quando entrei no supermercado para comprar comida de cachorro e de gato, senti um climão! Como eu estava com pressa porque minhas mascotas não comiam já faziam muitas horas, ignorei e continuei procurando a comida, era um daqueles mini supermercados, sabe? Era um Dia% mini, pop up, sei lá como chama, hahaha. Fiquei achando que eu tava fazendo algo de errado, aloca, brasileiro vai pra gringa e acha que respirar já tá fazendo merda, hahaha. Quando cheguei no caixa, um funcionário já estava discutindo (barracão mermo) com um cara espanhol que tinha furtado alguns produtos. O cara que tinha furtado era um espanholzão de uns 45 anos e mesmo na condição de ter sido pego no flagrante, usou seu privilégio pra esbravejar xenofobia para o funcionário que era oriental. Cara, que ódio que deu, mas eu não tava pronta linguisticamente pra jogar o raio problematizador. A polícia chegou em menos de 5 minutos. De qualquer forma, pra quem conhece o RJ, sabe que depois de um barracão, há de se sentir em casa.

Voltei pra encontrar com o Ivan, demos comida pra galera e o cara do Airbnb chegou. Não foi muito fácil subir com a tralha toda, super pesada, por 4 lances duplos de escada, mas a excitação era tanta que foi até rápido. Compramos chip para celular em um locutório do lado de onde ficamos e já contactamos familiares, amigos, mandando o grande joínha dizendo que o vôo tinha sido ótimo e que chegamos bem.

 

 
Madri é foda. Lavapiés é um bairro de imigrantes e por isso tem os melhores bares, bares feministas, grafites políticos nas ruas, antifas, lugares vegetarianos e veganos, me senti em casa. Tinha um grafite que até já rolava um spoiler de Star Wars mas nem fiquei puta, achei engraçado, hahaha. A gente não tinha assistido ainda! De quebra ainda saímos com meu querido amigo Andrei, da época da faculdade, provavelmente ele vai surgir muitas vezes por aqui ~ spoiler.

 

 
Ah sim, claro. Como nós viemos parar aqui nas Presillas Bajas dentro do Parque Natural Cabo de Gata. É o seguinte, meu pai tem uma amizade de mais de 30 anos. Vou preservar os nomes porque nem sabem que estão sendo citados, tá? Hahaha. A casa foi comprada há uns 25 anos. A amiga do meu pai é francesa e deve ter custado praticamente nada para ela na época, se essa ainda é a região mais pobre da Espanha, na época, em Pesetas, deve ter sido bem baratinha mesmo. Mas como eu disse, ela é francesa e mora na França. Passa uma ou duas semanas por ano nessa casinha durante o verão e as vezes natal/ano novo. Ela nos ofereceu para ficarmos um tempo aqui até conseguirmos nos ajeitar minimamente, claro que aceitamos. Aqui somos caseiros, cuidamos da casa e pagamos as contas, claro. :) #migadomeupairainhaorestonadinha

Assim sendo, chegamos no dia 23 de dezembro na pequena aldeia de 20 pessoas (isso mesmo), Las Presillas Bajas, no sudeste da Espanha. Região desértica e praiana ao mesmo tempo. Assim começou a nossa aventura! Espero que vocês tenham gostado dessa intro porque terão mais textos e fotos sobre as altas aventuras e perrengues da sessão da tarde que passamos por aqui! Vídeos ainda não temos coragem mas das mascotas, com certeza!

 

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