Sad Girls Club: depressão em discussão

Elyse Fox, fundadora do Sad Girls Club

Elyse Fox é a criadora do Sad Girls Club (clube das meninas tristes), uma comunidade de mulheres que se reune para discutir saúde mental.

O objetivo de Elyse é destruir o estigma e o tabu que cerca a depressão. Em entrevista para a Broadly, Elyse explica que não quer “sensacionalizar os temas de saúde mental ou depressão” e afirma que a ideia é fazer com que seja “mais normal discutir esses assuntos”. O caminho escolhido por Elyse foi a criação de uma rede (online e presencial) em que garotas pudessem encontrar outras garotas que também lidam com questões de saúde mental.
 

Wait I like the film version better🍋📸 @williamandreholdings

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Em uma conversa com a Teen Vogue, a Elyse conta que durante sua infância ninguém da sua família falava sobre saúde mental, e como consequência, ela tinha muita dificuldade em expressar o que estava sentindo. “Minha família é caribenha e sou parte da primeira geração de pessoas da minha família que nasceu nos EUA. O tópico de saúde mental nunca era discutido na minha casa”, diz Elyse.

Nascida no Brooklyn, a cineasta criou esse projeto pioneiro sobre saúde mental para jovens mulheres depois de lançar seu documentário Conversation with Friends. Em 2016, Elyse saiu de um relacionamento abusivo e o ano acabou sendo um dos mais difíceis para a sua depressão. Como resultado, ela decidiu montar um filme super pessoal sobre sua depressão.
 

 
Depois que o filme foi lançado, muitas meninas começaram a entrar em contato com Elyse, compartilhando suas próprias experiências com depressão. Através dessas interações, a Elyse começou a mapear que tipo de ajuda essas meninas precisavam: muitas delas queriam apenas pessoas para conversar enquanto outras queriam conselhos de como procurar tratamento. Muitas dessas meninas sequer cogitavam procurar terapia porque os preços eram altos demais e durante a correspondência com elas, Elyse indicava profissionais e serviços de atendimento locais.

Pouco a pouco, Elyse teve a ideia de aproximar essas meninas para conversar e criar uma comunidade de discussão sobre saúde mental. Foi assim que ela encontrou Shira Burstein,uma psicóloga disposta a ajudar o projeto.

Ela também criou recentemente um Kickstarter para realizar uma turnê pelos Estados Unidos com seus grupos de apoio às jovens mulheres que sofrem de depressão.

Se você quer saber mais sobre o projeto, dá uma olhada no Instagram da Elyse, no Instagram do Sad Girls Club e nessa entrevista que ela deu pra Teen Vogue:
 

Talking to the founder of Sad Girls Club about Mental Health Awareness.

Posted by Teen Vogue on Wednesday, May 10, 2017

 

Mais de Bárbara Paes

Crescendo negra: o assédio de todo dia

 

22 anos

No caminho entre o Metrô Anhangabaú e o escritório.
Passo por um engravatado, que grita:

– Gostosa!

Mando o cara se foder. A reação dele é rápida e previsível:

– Macaca!

 

15 anos

Uniforme escolar, de pé no ônibus lotado.
Um velho chega perto, quase encostando, e diz:

– Nossa, morena, queria que minha mulher fosse que nem você.

Não soube reagir, quase vomitei.
Uma mulher levanta do seu assento pra que eu possa sentar.

 

13 anos

Oitava série. Aula de matemática. Sou a única pessoa negra na sala de aula. Sento com as pernas dobradas em cima da cadeira. Chamo o professor pra tirar uma dúvida, e antes de resolver o exercício, ele aconselha:

– Você já é mulher demais pra continuar sentando desse jeito, viu?

Algumas das minhas colegas de classe, brancas, estão sentadas exatamente da mesma forma. Nenhuma delas foi repreendida.

 

9 anos

Fazendo compras no shopping com a minha mãe. Antes de sair pra pegar o par de tênis que eu escolhi, o vendedor me olha e solta:

– Já dá pra ver que vai ter um corpão igual ao da mãe.

Ela o encara com nojo e saímos loja sem comprar nada.
 


 
Comecei a escutar comentários sobre meu corpo por volta dos 7 anos. Menina negra nunca tem “cara de criança”. Nossos corpos são hipersexualizados desde muito cedo, de uma forma extremamente agressiva e cruel.

Por um tempo acreditei que meninas negras de fato não tinham infância, que a gente crescia rápido e era isso. Achava que tinha que aprender a me portar de um determinado jeito, caso contrário, a responsabilidade pelo assédio sofrido era minha. Mas logo eu aprendi que o assédio a que eu era constantemente exposta ao andar na rua não era natural e que eu jamais me acostumaria.

Todas as mulheres estão submetidas ao machismo, mas não da mesma forma. É preciso fazer recortes. O Dossiê Violência Contra as Mulheres, da Agência Patrícia Galvão, explica que há “diferenças em formas de violência que vão atingir desproporcionalmente as mulheres ante a combinação de múltiplas formas de discriminação, baseadas em sistemas de desigualdades que se retroalimentam – sobretudo de gênero, raça, etnia, classe e orientação e identidade sexual”. 

A história escravagista desse país ajudou a construir estereótipos ainda muito presentes que desumanizam e sexualizam as mulheres negras mesmo antes de entrarmos na puberdade, e que continuam a nos atormentar ao longo da vida adulta.

O mito racista da mulher negra hipersexualizada, subalterna e animalizada, vitimiza centenas de meninas e mulheres negras diariamente. As meninas negras são as maiores vítimas de exploração sexual infantil e de adolescentes. A taxa de homicídio de mulheres negras é o dobro da taxa das mulheres brancas.

Somos brutalmente atacadas todos os dias e eu nunca vou me acostumar.
 

Ilustração feita com exclusividade por Ana Carolina Matsusaki (Nã).

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Sad Girls Club (clube das meninas tristes), uma comunidade de mulheres que se reune para discutir saúde mental.

O objetivo de Elyse é destruir o estigma e o tabu que cerca a depressão. Em entrevista para a Broadly, Elyse explica que não quer “sensacionalizar os temas de saúde mental ou depressão” e afirma que a ideia é fazer com que seja “mais normal discutir esses assuntos”. O caminho escolhido por Elyse foi a criação de uma rede (online e presencial) em que garotas pudessem encontrar outras garotas que também lidam com questões de saúde mental.
 

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Em uma conversa com a Teen Vogue, a Elyse conta que durante sua infância ninguém da sua família falava sobre saúde mental, e como consequência, ela tinha muita dificuldade em expressar o que estava sentindo. “Minha família é caribenha e sou parte da primeira geração de pessoas da minha família que nasceu nos EUA. O tópico de saúde mental nunca era discutido na minha casa”, diz Elyse.

Nascida no Brooklyn, a cineasta criou esse projeto pioneiro sobre saúde mental para jovens mulheres depois de lançar seu documentário Conversation with Friends. Em 2016, Elyse saiu de um relacionamento abusivo e o ano acabou sendo um dos mais difíceis para a sua depressão. Como resultado, ela decidiu montar um filme super pessoal sobre sua depressão.
 

 
Depois que o filme foi lançado, muitas meninas começaram a entrar em contato com Elyse, compartilhando suas próprias experiências com depressão. Através dessas interações, a Elyse começou a mapear que tipo de ajuda essas meninas precisavam: muitas delas queriam apenas pessoas para conversar enquanto outras queriam conselhos de como procurar tratamento. Muitas dessas meninas sequer cogitavam procurar terapia porque os preços eram altos demais e durante a correspondência com elas, Elyse indicava profissionais e serviços de atendimento locais.

Pouco a pouco, Elyse teve a ideia de aproximar essas meninas para conversar e criar uma comunidade de discussão sobre saúde mental. Foi assim que ela encontrou Shira Burstein,uma psicóloga disposta a ajudar o projeto.

Ela também criou recentemente um Kickstarter para realizar uma turnê pelos Estados Unidos com seus grupos de apoio às jovens mulheres que sofrem de depressão.

Se você quer saber mais sobre o projeto, dá uma olhada no Instagram da Elyse, no Instagram do Sad Girls Club e nessa entrevista que ela deu pra Teen Vogue:
 

Talking to the founder of Sad Girls Club about Mental Health Awareness.

Posted by Teen Vogue on Wednesday, May 10, 2017

 

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