Rainha da Su Casa: A Chegada

 
[infobox maintitle="Não-blog sobre viver no exterior" subtitle="O RAINHA DA SU CASA é uma série de posts sobre a experiência de ir morar no exterior com cachorro, gatos, namorado e tudo mais. Clique aqui para ler os posts anteriores!" bg="purple" color="black" opacity="on" space="30" link="http://ovelhamag.com/author/barbarella/"]  
Para quem acompanhou a saga da saída do Brasil para a Espanha e todo o rolê que foi para viajar com minhas mascotas, agora vem a parte 2!

Saímos de Madri no dia 23 (de dezembro) de manhã, alugamos um carro giga, tipo daqueles Doblôs, mas não era um Doblô, sou ruim pra nomes de carros dessa catiguria. Botamos a tralha e a bicharada toda dentro do carro e fomos em direção ao Sul.

Na estrada, encontramos duas opções, a primeira era com pedágio e a outra sem. Há placas avisando, achei isso bem interessante. Tô numa idade que ainda não consigo me imaginar escolhendo pagar um pedágio, mas imagino que a estrada deva ser excelente, com menos movimento e mais rápida (mais curta e/ou com o limite de velocidade maior).

Já estávamos umas 4 horas no carro, morrendo de fome, paramos em qualquer quebrada pra comer porque já estávamos ~ no limite ~. Chamava ~ Rincón del Pepe, haha. Pedimos uma sopa de alho e uma salada porque era a única coisa no cardápio que não tinha carne, nós somos vegetarianos. Bicho, a sopa de alho veio cheia de galinha desfiada, maior nojão, mesmo eu pensando na Bárbara de antes que comia carne, sopa de alho com galinha não é uma parada apetitosa! E era horrível, cara, tinha um aspecto totalmente gore (sangue boiando, juro)! A salada veio com atum mas foi mais fácil se livrar dele.

[caption id="attachment_10555" align="aligncenter" width="500"]giphy quando a sopinha chegou be like HAHAHA (malz galera, amo filme gore)[/caption]

Depois de 6 horas de carro, chegamos na casinha. Como chegamos já anoitecendo (no inverno os dias são mais curtos), deixamos as tralhas e a bicharada dentro de casa e fomos fazer um micro supermercado, afinal, estávamos morrendo de fome.

Acontece que a gente ainda era virjão da região e fomos fazer supermercado em Almería que fica a 40km daqui. RISOS. Mas tudo bem, é onde tem supermercado grande e barato, o (já de casa) Carrefour. Não me lembro bem, acho que a gente não comprou muitas coisas, mais o básico mermo, papel higiênico e umas coisas pra comer pra 3 dias. Ah, e água, aqui a água da bica não é potável (nada que a gente já não estivesse acostumados).

[caption id="attachment_10458" align="aligncenter" width="450"]presillas uma voltinha rápida pelas Presillas Bajas (com direito a um dedo meu em uma das fotos risos)[/caption]

No dia seguinte acordamos e vimos o estrago que estava o quintalzim da casa. Como a miga do meu pai passa duas semanas por ano aqui, o bagulho tava tenso, muito sujo, muito bichinho morto (conchinilla, aprendi depois), muita planta. Mas eu ainda tinha que devolver o carro no aeroporto de Almería. Como o Madiba ficou meio bolado de ter ficado sozinho no dia anterior que fomos ao supermercado, Ivan ficou com ele e eu fui fazer a missão.

[caption id="attachment_10453" align="alignright" width="225"]Captura de pantalla 2016-04-15 a las 15.45.37 apelidado: dr. bostinha (hahaha)[/caption]

O lance é, aqui é uma zona rural, não há transporte bom nem perto. Deixei o carro no aeroporto (DE HAVAINAS E FUI MUITO JULGADA POIS FAZIA 13 GRAUS MAS EU NÃO ME LIGUEI POIS CARIOCA), fui pro ponto de ônibus, tive que ir pra cidade de Almería, 15km negativamente. Chegando lá na estação de ônibus e trem, tive que pegar um ônibus de volta pra minha região. O ponto mais próximo da casa fica a mais ou menos 5km da pequena aldeia que nós estamos. Na verdade fica em outro povoado “bem maior” chamado Pozo de Los Frailes. Ou seja, mais uma hora de ônibus e mais 5km a pé de Havaianas, as legítimas, risos.

Quando cheguei na casa, depois de umas 4 horas, Ivan já tinha limpado o quintal e uma das casas. A amiga do meu pai passaria uma semana aqui com amigos franceses e essa semana foi ótima. Ela nos ensinou as manhas da casa, da região e na real ela é uma das pessoas mais legais que eu conheci nos últimos tempos. Não por ter emprestado a casa, mas por ser uma mulher foda, diretora de um museu, ela parece estar no controle das coisas, nenhuma treta pode ser muito grande pra ela, saca?

O Reveião passou e não fizemos nada. Ivan estava ruim da barriga, só estouramos uma Cereser vendo as estrelas maravilhosas e até ouvimos fogos distantes. Cozinhei uma lentilha para a gente comer. Já que 2015 tinha sido tão pesado, foi no famoso: VAI Q.

[caption id="attachment_10441" align="aligncenter" width="559"]gif_1 moramos no deserto, lindão, né? na primeira foto dá pra ver um pedacinho do mar e na terceira, nossa “””cidade””” fica no pé da montanha, na esquerda, dá pra ver um pouquim![/caption]

Antes de ir embora, a amiga do meu pai nos levou pra fazer um super supermercado lá no Carrefour da cidade. O supermercado mais próximo que temos fica a 1km, MAS é um supermercadinho de um camping, tem bastante coisa até mas não tem comida de gato/cachorro, por exemplo. Não tem também coisas frescas, legumes e verduras, é um supermercado que dá pra tapar buracos mas é tudo bem mais caro também. O supermercado um pouco maior e mais perto, fica a 8km, na cidade de San Jose. Em Almería há dois hipermercados, o famoso Carrefour e o Al Campo, que fica dentro do único shopping da cidade, o Centro Comercial Mediterráneo.

Cara, falar ~ supermercadinho de um camping ~, é como se eu estivesse traindo o Camping Los Escullos. Na moral, se não fosse por esse camping, a gente não estaria indo pro nosso quinto mês aqui. É um complexo turístico de primeira categoria, eles se auto intitulam assim, haha AMO. Vou fazer propaganda sim porque amo e PORQUE TEM INTERNET BOA.

[caption id="attachment_10456" align="aligncenter" width="558"]losescullos só um pouco da maravilha que é esse lugar <3[/caption]

Eu e Ivan queríamos fazer um curso de espanhol que é bem baratinho na Universidade de Almería, 150€ por 6 meses de curso. A amiga do meu pai já havia nos falado: é praticamente impossível viver nas Presillas sem ter um carro. Eu e Ivan não acreditamos muito nisso na hora. “Tem um ponto de ônibus a 5km, dá pra fazer, na moral”, assim a gente achava.

Acontece que, a gente descobriu a frequência dos ônibus. Passa às 7h, às 11h e às 15h, só, hahahaha. O curso começava às 10h, o que quer dizer que a gente precisaria acordar 5:30h, o que não teria problema algum se não estivesse de noite e tivéssemos que andar 5km pela estrada escura até o ponto de ônibus. Sem contar que deveria estar fazendo uns 9 graus essa hora, com vento, a sensação deveria ser ainda menor.

Caso a gente resolvesse enfrentar isso, chegaríamos no ponto de ônibus, tomaríamos o busão às 7h, chegaríamos em Almería às 8h (ainda de noite porque no inverno demora a amanhecer), pegaríamos um ônibus normal até a universidade (voltando mais 15km), chegaríamos na universidade umas 9h, esperaríamos uma hora pra fazer o curso, sairíamos 13h da universidade, voltaríamos pra Almería e agora só tería ônibus pra voltar às 18h, ou seja, às 19h, quando chegássemos no nosso ponto, teríamos que voltar andando 5km no escuro, pela estrada, vento e frio tudo de novo. :(

[caption id="attachment_10556" align="aligncenter" width="600"]aqui muito frio mas nada como duas gatinhas pra esquentar, prrprrprr[/caption]

Então, depois dessa dramática explicação, antes de desistirmos, e o curso começava somente no meio de fevereiro, nós fomos tentar comprar um carro. CALMA, aqui compra-se um carro usado numa boa até mil euros. Mas te dizer que rola comprar um carro zero aqui por 5 mil euros. Pensando em dinheiros (sem conversão), aqui o salário médio de geral são mil euros, bem mais acessível comprar um carro por aqui.

Começou então a nossa saga para achar um carro usado, sem ter internet em casa, sem ter transporte e com dinheiro (bem) limitado. Valha-me Deusa.

Mais de Bárbara Gondar

A Síndrome do Pânico e Eu

Achei necessário escrever um texto sobre minha experiência com essa crise de ansiedade que tem assolado muitas pessoas. Muitos amigos vêm me perguntar sobre ela, apelidei ‘carinhosamente’ de orgasmo do terror. Porque chega devagar, tem um ápice horroso e quando acaba te deixa esgotadx. Mas vamos lá, é terror sem susto, prometo. Haha!

Há três anos e meio, tomei uma grande decisão, me mudaria de volta para a cidade em que nasci depois de viver 16 anos em São Paulo. Havia tomado uma outra grande decisão, sair do mercado da publicidade de vez, mercado esse que me deixava extremamente estressada, frustrada, desmotivada com a vida, seres humanos, futuro, passado, fauna e flora (tema pra outro texto).

 

 
Cheguei então no Rio de Janeiro (uhúuuu), eu e meu namorado decidimos morar juntos e eu fui trabalhar num albergue pra dar uma desintoxicada da publicidade. Seis meses depois, arranjei alguns clientes e fiquei trabalhando como designer freelancer, mas como eu havia pegado coisas que pagavam pouco de muita gente, eu trabalhava muito, muito mesmo, e não tinha tempo pra mais nada, comia mal, dormia mal, o aluguel era muito alto e eu ia dormir fazendo contas.

 

 
Um belo dia, eu estava me sentindo super estranha na frente do computador, mas continuei trabalhando normal, o Ivan (meu companheiro) me chamou pra comer alguma coisa na lanchonete que tinha embaixo do nosso prédio e lá fomos nós. Assim que eu dei a última mordida no meu sanduíche, bateu uma sensação muito forte de que eu fosse desmaiar, começou um formigamento nas mãos, nos pés, taquicardia, eu coloquei sal na boca achando que fosse pressão baixa, uma tremedeira que não passava, levantei, joguei água no rosto e não passava, era uma sensação de que eu ir ter um treco, um desmaio, um derrame, uma sensação horrorosa da qual eu fui tomada por medo, muito medo.

 

 
Ivan perguntou se eu queria ir pro hospital e eu disse que sim, achei que eu pudesse estar tendo um pré-ataque-de-alguma-coisa que eu não sabia explicar. Minha sogra demorou um pouco, mas acabou nos levando num hospital que eu era segurada na época. Fui atendida por uma médica super simpática que mediu minha pressão e disse que todos os sinais vitais estavam perfeitos, não havia com o que eu me preocupar. Eu pensei estar ficando maluca, saí do hospital e cheguei em casa num estado completamente esgotado, de como se o corpo tivesse ficado tão tenso por um tempo que agora eu não tinha forças pra mais nada. Resolvi não contar nada pro meu pai porque ele ainda morava e mora em São Paulo, eu não queria deixar ele alarmado com alguma coisa que não tinha nem nome ainda!

 

 
Os dias seguintes foram de um pouco de medo, medo de não saber o que tinha acontecido, medo de acontecer de novo, de não saber o porquê tinha acontecido, mas os dias foram passando e eu voltei normalmente à minha rotina ~ da pesada. Na semana seguinte a esse episódio, eu comecei a me sentir estranha da mesma forma que eu tinha estado no dia do primeiro piripaque, essa sensação é difícil de expor, é uma sensação da qual parece que você está desconfortável dentro de você mesma, tem alguma coisa de errado e você sabe. Eu estava trabalhando na frente do computador quando e comecei a sentir a sensação chegando, achei melhor então interromper e ir dormir (já era tarde, na madruga boladona). Desliguei o computador, escovei os dentes e deitei.

 

 

Perguntei pro Ivan: “Amor, você sabe o número do SAMU? É 192, tá? Caso aconteça alguma coisa comigo.”

 
Eu não queria assustar ele, mas como eu senti a parada chegando e já era tarde, achei melhor avisar. Acho que não deu nem 5 segundos depois que eu fiz a pergunta e um novo piripaque começou. Foi bem intenso, eu pedia socorro, achava que ia morrer, as mãos e os pés estavam novamente formigando e suando a taquicardia muito forte, a cabeça parecia que ia explodir, e eu não desmaiava, meu corpo não desligava, eu não sabia o que estava acontecendo, Ivan ficou desesperado sem saber muito o que fazer. E lá fomos nós para o hospital mais uma vez. Dessa vez fui atendida por um homem que estava um pouco impaciente (pregs), era de madrugada, viu meus sinais vitais e me disse que estavam perfeitos e queria me dar um calmante, mas eu não estava nervosa, fiquei ofendida e quis voltar pra casa. Mais uma vez, a sensação de desgate completo, exaustão.
 

Eu estava com medo. Eu queria um diagnóstico e não um remédio pra dormir.

 

giphy (6)
 
Resolvi então ligar para o meu pai para dizer que alguma coisa estava acontecendo e eu não sabia o que era. Já tinham acontecido dois piripaques comigo e pelo visto eu tinha alguma coisa que não sabia o que era. Achei que eu pudesse chegar com um diagnóstico, mas infelizmente não tinha nenhum. Liguei e abri o jogo, contei o que tinha acontecido, contei que já tinha acontecido antes quando meu pai, após uma pausa dramática me falou:
 

“Filha, o que você tem é Síndrome do Pânico, convivo com isso desde os meus 28 anos. Estou indo para o Rio agora para te ajudar, mas fique tranquila que é possível viver numa boa com isso, eu vou te ajudar a passar por isso.”

 

 
Me senti uma completa ignorante. Como meu pai tem isso desde antes de eu nascer e eu não tinha ideia do que era ou melhor, de como era? Eu tinha uma imagem na minha cabeça dessa Síndrome de que era uma pessoa que tinha medo de sair de casa, que ficasse num canto com medo, eu não sabia que era assim! Quanta falta de informação, imagina quanta coisa a gente pinta na nossa cabeça por pura ignorância. Mas porra, bota no google imagens ‘síndrome do pânico’ pra vocês verem o que aparece! Hahaha.

 

 
Meu pai chegou no Rio e me confortou muito, me ensinou algumas técnicas de respiração para interromper a evolução do piripaque, que agora eu chamava de crise, me falou da importância de começar a fazer terapia, de ir a um médico pra saber de eu precisaria tomar remédios ou não. Me deixou tranquila, disse que no começo seria difícil mas que as coisas iriam se normalizar. E se normalizaram mesmo.

 
giphy (3)
 
☻ Não há um perfil exato de pessoas com pânico, não tem um porquê exato dele se manifestar, podem ser muitos fatores, traumas, estresse, mudanças bruscas, situações, é muito importante procurar tratamento, fazer terapia, pra que possamos entender a causa das crises e aprender a lidar melhor com isso.

 
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☻ O nosso corpo tem muitas válvulas de escape, nós somatizamos, nós temos gastrites nervosas e temos crises de ansiedade. A Síndrome do Pânico nada mais é quando o nosso corpo vai acumulando adrenalina e de repente tem uma descarga muito forte dela, seja onde você estiver. É como se naturalmente fossemos acumulando um copinho de adrenalina no cérebro e a crise é quando esse copinho entorna e vaza. Quando isso acontece, os sintomas são de morte iminente, sudorese, palpitações, taquicardia, pressão na cabeça, falta de ar, tontura, náusea, formigamento, tremedeira, etc. :( Basicamente você acha que vai ter um treco. Acha não, você tem certeza de que vai ter um treco.

 

 
☻ O esgotamento que sentimos depois das crises é por causa da tensão em que o corpo se mantém durante, é um exercício físico e mental muito pesado.

☻  Meu pai me passou uma série de respirações que relaxam os músculos do corpo e eu consegui interromper todas as futuras crises, só experienciando o princípio da crise, isso até hoje. Resumidamente, no começo, ele pedia pra que eu deitasse no chão e respirasse em tempos, aspira em 3 tempos e expira em 6, fazendo com que mais ar saia do seu corpo. Por que no chão? Porque você consegue sentir o seu corpo tensionado e consegue concentrar onde tem que relaxar, se você está num colchão macio é mais difícil de perceber os músculos tensionados.

☻ Eu escolhi não tomar remédio porque eu pude escolher, mas por favor, não se enganem, eu consegui interromper o ciclo do medo, mas mudei completamente a minha rotina, passei a ter hora pra acordar, pra trabalhar, pra comer, comia mais saudável, parei de beber por um tempo, praticava esportes, comecei a fazer yoga e terapia. Mas ainda assim tem gente que precisa sim tomar remédio pra que isso aconteça, então por favor, vá num médico de confiança, e se não tiver um, como é o meu caso, vá em mais de um até se sentir confortável com alguém que acredite em você, te entenda e queira te ajudar.

 
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☻ Não seja duro com você mesmo, demorei mais de seis meses pra poder me sentir um pouco segura de fazer as coisas normais de novo, demora um pouco mas é de pessoa pra pessoa. Acredite que você pode ser uma pessoa completamente normal e conviver com a Síndrome. Eu ainda tenho alguns princípios de crise, mas nunca mais tive nenhuma crise. Conheço muitas pessoas que nunca mais tiveram nem princípio de crise, então acredite, podemos sair dessa! :)

 
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É isso, galeura. Coloquei muitos gifs pra tentar passar a informação de forma mais bem humorada possível mesmo sabendo que é um assunto delicado. Gosto de lidar com meus problemas dessa forma, me ajuda a tornar as experiências mais leves. Espero que essa minha experiência possa servir de ajuda pra alguém. Se ainda precisarem saber alguma coisa, podem deixar comentários que eu vou ter o maior prazer de ajudar, se for possível. Beixota. ♡

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a saga da saída do Brasil para a Espanha e todo o rolê que foi para viajar com minhas mascotas, agora vem a parte 2!

Saímos de Madri no dia 23 (de dezembro) de manhã, alugamos um carro giga, tipo daqueles Doblôs, mas não era um Doblô, sou ruim pra nomes de carros dessa catiguria. Botamos a tralha e a bicharada toda dentro do carro e fomos em direção ao Sul.

Na estrada, encontramos duas opções, a primeira era com pedágio e a outra sem. Há placas avisando, achei isso bem interessante. Tô numa idade que ainda não consigo me imaginar escolhendo pagar um pedágio, mas imagino que a estrada deva ser excelente, com menos movimento e mais rápida (mais curta e/ou com o limite de velocidade maior).

Já estávamos umas 4 horas no carro, morrendo de fome, paramos em qualquer quebrada pra comer porque já estávamos ~ no limite ~. Chamava ~ Rincón del Pepe, haha. Pedimos uma sopa de alho e uma salada porque era a única coisa no cardápio que não tinha carne, nós somos vegetarianos. Bicho, a sopa de alho veio cheia de galinha desfiada, maior nojão, mesmo eu pensando na Bárbara de antes que comia carne, sopa de alho com galinha não é uma parada apetitosa! E era horrível, cara, tinha um aspecto totalmente gore (sangue boiando, juro)! A salada veio com atum mas foi mais fácil se livrar dele.

Depois de 6 horas de carro, chegamos na casinha. Como chegamos já anoitecendo (no inverno os dias são mais curtos), deixamos as tralhas e a bicharada dentro de casa e fomos fazer um micro supermercado, afinal, estávamos morrendo de fome.

Acontece que a gente ainda era virjão da região e fomos fazer supermercado em Almería que fica a 40km daqui. RISOS. Mas tudo bem, é onde tem supermercado grande e barato, o (já de casa) Carrefour. Não me lembro bem, acho que a gente não comprou muitas coisas, mais o básico mermo, papel higiênico e umas coisas pra comer pra 3 dias. Ah, e água, aqui a água da bica não é potável (nada que a gente já não estivesse acostumados).

No dia seguinte acordamos e vimos o estrago que estava o quintalzim da casa. Como a miga do meu pai passa duas semanas por ano aqui, o bagulho tava tenso, muito sujo, muito bichinho morto (conchinilla, aprendi depois), muita planta. Mas eu ainda tinha que devolver o carro no aeroporto de Almería. Como o Madiba ficou meio bolado de ter ficado sozinho no dia anterior que fomos ao supermercado, Ivan ficou com ele e eu fui fazer a missão.

O lance é, aqui é uma zona rural, não há transporte bom nem perto. Deixei o carro no aeroporto (DE HAVAINAS E FUI MUITO JULGADA POIS FAZIA 13 GRAUS MAS EU NÃO ME LIGUEI POIS CARIOCA), fui pro ponto de ônibus, tive que ir pra cidade de Almería, 15km negativamente. Chegando lá na estação de ônibus e trem, tive que pegar um ônibus de volta pra minha região. O ponto mais próximo da casa fica a mais ou menos 5km da pequena aldeia que nós estamos. Na verdade fica em outro povoado “bem maior” chamado Pozo de Los Frailes. Ou seja, mais uma hora de ônibus e mais 5km a pé de Havaianas, as legítimas, risos.

Quando cheguei na casa, depois de umas 4 horas, Ivan já tinha limpado o quintal e uma das casas. A amiga do meu pai passaria uma semana aqui com amigos franceses e essa semana foi ótima. Ela nos ensinou as manhas da casa, da região e na real ela é uma das pessoas mais legais que eu conheci nos últimos tempos. Não por ter emprestado a casa, mas por ser uma mulher foda, diretora de um museu, ela parece estar no controle das coisas, nenhuma treta pode ser muito grande pra ela, saca?

O Reveião passou e não fizemos nada. Ivan estava ruim da barriga, só estouramos uma Cereser vendo as estrelas maravilhosas e até ouvimos fogos distantes. Cozinhei uma lentilha para a gente comer. Já que 2015 tinha sido tão pesado, foi no famoso: VAI Q.

Antes de ir embora, a amiga do meu pai nos levou pra fazer um super supermercado lá no Carrefour da cidade. O supermercado mais próximo que temos fica a 1km, MAS é um supermercadinho de um camping, tem bastante coisa até mas não tem comida de gato/cachorro, por exemplo. Não tem também coisas frescas, legumes e verduras, é um supermercado que dá pra tapar buracos mas é tudo bem mais caro também. O supermercado um pouco maior e mais perto, fica a 8km, na cidade de San Jose. Em Almería há dois hipermercados, o famoso Carrefour e o Al Campo, que fica dentro do único shopping da cidade, o Centro Comercial Mediterráneo.

Cara, falar ~ supermercadinho de um camping ~, é como se eu estivesse traindo o Camping Los Escullos. Na moral, se não fosse por esse camping, a gente não estaria indo pro nosso quinto mês aqui. É um complexo turístico de primeira categoria, eles se auto intitulam assim, haha AMO. Vou fazer propaganda sim porque amo e PORQUE TEM INTERNET BOA.

Eu e Ivan queríamos fazer um curso de espanhol que é bem baratinho na Universidade de Almería, 150€ por 6 meses de curso. A amiga do meu pai já havia nos falado: é praticamente impossível viver nas Presillas sem ter um carro. Eu e Ivan não acreditamos muito nisso na hora. “Tem um ponto de ônibus a 5km, dá pra fazer, na moral”, assim a gente achava.

Acontece que, a gente descobriu a frequência dos ônibus. Passa às 7h, às 11h e às 15h, só, hahahaha. O curso começava às 10h, o que quer dizer que a gente precisaria acordar 5:30h, o que não teria problema algum se não estivesse de noite e tivéssemos que andar 5km pela estrada escura até o ponto de ônibus. Sem contar que deveria estar fazendo uns 9 graus essa hora, com vento, a sensação deveria ser ainda menor.

Caso a gente resolvesse enfrentar isso, chegaríamos no ponto de ônibus, tomaríamos o busão às 7h, chegaríamos em Almería às 8h (ainda de noite porque no inverno demora a amanhecer), pegaríamos um ônibus normal até a universidade (voltando mais 15km), chegaríamos na universidade umas 9h, esperaríamos uma hora pra fazer o curso, sairíamos 13h da universidade, voltaríamos pra Almería e agora só tería ônibus pra voltar às 18h, ou seja, às 19h, quando chegássemos no nosso ponto, teríamos que voltar andando 5km no escuro, pela estrada, vento e frio tudo de novo. :(

Então, depois dessa dramática explicação, antes de desistirmos, e o curso começava somente no meio de fevereiro, nós fomos tentar comprar um carro. CALMA, aqui compra-se um carro usado numa boa até mil euros. Mas te dizer que rola comprar um carro zero aqui por 5 mil euros. Pensando em dinheiros (sem conversão), aqui o salário médio de geral são mil euros, bem mais acessível comprar um carro por aqui.

Começou então a nossa saga para achar um carro usado, sem ter internet em casa, sem ter transporte e com dinheiro (bem) limitado. Valha-me Deusa.

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