Ouça: Odetta Holmes

Odetta Holmes, por volta dos anos 1950.
"Através da música, eu aprendi coisas sobre a história dos negros neste país que os historiadores na escola não estavam dispostos a nos contar"

Um dia desses fui eu pesquisar a letra de uma música dessa maravilhosa, Odetta Holmes, e eis que me deparo com uma certa dificuldade em encontrar as letras das músicas no Vagalume ou em qualquer site brasileiro. Procuro em inglês e percebo outra dificuldade: ao pesquisa por “Odetta”, os resultados me davam músicas ou vídeos, mas as letras mesmo nada. Insisto e procuro “Odetta + nome da música” e então começo a me incomodar quando as letras que encontrei estavam na verdade nos nomes de Bob Dylan e Elton John.

Ora pois, como assim?

Então entendi que, além de compositora, Odetta era uma grande intérprete. Foi o start que faltava para eu descobrir mais sobre essa cantora que já escutava muito, mas não sabia quase nada sobre sua trajetória. E compartilho com vocês para eternizar essa deusa que merece ter suas músicas muito bem destinadas e expostas neste mundão.

Dê o play para ouvi-la enquanto lê sobre ela!

Odetta Holmes nasceu em Alabama, EUA. Ela tinha uma voz que entoava poder, força e um feminino absoluto. Ela foi uma das principais figuras do folk dos anos 50/60. Suas melodias transitavam também belo blues, jazz e Spiritual (Negro Spiritual). Mas além da música, Odetta também foi atriz e ativista pelos direitos humanos.

Estimulada por seus professores do colégio, terminou os estudos básicos em Los Angeles e permaneceu por lá para estudar música. Porém, Odetta acreditava que a música não surgia dentro da sala de aula mas sim nas ruas, vivendo.

A escola me ensinou a contar e a fazer sentenças […] Mas, no que diz respeito ao espírito humano, eu aprendi mesmo com a música folk.

E foi no percurso de Alabama para Los Angeles, junto com sua mãe, que experimentou seu primeiro momento com o racismo. Ainda criança, foi expulsa do trem com os guardas dizendo que as “pessoas de cor” deveriam sair daquele vagão e ir para outro.


 
Movida pelos sentimentos, pelas suas experiências de vida e aventuras em clubes noturnos, Odetta se envolveu com as histórias dos negros do seu país através de canções que ouviu na sua infância pela voz dos trabalhadores, que cantavam para se livrar das mazelas do dia-a-dia. Dessa forma, enraizou-se no folk.

Lançou seu primeiro disco em 1956, “Odetta Sings Ballads & Blues” e sua música ficou reconhecida como sendo a trilha sonora dos movimentos por direitos civis. Teve forte influencia nos movimentos da consciência negra dos Estados Unidos e, por isso, foi premiada pelo presidente Bill Clinton com uma medalha Nacional das Artes. Partiu desse mundo para outro melhor em 2008.

 

Odetta nos deixou de presente uma discografia inspiradora:
  • 1954 The Tin Angel
  • 1956 Odetta Sings Ballads and Blues
  • 1957 At the Gate of Horn
  • 1959 My Eyes Have Seen
  • 1960 Ballad For Americans and Other American Ballads
  • 1960 Christmas Spirituals
  • 1962 Odetta and The Blues
  • 1962 Sometimes I Feel Like Cryin’
  • 1963 One Grain of Sand
  • 1963 Odetta and Larry
  • 1963 Odetta Sings Folk Songs
  • 1964 It’s a Mighty World
  • 1964 Odetta Sings of Many Things
  • 1965 Odetta Sings Dylan
  • 1967 Odetta
  • 1970 Odetta Sings
  • 1987 Movin’ It On
  • 1988 Christmas Spirituals
  • 1999 Blues Everywhere I Go
  • 2001 Looking For a Home
  • 2002 Women in (E)motion
  • 2005 Gonna Let It Shine

Através da música, eu aprendi coisas sobre a história dos negros neste país que os historiadores na escola não estavam dispostos a nos contar, ou que mentiam para nós.

 

Muito prazer em enfim te conhecer um pouco melhor, Odetta!

 


 
Fontes: Wikipedia / Biography
 

Mais de Bruna Bento

Anália e Wood

 
Conheci Anália e Wood, no cantinho de uma feira indie em São Paulo, não lembro qual, possivelmente primeiro a Jardim Secreto no MIS, depois na Fêra Féra. Dois lindos, pensei, com coisas ainda mais lindas, feitas carinhosamente pelas mãos dos dois. Não sabia, mas são um casal e tanto. Em feiras pouco falamos, mas Daniel teve o carinho de me convidar pra fotografar o ateliê/casinha depois de eu ter anunciado minha “agenda aberta” no período de férias la da fiiirma. Fui toda alegre e insegura, por que essa sou eu.

 
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Então chego lá no alto de Pinheiros, numa rua que fazia um S e se via bem a descida abaixo. Enfim, achei a casinha. Fui recebida por dois seres de luz que me abraçaram, me deram chá de cidreira e laranja, produziram as fotos, se jogaram nos cliques e a tímida ali era apenas eu.

 
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Conheci o ateliê que fica num cômodo que dá para uma área arejada e clara, no mesmo andar do quarto. Pequeno e mega aconchegante com um baita painel rosa na parede principal, com veias cheias de emoção, pequenas prateleiras com acessórios de trabalho e decoração, muito bem escolhidos e garimpados por eles, como um crânio de dinossauro encontrado numa loja para acessórios de aquário.

 
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Os azulejos, máquina de escrever, pinturas, tintas e quadrinhos para as próximas produções envolvia e criava todo o ar Anália e Wood no espaço. Lá existiam duas mesas: uma onde Daniel produz seus freelas em vídeos, edição, publicidades, coisas, textos e etc  – recentemente largou “tudo” para se dedicar aos seus projetos e freelas – e a outra mesa, onde Anália mistura suas tintas e suas pinturas autorais, peças para as feiras e trabalhos da faculdade.

 

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Aos meus olhos leigos, a arte de Anália pulsa sentimentos, latejando sobre o dito cujo ou contidos em corações sofridos, algo que descaradamente vivemos, no simples e sem muita graça dia-a-dia (ou que achamos ser), preza pelo calor da pele bem exposto, quase como se quiséssemos tocar na obra e acariciar aquele ser que esta ali, com a bunda de fora ou com um ramalhete de flor no rosto, pensando sei lá o quê. Já nos trechos de Wood vejo e sinto críticas delicadas de como nosso comportamento, sabiamente tolo, não impede que vivamos a vida assim como ela é.

 

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As fotos rolaram enquanto conversamos, enquanto eu me encantava por esse casal, enquanto o gato miava em nossos pés.

 

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O almoço foi um outro acontecimento singelo e delicioso, e isso envolve desde o sabor ao sentimento que descaradamente criei por eles. A menina Anália além de talentosa, linda (de corpo e alma), é uma cozinheira de mão cheia. Ela fez uma listinha rápida do que faltava em seu armário para Daniel, ele correu comprar no mercado da esquina e nós ficamos a prosear sobre a vida e os amores que ela envolve.

 

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Fiquei fotografando a facilidade com que ela fazia aquele cheiroso almoço, que chegou no tempo certo, foi finalizado e a barriga abraçada com tamanho sabor. As identificações de criação, vida, visão e amizade continuaram em todo papo durante o almoço, e depois e depois…

Descobri alguns amigos em comum, a passagem de Anália por uma temporada de arte na Chapada Diamantina e como se perderam um do outro no aeroporto (risos).

 

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Pra finalizar, observei/registrei ela pintando uma baleia roxa, que era para ser um cacto. Ficou encantadora. E foi-se. Um dia agradável onde pude me sentir acolhida, viver e ver que toda dedicação e amor que eles colocam nessa trajetória que esta dando frutos. E isso é influenciador pra minha pessoa.

 

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Quero que mais tardes com bolo ou tortas (eu faço) venham, fica aqui o convite de quem quiser mostrar seu ateliê, sua mesinha, sua sala, sua casa, seu estúdio, seu canto seja ele qual for, me manda mensagem, inbox, email ♡ hehe

Vamos fotografar esses momentos bons e contar como foi.

É isso :)

Fotos por minha pessoa Bruna Bento

Imagens das pinturas e artes roubei do tumblr da Anália e no Daniel.

+ Fotos aqui

+ Anália e Wood aqui

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