Leia: ‘At work’, de Annie Leibovitz

Um livro autobiográfico sobre o trabalho de uma das fotógrafas mais importantes do nosso tempo

Annie Leibovitz é uma fotografa estadunidense, que ficou conhecida por seus retratos caráter íntimo, onde sua marca é a relação do retratista com o retratado. Essa mulher já foi diretora de fotografia da Revista Rolling Stones, é fotografa-retratista da revista Vanity Fair e Vogue, participou um dos projetos mais bacanas sobre contos de fadas, o “Disney Dream Portrait” um projeto da Disney World.

Eu, Janis, me interesso por fotografia com uma curiosa mesmo, então sempre procurei nos livros suprir essas algumas dúvidas e curiosidades. Deixando um pouco de lado os livros “tutoriais” ou livros técnicos, meus interesses na fotografia estava na relação foto e fotógrafo, portanto na experiência de um fotógrafo, como ele se encontrava com uma foto, lugares que visitou, inspirações, primeiro contato com a câmera e por aí vai, assim os livros biográficos de fotografia me agradavam muito. Me deparei com livros fantásticos, como a biografia de Robert Capa, Boris Kossoy, Sebastião Salgado, Henri Cartier-Bresson etc, no meio desses livro senti falta de uma FOTÓGRAFA, uma voz de uma mulher.

Foi então que encontrei ‘At work’ de Annie Leibovitz.

Em seu livro, Annie conta como se tornou fotografa e seus principais projetos. A escrita é intíma, como se você escutasse a voz da própria Annie contando tudo pra você, de maneira clara e muito pessoal, sua escrita nos dá espaço para construirmos o retrato de Annie, assim como ela faz com os artistas que retrata.

O livro está inglês e infelizmente não possui tradução para o português e recentemente ele ficou meio que esgotado nas livrarias daqui, maaas quem quiser se aventurar na leitura (que vale muito a pena) tem na amazon gringa e tem como achar o pdf dele de grátis na internet.

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Mais de Janis Souza

Leia: A odisséia de Penélope

A Odisséia de Penélope (The Penelopiad, 2005) é um livro da escritora canadense Margaret Atwood que, por sinal, atua em mil coisas. Essa mulher é romancista, poetisa, contista e ensaísta e ganhou o Prêmio Arthur C. Clarke e o Prémio Príncipe das Astúrias na categoria “letras”.

Para localizar quem ainda não sabe quem é essa escritora MARAVILHOSA, lembra do livro Conto da Aia (The Handmaid’s Tale) que inspirou a série? Então queridas, foi Margaret Atwood quem escreveu.

O foco de minha indicação é a trajetória de Penélope, esposa de Ulisses (Odisseu). O livro é narrado por Penélope depois de morta, contando fatos de sua vida. Ao mesmo tempo, assombrada pelas doze escravas que a ajudaram a enganar e distrair os homens (pretendentes) que tentavam usurpar o trono de Ulisses e foram enforcadas injustamente.

Margaret Atwood dá voz a Penélope, uma voz que é secundária dentro do clássico de Homero. Ou seja, dá voz a nós mulheres dentro do clássico. Penélope pode ser conhecida parcialmente por sua fidelidade a seu marido, mas enganam-se os que só acham isso, pois Penélope possui todas as características gregas de um herói que são honra (τιμή), virtude (αρετή), glória (κλέος) e é tão divina quanto Ulisses. Penélope é uma heroína da história.

Atwood segue o padrão clássico grego. A narrativa é cantada e declamada pelas Musas, assim a história alterna entre a narrativa de Penélope e o coro das Musas. Nada de melhor que as 12 escravas de Penélope enforcadas por Ulisses e Telêmaco na odisseia homérica como as Musas dessa narrativa certo? Na introdução do livro, Atwood afirma exatamente sua estrutura para contar e porque contar essa história dessa maneira:

“Optei por entregar a narrativa a Penélope e às doze escravas enforcadas. As escravas formam o Coro, que canta e declama, concentrando-se nas duas questões que se destacam numa leitura atenta da Odisséia: o motivo do enforcamento das escravas e o real propósito de Penélope. A maneira como a história é contada na Odisséia não convence, há muitas incoerências. Sempre vivi assombrada pelas escravas enforcadas; em A odisseia de Penélope, ocorre o mesmo com Penélope. ”

Cheia de ironia e classe, Atwood reconta o clássico homérico. Alguns trechos podem não ficar claro para quem não leu a Odisséia de Homero, assim recomendo a leitura dos resumos dos cantos para facilitar sua vida e para uma leitura 100% proveitosa.

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