Os livros de colorir para adultos são definitivamente o fenômeno editorial do ano. As edições de Jardim Secreto e sua sequência, Floresta Encantada, chegam aos montes nas livrarias e esgotam em poucos dias, o mesmo acontece com as caixas de lápis de cor que vão sumindo das estantes. Ninguém entende muito bem de onde surgiu essa onda, muitos embarcam nela, outros preferem analisar de longe – com um ar de superioridade, vale ressaltar.
Muita gente acredita que os livros de colorir para adulto são um sintoma dessa geração leite com pera – ou Millennium – que se recusa a crescer. É uma hipótese preguiçosa, cheia de preconceitos e generalizações que não dá conta de explicar esse fenômeno editorial, porque os números não batem. Jardim Secreto é um sucesso tão grande justamente porque vai além de um nicho e engloba um público diversificado. Não são apenas os jovens de classe média, desocupados e bobinhos, que compram os tais livros. Na verdade, talvez esse público não seja nem mesmo a maioria dos consumidores. Nos últimos meses trabalhei em uma livraria em um bairro de classe média alta do Rio de Janeiro e pude observar de perto quem consome os livros de colorir: Velhinhas, crianças, garotas jovens, senhoras de meia idade que estão tentando parar de fumar e por aí vai. Foi assim que constatei que não há um único fator que explique o porquê de tanto sucesso. Ao ver pilhas de livros sendo vendidas diariamente só consigo pensar em pacto. Johanna Basford deve ter vendido a alma pra conseguir desenhar aquele infinito de folhinhas e ganhar tanto dinheiro. Mas não me iludo, por que, em pleno 2015, nada é tão místico assim.
Acredito que a onda Jardim Secreto se deve mais a uma jogada genial de marketing editorial do que a valores de uma geração – mas, obviamente, o marketing se inspira em comportamentos contemporâneos, ao mesmo tempo em que os alteram. Livros nunca foram os objetos mais valiosos do mundo, com a invenção dos e-readers e a disponibilização pirata de conteúdos – que eu amo -, as editoras precisam rebolar para se manterem como indústrias lucrativas a longo prazo. Para isso, é preciso confiar e estimular todo fetichismo próprio a nossa condição humana: dá-lhe capa dura, edições comemorativas, capas elaboradas, conteúdo exclusivo e…livros interativos! Os livros não são mais histórias, são experiências que não podem ser reproduzidas. Ninguém pode piratear a experiência de colorir o Jardim Secreto – embora possa tirar xerox das ilustrações -, ou de destruir o Destrua este diário. Dessa forma, os livros interativos são a criação de um novo mercado e a salvação – pelo menos temporária – de uma indústria. É fácil entender porque Jardim Secreto se tornou um produto, mas ainda falta explicar porque se tornou um dos livros mais vendidos mundialmente.
O sucesso de livros interativos não pode ser explicado por um fator ou um nicho e, sim, por um contexto. Vivemos em uma sociedade em que é preciso desenvolver conhecimentos e habilidades intelectuais para ganhar dinheiro – e isso não quer dizer ser rico, mas apenas conseguir um emprego – , em função disso, há cada vez mais um esquecimento de certos gestos. Obviamente, é preciso um recorte de classe, nem todos vivem neste tempo; uma característica da história é que diferentes temporalidades podem coincidir. Falo de um lugar bem específico, da classe média carioca, e me comunico, provavelmente, com pessoas que vivem uma realidade similar, afinal, esse é um texto publicado pela internet sobre um livro de colorir – e não sei se isso precisa ser notado, mas livros são objetos que participam da vida de uma minoria privilegiada. No entanto, ainda que minhas impressões sejam parciais e relativas, a ordem econômica se impõe materialmente e o que ela nos diz é que saber usar a internet é mais importante do que saber lavar seu banheiro.
Sobrevivemos sob uma série de imperativos que constroem uma teia ilógica que certamente vão nos levar a um futuro, no mínimo, complicado. As contradições são gritantes, mas quando estamos presos em uma ponta é fácil ignorar o resto. Enfim, hoje, a classe média urbana e globalizada compartilha um estilo de vida: Passamos horas presos no trânsito e, ao fim do dia de trabalho, nos encaminhamos até academias para nos exercitar com o objetivo de nos manter saudáveis (e isso quer dizer, nos manter magros e atraentes de acordo com os padrões); conhecemos pessoas por aplicativos; postamos selfies para nos sentirmos mais amados e bonitos; pagamos caro para alguém nos ouvir, porque precisamos manter a saúde mental; aprendemos técnicas de meditação e espiritualidade para manter a saúde mental; nos enchemos de alimentos orgânicos, sucos verdes, antioxidantes, linhaça, chia e tudo mais que possam inventar para manter a saúde, ao mesmo tempo em que usamos um desodorante que pode nos dar um câncer; amamos nossos filhos acima de tudo, por isso, aos dez meses de idade, eles já são donos de um tablet cheio de joguinhos educativos; gravamos mensagens de áudio no whatsapp para não termos tendinite aos 30 anos; detestamos atender ligações; de uma condição existencial não conseguimos nos livrar: elevadores ainda exigem interações sociais muito estranhas – caso alguém tire os olhos do celular para olhar quem entrou e saiu.
É através desse modo de vida que os livros de colorir se inscrevem como uma promessa. O sucesso não está na beleza das ilustrações, mas na escolha de um discurso. O Jardim Secreto carrega uma dupla nostalgia; a saudade de tempo mais simples que foi a nossa infância individual e o nosso passado enquanto humanidade. Esses livros permitem um retorno aos gestos esquecidos pela história, mas dentro de uma perspectiva contemporânea, na qual o prazer de realizar algo manualmente é transformado em uma necessidade terapêutica. Sem dúvida colorir deve servir como uma terapia para algumas pessoas, assim como eu exorcizo minhas emoções lavando meu banheiro. A urgência em consumir esse produto é a mesma busca própria aos seres humanos: um pouco de prazer e/ou conforto. Isso só se torna sintomático quando percebemos que há uma estranha confusão entre os termos “prazer” e “terapia” ou “prazer” e “saúde”. Chegamos a um tempo em que todas as ações devem ter finalidade: colorimos para nos aliviar do estresse. Assim, toda busca já supõe um alvo ou, melhor, um produto. Não há mais processo ou dúvida, as insatisfações são medicadas, o ócio tem seu valor produtivo e a recreação infantil se torna parte da linha de montagem.
Aponto essas características sem julgamento, me incluo nessa realidade e não acredito que esses atos sejam condenáveis, porque são apenas consequências de um problema muito maior. Identificar nossos hábitos que às vezes são um tanto absurdos, faz parte de uma autocrítica, principalmente, é o único meio para entender o surgimento de novas tendências. Acho preguiçoso se apegar a uma moral que condena tudo que é contemporâneo com frases repetidas “Ah, a pós-modernidade!”, “Ah, essa jovens mimados”, “Ah, essa modernidade líquida!” e por aí vai. Acho boba toda crítica que parte de uma distância arrogante que claramente pressupõe que existem os outros, os iludidos, e você, o crítico esclarecido. Breaking news: Vivemos em um sistema que se opera por meio da fantasia e você, a partir do momento que conta uma história usando o pronome “eu”, faz parte disso.
O que as pessoas estão em busca é de uma promessa para ocupar suas mentes zuadas e suas mãos vazias. Talvez elas sejam idiotas, alienadas e desprovidas de capacidade crítica. Talvez elas sejam exatamente como nós, pessoas em busca de algo. É claro que os caminhos e os desejos nos conduzem a posições muito diferentes. Não somos todos iguais. Somos uma confusão de perspectivas e anseios. Mas, se eu odeio tanto aquele que só me enxerga sem noção de alteridade e, portanto, me silencia, não posso ou não deveria fazer o mesmo. Não que seja fácil, é mais uma tentativa a se buscar.
Os livros de colorir para adultos são definitivamente o fenômeno editorial do ano. As edições de Jardim Secreto e sua sequência, Floresta Encantada, chegam aos montes nas livrarias e esgotam em poucos dias, o mesmo acontece com as caixas de lápis de cor que vão sumindo das estantes. Ninguém entende muito bem de onde surgiu essa onda, muitos embarcam nela, outros preferem analisar de longe – com um ar de superioridade, vale ressaltar.
Muita gente acredita que os livros de colorir para adulto são um sintoma dessa geração leite com pera – ou Millennium – que se recusa a crescer. É uma hipótese preguiçosa, cheia de preconceitos e generalizações que não dá conta de explicar esse fenômeno editorial, porque os números não batem. Jardim Secreto é um sucesso tão grande justamente porque vai além de um nicho e engloba um público diversificado. Não são apenas os jovens de classe média, desocupados e bobinhos, que compram os tais livros. Na verdade, talvez esse público não seja nem mesmo a maioria dos consumidores. Nos últimos meses trabalhei em uma livraria em um bairro de classe média alta do Rio de Janeiro e pude observar de perto quem consome os livros de colorir: Velhinhas, crianças, garotas jovens, senhoras de meia idade que estão tentando parar de fumar e por aí vai. Foi assim que constatei que não há um único fator que explique o porquê de tanto sucesso. Ao ver pilhas de livros sendo vendidas diariamente só consigo pensar em pacto. Johanna Basford deve ter vendido a alma pra conseguir desenhar aquele infinito de folhinhas e ganhar tanto dinheiro. Mas não me iludo, por que, em pleno 2015, nada é tão místico assim.
Acredito que a onda Jardim Secreto se deve mais a uma jogada genial de marketing editorial do que a valores de uma geração – mas, obviamente, o marketing se inspira em comportamentos contemporâneos, ao mesmo tempo em que os alteram. Livros nunca foram os objetos mais valiosos do mundo, com a invenção dos e-readers e a disponibilização pirata de conteúdos – que eu amo -, as editoras precisam rebolar para se manterem como indústrias lucrativas a longo prazo. Para isso, é preciso confiar e estimular todo fetichismo próprio a nossa condição humana: dá-lhe capa dura, edições comemorativas, capas elaboradas, conteúdo exclusivo e…livros interativos! Os livros não são mais histórias, são experiências que não podem ser reproduzidas. Ninguém pode piratear a experiência de colorir o Jardim Secreto – embora possa tirar xerox das ilustrações -, ou de destruir o Destrua este diário. Dessa forma, os livros interativos são a criação de um novo mercado e a salvação – pelo menos temporária – de uma indústria. É fácil entender porque Jardim Secreto se tornou um produto, mas ainda falta explicar porque se tornou um dos livros mais vendidos mundialmente.
O sucesso de livros interativos não pode ser explicado por um fator ou um nicho e, sim, por um contexto. Vivemos em uma sociedade em que é preciso desenvolver conhecimentos e habilidades intelectuais para ganhar dinheiro – e isso não quer dizer ser rico, mas apenas conseguir um emprego – , em função disso, há cada vez mais um esquecimento de certos gestos. Obviamente, é preciso um recorte de classe, nem todos vivem neste tempo; uma característica da história é que diferentes temporalidades podem coincidir. Falo de um lugar bem específico, da classe média carioca, e me comunico, provavelmente, com pessoas que vivem uma realidade similar, afinal, esse é um texto publicado pela internet sobre um livro de colorir – e não sei se isso precisa ser notado, mas livros são objetos que participam da vida de uma minoria privilegiada. No entanto, ainda que minhas impressões sejam parciais e relativas, a ordem econômica se impõe materialmente e o que ela nos diz é que saber usar a internet é mais importante do que saber lavar seu banheiro.
Sobrevivemos sob uma série de imperativos que constroem uma teia ilógica que certamente vão nos levar a um futuro, no mínimo, complicado. As contradições são gritantes, mas quando estamos presos em uma ponta é fácil ignorar o resto. Enfim, hoje, a classe média urbana e globalizada compartilha um estilo de vida: Passamos horas presos no trânsito e, ao fim do dia de trabalho, nos encaminhamos até academias para nos exercitar com o objetivo de nos manter saudáveis (e isso quer dizer, nos manter magros e atraentes de acordo com os padrões); conhecemos pessoas por aplicativos; postamos selfies para nos sentirmos mais amados e bonitos; pagamos caro para alguém nos ouvir, porque precisamos manter a saúde mental; aprendemos técnicas de meditação e espiritualidade para manter a saúde mental; nos enchemos de alimentos orgânicos, sucos verdes, antioxidantes, linhaça, chia e tudo mais que possam inventar para manter a saúde, ao mesmo tempo em que usamos um desodorante que pode nos dar um câncer; amamos nossos filhos acima de tudo, por isso, aos dez meses de idade, eles já são donos de um tablet cheio de joguinhos educativos; gravamos mensagens de áudio no whatsapp para não termos tendinite aos 30 anos; detestamos atender ligações; de uma condição existencial não conseguimos nos livrar: elevadores ainda exigem interações sociais muito estranhas – caso alguém tire os olhos do celular para olhar quem entrou e saiu.
É através desse modo de vida que os livros de colorir se inscrevem como uma promessa. O sucesso não está na beleza das ilustrações, mas na escolha de um discurso. O Jardim Secreto carrega uma dupla nostalgia; a saudade de tempo mais simples que foi a nossa infância individual e o nosso passado enquanto humanidade. Esses livros permitem um retorno aos gestos esquecidos pela história, mas dentro de uma perspectiva contemporânea, na qual o prazer de realizar algo manualmente é transformado em uma necessidade terapêutica. Sem dúvida colorir deve servir como uma terapia para algumas pessoas, assim como eu exorcizo minhas emoções lavando meu banheiro. A urgência em consumir esse produto é a mesma busca própria aos seres humanos: um pouco de prazer e/ou conforto. Isso só se torna sintomático quando percebemos que há uma estranha confusão entre os termos “prazer” e “terapia” ou “prazer” e “saúde”. Chegamos a um tempo em que todas as ações devem ter finalidade: colorimos para nos aliviar do estresse. Assim, toda busca já supõe um alvo ou, melhor, um produto. Não há mais processo ou dúvida, as insatisfações são medicadas, o ócio tem seu valor produtivo e a recreação infantil se torna parte da linha de montagem.
Aponto essas características sem julgamento, me incluo nessa realidade e não acredito que esses atos sejam condenáveis, porque são apenas consequências de um problema muito maior. Identificar nossos hábitos que às vezes são um tanto absurdos, faz parte de uma autocrítica, principalmente, é o único meio para entender o surgimento de novas tendências. Acho preguiçoso se apegar a uma moral que condena tudo que é contemporâneo com frases repetidas “Ah, a pós-modernidade!”, “Ah, essa jovens mimados”, “Ah, essa modernidade líquida!” e por aí vai. Acho boba toda crítica que parte de uma distância arrogante que claramente pressupõe que existem os outros, os iludidos, e você, o crítico esclarecido. Breaking news: Vivemos em um sistema que se opera por meio da fantasia e você, a partir do momento que conta uma história usando o pronome “eu”, faz parte disso.
O que as pessoas estão em busca é de uma promessa para ocupar suas mentes zuadas e suas mãos vazias. Talvez elas sejam idiotas, alienadas e desprovidas de capacidade crítica. Talvez elas sejam exatamente como nós, pessoas em busca de algo. É claro que os caminhos e os desejos nos conduzem a posições muito diferentes. Não somos todos iguais. Somos uma confusão de perspectivas e anseios. Mas, se eu odeio tanto aquele que só me enxerga sem noção de alteridade e, portanto, me silencia, não posso ou não deveria fazer o mesmo. Não que seja fácil, é mais uma tentativa a se buscar.
Os livros de colorir para adultos são definitivamente o fenômeno editorial do ano. As edições de Jardim Secreto e sua sequência, Floresta Encantada, chegam aos montes nas livrarias e esgotam em poucos dias, o mesmo acontece com as caixas de lápis de cor que vão sumindo das estantes. Ninguém entende muito bem de onde surgiu essa onda, muitos embarcam nela, outros preferem analisar de longe – com um ar de superioridade, vale ressaltar.
Muita gente acredita que os livros de colorir para adulto são um sintoma dessa geração leite com pera – ou Millennium – que se recusa a crescer. É uma hipótese preguiçosa, cheia de preconceitos e generalizações que não dá conta de explicar esse fenômeno editorial, porque os números não batem. Jardim Secreto é um sucesso tão grande justamente porque vai além de um nicho e engloba um público diversificado. Não são apenas os jovens de classe média, desocupados e bobinhos, que compram os tais livros. Na verdade, talvez esse público não seja nem mesmo a maioria dos consumidores. Nos últimos meses trabalhei em uma livraria em um bairro de classe média alta do Rio de Janeiro e pude observar de perto quem consome os livros de colorir: Velhinhas, crianças, garotas jovens, senhoras de meia idade que estão tentando parar de fumar e por aí vai. Foi assim que constatei que não há um único fator que explique o porquê de tanto sucesso. Ao ver pilhas de livros sendo vendidas diariamente só consigo pensar em pacto. Johanna Basford deve ter vendido a alma pra conseguir desenhar aquele infinito de folhinhas e ganhar tanto dinheiro. Mas não me iludo, por que, em pleno 2015, nada é tão místico assim.
[caption id="attachment_4165" align="alignnone" width="880"] Johanna Basford: a artista por trás do fenômeno dos livros de colorir para adultos[/caption]
Acredito que a onda Jardim Secreto se deve mais a uma jogada genial de marketing editorial do que a valores de uma geração – mas, obviamente, o marketing se inspira em comportamentos contemporâneos, ao mesmo tempo em que os alteram. Livros nunca foram os objetos mais valiosos do mundo, com a invenção dos e-readers e a disponibilização pirata de conteúdos – que eu amo -, as editoras precisam rebolar para se manterem como indústrias lucrativas a longo prazo. Para isso, é preciso confiar e estimular todo fetichismo próprio a nossa condição humana: dá-lhe capa dura, edições comemorativas, capas elaboradas, conteúdo exclusivo e…livros interativos! Os livros não são mais histórias, são experiências que não podem ser reproduzidas. Ninguém pode piratear a experiência de colorir o Jardim Secreto – embora possa tirar xerox das ilustrações -, ou de destruir o Destrua este diário. Dessa forma, os livros interativos são a criação de um novo mercado e a salvação – pelo menos temporária – de uma indústria. É fácil entender porque Jardim Secreto se tornou um produto, mas ainda falta explicar porque se tornou um dos livros mais vendidos mundialmente.
O sucesso de livros interativos não pode ser explicado por um fator ou um nicho e, sim, por um contexto. Vivemos em uma sociedade em que é preciso desenvolver conhecimentos e habilidades intelectuais para ganhar dinheiro – e isso não quer dizer ser rico, mas apenas conseguir um emprego – , em função disso, há cada vez mais um esquecimento de certos gestos. Obviamente, é preciso um recorte de classe, nem todos vivem neste tempo; uma característica da história é que diferentes temporalidades podem coincidir. Falo de um lugar bem específico, da classe média carioca, e me comunico, provavelmente, com pessoas que vivem uma realidade similar, afinal, esse é um texto publicado pela internet sobre um livro de colorir – e não sei se isso precisa ser notado, mas livros são objetos que participam da vida de uma minoria privilegiada. No entanto, ainda que minhas impressões sejam parciais e relativas, a ordem econômica se impõe materialmente e o que ela nos diz é que saber usar a internet é mais importante do que saber lavar seu banheiro.
Sobrevivemos sob uma série de imperativos que constroem uma teia ilógica que certamente vão nos levar a um futuro, no mínimo, complicado. As contradições são gritantes, mas quando estamos presos em uma ponta é fácil ignorar o resto. Enfim, hoje, a classe média urbana e globalizada compartilha um estilo de vida: Passamos horas presos no trânsito e, ao fim do dia de trabalho, nos encaminhamos até academias para nos exercitar com o objetivo de nos manter saudáveis (e isso quer dizer, nos manter magros e atraentes de acordo com os padrões); conhecemos pessoas por aplicativos; postamos selfies para nos sentirmos mais amados e bonitos; pagamos caro para alguém nos ouvir, porque precisamos manter a saúde mental; aprendemos técnicas de meditação e espiritualidade para manter a saúde mental; nos enchemos de alimentos orgânicos, sucos verdes, antioxidantes, linhaça, chia e tudo mais que possam inventar para manter a saúde, ao mesmo tempo em que usamos um desodorante que pode nos dar um câncer; amamos nossos filhos acima de tudo, por isso, aos dez meses de idade, eles já são donos de um tablet cheio de joguinhos educativos; gravamos mensagens de áudio no whatsapp para não termos tendinite aos 30 anos; detestamos atender ligações; de uma condição existencial não conseguimos nos livrar: elevadores ainda exigem interações sociais muito estranhas – caso alguém tire os olhos do celular para olhar quem entrou e saiu.
É através desse modo de vida que os livros de colorir se inscrevem como uma promessa. O sucesso não está na beleza das ilustrações, mas na escolha de um discurso. O Jardim Secreto carrega uma dupla nostalgia; a saudade de tempo mais simples que foi a nossa infância individual e o nosso passado enquanto humanidade. Esses livros permitem um retorno aos gestos esquecidos pela história, mas dentro de uma perspectiva contemporânea, na qual o prazer de realizar algo manualmente é transformado em uma necessidade terapêutica. Sem dúvida colorir deve servir como uma terapia para algumas pessoas, assim como eu exorcizo minhas emoções lavando meu banheiro. A urgência em consumir esse produto é a mesma busca própria aos seres humanos: um pouco de prazer e/ou conforto. Isso só se torna sintomático quando percebemos que há uma estranha confusão entre os termos “prazer” e “terapia” ou “prazer” e “saúde”. Chegamos a um tempo em que todas as ações devem ter finalidade: colorimos para nos aliviar do estresse. Assim, toda busca já supõe um alvo ou, melhor, um produto. Não há mais processo ou dúvida, as insatisfações são medicadas, o ócio tem seu valor produtivo e a recreação infantil se torna parte da linha de montagem.
Aponto essas características sem julgamento, me incluo nessa realidade e não acredito que esses atos sejam condenáveis, porque são apenas consequências de um problema muito maior. Identificar nossos hábitos que às vezes são um tanto absurdos, faz parte de uma autocrítica, principalmente, é o único meio para entender o surgimento de novas tendências. Acho preguiçoso se apegar a uma moral que condena tudo que é contemporâneo com frases repetidas “Ah, a pós-modernidade!”, “Ah, essa jovens mimados”, “Ah, essa modernidade líquida!” e por aí vai. Acho boba toda crítica que parte de uma distância arrogante que claramente pressupõe que existem os outros, os iludidos, e você, o crítico esclarecido. Breaking news: Vivemos em um sistema que se opera por meio da fantasia e você, a partir do momento que conta uma história usando o pronome “eu”, faz parte disso.
O que as pessoas estão em busca é de uma promessa para ocupar suas mentes zuadas e suas mãos vazias. Talvez elas sejam idiotas, alienadas e desprovidas de capacidade crítica. Talvez elas sejam exatamente como nós, pessoas em busca de algo. É claro que os caminhos e os desejos nos conduzem a posições muito diferentes. Não somos todos iguais. Somos uma confusão de perspectivas e anseios. Mas, se eu odeio tanto aquele que só me enxerga sem noção de alteridade e, portanto, me silencia, não posso ou não deveria fazer o mesmo. Não que seja fácil, é mais uma tentativa a se buscar.
[infobox maintitle="NOTA:" subtitle="Inicialmente o título do texto era Somos todos coloristas?. No entanto, fomos alertadas para a complicada aproximação desse titulo com o termo colorismo. Para não causar nenhum tipo de desconforto para nossas leitoras, resolvemos alterar." bg="red" color="black" opacity="on" space="30" link="no link"]
Há um mês, eu estava no tinder quando dei match com um cara de 29 anos que era exatamente meu tipo (atraente de um modo discreto, olhos e cabelos escuros, desajustado na medida certa).
Então eu li sua biografia.
Deus do céu, pensei imediatamente. Que erro terrível. Esse homem não é nem um pouco Meu Tipo. Ele gosta de fazer atividades ao ar livre e aquelas típicas Coisas de Caras, como carros e escalada. Eu sou uma garota que só gosta de sair se for para restaurantes e hotéis com luxuosos banheiros onde você pode tirar selfies. Mesmo deixando de lado essa incompatibilidade, o resto da sua biografia era tão… boba: um resumo de todas as coisas que dizem para evitar em sites de encontros. Odiei imediatamente, porque era descaradamente sincero, sorridente e animado, o oposto do meu tipo de humor. Eu odiei até seu nome. Vamos chamá-lo de Evan, que é um nome tão brando, agradável e sem graça quanto seu nome verdadeiro.
Quando ele começou a me mandar mensagens, eu rapidamente descobri que sua personalidade era exatamente como sua bio o descrevia. Ele escrevia longas mensagens perguntando sobre mim e me contando coisas sobre ele – nenhuma deles muito interessante. Evan era um engenheiro, um emprego que eu acho particularmente chato. Evan gostava de assistir esportes. Minha indiferença por esportes se transformou em um desgosto após um ex-namorado me forçar a assistir um jogo de futebol atrás do outro.
No entanto, Evan continuava falando e eu continuei respondendo. Porque não havia nada de errado com ele. Ele era um cara de confiança, um solid dude. Não era cruel, não era insistente, não era agressivo, não era arrogante: uma série de qualidades raras no tinder e, na verdade, raras na vida real. Por essa razão, resolvi encontrá-lo.
Eu não me desapontei. Na vida real, Evan foi tão sensível quanto parecia online e também tão comum quanto demonstrava ser.
*
Não vou me sentar aqui e dizer que o homem dos meus sonhos não é real. Eu conheci o homem dos meus sonhos, o homem que tem cada uma das qualidades dessa lista. Na verdade, eu me relacionei com o homem dos meus sonhos. Eu saí com ele várias vezes. Várias versões desse mesmo homem, na verdade.
O homem dos meus sonhos constantemente mudava de ideia sobre seus sentimentos por mim, várias vezes lançando afirmações ligeiramente charmosas como “Você poderia ser, talvez, você poderia ser a garota que vai arruinar minha vida”. O homem dos meus sonhos nunca me escrevia algo entediante. O homem dos meus sonhos não entendia moderação e passava sua vida bebendo só um pouco demais e fumando só um pouco demais. O homem dos meus sonhos era inquieto demais para acordar às sete da manhã e se comprometer com seu emprego entediante, mas estável. O homem dos meus sonhos não dormia por dias, então aparecia na minha porta porque ele apenas TINHA que me ver no meio da noite. O homem dos meus sonhos pegava um ônibus para Nova Iorque sempre que ele tinha vontade. O homem dos meus sonhos estava sempre indeciso sobre seu futuro, seu presente e passado. O homem dos meus sonhos não tinha um relacionamento com seus parentes e não se importava com isso. O homem dos meus sonhos me desprezava sempre que sentia vontade, às vezes através de mensagens. O homem dos meus sonhos não sentia necessidade de me avisar quando decidia desaparecer da minha vida. Esse é o problema. As coisas que eu quero não são como as coisas que eu pensava que queria, as coisas que nos dizem que nós queremos. Eu era essencialmente e profundamente incompatível com o homem dos meus sonhos.
Evan não é o homem dos meus sonhos. Ele é apenas um cara estável. E quanto mais eu ia a encontros com ele (sim, ele sempre chamava de encontros, ele não assumia um tom casual para o que estávamos fazendo), mais começava a perceber que, apesar dele não ter aquele charme afiado que eu buscava, ele era capaz de atender completamente as minhas demandas emocionais. Evan nunca me deixou intrigada sobre seus sentimentos; ele nunca esqueceu de me perguntar como eu estava. O que lhe faltava em mistério, ele compensava em doçura. Ele já havia se comprometido com outras mulheres, então ele poderia se comprometer comigo. Ele não era impulsivo, o que significa que ele também não era o tipo que decidia me abandonar sem me dar um aviso. Ele nunca dizia algo bonito ou vago como “Você poderia ser a garota que vai arruinar minha vida”, porque Evan não lidava com esse tipo de impulsividade. Ele era muito certo do que sentia. Sei que nada disso parece ser atrativo, mas se você é uma garota e está lendo isso, você entende quão raro é encontrar alguém que tem certeza do que sente. Longe de ser comum, Evan era raro.
Sim, éramos muito diferentes, mas eu aprendi a gostar dessa diferença. Evan nunca me fez assistir esportes com ele, ou reclamou quando eu demorei anos para me arrumar. Ele fazia suas coisas e eu fazia as minhas. Ele achava que eu era legal e interessante, cheia de humor e carisma, então eu me sentia assim perto dele, porque ele nunca estava distante ou indiferente. Com ele, eu me sentia uma pessoa impressionante.
Eu sempre me vi casando com outro escritor, levando uma vida no estilo de Scott e Zelda Fitzgerald, e, sendo muito sincera, isso ainda me parece maravilhoso. Porém, percebi que eu poderia ser completamente feliz casada com um cara que não entende tudo que eu amo, que chega em casa de seu trabalho entediante e diz “Como foi seu dia, querida?”.
Veja, não estou te dizendo para dar uma chance a cada cara sem graça do tinder. Também não estou dizendo que caras interessantes são babacas que nunca vão se comprometer com você. O que estou dizendo é: saiba o que é realmente importante para você.
O que Evan me ensinou durante o tempo em que estivemos juntos foi que as coisas que eu preciso são firmeza, comprometimento e entusiasmo. Eu não estou em um estágio da minha vida em que quero mover montanhas para ser a maior fã de um cara, para brilhar um pouco menos porque ele suga toda a luz de um lugar. Eu preciso estar com um homem que diz “eu não brilho se você não brilhar”.
Evan me ensinou que eu estava fazendo todas as perguntas erradas sobres parceiros românticos em potencial. Você acorda e vai trabalhar todos os dias e você se dedica pacientemente e gentilmente ainda que seja só um trabalho medíocre? Isso é real pra caralho. Você é uma artista, mas você está apaixonada pelo processo e não pelo estilo de vida? Isso é real pra caralho. Você gosta de coisas que eu não gosto, mas você me permite ter meu espaço? Isso é real pra caralho.
Mais importante, você é um cara em que eu possa confiar?
Eu e várias amigas recomendamos esse texto no Medium. Tenho pensado muito sobre as coisas com as quais nos identificamos, nos poemas, imagens e desabafos que nos acolhem. Às vezes acho que nem gostaríamos tanto assim de concordar – tenho várias críticas a esse artigo, principalmente no que diz respeito ao egocentrismo perturbador da autora -, mas o alívio de não estarmos sós é irresistível. Se identificar com esse tipo de relato significa descobrirmos que as feridas que salgamos com apatia e desconfiança não são um defeito individual. Isso nos poupa da culpa – sentimento sempre enormemente presente nos papéis do nosso gênero – e também um tanto de responsabilidade.
O que mais me chama atenção é um padrão nas falas nas quais nos enxergamos. Estamos todas exaustas, cínicas, indispostas para apostar qualquer fagulha de desconforto em um compromisso com o outro. Há também um modelo preciso para carregar essa ferida, afinal, nós somos feministas e empoderadas. A gente não cabe mais na vulnerabilidade, porque aprendemos que isso significa um risco mortal. Então, nos resta ser duras. A ferida que é um rasgo, uma abertura, em nós é casco. Calejadas em nossas resistências não ousamos mais sofrer, não damos conta economicamente, na nossa idade dinheiro e sentimento já se misturam. Ser firme e inteira, manter essa postura diariamente, às vezes tem um peso cruel.
Às vezes eu acho que o feminismo ainda não é capaz de nos liberar para sermos simplesmente humanas, em toda fragilidade e erro que significa essa condição. Às vezes não queria mais me ocupar de estar certa e só chorar, em praça pública, em braços cheios de afeto e incoerência.
*
Eu me encontro neste texto, como muitas mulheres, porque finalmente aprendo a não romantizar a dor e a questionar o que considerava atraente. Hoje, de fato, vejo que não há nada de interessante em um cara arrogante que não consegue dar conta de sua vida e usa justificativas patéticas para isso. Hoje eu não tolero mais quem acha que depressão, ansiedade ou qualquer limite psicológico é charmosinho. E isso é importante. Pedir um amor que não passe por aí é importante. Se deixar ser amada também.
Mas e quanto o que eu amo? O que me incomoda nesse texto é uma domesticação dos nossos afetos. Eu não quero acreditar que o máximo que posso pedir de um homem com quem me envolvo romanticamente é comprometimento. Ainda que isso seja raro. Parece que quando nos dão o que é simplesmente a coisa mais básica de um relacionamento, respeito, estão fazendo algo de extraordinário. Eu não quero achar um cara incrível só porque ele me trata bem. Isso soa ruim. E talvez seja. Mas não é possível pedir um pouco mais? Não é possível algo além dessas duas posições, amar alguém e sofrer ou eu ser amada e morrer de tédio?
Eu sei que a autora tenta apostar em uma solução para isso. Mas não há a palavra amor nesse texto. Há comprometimento e conciliação de interesses, não há afetos que vão além dos planos.
Eu também acho que a pessoa que amamos não precisa estar em concordância com todos os aspectos de nossa vida, não precisa gostar de tudo que gostamos e até mesmo entender totalmente quem somos. Mas se não há brilho no olho, tesão e vontade eu me pergunto para quê uma relação? Estar com alguém só porque ela faz com que eu me sinta admirável é algo meio triste e desonesto. Se for por aí eu tenho relacionamentos em que essa sensação é recíproca e mantida por trocas, afetos e compromissos gigantes. Eu tenho as minhas amigas, pessoas que estiveram e vão estar presentes nos mais diferentes eventos da minha vida. Eu não acredito em relacionamentos que tem a conveniência e a estabilidade como motor. Talvez eu seja só muito romântica ou talvez eu goste mais da minha solidão do que de qualquer companhia.
Por fim, eu acredito que esse texto é construído com uma perspectiva perigosa que o feminismo contemporâneo (de internet) nos traz: precisamos tanto reconstruir nossas autoestimas e assegurar nosso amor próprio que não conseguimos praticar a autocrítica. É, sim, urgente que as mulheres se achem maravilhosas e que digam isso para si mesmas e suas amigas. É, sim, urgente que nós aprendamos a amar de outra forma que não abusiva. É fundamental que nós estejamos finalmente repudiando as dinâmicas machistas que são a base de tantos relacionamentos românticos. Mas é preciso fazer isso sem perder de vista que somos humanas, não somos modelos de empoderamento, nós erramos, nós estamos vulneráveis o tempo todo, nós temos responsabilidade. Acho que só por aí que é possível acreditar de novo em formas de amar – principalmente se você é uma mulher heterossexual ou bissexual que se relaciona com homens. A possibilidade de existir com o outro – e não pelo o outro – só é possível através de uma noção de feminismo que não seja sobre estarmos sempre certas, mas, sim, sobre termos agência e autonomia para construir novas formas de vida e de relacionamentos.
É através desse modo de vida que os livros de colorir se inscrevem como uma promessa. O sucesso não está na beleza das ilustrações, mas na escolha de um discurso. O Jardim Secreto carrega uma dupla nostalgia; a saudade de tempo mais simples que foi a nossa infância individual e o nosso passado enquanto humanidade. Esses livros permitem um retorno aos gestos esquecidos pela história, mas dentro de uma perspectiva contemporânea, na qual o prazer de realizar algo manualmente é transformado em uma necessidade terapêutica. Sem dúvida colorir deve servir como uma terapia para algumas pessoas, assim como eu exorcizo minhas emoções lavando meu banheiro. A urgência em consumir esse produto é a mesma busca própria aos seres humanos: um pouco de prazer e/ou conforto. Isso só se torna sintomático quando percebemos que há uma estranha confusão entre os termos “prazer” e “terapia” ou “prazer” e “saúde”. Chegamos a um tempo em que todas as ações devem ter finalidade: colorimos para nos aliviar do estresse. Assim, toda busca já supõe um alvo ou, melhor, um produto. Não há mais processo ou dúvida, as insatisfações são medicadas, o ócio tem seu valor produtivo e a recreação infantil se torna parte da linha de montagem.
Aponto essas características sem julgamento, me incluo nessa realidade e não acredito que esses atos sejam condenáveis, porque são apenas consequências de um problema muito maior. Identificar nossos hábitos que às vezes são um tanto absurdos, faz parte de uma autocrítica, principalmente, é o único meio para entender o surgimento de novas tendências. Acho preguiçoso se apegar a uma moral que condena tudo que é contemporâneo com frases repetidas “Ah, a pós-modernidade!”, “Ah, essa jovens mimados”, “Ah, essa modernidade líquida!” e por aí vai. Acho boba toda crítica que parte de uma distância arrogante que claramente pressupõe que existem os outros, os iludidos, e você, o crítico esclarecido. Breaking news: Vivemos em um sistema que se opera por meio da fantasia e você, a partir do momento que conta uma história usando o pronome “eu”, faz parte disso.
O que as pessoas estão em busca é de uma promessa para ocupar suas mentes zuadas e suas mãos vazias. Talvez elas sejam idiotas, alienadas e desprovidas de capacidade crítica. Talvez elas sejam exatamente como nós, pessoas em busca de algo. É claro que os caminhos e os desejos nos conduzem a posições muito diferentes. Não somos todos iguais. Somos uma confusão de perspectivas e anseios. Mas, se eu odeio tanto aquele que só me enxerga sem noção de alteridade e, portanto, me silencia, não posso ou não deveria fazer o mesmo. Não que seja fácil, é mais uma tentativa a se buscar.