Os universos das autoras de Topografias

Ilustração feita com exclusividade por Bárbara Malagoli (Baby C), uma das autoras de Topografias e colaboradora Ovelha.

Nós da Ovelha amamos acompanhar os eventos e as produções de zines e quadrinhos independentes feitos pelas artistas desse Brasilzão. Para a nossa alegria, um grupo de ilustradoras, designers e quadrinistas se juntou para fazer uma publicação incrível. Topografias é um livro que reúne seis histórias de seis autoras com estilos e narrativas completamente diferentes, que são conectadas, a princípio, apenas pela cartela de cores e tema central. Mas vai além. É uma obra que trabalha a intimidade entre mulheres.
mockup_topo

Cada história traz uma técnica, visão e motivação diferente, porém fica claro para a leitora que a poética das narrativas e divagações das personagens são um reflexo do feminino que nada tem a ver com seus estereótipos. Além disso, é lindo ver os contrastes entre os estilos e histórias de cada autora.

Em Chuva de Verão, a primeira história, o desenho delicado e poético de Julia Balthazar nos leva junto aos mergulhos de uma conversa entre duas amigas numa tarde quente. Já Bárbara Malagoli (Baby C) mostra em Frumello um cenário futurístico e todo desenhado digitalmente, propondo uma divagação sobre a experiência do ser em sua existência.

Detalhe de Frumello
Detalhe de Frumello

As histórias são muito ricas e cheias de detalhes interessantes que revelam muito da personalidade artística de cada uma das garotas. A Laura Athayde fez um post detalhado no Minas Nerds falando de cada uma, ch-ch-check it out!

Para contemplar a riqueza deste livro, fizemos uma entrevista completinha com as autoras sobre os processos e objetivos do Topografias. Confira:

minas_autoras

Ovelha: Meninas, pra começar queria saber como que vocês tiveram a ideia do Topografias. Veio da cabeça de quem?

Tais Koshino: Hmm, não lembro exatamente de quem foi a ideia inicial, acho que estavamos eu, a Barbara (Baby C) e a Mariana (Mazô). Ela veio em resposta a uma percepção que tivemos no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) em outubro de 2015. É o maior evento de quadrinhos do Brasil, tinham grandes editoras e também editoras e autores independentes, lá percebemos que haviam poucas antologias e coletâneas de quadrinhos feitas por mulheres e editadas, tinham menos ainda.

Baby C: Depois (do FIQ) enchi o saco de todas pra continuarmos com a idéia na Feira Plana 3 e rolou!

Detalhe de Teneusca
Detalhe de Teneusca, de Tais Koshino

 

Ovelha: E como se deu a seleção das autoras?

Tais Koshino: Acho que nós todas nos conhecemos mesmo no FIQ, conhecia o trabalho de todas, mas pessoalmente, eu só conhecia a Gabriela (Lovelove6), a Mariana e a Julia, foi no evento que conheci a Barbara e Puiupo. A seleção das autoras foi mais por afinidade e adimiração do trabalho de cada uma. Para mim, os nossos quadrinhos dialogam entre si, apesar de tão diferentes, há sempre uma inquietação, uma experimentação, uma coisa que está “fora do seu lugar”, e essa sensação vem tanto da forma como cada uma compõe a página, do traço ou da construção da narrativa.

Baby C: Se desse eu botava mais 80 minas no rolê, mas acho que aí nunca sairia! (risos) Também tem o lance dos nossos estilos serem completamente diferentes, o que deixou o livro bem legal.

Puiupo: Todas já éramos do mesmo rolê do quadrinho independente, surgir uma publicação só das minas era só uma questão de tempo. Já que todas curtimos o trampo umas das outras.

Ovelha: Topografias é uma publicação feita apenas por mulheres: autoras, projeto gráfico, selo, distribuição. Por mais que saibamos da importância disso, gostaria que discorressem do motivo que as levaram a fazer uma publicação tão caprichada só com mulheres.

Baby C: CHUTAR BUNDAS! Esse é o motivo.

Lovelove6: Fazer o Topografias apenas entre mulheres foi algo que aconteceu naturalmente nesse projeto, pois entre nós tínhamos tudo que era necessário: o conhecimento de edição e impressão gráfica, as habilidades para produzir as HQs, assim como dividimos os custos todas juntas. Ao longo do projeto e no final eu lembrava às vezes que éramos todas mulheres envolvidas e rolava esse sentimento de uma vitória extra. Acho que publicações como a Topografias são importantes, nesse sentido, porque demonstra que é de fato apenas questão de tempo para que mulheres aprendam, se envolvam e passem a participar efetiva e amplamente de mercados dominados por homens.

Mazô: A importância de estar sempre participando desses projetos em que só mulheres participam, para mim, é de reiterar a possibilidade de que isso aconteça. Eu priorizo eles, em certa medida, porque eles não existem no mundo sem esse empurrão – e ao mesmo tempo dá maior orgulho de estar fazendo parte de isso acontecer, criando uma realidade possível em que mulheres fodas se encontram e não precisam da mediação de homem nenhum. Não se trata de isolar os homens, mas de encontrar nosso protagonismo num meio tão macho-centrado. É foda saber que meu trabalho pode ter essa dimensão política também, não só literariamente, mas de que colocá-lo num livro Y ou livro X signifique coisas diferentes. É de um nível de realidade prática no mundo que me interessa: saber que meninas mais novas, que tem sede por ver mulheres mandando a ver de várias formas diferentes, vão ter essa referência.

Tais Koshino: Uma publicação feita só por mulheres sempre vai ser muito caprichada, haha! Uma publicação feita só por mulheres é um ato de resistência dentro do sistema machista que vivemos, se pensarmos dentro do cenário dos quadrinhos, isso ganha ainda mais força. Fazer uma publicação dessa forma foi uma escolha consciente e com a intenção de trazer visibilidade aos trabalhos feitos por mulheres, tanto no âmbito da autoria quanto no da edição.

Puiupo: É importante que haja cada vez mais um empoderamento das minas dentro da cena e do pseudomercado de quadrinhos. Uma publicação só de mulheres é importante pra mostrar que a gente tá aqui e fazendo trampos com qualidade. Serve como grito, como afirmação.

Detalhe de Árvores, de Lovelove6
Detalhe de Árvores, de Lovelove6

 

Ovelha: E a temática do Topografias? Cada uma das autoras criou uma história completamente diferente, mas algo que une todas elas é o protagonismo feminino em um ambiente bastante surreal. Vocês tinham um fio-condutor comum para a criação das histórias?

Tais Koshino: Antes de fazermos as histórias, decidimos por meio de uma votação que o tema da publicação seria “percuso/passagem” e que seria impressa apenas em duas cores: ciano e magenta. Esses eram nossos fio-condutores. O protagonismo feminino e o clima onírico/surreal vieram espontaneamente de cada autora, acho que somos todas meio pertubadinhas, né?

Baby C: O tema “passagens” foi bem aberto e pessoal, funcionou bem demais!

Julia: Achei legal você comentar essas duas coisas (protagonismo feminino e ambientes surreais), porque acho que nenhuma delas foi claramente discutida e definida por nós, foram só coisas que aconteceram sem necessariamente fazer parte da proposta, do nosso tema principal.

Detalhe de Sátira Latina, de Mazô
Detalhe de Sátira Latina, de Mazô

 

Ovelha: Qual a intenção de vocês com o Topografias? Quando uma garota pegar o livro nas mãos para ler, o que vocês esperam que ela sinta com as histórias, com a arte e com o propósito do projeto?

Mazô: Olha, eu não sei muito bem responder isso, porque quando eu tava criando a sequência em si eu não tava pensando exatamente no que essas meninas poderiam vir a pensar, mas eu espero que elas pensem algo que eu nunca pensei. É muito bom quando as pessoas vêm com uma interpretação distinta da sua, vêem camadas de entendimento que você não viu. Eu só espero que tenham interesse. Prazer também é bom, mas eu entendo se a minha história causar certo desconforto, porque ela não segue uma narrativa tão linear fora da minha cabeça (risos).

Tais Koshino: A minha intenção com Topografias era fazer uma publicação foda, com autoras que eu acredito muito no trabalho. Quando uma leitora pegar o Topografias, eu espero que ela se sinta ali, dentro de cada história, se identifique, se questione e, que também acredite, que é possível fazer seus quadrinhos, independente de como eles sejam, do desenho, do que falem deles, que ela acredite que é possível falar do ponto de vista de uma mulher, de seu ponto de vista, nos quadrinhos.

Baby C: Quero que uma garota olhe e pense em todas as possibilidades que o mundo dos quadrinhos e desenho possibilitam, que elas podem ter seu próprio estilo e sua própria pira sem medo de escrever sobre o que quiser.

Puiupo: Espero que a leitora possa se identificar e inspirar por pelo menos uma das histórias, que a antologia motive minas que querem começar a fazer quadrinhos, seria a maior honra se os quadrinhos se tornassem uma referência para alguém. Mas num geral nunca crio muitas expectativas em cima da forma como o meu trampo em particular será digerido. Depois que o quadrinho está feito ele ganha vida própria.

Lovelove6: Meu desejo com o Topografias é marcar a presença de jovens autoras na cena independente de quadrinhos, que ainda é resistente e preconceituosa em relação às mulheres que desejam participar dela. Acho que todas nós apresentamos no Topografias algumas das histórias mais maduras e elaboradas que já produzimos até então, sendo importante fazer essa afirmação de que continuamos nos desenvolvendo e continuamos interessadas em ocupar o espaço da cena. Espero que o Topografias seja algo com que muitas mulheres possam se identificar e que elas saibam que tem autoras produzindo quadrinhos no Brasil.

Julia: O que achei legal nas respostas que tive até agora, depois do lançamento do livro, foi conversar um pouco com pessoas que se identificaram com as histórias. É interessante perceber alguns paralelos, sentimentos em comum, e até coisas que não coloquei conscientemente no quadrinho, mas foram percebidas por quem leu. Acho que esse tipo de resposta é bem legal e é isso que eu espero, que possa rolar um diálogo. Tanto no sentido de conversar mesmo, entre autora e leitora, quanto a pessoa sentir, a distancia, uma conexão com o que tá acontecendo na vida dela. Outra coisa que eu sinto quando leio quadrinhos que gosto é a vontade de continuar criando, e é algo que espero que sintam também. Poder motivar alguém a produzir alguma coisa.

Detalhe de Chuva de Verão, de Julia Balthazar
Detalhe de Chuva de Verão, de Julia Balthazar

 

Ovelha: A cartela de cores do Topografias traz o o rosa, o azul e a mistura entre estas duas cores: o roxo. Tem algum motivo especial por trás dessa escolha? Segundo a explicação das cores da bandeira LGBT, roxo significa o espírito, o desejo de vontade e a força; azul significa as artes e o amor pelo artístico; e rosa simboliza o sexo, prazer carnal. Tem algo a ver com cores que representam os gêneros e sexualidade?

Tais Koshino: A escolha das cores foi feita ao se pensar a especificidade da publicação impressa, normalmente se imprime com quatro cores (ciano, magenta, amarelo e preto), escolhemos mesmo antes de começar as histórias que seria impresso apenas em duas cores (ciano e magenta), e os milhares de tons que existem entre elas. O rosa e o azul normalmente representam o sexo feminino e o sexo masculino, mas o uso das cores nas histórias vai além disso, em cada narrativa, as cores criam e recriam seus próprios significados.

Baby C: Foi um jeito de reduzir a paleta e amarrar o estilo de todas, mas vamos fingir que pensamos em tudo isso que você falou, hahaha!

Puiupo: Não tinha parado pra comparar as cores do quadrinho com a da bandeira, engraçado que esses significados que você falou têm muito a ver com as histórias, tendo sempre a abordar questionamentos sobre sexualidade, gênero e rituais/protocolos nos meus trabalhos e fico feliz que possa haver essa conversa também através das cores.

Julia: Acredito que essa escolha de cores pode remeter a essas questões sim, dependendo de quem tá vendo o livro. Mas no processo de criação, acho que cada uma pôde interpretar isso individualmente; pôde escolher entre explorar essa dualidade, essa questão que é sempre colocada sobre essa dupla de cores, ou fazer o contrário e só usá-las sem pensar muito nisso. Eu, pessoalmente, vi mais como duas opções de cores que dariam bem certo por causa do processo de impressão offset, que permitiriam um monte de coisa, bastante liberdade pro trabalho de cada uma.

Detalhe de Flagelo, de Puiupo
Detalhe de Flagelo, de Puiupo

 

Ovelha: O que vocês mais acharam interessante de fazer o projeto? As diferenças de estilo entre as autoras? As histórias? Os aprendizados que vocês tiveram durante o processo?

Baby C: O mais legal foi o projeto DE FATO ter saído e não ter ficado só no “blablabla” de todas terem se empenhado e entregue o bagulho. E no final, quando vimos todos juntos, percebemos a conexão de todas as histórias. Foi emocionante.

Julia: Gostei de partir de um tema bem aberto, e que no resultado final, as histórias acabaram tendo outras coisas em comum, além do tema que escolhemos como base. Também achei incrível as diferenças bem dramáticas de estilos e linguagens, e como já dá pra perceber só de folhear o livro.

Puiupo: Com certeza o aprendizado foi muito importante. Fora isso, ver o projeto completo e ler as histórias de cada autora me deixou profundamente feliz, satisfeita com o resultado da nossa colaboração.

Lovelove6: Todas nós temos estilos e processos muito diferentes umas das outras, isso foi algo muito interessante de observar durante a produção do Topografias. Aprendi alguns truques com a Julia, a respeito do fechamento dos arquivos. Acho que para todas, foi importante também o processo de combinar a maneira como a impressão seria realizada e como as vendas seriam geridas. É importante aprendermos a administrar projetos e a tocar projetos profissionais entre amigas.

Tais Koshino: Todas as etapas do projeto foram muito interessantes, desde a formação do grupo de autoras até a distribuição. Eu gosto muito do estilo de cada autora e de todas as histórias, acho que cada uma traz algo de muito especial e todas juntas formam um belo conjunto. Em cada publicação que eu fiz, aprendi muitas coisas, e nessa com certeza foi a que eu mais aprendi. Normalmente eu me auto-publicava, o que é um processo bem mais tranquilo, ter que lidar com várias pessoas me fez aprender bastante, em cada etapa do projeto era um novo aprendizado, e isso foi o que eu mais gostei.

Mazô: A melhor parte foi quando me desenharam! Foi incrível, me senti contemplada no sonho infantil de virar um personagem. Fora isso, foi muito, muito gratificante ver o resultado gráfico. Como o processo foi praticamente virtual, eu estava meio alienada da produção. Rola uma distância e eu não quis nem criar expectativas, não porque eu não confiava nas outras, pelo contrário, mais pra não estragar o momento da surpresa. Aconteceu exatamente como esperado: eu peguei pra ler os quadrinhos e fiquei de cara. Tem uma coisa nas pinturas da Julia, que vão criando uma atmosfera deliciosa, eu quase vejo como uma animação de tanto que eu entro naquilo. A Baby C é deleite puro, o que ela faz com grafismo é destruição. Eu já esperava cores quando eu pensava em Baby, foi tipo conhecer uma alteridade completamente diferente da minha (risos), porque eu não imaginava que dava pra fazer tanto com ciano e magenta! Maga total. O trabalho da Puiupo, foi muito louco pra mim porque eu amo o desenho dela. Você se espelha no desenho de alguém e fica até meio difícil de ver além dele. Quem me abriu os olhos pra umas coisas na história foi a Tatá, quando a gente tava conversando em Brasília e na noite antes do lançamento eu fiquei lendo o livro várias vezes… tem uma fineza de construção muito intensa, eu fiquei abismada com o que ela conseguiu dessa vez.

A Tatá foi uma surpresa também, porque eu nunca tinha visto algo tão grande dela e quando ela falou que tava se animando pra fazer mil quadros por página eu fiz uma expectativa X – porque ela disse que tinha pensado no meu quadrinho pro Badboyfriends, e eu fiquei com essa imagem na cabeça. Acontece que a mente da Tatá funciona de maneiras muito peculiares rs e deu no que deu, total um mundo a parte, eu adoro o senso de humor dela, e eu amei várias transições de quadros que ela fez, onde as estradas se transformavam em céu a partir do branco.

Por fim, a história da Gabi fechou total minha ideia de que o Topografias parecia um sonho muito louco. Quando eu li, ainda mais na sequência de histórias que a Lívia e a Tata escolheram, eu achei que tava perfeito. Era uma conclusão magistral, até porque a Gabi é uma quadrinista super de peso, e eu adoro quando ela trabalha no lápis. Ali existia relação entre as mulheres que refletia o nosso próprio projeto, que a relação que a gente cria é muito complexa, cheia de meandros, e também é autônoma, independente do mundo. Pra fechar, a capa por conta da Kita ficou demais. Super deu um toque irresistível que vai fazer todo mundo comprar o livro todos os dias da vida (risos)!

Ovelha: Topografias é um lançamento do selo independente Piqui, da Taís Koshino, uma das autoras, e da Livia Viganó, que fez o projeto gráfico. Vocês planejam criar mais coisas com o selo? Podemos esperar um novo volume ano que vem?

Tais Koshino: O Selo Piqui existe desde 2011 e sempre foi um selo de auto-publicação, o Topografias é a nossa primeira publicação que conta com outras autoras, eu vejo isso como um passo no processo de se tornar uma editora. Os planos são de lançar novas publicações, chamar outras autoras para participar, ir crescendo. Estamos muito animadas com o Topografias, mas vamos com calma, um ano que vem? quem sabe!

Lovelove6: Publicar pelo selo Piqui foi uma decisão posterior à de fazer o Topografias, mas que fez todo o sentido. Se a Tais e a Livia decidirem transformar isso numa série, seria muito legal com certeza. Eu pessoalmente desejo fazer novas antologias com essas mesmas autoras, mas também com outras autoras que eu admiro, como a Brendda Lima, Sirlanney, Aline Lemos, Ellie, Amanda Paschoal, Natalia Schiavon… Enfim, tem autoras pra muitas novas antologias.

Pra você que ficou animada pra ter em mãos essa publicação incrível, saiba que o lançamento em São Paulo rola sábado, dia 16, na Gibiteria. Depois, as meninas lançam no 2º Encontro Lady’s Comics em Belo Horizonte, nos dias 29, 30 e 31 de julho. Mas também é possível comprar o livro na loja virtual do Selo Piqui.

Pra matar a curiosidade, dá pra ver como é o livro no vídeo abaixo (;


SIGA AS MENINAS PELA INTERNET!

Baby C: Site / Tumblr / Facebook
Julia Balthazar: Tumblr / Facebook / Cargo
Lovelove6: Site / Facebook
Mazô: Tumblr / Facebook
Puiupo: Tumblr / Facebook / Cargo
Taís Koshino: Cargo
Ingrid Kita (capa): Site

Mais de Nina Grando

Natalie Foss: Norueguesas coloridas

Natalie Foss é uma artista norueguesa que gosta de desenhar garotas coloridas...
Leia mais