Pra quê se esconder?

Ilustração feita com exclusividade por Thais Cortez a.k.a. Emily

Ouvir amigas ou conhecidas reclamando que não podem fazer isso ou aquilo por vergonha do próprio corpo é mais comum e frequente do que eu gostaria. Mas isso não é algo exclusivo delas, essa questão ainda faz parte do meu cotidiano. São inúmeras as vezes que me pego questionando o que as pessoas vão achar da minha aparência, se não estou sendo ridícula…

Nasci e cresci em Santos, no litoral de São Paulo, e minha casa fica à 5 minutos da praia. Sim, roupas mais frescas ou que mostram mais o corpo fazem parte do cotidiano. A praia não era um passeio exclusivo de final de semana, feriado ou férias. Na minha adolescência, ir à praia depois da escola para encontrar os amigos era comum, mas nunca ia de biquíni. Nem em sonhos exporia meu corpo fora de todos os padrões perto do pessoal ou do meu crush.

Como iria resolver esse problema? Simples e fácil. Não ir mais à praia foi a melhor solução naquele momento. Já fiquei quase dois anos sem tomar um banho de mar ou me estirar na canga feito um lagarto. Essa técnica não foi nem um pouco divertida. Fiquei fora de muitos rolês com amigos e longe do lugar que mais me dá paz e me conecta com a natureza.

Resolvi o sofrimento de ficar seminua em público, mas como ficar tranquila quando sua vida sexual começa e a maior parte do tempo você não quer ficar com nenhuma roupa? Admito que no começo foi muito assustador. Eu não fico pelada nem na frente da minha mãe, sempre fui extremamente tímida, então era tudo meio debaixo de cobertas, com pouquíssima luz e em posições que não me desfavoreciam tanto.

Hoje em dia isso não tem a minima importância. Não penso em como meu parceiro vai ver minhas gordurinhas, dobrinhas e celulites. A única coisa que importa é aproveitar o momento da melhor maneira e sem vergonha. Mas uma conhecida contou a dificuldade dela nesses momentos. Mesmo dentro das relações sérias, ela não se sente confortável em mostrar algumas partes do corpo. Esse caso me fez pensar em como isso extremamente comum.

Ela não foi a primeira ou a última a me contar que se sente desconfortável com o próprio corpo durante a transa. E chega a ser assustador ouvir isso. A mulher já é ensinada a conter a sexualidade, agora imagina a vergonha em cima disso tudo. O sexo deveria ser um momento de liberdade, onde as pessoas sentem prazer e felicidade, mas o que ouço delas são mil e uma preocupações e medos.

Migas, eu digo e repito para vocês: se amem. Vocês são lindas do jeitinho que são e ninguém tem nada a ver com a sua forma física. E vem cá, se o(a) parceiro(a) já passou a mão no seu corpinho lindo e sentiu tesão, você acha mesmo que ele(a) vai ficar reparando em uma gordura aqui, um peito pequeno ali ou uma estria acolá?

Mas e se ele(a) reclamar? Olha, manda pastar, porque conviver com (e consequentemente sofrer por) alguém que não te ama do seu jeitinho, é a pior roubada.

Tudo bem, eu não tenho mais essa preocupação com meu corpo, eu não escondo ele do meu namorado, ele já conhece cada pedacinho dele. Eu ainda evito ir aos pontos da praia onde há grande probabilidade de encontrar algum conhecido, mas não me privo mais de tomar um delicioso banho de mar com meu biquíni com estampa de sereia. Afinal, eu não quero deixar de ser feliz pelo medo do que vão ver ou pensar. Minha autoestima ainda precisa de muitos tijolinhos para ser melhor, mas para isso a desconstrução é a minha melhor amiga.
 
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Ilustração feita com exclusividade por Thais Cortez a.k.a. Emily

Mais de Raphaella Salles

Assista: A Escolha Perfeita 2

As Barden Bellas voltaram tão maravilhosas quanto no primeiro longa de A Escolha Perfeita. A sequência estreou este mês nos cinemas brasileiros e conta com o mesmo elenco principal, mas agora com a direção e produção de Elizabeth Banks, que também interpreta Gail Abernathy-McKadden, a comentarista de campeonatos de a capella.

O filme continua a história das Bellas, que depois de uma humilhante performance entram em uma competição internacional, onde nunca um grupo americano foi campeão, para recuperar a reputação e o direito de se apresentar. Olhando a sinopse parece um filme bobo, dá uma preguicinha. Confesso que demorei para assistir o primeiro por puro preconceito. Pensava quer era só um besteirol, mais do mesmo e que iria odiar. Mas me enganei.

A graça existe do começo ao fim e é recheada de ironia e referências pop. Acho que foi por isso me apaixonei tanto pelos filmes. São piadas inesperadas, com malícia e que te fazem gargalhar. As personagens não são nada convencionais e são diferentes umas das outras. Cada uma com sua particularidade e talento.
 

 

Who run the world?

Ambos os filmes giram em torno de um grupo de mulheres e que precisa ser uma equipe eficiente. E isso só é possível com a sororidade construída. Elas se apoiam, ajudam umas as outras e aceitam as diferenças que as tornam tão completas.

 
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Claro que existem desentendimentos na história, afinal são DEZ meninas tentando se organizar, mas nada como uma conversa, ou uma intervenção para ajudar. As lições de que precisamos umas das outras e que juntas somos mais fortes é maravilhosa. É impressionante como o filme consegue passar essas mensagem de uma maneira descontraída. É muito girl power envolvido.

 
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Rebel Wilson

Como não amar a melhor integrante do grupo de a capella americano que na verdade é australiana? Sim, Fat Amy (ou seria Fat Patricia?), interpretada por Rebel Wilson, é uma das melhores personagem do filme. Com certeza está no topo da minha lista.

 
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As piadas irônicas, o ego extremamente inflado, as histórias bizarras, o jeito que ela leva a vida, é tudo maravilhoso. Rebel conquistou meu coração de uma maneira inexplicável tanto com sua personagem, como na vida real.

 
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A atriz conseguiu construir uma personagem emponderada ao extremo. Ela é gorda e isso é apenas uma característica que não a incomoda de maneira nenhuma. É sinônimo de beleza. Quando o assunto sobre a forma física é abordado, nunca é um big deal e sempre vem dela.
 

 

Machismo dentro e fora da tela

O humor irônico está principalmente ligado às críticas ao machismo. São dois os personagens extremamente misóginos. O também comentarista de competições de a capella, John Smith, interpretado por John Michael Higgins, e o Bumper, integrante de outro grupo da universidade, interpretado por Adam DeVine.

 
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Os dois são machistas e odeiam as Bellas. Não aceitam que elas são talentosas e boas no que fazem. Durante todo o filme eles não admitem isso e soltam as piores frases misóginas que se pode ouvir da maneira mais normal possível, como se não fosse nada demais. Porém, as personagens da Elizabeth Banks e de Rebel Wilson dão as melhores respostas para essas atrocidades.

Sabe o que é mais engraçado disso tudo? Eles são os mais burros de todo o filme.

 
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E o sexismo não fica apenas dentro da tela. No começo do ano, a diretora, produtora e atriz de A Escolha Perfeita falou que se sentiu “obrigada” a mudar o foco de sua carreira graças ao machismo de Hollywood. “Eu definitivamente senti que estava insatisfeita e um pouco entediada com as coisas que estavam vindo para minha mesa. Acho que em um certo ponto, eu estava tipo, ‘Eu sou vibrante e vital e interessada. Eu ainda consigo fazer isso’”, disse ao site Deadline

Elizabeth bateu o recorde de bilheteria de diretores iniciantes no final de semana de estreia e sua empresa de produção já está trabalhando loucamente no terceiro filme da série.

 

A Escolha Perfeita 2 está em cartaz e vale a pena assistir, seja pelas risadas ou pelo emponderamento.

 

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Ouvir amigas ou conhecidas reclamando que não podem fazer isso ou aquilo por vergonha do próprio corpo é mais comum e frequente do que eu gostaria. Mas isso não é algo exclusivo delas, essa questão ainda faz parte do meu cotidiano. São inúmeras as vezes que me pego questionando o que as pessoas vão achar da minha aparência, se não estou sendo ridícula…

Nasci e cresci em Santos, no litoral de São Paulo, e minha casa fica à 5 minutos da praia. Sim, roupas mais frescas ou que mostram mais o corpo fazem parte do cotidiano. A praia não era um passeio exclusivo de final de semana, feriado ou férias. Na minha adolescência, ir à praia depois da escola para encontrar os amigos era comum, mas nunca ia de biquíni. Nem em sonhos exporia meu corpo fora de todos os padrões perto do pessoal ou do meu crush.

Como iria resolver esse problema? Simples e fácil. Não ir mais à praia foi a melhor solução naquele momento. Já fiquei quase dois anos sem tomar um banho de mar ou me estirar na canga feito um lagarto. Essa técnica não foi nem um pouco divertida. Fiquei fora de muitos rolês com amigos e longe do lugar que mais me dá paz e me conecta com a natureza.

Resolvi o sofrimento de ficar seminua em público, mas como ficar tranquila quando sua vida sexual começa e a maior parte do tempo você não quer ficar com nenhuma roupa? Admito que no começo foi muito assustador. Eu não fico pelada nem na frente da minha mãe, sempre fui extremamente tímida, então era tudo meio debaixo de cobertas, com pouquíssima luz e em posições que não me desfavoreciam tanto.

Hoje em dia isso não tem a minima importância. Não penso em como meu parceiro vai ver minhas gordurinhas, dobrinhas e celulites. A única coisa que importa é aproveitar o momento da melhor maneira e sem vergonha. Mas uma conhecida contou a dificuldade dela nesses momentos. Mesmo dentro das relações sérias, ela não se sente confortável em mostrar algumas partes do corpo. Esse caso me fez pensar em como isso extremamente comum.

Ela não foi a primeira ou a última a me contar que se sente desconfortável com o próprio corpo durante a transa. E chega a ser assustador ouvir isso. A mulher já é ensinada a conter a sexualidade, agora imagina a vergonha em cima disso tudo. O sexo deveria ser um momento de liberdade, onde as pessoas sentem prazer e felicidade, mas o que ouço delas são mil e uma preocupações e medos.

Migas, eu digo e repito para vocês: se amem. Vocês são lindas do jeitinho que são e ninguém tem nada a ver com a sua forma física. E vem cá, se o(a) parceiro(a) já passou a mão no seu corpinho lindo e sentiu tesão, você acha mesmo que ele(a) vai ficar reparando em uma gordura aqui, um peito pequeno ali ou uma estria acolá?

Mas e se ele(a) reclamar? Olha, manda pastar, porque conviver com (e consequentemente sofrer por) alguém que não te ama do seu jeitinho, é a pior roubada.

Tudo bem, eu não tenho mais essa preocupação com meu corpo, eu não escondo ele do meu namorado, ele já conhece cada pedacinho dele. Eu ainda evito ir aos pontos da praia onde há grande probabilidade de encontrar algum conhecido, mas não me privo mais de tomar um delicioso banho de mar com meu biquíni com estampa de sereia. Afinal, eu não quero deixar de ser feliz pelo medo do que vão ver ou pensar. Minha autoestima ainda precisa de muitos tijolinhos para ser melhor, mas para isso a desconstrução é a minha melhor amiga.
 

Ilustração feita com exclusividade por Thais Cortez a.k.a. Emily

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