Não toleramos racismo! #LoveForLeslieJ

Leslie Jones no evento ELLE Women in Comedy dia 7 de junho de 2016, em Los Angeles. Foto por Rich Fury/Invision/AP.

Texto feito em conjunto pelas colaboradoras Estela Rosa e Bárbara Paes.


Ontem à noite, depois de várias pessoas dizendo “vá ver o novo Caça-fantasmas pra ontem”, a Estela foi ao cinema. Ela arrisca a dizer que foi um dos filmes que mais a deixou ansiosa ultimamente, ela estava visivelmente descontrolada de emoção na fila pra entrar. Afinal de contas, depois de tanto choro e ranger de dentes dos nerds machistas na internet, o filme, que já a deixava animada só pela ideia de ser um time todo de mulheres, a deixou ainda mais intrigada. Foi e entrou pro time do “vá ver o novo Caça-fantasmas pra ontem”.

A Bárbara ainda não viu o filme. Mas segundo a Estela, o filme é divertido, leve, muito bem construído e todo trabalhado nas referências. É um fan service do começo ao fim, o que vai deixar muita gente emocionadinha. No entanto, mesmo antes de ser sequer filmada uma cena do filme, ele já era alvo do ódio dos fãs, homens, em sua grande maioria, que não vão se permitir curtir o filme por conta do elenco majoritariamente feminino. O machismo tomou conta das “críticas” ao filme que nem havia estreado ainda. Os comentários iam desde coisas como “é um absurdo fazerem um remake com mulheres” até “mulheres não entendem de Caça-fantasmas”. Uma chuva de ódio que acabou sendo muito bem aproveitada no filme. As tiradas sobre machismo são excelentes, sem contar as sutis referências a diversos comportamentos machistas como gaslight, mansplaining, bropropriation e brodagem.

Mas na manhã do dia 19 de julho acordamos com a triste notícia de que Leslie Jones, uma das Caça-fantasmas, está sendo alvo de comentários racistas e machistas no Twitter. A atriz se defendeu dos ataques, mas ao final desabafou estar exausta de sofrer este tipo de perseguição. Ao final de tudo, o racismo acabou expulsando a Leslie do Twitter.

Pra quem não conhece, a Leslie tem sido parte do elenco de Saturday Night Live desde 2014. Antes disso, ela já havia sido contratada como roteirista do programa em 2013. O SNL é um dos programas de comédia mais importantes do entretenimento americano e foi responsável por lançar gente como a Tina Fey, a Amy Poehler, a Kristen Wiig, Maya Rudolph, Chris Rock, Seth Meyers e o Jimmy Fallon (só pra mencionar alguns!!!). Ah, e muita gente incrível já foi roteirista, tipo a Mindy Kaling.

Mas o SNL, que já existe há quase 42 anos, tem um problema muito sério com diversidade racial no elenco e só muito recentemente começou a incluir mais atrizes e atores não-brancos (negros, latinos, asiáticos, etc)! A real é que o elenco sempre tinha uma ou outra pessoa negra (tipo o Chris Rock no começo da década de 90 ou o Tracy Morgan no final da década de 90), mas agora é a primeira vez que temos várias pessoas negras ao mesmo tempo! O ator Kenan Thompson (que vocês devem conhecer de Kenan & Kel) já está no programa desde 2003, mas agora finalmente temos também a Leslie, a Sasheer Zamata, o Jay Pharoah e o Michael Che. Esse cenário permitiu que o SNL fizesse cada vez mais quadros abordando a temática racial. Como o famoso quadro do “Dia que a Beyoncé virou negra” e o esse aqui sobre o Black History Month.

A questão é que em sociedades racistas e excludentes, ver mulheres negras ocupando esses espaços tradicionalmente brancos incomoda. A participação da Leslie no Caça-fantasmas e no SNL incomoda.As mulheres negras têm muito pouco espaço na mídia, no entretenimento e na comédia. E os ataques extremamente odiosos dirigidos à Leslie não são novidade pra mulheres negras que têm visibilidade e eles contém uma carga de racismo gigantesca. A Serena Williams, por exemplo, sempre sofre ataques similares aos que a Leslie sofreu. Por isso o trabalho da Leslie e de outras mulheres negras é super importante!

Há alguns dias, vimos esse vídeo da Leslie homenageando a Whoopi Goldberg, que teve um papel importantíssimo abrindo portas para outras mulheres negras no entretenimento. A Leslie disse: “Eu só queria agradecer do fundo do meu coração pelo que você fez pelas mulheres negras. Pelo que você fez pelos comediantes negros.” Ela acrescenta que quando viu Whoopi na televisão pela primeira vez, chorou por ter finalmente enxergado alguém igual a ela ocupando aquele espaço. E para muitas meninas negras, ver a Leslie no Caça-fantasmas em 2016 tem esse mesmo efeito <3.

Por isso, é crucial que nos posicionemos contra esse tipo de ataque racista. Muitas celebridades, tipo a jada Pinkett-Smith e o Matt McGorry, mandaram tuítes de apoio à Leslie usando a hashtag #LoveForLeslieJ. Mas além disso, é importante que sites como o Twitter criem uma política séria de combate ao discurso racista.

Pra quem quiser conhecer mais sobre a Leslie, o Saturday Night Live fez esse vídeo AskSNL: Leslie Jones:

Ai, e quanto mais a gente aprende sobre a Leslie, mais legal ela se torna. A Leslie estudou na Colorado State University e tinha uma bolsa de estudos por ser jogadora de basquete. Durante seus anos na universidade, a Leslie estudou várias coisas: de Ciências da Computação a Contabilidade, mas se formou em Comunicação. E, aliás, ela ganhou o concurso de pessoa mais engraçada no campus.

E gente, na moral, corram pra assistir o novo Caça-fantasmas! E mandem amor pra Leslie Jones com a hashtag #LoveForLeslieJ.

#LoveForLeslieJ

 

Mais de Bárbara Paes

Pelo direito das garotas no Haiti

A violência contra a mulher é um problema global. E no Haiti, esse fenômeno tem proporções assustadoras. Em julho, o grupo humanitário Médicos Sem Fronteiras (MSF) apontou que a violência sexual contra mulheres e crianças deve ser tratada como uma questão de saúde pública no país.

Segundo um relatório publicado pelo MSF, quatro em cada cinco pessoas que buscaram auxílio médico e psicológico gratuito em uma de suas clínicas haviam sido estupradas. E cerca de metade das vítimas de violência sexual atendidas pelo MSF eram crianças.

É neste cenário que surge a força da haitiana Sophia Pierre-Antoine tem 25 anos e é coordenadora de projetos na YWCA do Haiti. Sophia é feminista e ela trabalha ensinando jovens meninas das áreas mais pobres do Haiti sobre seus direitos. Por causa do seu trabalho com a promoção da igualdade de gênero, Sophia recentemente participou de uma consulta regional da ONU Mulheres e da OEA (Organização dos Estados Americanos) sobre Juventude, Paz e Segurança.

A ONU Mulheres publicou um texto super bacana da Sophia em que ela explica como o acesso à informação é um elemento chave para o combate ao machismo. Traduzo:

“Eu sou feminista desde sempre. Nasci em 1991, o ano em que o golpe de Estado aconteceu. Desde então, nós tivemos mais agitações políticas. A instabilidade política do Haiti, junto com a pobreza e a falta de oportunidades, tem tornado nossas vidas ainda mais difíceis. E isso acabou gerando um aumento da violência contra a mulher. No último golpe de Estado de 2004, por exemplo, muitas mulheres que eu conhecia foram sequestradas e assassinadas.

As feministas haitianas falam bastante sobre questões controversas como o aborto, direitos das pessoas LGBTQI e, como resultado disso, nós somos alvo de violência com mais frequência. A sociedade haitiana é muito patriarcal e o mero ato de falar sobre os direitos das mulheres, ou de algo tão simples como a menstruação, é considerado um tabu.

Trabalho com meninas de 6 a 18 anos, elas são provenientes de grupos marginalizados e enfrentam situações difíceis. Nós fornecemos alimentação de segunda a sábado, e às vezes, essa são as únicas refeições que elas recebem.

Realizamos oficinas e conversamos sobre violência de gênero, direitos sexuais e reprodutivos, educação financeira e auto-estima. Muitas das meninas que vêm à nossa organização são sobreviventes [de violência] e precisam de apoio psicossocial. Há muitas coisas a serem desconstruídas: uma garota pode chegar e me dizer que foi estuprada pelo pai. Mas ela também viu sua mãe e sua irmã sendo abusadas, e ela passou a acreditar que esse tipo de violência é normal.

Eu acho que uma grande parte de ser feminista é garantir que as jovens saibam que têm direitos e que têm autonomia; que elas podem dizer não.”


Se você quer saber mais sobre como informação é uma ferramenta para a garantia dos direitos das mulheres, dá uma olhada nessa cartilha da ARTIGO 19. Ela traz referências de estudos e fontes de dados sobre a situação da mulher no Brasil e um guia detalhado sobre como utilizar a Lei de Acesso à Informação brasileira para conseguir informações junto a órgãos públicos. ;)
 

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Estela Rosa e Bárbara Paes.


Ontem à noite, depois de várias pessoas dizendo “vá ver o novo Caça-fantasmas pra ontem”, a Estela foi ao cinema. Ela arrisca a dizer que foi um dos filmes que mais a deixou ansiosa ultimamente, ela estava visivelmente descontrolada de emoção na fila pra entrar. Afinal de contas, depois de tanto choro e ranger de dentes dos nerds machistas na internet, o filme, que já a deixava animada só pela ideia de ser um time todo de mulheres, a deixou ainda mais intrigada. Foi e entrou pro time do “vá ver o novo Caça-fantasmas pra ontem”.

A Bárbara ainda não viu o filme. Mas segundo a Estela, o filme é divertido, leve, muito bem construído e todo trabalhado nas referências. É um fan service do começo ao fim, o que vai deixar muita gente emocionadinha. No entanto, mesmo antes de ser sequer filmada uma cena do filme, ele já era alvo do ódio dos fãs, homens, em sua grande maioria, que não vão se permitir curtir o filme por conta do elenco majoritariamente feminino. O machismo tomou conta das “críticas” ao filme que nem havia estreado ainda. Os comentários iam desde coisas como “é um absurdo fazerem um remake com mulheres” até “mulheres não entendem de Caça-fantasmas”. Uma chuva de ódio que acabou sendo muito bem aproveitada no filme. As tiradas sobre machismo são excelentes, sem contar as sutis referências a diversos comportamentos machistas como gaslight, mansplaining, bropropriation e brodagem.

Mas na manhã do dia 19 de julho acordamos com a triste notícia de que Leslie Jones, uma das Caça-fantasmas, está sendo alvo de comentários racistas e machistas no Twitter. A atriz se defendeu dos ataques, mas ao final desabafou estar exausta de sofrer este tipo de perseguição. Ao final de tudo, o racismo acabou expulsando a Leslie do Twitter.

Pra quem não conhece, a Leslie tem sido parte do elenco de Saturday Night Live desde 2014. Antes disso, ela já havia sido contratada como roteirista do programa em 2013. O SNL é um dos programas de comédia mais importantes do entretenimento americano e foi responsável por lançar gente como a Tina Fey, a Amy Poehler, a Kristen Wiig, Maya Rudolph, Chris Rock, Seth Meyers e o Jimmy Fallon (só pra mencionar alguns!!!). Ah, e muita gente incrível já foi roteirista, tipo a Mindy Kaling.

Mas o SNL, que já existe há quase 42 anos, tem um problema muito sério com diversidade racial no elenco e só muito recentemente começou a incluir mais atrizes e atores não-brancos (negros, latinos, asiáticos, etc)! A real é que o elenco sempre tinha uma ou outra pessoa negra (tipo o Chris Rock no começo da década de 90 ou o Tracy Morgan no final da década de 90), mas agora é a primeira vez que temos várias pessoas negras ao mesmo tempo! O ator Kenan Thompson (que vocês devem conhecer de Kenan & Kel) já está no programa desde 2003, mas agora finalmente temos também a Leslie, a Sasheer Zamata, o Jay Pharoah e o Michael Che. Esse cenário permitiu que o SNL fizesse cada vez mais quadros abordando a temática racial. Como o famoso quadro do “Dia que a Beyoncé virou negra” e o esse aqui sobre o Black History Month.

A questão é que em sociedades racistas e excludentes, ver mulheres negras ocupando esses espaços tradicionalmente brancos incomoda. A participação da Leslie no Caça-fantasmas e no SNL incomoda.As mulheres negras têm muito pouco espaço na mídia, no entretenimento e na comédia. E os ataques extremamente odiosos dirigidos à Leslie não são novidade pra mulheres negras que têm visibilidade e eles contém uma carga de racismo gigantesca. A Serena Williams, por exemplo, sempre sofre ataques similares aos que a Leslie sofreu. Por isso o trabalho da Leslie e de outras mulheres negras é super importante!

Há alguns dias, vimos esse vídeo da Leslie homenageando a Whoopi Goldberg, que teve um papel importantíssimo abrindo portas para outras mulheres negras no entretenimento. A Leslie disse: “Eu só queria agradecer do fundo do meu coração pelo que você fez pelas mulheres negras. Pelo que você fez pelos comediantes negros.” Ela acrescenta que quando viu Whoopi na televisão pela primeira vez, chorou por ter finalmente enxergado alguém igual a ela ocupando aquele espaço. E para muitas meninas negras, ver a Leslie no Caça-fantasmas em 2016 tem esse mesmo efeito <3.

Por isso, é crucial que nos posicionemos contra esse tipo de ataque racista. Muitas celebridades, tipo a jada Pinkett-Smith e o Matt McGorry, mandaram tuítes de apoio à Leslie usando a hashtag #LoveForLeslieJ. Mas além disso, é importante que sites como o Twitter criem uma política séria de combate ao discurso racista.

Pra quem quiser conhecer mais sobre a Leslie, o Saturday Night Live fez esse vídeo AskSNL: Leslie Jones:

Ai, e quanto mais a gente aprende sobre a Leslie, mais legal ela se torna. A Leslie estudou na Colorado State University e tinha uma bolsa de estudos por ser jogadora de basquete. Durante seus anos na universidade, a Leslie estudou várias coisas: de Ciências da Computação a Contabilidade, mas se formou em Comunicação. E, aliás, ela ganhou o concurso de pessoa mais engraçada no campus.

E gente, na moral, corram pra assistir o novo Caça-fantasmas! E mandem amor pra Leslie Jones com a hashtag #LoveForLeslieJ.

#LoveForLeslieJ

 

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