Em dezembro de 2008, recebi uma ligação das minhas irmãs: minha mãe estava com algo estranho no seio esquerdo, vamos investigar. O ano de 2009 foi uma verdadeira avalanche de sentimentos e atitudes. Aos poucos íamos descobrindo a gravidade da situação da minha mãe. Os exames não eram nada positivos. A sombra do câncer de mama pairava sobre a minha família, sobre o nosso dia a dia, sobre a nossa genética. Minha família é uma modesta família do interior, pai e mãe funcionários públicos, por isso corremos atrás de atendimento no SUS e foi assim que nossa saga se iniciou.
Sou a filha mais nova de uma família de três irmãs. Eu, minha mãe e minhas irmãs construímos, ao longo de nossas vidas, uma relação de sobrevivência. Muito pela condição sempre justa de grana, pela vida no interior, pelos laços silenciosos construídos entre mulheres. Minha mãe, sempre uma fortaleza. De palavras certeiras e gestos curtos, ela guiou o nosso lar com toda a força que uma mãe do interior pode ter. Ver minha mãe frágil não foi algo fácil. Encarar a fragilidade das matriarcas, sempre fortes, não é algo fácil a se fazer.
Mas é algo que deve ser encarado. Seguimos em meio a exames, filas de espera e desesperanças. Como todos vocês sabem, nosso sistema de saúde não é local de esperanças, mas sim de força e resistência. A cada negativa que recebíamos (sim, recebemos muitas negativas de tratamento), seguíamos adiante para bater em uma próxima porta. Assim seguimos por alguns meses até o diagnóstico. De fato, era câncer de mama, em estágio avançado.
É impressionante o poder que uma doença tem em relação a uma família. Ter nas mãos aquele resultado positivo para câncer de mama nos mostrou o quanto ainda poderíamos nos unir mais e mais. Quando se descobre um diagnóstico desse, por mais que o desespero seja logo a primeira opção, o instinto de sobrevivência é ativo em modo turbo, é preciso lutar.
O câncer de mama é o câncer que mais acomete mulheres em todo o mundo, sendo responsável por 22% dos casos. Segundo a Estimativa sobre Incidência de Câncer no Brasil, produzida pelo Inca, o Brasil terá 57.960 novos casos de câncer mama a cada ano. Mais comum em mulheres acima de 40 anos, 66,2% dos casos de câncer de mama são descobertos pelas próprias pacientes ao notarem alterações na mama, segundo o Inca. Estes dados reforçam a importância do autoexame além de sabermos que, se descoberto em estágio inicial, as chances de cura para o câncer de mama podem chegar a 95%.
Minha mãe seguiu o tratamento pelo Hospital Federal do Andaraí. Por lá fez quimioterapia, cirurgia, acompanhamento médico e psicológico. Mesmo em meio a elevadores quebrados, falta de seringas e gases, os médicos lutam pela sobrevivência tanto quanto seus pacientes.
Foi lá que descobrimos a ABRAPAC – Associação Brasileira de Apoio aos Pacientes com Câncer – que disponibiliza próteses e perucas gratuitas para mulheres portadoras e sobreviventes do câncer de mama. Há também iniciativas internas, dentro do próprio hospital, em prol da beleza da mulher durante o tratamento de câncer. A autoestima é bombardeada junto com o câncer: os cabelos caem, o corpo emagrece, a pele sente. Minha mãe recusou as perucas e abraçou como pode suas boinas, tão estilosas.
A verdade é que durante todo meu ano de 2009 vivemos horas de angústia e de muita persistência. No dia de sua cirurgia, uma mastectomia total, depois de ter seguido forte por meses, desabei ao lado da minha irmã, sentada em um meio fio, esperando notícias. Mas é preciso sofrer um tanto também, é preciso absorver tudo o que vier, a força também vem daí.
A certeza de que a genética não me reserva boas notícias me tornou uma mulher mais consciente, mas meu desejo é que ninguém precise encarar de frente a doença para se conscientizar. Hoje, sete anos depois, minha mãe foi considerada curada. Mas a memória de filas de espera, cabelos caindo, boinas de todas as cores e dezenas de pontos, me acompanha todos os dias em que vejo minha mãe sorrir. E é por ela que me cuido, que faço autoexame e exames de rotina. É preciso estarmos atentas, conhecermos nossos corpos, nos cuidarmos. O mundo precisa de nós vivas e saudáveis.
Mais informações essenciais sobre o câncer de mama:
O autoexame é uma das formas mais comuns de descobrir alterações nas mamas. Além de simples e indolor, o autoexame permite à mulher conhecer melhor seu próprio corpo e observar possíveis mudanças. Ele deve ser realizado todo mês, regularmente, logo após a menstruação. Para as mulheres que não menstruam mais, pode ser feito num mesmo dia de cada mês, por exemplo, todo dia 15. É importante ressaltar que o autoexame não basta para diagnosticar tumores. Para isso existem outros exames como ultrassonografia das mamas e mamografia.
Mulheres a partir dos 40 anos devem realizar mamografia anualmente. Para mulheres como eu, com histórico na família, o que traz um risco elevado, a mamografia deve ser anual a partir dos 35 anos de idade.
O câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata mulheres ao redor do mundo. Segundo a Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer, 14,7% dos casos de morte por câncer em 2012 eram de pacientes com câncer de mama.
O câncer de mama também acomete homens, mas em um número muito menor: cerca de 1% dos casos de câncer de mama são diagnosticados em homens. Por isso as campanhas do Outubro Rosa são majoritariamente voltadas para as mulheres.
Se descoberto em fase inicial, as chances de cura são de quase 95%. Segundo uma pesquisa realizado pelo Inca com 12.847 pacientes (2000 a 2009), a sobrevida em cinco anos, de acordo com o estágio da doença no início do tratamento, foi de: 88,3% (estágio I), 78,5% (estágio II), 43% (estágio III) e 7,9% (estágio IV).
O tratamento de câncer é obrigatório e, segundo a Lei 12.732 de 2012, o tratamento contra o câncer no Sistema Único de Saúde (SUS) deve começar em até 60 dias após o diagnóstico. Vale para todos os tipos de câncer, incluindo o câncer de mama. Mas a realidade é um tanto diferente, segundo o Ministério da Saúde, a fila de espera por uma radioterapia pode chegar a 120 dias.
Outros sites importantes com conteúdo confiável sobre câncer de mama:
Fundação Laço Rosa: Após um diagnóstico de câncer de mama durante a gestação, em 2007, Aline Lopes iniciou uma batalha contra a doença, passando por uma mastectomia radical e uma sessão quimioterapia, ainda grávida. Aline, junto com as irmãs Marcelle e Andréa, decidiram ajudar e orientar pessoas com o câncer de mama e assim nasceu, em 2010, a Fundação Laço Rosa. Uma organização sem fins lucrativos que divulga a causa do câncer de mama e trabalha na articulação de políticas públicas para o enfrentamento da doença.
Instituto Oncoguia: A ONG Instituto Oncoguia foi fundada em 2009 por um grupo de profissionais de saúde e ex-pacientes de câncer, liderados pela psico-oncologista Luciana Holtz de C. Barros. Dessa união nasceu uma associação sem fins lucrativos, criada e idealizada com o objetivo de ajudar o paciente com câncer a viver melhor por meio de projetos e ações de informação de qualidade, educação em saúde, apoio e orientação ao paciente, defesa de direitos e advocacia.
INCA: O Instituto Nacional de Câncer (INCA) é o órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento e coordenação das ações integradas para a prevenção e o controle do câncer no Brasil. Essas ações compreendem a assistência médico-hospitalar, prestada direta e gratuitamente aos pacientes com câncer como parte dos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde, e a atuação em áreas estratégicas, como prevenção e detecção precoce, formação de profissionais especializados, desenvolvimento da pesquisa e geração de informação epidemiológica.
Em dezembro de 2008, recebi uma ligação das minhas irmãs: minha mãe estava com algo estranho no seio esquerdo, vamos investigar. O ano de 2009 foi uma verdadeira avalanche de sentimentos e atitudes. Aos poucos íamos descobrindo a gravidade da situação da minha mãe. Os exames não eram nada positivos. A sombra do câncer de mama pairava sobre a minha família, sobre o nosso dia a dia, sobre a nossa genética. Minha família é uma modesta família do interior, pai e mãe funcionários públicos, por isso corremos atrás de atendimento no SUS e foi assim que nossa saga se iniciou.
Sou a filha mais nova de uma família de três irmãs. Eu, minha mãe e minhas irmãs construímos, ao longo de nossas vidas, uma relação de sobrevivência. Muito pela condição sempre justa de grana, pela vida no interior, pelos laços silenciosos construídos entre mulheres. Minha mãe, sempre uma fortaleza. De palavras certeiras e gestos curtos, ela guiou o nosso lar com toda a força que uma mãe do interior pode ter. Ver minha mãe frágil não foi algo fácil. Encarar a fragilidade das matriarcas, sempre fortes, não é algo fácil a se fazer.
Mas é algo que deve ser encarado. Seguimos em meio a exames, filas de espera e desesperanças. Como todos vocês sabem, nosso sistema de saúde não é local de esperanças, mas sim de força e resistência. A cada negativa que recebíamos (sim, recebemos muitas negativas de tratamento), seguíamos adiante para bater em uma próxima porta. Assim seguimos por alguns meses até o diagnóstico. De fato, era câncer de mama, em estágio avançado.
É impressionante o poder que uma doença tem em relação a uma família. Ter nas mãos aquele resultado positivo para câncer de mama nos mostrou o quanto ainda poderíamos nos unir mais e mais. Quando se descobre um diagnóstico desse, por mais que o desespero seja logo a primeira opção, o instinto de sobrevivência é ativo em modo turbo, é preciso lutar.
O câncer de mama é o câncer que mais acomete mulheres em todo o mundo, sendo responsável por 22% dos casos. Segundo a Estimativa sobre Incidência de Câncer no Brasil, produzida pelo Inca, o Brasil terá 57.960 novos casos de câncer mama a cada ano. Mais comum em mulheres acima de 40 anos, 66,2% dos casos de câncer de mama são descobertos pelas próprias pacientes ao notarem alterações na mama, segundo o Inca. Estes dados reforçam a importância do autoexame além de sabermos que, se descoberto em estágio inicial, as chances de cura para o câncer de mama podem chegar a 95%.
Minha mãe seguiu o tratamento pelo Hospital Federal do Andaraí. Por lá fez quimioterapia, cirurgia, acompanhamento médico e psicológico. Mesmo em meio a elevadores quebrados, falta de seringas e gases, os médicos lutam pela sobrevivência tanto quanto seus pacientes.
Foi lá que descobrimos a ABRAPAC – Associação Brasileira de Apoio aos Pacientes com Câncer – que disponibiliza próteses e perucas gratuitas para mulheres portadoras e sobreviventes do câncer de mama. Há também iniciativas internas, dentro do próprio hospital, em prol da beleza da mulher durante o tratamento de câncer. A autoestima é bombardeada junto com o câncer: os cabelos caem, o corpo emagrece, a pele sente. Minha mãe recusou as perucas e abraçou como pode suas boinas, tão estilosas.
A verdade é que durante todo meu ano de 2009 vivemos horas de angústia e de muita persistência. No dia de sua cirurgia, uma mastectomia total, depois de ter seguido forte por meses, desabei ao lado da minha irmã, sentada em um meio fio, esperando notícias. Mas é preciso sofrer um tanto também, é preciso absorver tudo o que vier, a força também vem daí.
A certeza de que a genética não me reserva boas notícias me tornou uma mulher mais consciente, mas meu desejo é que ninguém precise encarar de frente a doença para se conscientizar. Hoje, sete anos depois, minha mãe foi considerada curada. Mas a memória de filas de espera, cabelos caindo, boinas de todas as cores e dezenas de pontos, me acompanha todos os dias em que vejo minha mãe sorrir. E é por ela que me cuido, que faço autoexame e exames de rotina. É preciso estarmos atentas, conhecermos nossos corpos, nos cuidarmos. O mundo precisa de nós vivas e saudáveis.
Mais informações essenciais sobre o câncer de mama:
O autoexame é uma das formas mais comuns de descobrir alterações nas mamas. Além de simples e indolor, o autoexame permite à mulher conhecer melhor seu próprio corpo e observar possíveis mudanças. Ele deve ser realizado todo mês, regularmente, logo após a menstruação. Para as mulheres que não menstruam mais, pode ser feito num mesmo dia de cada mês, por exemplo, todo dia 15. É importante ressaltar que o autoexame não basta para diagnosticar tumores. Para isso existem outros exames como ultrassonografia das mamas e mamografia.
Mulheres a partir dos 40 anos devem realizar mamografia anualmente. Para mulheres como eu, com histórico na família, o que traz um risco elevado, a mamografia deve ser anual a partir dos 35 anos de idade.
O câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata mulheres ao redor do mundo. Segundo a Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer, 14,7% dos casos de morte por câncer em 2012 eram de pacientes com câncer de mama.
O câncer de mama também acomete homens, mas em um número muito menor: cerca de 1% dos casos de câncer de mama são diagnosticados em homens. Por isso as campanhas do Outubro Rosa são majoritariamente voltadas para as mulheres.
Se descoberto em fase inicial, as chances de cura são de quase 95%. Segundo uma pesquisa realizado pelo Inca com 12.847 pacientes (2000 a 2009), a sobrevida em cinco anos, de acordo com o estágio da doença no início do tratamento, foi de: 88,3% (estágio I), 78,5% (estágio II), 43% (estágio III) e 7,9% (estágio IV).
O tratamento de câncer é obrigatório e, segundo a Lei 12.732 de 2012, o tratamento contra o câncer no Sistema Único de Saúde (SUS) deve começar em até 60 dias após o diagnóstico. Vale para todos os tipos de câncer, incluindo o câncer de mama. Mas a realidade é um tanto diferente, segundo o Ministério da Saúde, a fila de espera por uma radioterapia pode chegar a 120 dias.
Outros sites importantes com conteúdo confiável sobre câncer de mama:
Fundação Laço Rosa: Após um diagnóstico de câncer de mama durante a gestação, em 2007, Aline Lopes iniciou uma batalha contra a doença, passando por uma mastectomia radical e uma sessão quimioterapia, ainda grávida. Aline, junto com as irmãs Marcelle e Andréa, decidiram ajudar e orientar pessoas com o câncer de mama e assim nasceu, em 2010, a Fundação Laço Rosa. Uma organização sem fins lucrativos que divulga a causa do câncer de mama e trabalha na articulação de políticas públicas para o enfrentamento da doença.
Instituto Oncoguia: A ONG Instituto Oncoguia foi fundada em 2009 por um grupo de profissionais de saúde e ex-pacientes de câncer, liderados pela psico-oncologista Luciana Holtz de C. Barros. Dessa união nasceu uma associação sem fins lucrativos, criada e idealizada com o objetivo de ajudar o paciente com câncer a viver melhor por meio de projetos e ações de informação de qualidade, educação em saúde, apoio e orientação ao paciente, defesa de direitos e advocacia.
INCA: O Instituto Nacional de Câncer (INCA) é o órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento e coordenação das ações integradas para a prevenção e o controle do câncer no Brasil. Essas ações compreendem a assistência médico-hospitalar, prestada direta e gratuitamente aos pacientes com câncer como parte dos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde, e a atuação em áreas estratégicas, como prevenção e detecção precoce, formação de profissionais especializados, desenvolvimento da pesquisa e geração de informação epidemiológica.
Em dezembro de 2008, recebi uma ligação das minhas irmãs: minha mãe estava com algo estranho no seio esquerdo, vamos investigar. O ano de 2009 foi uma verdadeira avalanche de sentimentos e atitudes. Aos poucos íamos descobrindo a gravidade da situação da minha mãe. Os exames não eram nada positivos. A sombra do câncer de mama pairava sobre a minha família, sobre o nosso dia a dia, sobre a nossa genética. Minha família é uma modesta família do interior, pai e mãe funcionários públicos, por isso corremos atrás de atendimento no SUS e foi assim que nossa saga se iniciou.
Sou a filha mais nova de uma família de três irmãs. Eu, minha mãe e minhas irmãs construímos, ao longo de nossas vidas, uma relação de sobrevivência. Muito pela condição sempre justa de grana, pela vida no interior, pelos laços silenciosos construídos entre mulheres. Minha mãe, sempre uma fortaleza. De palavras certeiras e gestos curtos, ela guiou o nosso lar com toda a força que uma mãe do interior pode ter. Ver minha mãe frágil não foi algo fácil. Encarar a fragilidade das matriarcas, sempre fortes, não é algo fácil a se fazer.
Mas é algo que deve ser encarado. Seguimos em meio a exames, filas de espera e desesperanças. Como todos vocês sabem, nosso sistema de saúde não é local de esperanças, mas sim de força e resistência. A cada negativa que recebíamos (sim, recebemos muitas negativas de tratamento), seguíamos adiante para bater em uma próxima porta. Assim seguimos por alguns meses até o diagnóstico. De fato, era câncer de mama, em estágio avançado.
É impressionante o poder que uma doença tem em relação a uma família. Ter nas mãos aquele resultado positivo para câncer de mama nos mostrou o quanto ainda poderíamos nos unir mais e mais. Quando se descobre um diagnóstico desse, por mais que o desespero seja logo a primeira opção, o instinto de sobrevivência é ativo em modo turbo, é preciso lutar.
O câncer de mama é o câncer que mais acomete mulheres em todo o mundo, sendo responsável por 22% dos casos. Segundo a Estimativa sobre Incidência de Câncer no Brasil, produzida pelo Inca, o Brasil terá 57.960 novos casos de câncer mama a cada ano. Mais comum em mulheres acima de 40 anos, 66,2% dos casos de câncer de mama são descobertos pelas próprias pacientes ao notarem alterações na mama, segundo o Inca. Estes dados reforçam a importância do autoexame além de sabermos que, se descoberto em estágio inicial, as chances de cura para o câncer de mama podem chegar a 95%.
Minha mãe seguiu o tratamento pelo Hospital Federal do Andaraí. Por lá fez quimioterapia, cirurgia, acompanhamento médico e psicológico. Mesmo em meio a elevadores quebrados, falta de seringas e gases, os médicos lutam pela sobrevivência tanto quanto seus pacientes.
Foi lá que descobrimos a ABRAPAC – Associação Brasileira de Apoio aos Pacientes com Câncer – que disponibiliza próteses e perucas gratuitas para mulheres portadoras e sobreviventes do câncer de mama. Há também iniciativas internas, dentro do próprio hospital, em prol da beleza da mulher durante o tratamento de câncer. A autoestima é bombardeada junto com o câncer: os cabelos caem, o corpo emagrece, a pele sente. Minha mãe recusou as perucas e abraçou como pode suas boinas, tão estilosas.
A verdade é que durante todo meu ano de 2009 vivemos horas de angústia e de muita persistência. No dia de sua cirurgia, uma mastectomia total, depois de ter seguido forte por meses, desabei ao lado da minha irmã, sentada em um meio fio, esperando notícias. Mas é preciso sofrer um tanto também, é preciso absorver tudo o que vier, a força também vem daí.
A certeza de que a genética não me reserva boas notícias me tornou uma mulher mais consciente, mas meu desejo é que ninguém precise encarar de frente a doença para se conscientizar. Hoje, sete anos depois, minha mãe foi considerada curada. Mas a memória de filas de espera, cabelos caindo, boinas de todas as cores e dezenas de pontos, me acompanha todos os dias em que vejo minha mãe sorrir. E é por ela que me cuido, que faço autoexame e exames de rotina. É preciso estarmos atentas, conhecermos nossos corpos, nos cuidarmos. O mundo precisa de nós vivas e saudáveis.
Mais informações essenciais sobre o câncer de mama:
O autoexame é uma das formas mais comuns de descobrir alterações nas mamas. Além de simples e indolor, o autoexame permite à mulher conhecer melhor seu próprio corpo e observar possíveis mudanças. Ele deve ser realizado todo mês, regularmente, logo após a menstruação. Para as mulheres que não menstruam mais, pode ser feito num mesmo dia de cada mês, por exemplo, todo dia 15. É importante ressaltar que o autoexame não basta para diagnosticar tumores. Para isso existem outros exames como ultrassonografia das mamas e mamografia.
Mulheres a partir dos 40 anos devem realizar mamografia anualmente. Para mulheres como eu, com histórico na família, o que traz um risco elevado, a mamografia deve ser anual a partir dos 35 anos de idade.
O câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata mulheres ao redor do mundo. Segundo a Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer, 14,7% dos casos de morte por câncer em 2012 eram de pacientes com câncer de mama.
O câncer de mama também acomete homens, mas em um número muito menor: cerca de 1% dos casos de câncer de mama são diagnosticados em homens. Por isso as campanhas do Outubro Rosa são majoritariamente voltadas para as mulheres.
Se descoberto em fase inicial, as chances de cura são de quase 95%. Segundo uma pesquisa realizado pelo Inca com 12.847 pacientes (2000 a 2009), a sobrevida em cinco anos, de acordo com o estágio da doença no início do tratamento, foi de: 88,3% (estágio I), 78,5% (estágio II), 43% (estágio III) e 7,9% (estágio IV).
O tratamento de câncer é obrigatório e, segundo a Lei 12.732 de 2012, o tratamento contra o câncer no Sistema Único de Saúde (SUS) deve começar em até 60 dias após o diagnóstico. Vale para todos os tipos de câncer, incluindo o câncer de mama. Mas a realidade é um tanto diferente, segundo o Ministério da Saúde, a fila de espera por uma radioterapia pode chegar a 120 dias.
Outros sites importantes com conteúdo confiável sobre câncer de mama:
Fundação Laço Rosa: Após um diagnóstico de câncer de mama durante a gestação, em 2007, Aline Lopes iniciou uma batalha contra a doença, passando por uma mastectomia radical e uma sessão quimioterapia, ainda grávida. Aline, junto com as irmãs Marcelle e Andréa, decidiram ajudar e orientar pessoas com o câncer de mama e assim nasceu, em 2010, a Fundação Laço Rosa. Uma organização sem fins lucrativos que divulga a causa do câncer de mama e trabalha na articulação de políticas públicas para o enfrentamento da doença.
Instituto Oncoguia: A ONG Instituto Oncoguia foi fundada em 2009 por um grupo de profissionais de saúde e ex-pacientes de câncer, liderados pela psico-oncologista Luciana Holtz de C. Barros. Dessa união nasceu uma associação sem fins lucrativos, criada e idealizada com o objetivo de ajudar o paciente com câncer a viver melhor por meio de projetos e ações de informação de qualidade, educação em saúde, apoio e orientação ao paciente, defesa de direitos e advocacia.
INCA: O Instituto Nacional de Câncer (INCA) é o órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento e coordenação das ações integradas para a prevenção e o controle do câncer no Brasil. Essas ações compreendem a assistência médico-hospitalar, prestada direta e gratuitamente aos pacientes com câncer como parte dos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde, e a atuação em áreas estratégicas, como prevenção e detecção precoce, formação de profissionais especializados, desenvolvimento da pesquisa e geração de informação epidemiológica.
Sempre fui adepta a não saber muita coisa sobre os autores dos livros que lia. Mesmo depois de entrar para a Faculdade de Letras e isso se tornar, de certa forma, imprescindível, nunca me apeguei o suficiente a datas, histórias, nomes, escalas sociais nas quais os autores estavam inseridos. Sei que essas informações influenciam totalmente um texto, que a história por trás do autor é o principal background para um romance e até mesmo para uma poesia, mas o mistério em volta de um autor sempre me seduziu mais.
Conheço pessoas curiosas, que se jogam na vida do autor, leem biografias, fofocas, dados, buscam fotos. Mas essa pessoa, definitivamente, não sou eu. Já li autoras achando que eram autores, já li poesias sem saber quem havia escrito. Beira um prazer esse véu que cobre os meus livros. E foi nesse clima que li o primeiro livro da escritora Elena Ferrante, A amiga genial. Eu não sabia nada sobre a autora, apenas que sua escrita era maravilhosa e que o livro fazia parte de uma tetralogia. SPOILER: Mal sabia eu que não haveria nada para saber.
Eu, que adoro o suspense do próximo volume, me joguei inteira no livro. Foi inevitável me apaixonar. Elena Ferrante escreve de maneira reta e direta, sem rodeios, mas, ao mesmo tempo, imersa em um mar de sentimentos inexplicáveis. Fui lendo e sendo imersa em uma rotina italiana, pobre, marginal e interiorana. Era como ler o dia a dia de outro lugar, um lugar onde eu mesma poderia ter vivido de tão intensa que é a maneira como Elena descreve cada situação e sentimento despertado na trama.
A tetralogia ficou conhecida como Série Napolitana. O primeiro volume, A amiga genial, se passa em uma vizinhança pobre de Nápoles em 1950. A ambientação me fez lembrar do subúrbio carioca e seus estigmas, o que me prendeu ainda mais a essa narrativa. A história relata a amizade entre duas meninas extremamente diferentes uma da outra, Lila e Lenu, mas que sentem uma intensa amizade, muitas vezes até dolorida. Quem cumpre o papel de narradora no livro é Elena Greco, a Lenu, personagem homônima à autora, que fez com que muitas pessoas cogitassem que o livro fosse uma autobiografia.
–Obrigada, mas a certa altura a escola termina.”
–Não para você: você é minha amiga genial, precisa se tornar a melhor de todos, homens e mulheres.
>> A amiga genial.
Mas é aí que mora o mistério que fez com que me apaixonasse ainda mais pela história e por Elena Ferrante: há mais de 20 anos o mercado literário agoniza com o total mistério que paira sobre a autora. Elena Ferrante nada mais é que um pseudônimo de uma escritora italiana que jamais revelou seu rosto e seu nome verdadeiro. Diversas foram as buscas e hipóteses. A última delas é que Elena Ferrante seria uma professora italiana chamada Marcella Marmo. Mas a professora jura de pés juntos que não se trata dela. Sendo assim, para a minha felicidade, o mistério continua.
Pareceu-me – formulado com as palavras de hoje – que não apenas sabia dizer bem as coisas, mas que estivesse desenvolvendo um dom que eu já conhecia: melhor do que fazia quando menina, tomava os fatos e os transformava com naturalidade em eventos cheios de tensão; reforçava a realidade enquanto a reduzia em palavras, injetava-lhes energia.
>> A amiga genial.
Quando saí daquele estado de dormência que o livro me causou, resolvi buscar algumas informações sobre a autora e foi quando soube de toda essa história que a cerca. Mais um motivo para mergulhar nisso tudo, Elena Ferrante não só escreveu uma linda história com altas doses de suspense como também transformou sua própria vida em uma história digna de perder horas a fio fazendo pesquisas. Em uma entrevista, Elena soltou uma frase que aqueceu meu coração: “O romance não precisa de seu autor depois de escrito”. Essa defesa que a autora faz de seu anonimato resume muito a minha ideia de que não preciso ter informações sobre o autor, de que o texto é uma obra independente.
Havia algo de insustentável nas coisas, nas pessoas, nos prédios, nas ruas, que somente reinventando tudo, como num jogo, se tornava aceitável.
– A amiga genial.
Além disso, Elena Ferrante também traz à tona o tópico literatura feminina. A autora diz já ter se preocupado com o fato de ser mulher e confessa ter acreditado que para escrever era necessário escrever como um homem. Foi só após conhecer o feminismo e grandes autoras mulheres que ela encontrou sua forma de escrever: livre do estigma machista da verdadeira literatura, aquela escrita por homens. E esse é mais um dos motivos do porquê devemos ler mais e mais mulheres, para que a força dessas grandes autoras traga ainda mais ânimo para nós, pequenas leitoras (e às vezes escritoras também).
O segundo livro da Série Napolitana, A história do novo sobrenome, acaba de ser lançado no Brasil e já estou louca para ler. Você pode encontrar os dois volumes na Amazon. Eles foram lançados pela lindinha Biblioteca Azul, numa edição simples, mas muito poderosa.
Leiam Elena Ferrante, meninas, uma mulher apenas misteriosíssima assim merece um espaço na sua estante!
Mas é algo que deve ser encarado. Seguimos em meio a exames, filas de espera e desesperanças. Como todos vocês sabem, nosso sistema de saúde não é local de esperanças, mas sim de força e resistência. A cada negativa que recebíamos (sim, recebemos muitas negativas de tratamento), seguíamos adiante para bater em uma próxima porta. Assim seguimos por alguns meses até o diagnóstico. De fato, era câncer de mama, em estágio avançado.
É impressionante o poder que uma doença tem em relação a uma família. Ter nas mãos aquele resultado positivo para câncer de mama nos mostrou o quanto ainda poderíamos nos unir mais e mais. Quando se descobre um diagnóstico desse, por mais que o desespero seja logo a primeira opção, o instinto de sobrevivência é ativo em modo turbo, é preciso lutar.
O câncer de mama é o câncer que mais acomete mulheres em todo o mundo, sendo responsável por 22% dos casos. Segundo a Estimativa sobre Incidência de Câncer no Brasil, produzida pelo Inca, o Brasil terá 57.960 novos casos de câncer mama a cada ano. Mais comum em mulheres acima de 40 anos, 66,2% dos casos de câncer de mama são descobertos pelas próprias pacientes ao notarem alterações na mama, segundo o Inca. Estes dados reforçam a importância do autoexame além de sabermos que, se descoberto em estágio inicial, as chances de cura para o câncer de mama podem chegar a 95%.
Minha mãe seguiu o tratamento pelo Hospital Federal do Andaraí. Por lá fez quimioterapia, cirurgia, acompanhamento médico e psicológico. Mesmo em meio a elevadores quebrados, falta de seringas e gases, os médicos lutam pela sobrevivência tanto quanto seus pacientes.
Foi lá que descobrimos a ABRAPAC – Associação Brasileira de Apoio aos Pacientes com Câncer – que disponibiliza próteses e perucas gratuitas para mulheres portadoras e sobreviventes do câncer de mama. Há também iniciativas internas, dentro do próprio hospital, em prol da beleza da mulher durante o tratamento de câncer. A autoestima é bombardeada junto com o câncer: os cabelos caem, o corpo emagrece, a pele sente. Minha mãe recusou as perucas e abraçou como pode suas boinas, tão estilosas.
A verdade é que durante todo meu ano de 2009 vivemos horas de angústia e de muita persistência. No dia de sua cirurgia, uma mastectomia total, depois de ter seguido forte por meses, desabei ao lado da minha irmã, sentada em um meio fio, esperando notícias. Mas é preciso sofrer um tanto também, é preciso absorver tudo o que vier, a força também vem daí.
A certeza de que a genética não me reserva boas notícias me tornou uma mulher mais consciente, mas meu desejo é que ninguém precise encarar de frente a doença para se conscientizar. Hoje, sete anos depois, minha mãe foi considerada curada. Mas a memória de filas de espera, cabelos caindo, boinas de todas as cores e dezenas de pontos, me acompanha todos os dias em que vejo minha mãe sorrir. E é por ela que me cuido, que faço autoexame e exames de rotina. É preciso estarmos atentas, conhecermos nossos corpos, nos cuidarmos. O mundo precisa de nós vivas e saudáveis.
Mais informações essenciais sobre o câncer de mama:
O autoexame é uma das formas mais comuns de descobrir alterações nas mamas. Além de simples e indolor, o autoexame permite à mulher conhecer melhor seu próprio corpo e observar possíveis mudanças. Ele deve ser realizado todo mês, regularmente, logo após a menstruação. Para as mulheres que não menstruam mais, pode ser feito num mesmo dia de cada mês, por exemplo, todo dia 15. É importante ressaltar que o autoexame não basta para diagnosticar tumores. Para isso existem outros exames como ultrassonografia das mamas e mamografia.
Mulheres a partir dos 40 anos devem realizar mamografia anualmente. Para mulheres como eu, com histórico na família, o que traz um risco elevado, a mamografia deve ser anual a partir dos 35 anos de idade.
O câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata mulheres ao redor do mundo. Segundo a Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer, 14,7% dos casos de morte por câncer em 2012 eram de pacientes com câncer de mama.
O câncer de mama também acomete homens, mas em um número muito menor: cerca de 1% dos casos de câncer de mama são diagnosticados em homens. Por isso as campanhas do Outubro Rosa são majoritariamente voltadas para as mulheres.
Se descoberto em fase inicial, as chances de cura são de quase 95%. Segundo uma pesquisa realizado pelo Inca com 12.847 pacientes (2000 a 2009), a sobrevida em cinco anos, de acordo com o estágio da doença no início do tratamento, foi de: 88,3% (estágio I), 78,5% (estágio II), 43% (estágio III) e 7,9% (estágio IV).
O tratamento de câncer é obrigatório e, segundo a Lei 12.732 de 2012, o tratamento contra o câncer no Sistema Único de Saúde (SUS) deve começar em até 60 dias após o diagnóstico. Vale para todos os tipos de câncer, incluindo o câncer de mama. Mas a realidade é um tanto diferente, segundo o Ministério da Saúde, a fila de espera por uma radioterapia pode chegar a 120 dias.
Outros sites importantes com conteúdo confiável sobre câncer de mama:
Fundação Laço Rosa: Após um diagnóstico de câncer de mama durante a gestação, em 2007, Aline Lopes iniciou uma batalha contra a doença, passando por uma mastectomia radical e uma sessão quimioterapia, ainda grávida. Aline, junto com as irmãs Marcelle e Andréa, decidiram ajudar e orientar pessoas com o câncer de mama e assim nasceu, em 2010, a Fundação Laço Rosa. Uma organização sem fins lucrativos que divulga a causa do câncer de mama e trabalha na articulação de políticas públicas para o enfrentamento da doença.
Instituto Oncoguia: A ONG Instituto Oncoguia foi fundada em 2009 por um grupo de profissionais de saúde e ex-pacientes de câncer, liderados pela psico-oncologista Luciana Holtz de C. Barros. Dessa união nasceu uma associação sem fins lucrativos, criada e idealizada com o objetivo de ajudar o paciente com câncer a viver melhor por meio de projetos e ações de informação de qualidade, educação em saúde, apoio e orientação ao paciente, defesa de direitos e advocacia.
INCA: O Instituto Nacional de Câncer (INCA) é o órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento e coordenação das ações integradas para a prevenção e o controle do câncer no Brasil. Essas ações compreendem a assistência médico-hospitalar, prestada direta e gratuitamente aos pacientes com câncer como parte dos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde, e a atuação em áreas estratégicas, como prevenção e detecção precoce, formação de profissionais especializados, desenvolvimento da pesquisa e geração de informação epidemiológica.