E pode Miss Universo gorda?

Ilustração feita com exclusividade por Sarah Assaf
Chega de gordofobia! Quanto maior a diversidade de pessoas que participa desses tipos de concurso, mais pessoas serão contempladas e poderão se identificar com alguma participante

Ontem à noite, dia 29 de janeiro de 2017 (DOIS MIL E DEZESSETE – VEJAM BEM!) o mundo inteiro assistiu à final do concurso da Miss Universo. Também ontem à noite, durante a transmissão do evento, o Brasil assistiu um festival de gordofobia comandado pelos apresentadores Cássio Reis e Renata Fan, acompanhados pelo estilista Raphael Mendonça.

Os três comentaristas focaram suas forças para ~analisar~ o corpo de uma das participantes – a Miss Canadá – dizendo repetidas vezes que esta não teria “corpo de Miss”, que estaria “acima do peso”, que era “gordinha”/”cheinha” demais para estar entre as concorrentes naquela fase do concurso… hello??? Em que mundo a gente está que esse tipo de atitude é aceitável e transmitida para todo um país?
 


 
Gente, vamos falar… todas as misses lá eram lindas, estonteantes e tudo mais.. mas, a Miss Canadá é maravilhosa! Não tem problema que ela não seja TÃO magra quanto as outras competidoras, afinal, podemos perceber que o próprio juri do Canadá a aprovou escolhendo Siera Bearchell (a miss em questão) para representá-lo na competição.

Siera Bearchell publicou em sua conta do Instagram seu ponto de vista sobre essa situação toda. Falou até sobre sua jornada de uma vida tentando emagrecer e se adequar a esse padrão impossível (quem nunca?) – e que agora se sente bem no próprio corpo, feliz e realizada por poder representar o Canadá nessa disputa mundial. A miss, que também estuda direito, é empresária e atleta, afirma que agora tem boa autoestima e que se sente confiante e de bem com sua aparência – e que todos deveriam estar satisfeitos com isso.

A televisão aberta (assim como a fechada, mas enfim) deveria tomar muito cuidado com aquilo que diz, já que sua cobertura abrange todo o país e nem todo mundo tem acesso a outras fontes de informação. Não são todos do Brasil – infelizmente – que têm acesso a blogs, coletivos e grupos que discutem essas questões, como a gordofobia (que de fobia não tem nada, e sim tem preconceito). Muitas pessoas – inclusive crianças – ouvem repetidas vezes que “o corpo gordo é ruim”, que “é sinal de fraqueza”, “falta de vergonha na cara” e outros mil insultos e preconceitos a respeito das pessoas que não vestem, vamos dizer, manequim 38. Esses meios ajudam a fomentar e a ecoar um discurso preconceituoso. E isso não é bom para ninguém envolvido.
 


 
Mais uma vez: representação importa! Quanto maior a diversidade de pessoas que participa desses tipos de concurso, mais pessoas serão contempladas e poderão se identificar com alguma participante. O mesmo vale não somente para esse tipo de concursos, mas para filmes, séries, programas de tv. Ao ver uma pessoa como você alcançar esses lugares na mídia, maiores as chances de a pessoa se sentir incentivada, ver que pode alcançar também um lugar.

A parte boa disso tudo é que a galera do Twitter e das redes sociais se uniu para criticar os comentários preconceituosos sobre a Miss – mostrando que ainda existe amor e esperança no mundo ♡
 
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Ilustração feita com exclusividade por Sarah Assaf.

Escrito por
Mais de Fernanda Ozilak

O Fat Shaming de Nicole Arbour

 
A essa hora todo mundo já deve ter visto a polêmica que o vídeo da Nicole Arbour, Dear Fat People, causou na internet. Acho que o único – ÚNICO – aspecto positivo desse vídeo ofensivo e horroroso foi despertar um diálogo sobre a existência do Fat Shaming.

 

 
Eu, como pessoa gorda, fiquei extremamente incomodada com a garota magra dizendo que “essa coisa de Fat Shaming” não existe porque… meu deus, é claro que existe. Até quem é magra consegue sofrer isso – vide celebridades que ao ganhar alguns quilinhos já estão sendo xingadas de tudo quanto é nome nos tablóides. Se é assim pras pessoas magras, imagina pra quem é gorda como eu – e como um monte de gente por aí? Fat shaming é algo real e extremamente doloroso.

Um lindo vídeo de resposta que surgiu na internet foi o da Whitney Way Thore – que tem um programa na TLC chamado “My Big Fat Fabulous Life” sobre sua vida e peso – no qual ela diz o que eu não consegui dizer devido a minha raiva ao ver algo tão hediondo sendo dito por essa Nicole.

 


You go, girl!!!

 
Parafraseando a Whitney Way Thore, você não consegue, olhando pra uma pessoa, saber sobre a saúde dela. Só de olhar não dá pra saber os motivos dela ter sobrepeso ou ser obesa: você não sabe se ela tem realmente todas as doenças que atribuem erroneamente somente aos gordos (como diabetes, pressão alta e outras), você não sabe se ela se exercita, você não sabe se ela acabou de perder peso.

 
Whitney Way Thore <3
 
Você simplesmente não sabe, então APENAS PARE de fingir que se importa com “a nossa saúde”. Juro, não é dessa forma que uma pessoa deve expressar ~preocupação~ com outra. O efeito atingido é exatamente o oposto – e que pessoa gorda, nos dias de hoje, não sabe sobre os possíveis efeitos do sobrepeso? É xingando ela, fazendo piada que você vai fazer com ela emagreça – ou é assim que você vai deixá-la pra baixo, fazê-la desenvolver algum distúrbio alimentar? Acho que a última parte é mais provável.

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