Eat Girl: Receita de Karê Vegetariano

Ilustração feita com exclusividade por Thais Cortez (Não Sou Emily)
Receita de um prato típico do Japão muito delicioso: o famoso curry japonês, Karê Raisu. É muito fácil de preparar e uma delícia de comer. E o melhor? É vegetariano!

Onde eu moro não tem uma grande imigração de população japonesa como tem em São Paulo. Apesar de terem bastantes restaurantes orientais na cidade, muitos deles não são muito acessíveis em preço. Como eu adoro cozinhar, me aventuro bastante na culinária oriental. Tudo bem que eu fiz um curso tem uns 10 anos mas hoje em dia com YouTube, não só consigo melhorar minha prática, mas aprender coisas completamente novas.

Apesar de estar um calorão no Brasil, o karê é uma daquelas comidinhas que fazem carinho no estômago. Comida confortável, confort food, chamem como quiser! Vou ensinar essa receita muito fácil e prática, rende bastante e você ainda pode impressionar alguém com seus dotes culinários. Hahahaha, que bosta! Impressione a você mesmx que já vai estar MARA.
 
[infobox maintitle="Como preparar seu karê em 5 passos " subtitle="(encurtados ~ risos)" bg="red" color="black" opacity="on" space="30" link="no link"]  

  1. A primeira coisa que você vai precisar é: cortar rusticamente uma cebola grande, duas cenouras médias e 3 batatas médias. Vou dar as medidas que fiz aqui em casa para mim e meu compa, mas vai sobrar. Daria numa boa pra 4 pessoas. Ou 3 pessoas com fome. ENFIM.
     
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  3. Caso você tenha acesso a uma lojinha japonesa, você já pode comprar aqueles tabletes de karê prontos. Mas vou dar a dica pra maioria que, como eu, que não tem acesso a essas lojas. Você pega farinha comum, de trigo, e coloca ela na frigideira pra torrar um pouco. Isso faz tirar o gosto de farinha quando é usada pra engrossar caldos (JÁ FIKDIK).Depois, você mistura essa farinha (eu coloquei muito, mas pode ser de 4 a 5 colheres de sopa) com 3 a 4 colheres de curry em pó. Por fim, coloca um pouco de água gelada e faz uma mistura homogênea até não empelotar mais. A água gelada ajuda a não empelotar (muito).
     
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  5. Enquanto isso, você pode fazer o seu arroz. Eu fiz com arroz branco pra sushi que era o que eu tinha em casa, na verdade, haha. Mas você pode fazer com o arroz que você quiser, afinal, quem vai comer o karê é você. Eu gosto de arroz japonês completamente sem tempero, tem gente que curte por açúcar e vinagre, mas é de cada um. O nome do prato é karê raisu, a palavra karê derivou de curry e raisu de rice em japonês. ~ MOMENTO CULTURA ~
     
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  7. Coloque um fio de óleo (da sua preferência) em uma panela e coloque primeiro a cenoura pra dar uma selada. Depois coloque a batata, e por fim a cebola, misture um pouco e coloque água até a metade da panela. Talvez uns 500ml de água, não sei dizer a quantidade porque faço por olho, pior pessoa pra passar receita, haha. Pode deixar que vou me atentar na próxima vez, MAS TENHO FOTOS.Coloquei muita água, pode por um pouco menos ou deixe a água evaporar um pouco antes do próximo passo. Se você quiser por soja, não precisa hidratá-la, pode colocar nesse momento do cozimento dos legumes que ela vai hidratar junto. Nesse momento, é legal também colocar um tablete de caldo de legumes (já é mais acessível pra todo mundo).Você também pode hidratar a sua soja antes e deixar ela marinando em shoyo com um pouco de suco de limão (limão espremido) pra ela pegar uma cor e um gosto. Não fiz, mas fica bom pra receitas de estrogonofe também, hahaha.
     

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  9.  Depois que você sentir a soja hidratada e/ou a cenoura chegando no ponto do seu gosto, você vai despejar na panela aquela mistura homogênea de curry com a farinha torrada. Você vai ver que rapidamente o caldo vai engrossar e vai ficar muito brilhante. Nesse momento você sabe que venceu na vida, hahahaha. O sal você pode por à gosto, depende da quantidade que você está fazendo. Experimenta e manda pra dentro! Bom apetite!
     

 
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Ilustração feita com exclusividade por Thais Cortez (Não Sou Emily).

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Mujeres Creando: Um dos coletivos mais importantes da América Latina

Em uma breve passagem pela cidade de São Paulo no ano passado, visitei a Bienal de Arte, uma das mais importantes exposições/encontros de arte da América Latina. Logo na entrada, me deparei com uma instalação chamada Espaço para Abortar, uma estrutura de arame com 7 cabines que formam sete úteros. Essa instalação foi criada pelo núcleo e coletivo feminista boliviano Mujeres Creando.

Mandei um email despretensioso para o coletivo que me respondeu prontamente aceitando fazer uma pequena entrevista. Inicialmente minha ideia era falar sobre a peça na Bienal, mas tive outras prioridades quando me encontrei na posição de estar ‘de frente’ com um coletivo feminista de 22 anos que tem uma enorme e inspiradora história de luta. Segue então a conversa que tivemos por email:
 

 
OVELHA: No domingo do dia 5 de outubro (de 2014), aconteceu o primeiro turno das eleições brasileiras para presidência da república. Eram 3 candidatas mulheres disputando a presidência, mas só uma com agenda feminista e que contemplavam os requisitos das minorias. Como é a situação política feminista na Bolívia (esqueci completamente de dizer que eu me referia a Luciana Genro e não à Dilma)?

MUJERES CREANDO: Começarei a te dizer que não acredito que Dilma Roussef represente um agenda feminista clara, não acredito na forma que ela alcançou o poder se garantindo a partir de alianças com as igrejas fundamentalistas cristãs, a não intenção de descriminalização do aborto no Brasil e a criminalização da pobreza. A organização de grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas e a política policial de eliminação dos pobres. Eu não acredito que essa seja uma agenda feminista. Não acredito que deveríamos nos resignar e nos contentar com um mal menor. Acredito que é importante como movimento, nos manter à claridade de nossas agendas, a claridade do horizontes e de nossas lutas e que não nos deixemos levar pela ‘oferta’ do mercado eleitoral como único universo de referência política. Na Bolívia, a situação é dramática, se implementou totalmente a paridade e alternância de sexo nas listas eleitorais, mas isso não significa a revisão do papel das mulheres na política, muito menos uma agenda feminista. O movimento ao socialismo do presidente Evo Morales é um projeto popular que tem se endireitado (no sentido de ser menos de esquerda e mais de direita), ao mesmo tempo o perfil tão machista dos candidatos exacerba o discurso das mulheres objeto, ao ponto que temos Miss Rainhas de Beleza como aliadas políticas mais importantes do partido de governo porque exaltam a virilidade destes personagens. A descriminalização do aborto nem sequer entrou em debate e a campanha eleitoral é um desperdício de promessas populistas vinculadas com as graves condições de vida das pessoas.
 
Mujeres Creando
 
OVELHA: Apesar de estarmos muito próximos geograficamente, (infelizmente) pelas diferenças culturais e linguísticas, o Brasil se distancia muito da unidade latino americana. Como você acha que poderíamos nos aproximar em vista que as lutas das mulheres permeiam as mesmas causas?

MUJERES CREANDO: Eu creio que tínhamos um cenário latino americano comum nos encontros feministas latino americanos e que lamentavelmente a partir dos anos 90 entraram em uma grave crise devido a cooptação da cooperação internacional destes cenários, que se tornaram cenários exclusivos de uma elite de trabalhadoras de organizações não governamentais (ongs). Acredito que devemos construir o intercâmbio e procurar a partir da cultura como cenário. Nós temos duas casas, uma em La Paz e outra em Santra Cruz (de La Sierra) e ali estamos dispostas a receber companheiras que querem vir e fazer intercâmbio cultural. Creio que isso é fundamental.
 

 
OVELHA: A militância feminista é tão maravilhosa quanto é pesada, fico extremamente feliz de ver que vocês estão juntas há 22 anos. Com qual frequência se reúnem? Vocês fazem algum tipo de apoio interno para membros do coletivo?

MUJERES CREANDOO que acontece com o Mujeres Creando é muito original em todo continente. Sabe, nós não entendemos o feminismo como a construção de um grupo ou como um passatempo, mas como um modo de vida e de luta cotidiana. Temos duas casas em diferentes cidades e a partir da gestão dessas casas desenvolvemos formas de política concreta com a sociedade. Sempre estamos atuando de forma contínua e direta com os temas que preocupam a gente e isso cria uma dinâmica muito intensa dentro do movimento. Ao mesmo tempo temos pequenas cooperativas que vão surgindo e que vão gerando formas de auto sustentação econômica para muitas mulheres. Isso é fabuloso porque gera coesão, gera trabalho contínuo, gera capacidade de resposta social imediata a todo tempo, gera produção de teoria de ideias e de conhecimento a todo o tempo e produção cultural contínua também.
 

 
OVELHA: Às vezes para passarmos uma mensagem é preciso dialogar com partes que nos são adversas. Como por exemplo, a instituição de arte da Bienal de São Paulo. Vi que vocês fizeram uma carta aberta em repúdio ao logo do estado de Israel (ato do qual apoio integralmente) que estava nos apoios do evento. Quanto podemos nos permitir dialogar com certas instituições para que possamos passar a mensagem para frente?

MUJERES CREANDO: Olha, nós não temos uma visão maniqueísta de onde qualificamos o de fora como limpo e válido e toda instituição como podre. Cremos que temos que estar com nosso próprio discurso e com suas próprias condições em todos os lugares, seja na rua, até na televisão, passando por um cenário como a Bienal de Arte de São Paulo. Não se trata de se submeter à instituição, não se trata de absorver seus códigos, quase sem diálogo. Se trata de tornar a instituição como qualquer outro espaço possível e se instalar ali com a mesma lógica de invasão, como a qual em que o mendigo se instala na porta de uma igreja. Logo creio que as próprias instituições tem muitíssimas contradições e que temos que aproveitar. A arte, a universidade, o estado estão em crise, não se trata de ser uma catarse para sua crise mas sim de aproveitar esses espaços de crise para expandir ideias propostas, desacatos, desobediências. Há pouco tempo o vice presidente da Bolívia me chamou para uma entrevista. Eu repudio sua política e poderia ter dito que não, ao invés disso, decidi ir de encontro ao diálogo com ele mas sem me auto censurar, sem nenhum tipo de reverência grave ao encontro e foi uma bomba até hoje.
 
Mujeres Creando
 
OVELHA:  Como se dá a resistência feminista das Cholas? Há um movimento de contrapartida camponês?

MUJERES CREANDO: O movimento campesino na Bolívia está cooptado pelo governo e sofre um momento de inércia e complacência. São os clientes privilegiados pelo governo, mas se trata de uma aliança só com os líderes do movimento embora as bases também se alegrem com essa aliança. Em nosso movimento há muitas que são cholas, parte porque não construímos um movimento homogêneo branco urbano, mas são literalmente e metaforicamente putas e lésbicas, juntas e revoltas e geminadas como irmãs.
 

Fiquei muitíssimo tocada com as respostas fortes da Maria Galindo (uma das representantes do coletivo), me lembrei muito da nossa musa brasileira Indianara Siqueira que tem uma história sólida de militância há anos e pela qual tenho muita admiração. Agradeço muitíssimo o coletivo Mujeres Creando por ceder uma entrevista, e a Maria Galindo. Viva las que luchan!
 

 
Nota: A entrevista foi concedida à página xereca no dia 06/10/2014 e foi elaborada e traduzida por Bárbara Gondar.

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