Work, work, work: isso é Patois ♡

Que a Rihanna é incrível e rainha de todas as coisas, todas já sabem. Mas o que deixa muita gente meio perdida é a letra de “Work”, o primeiro single de “ANTI”, o mais novo álbum da RiRi. Quando “Work” foi lançada, a grande maioria de nós começou imediatamente a dar pulinhos de felicidade.

 
tumblr_o2ynuve5iY1ro1dyeo2_540
 
Mas teve uma galera (especialmente uma galera gringa) que começou a reclamar super do jeito que a Rihanna cantava a música, alegando que a letra era incompreensível. Aqui você pode ver uns tuítes de um pessoal que acusa a cantora de estar “cantando qualquer coisa”.

 

Mas gente, hora de acordar pra vida! A letra de “Work” não é “qualquer coisa”. É Patois.

 
Patois é um dialeto baseado nas línguas inglesa e creole, com influências do oeste Africano. É meio que um fenômeno linguístico e cultural que acontece por todo o Caribe. Pra quem não sabe, a Riri é de Barbados, e ela vem incorporando o dialeto há algum tempo! Ela fez isso em “Man Down” e em “Rude Boy”, por exemplo. Sabe quem mais usou Patois recentemente? O Kendrick Lamar, em The Blacker The Berry (♡).

O site Black Girl Long Hair fez esse vídeo super didático e rapidinho sobre Patois. VEJAM.

E pra quem quer entender a letra todinha, clica aqui no Genius.

Vou aproveitar que estamos falando de como a Rihanna é uma entidade divina e deixar dois links para vocês:

Esse aqui é um texto do Feministing falando sobre como o vídeo de “Work” é uma grande amostra de como a Rihanna é dona da sua própria sexualidade. A ideia geral é que ela tá dançando pra ela mesma, se curtindo e se amando. Independente do Drake ou das outras pessoas da balada. Não significa que o rolêzinho com o Drake não tem um papel importante, mas significa que ele não ocupa o papel central. Quem tá no centro de tudo é a RiRi e sua autonomia.

 
tumblr_o2tr82HsGt1rjhh5ho1_500
 
O segundo link é um artigo do BuzzFeed sobre o quão incrível a RiRi é. A autora analisa como o trabalho da Rihanna é totalmente baseado na autodeterminação da mulher negra. Criando uma narrativa própria, a RiRi exige autoridade sobre seu próprio corpo, sua música e sua imagem. (EU AMO ESSA MULHER).

 
anigif_longform-original-32358-1428426179-11
 
Ai, ai, não é por acaso que com as letras de Rihanna dá pra escrever “Rainha” também (tá, tem um “n” sobrando).

 
tumblr_o0g8wntGWi1umss3lo1_500
 
Tá, agora vamos dançar:

 

 

Tags relacionadas
, ,
Mais de Bárbara Paes

7 poetas africanas para conhecer

Assim que a Beyoncé lançou Lemonade, o mundo todo conheceu o trabalho maravilhoso da poeta somali-britânica Warsan Shire.

Para dar visibilidade para Shire e outras mulheres africanas que têm produzido muita coisa boa, o site OkayAfrica fez uma lista sensacional de 7 poetas africanas que todo mundo deveria conhecer. São autoras que falam sobre amor, identidade, sobre ser mulher. Infelizmente uma boa parte do trabalho dessas mulheres ainda não está traduzido, mas deixamos as indicações pra vocês ;)

1. Nayyirah Waheed

Pouco se sabe sobre a Nayyirah – ela tende a ser meio reclusa. Ela mora nos EUA e escreve sobre identidade, imigração e amor próprio em sonetos poderosos. Ela já lançou dois livros: Salt (2013) e Nejma (2014).

Segue ela no twitter: @nayyirahwaheed.

2. Ladan Osman

Ladan Osman é uma poeta e professora somali. Seu trabalho atravessa muito os temas de identidade, especificamente sua herança somali e sua identidade como muçulmana.

Numa entrevista à Paris Review, ela explicou que é importante para ela falar sobre como as pessoas sempre tentam substituir as próprias narrativas. Em 2011, Ladan ganhou o prêmio Sillerman First Book Prize pela sua obra The Kitchen Dweller’s Testimony.

3. Ijeoma Umebinyuo

A Ijeoma começou seu trabalho através do Tumblr. Ela é uma poeta nascida e criada em Lagos, na Nigéria, e publicou sua primeira coleção de poemas, chamada Questions for Ada, em agosto de 2015. Partindo de sua trajetória pessoal, Ijeoma fala sobre ser uma mulher, ser estrangeira e ser amada.

Sigam o twitter dela aqui: @ijeomaumebinyuo.

“So, here you are/ too foreign for home/ too foreign for here./ Never enough for both.” (Então, aqui está você/ muito estrangeira em casa/ muito estrangeira aqui./ Nunca o suficiente para ambos) ― Ijeoma Umebinyuo, Questions for Ada

4. Safia Elhillo

A autora sudanesa cresceu em Washington, D.C., nos EUA. Ela é uma das editoras do Kinfolks Quarterly, uma publicação de expressão negra que ganhou o prêmio Brunel University African Poetry em 2015.

A Safia fala muito sobre identidade e pertencimento. Ela já publicou uma pequena coleção de poemas chamada The Life and Times of Susie Knuckles e vai publicar uma segunda coleção em 2017, chamada The January Children.

Segue o Twitter dela, ó: @mafiasafia.

5. Yrsa Daley-Ward

Filha de uma mãe jamaicana e um pai nigeriano, a Yrsa publicou seu primeiro livro bone em 2014. A atriz e autora fala muito sobre sexualidade, ser mulher, depressão, autoconfiança e independência.

Sigam a Yrsa Daley-Ward no Twitter: @YrsaDaleyWard.

The pastor makes twenty-four/ references to hell / in the sermon at church and forgets/ to talk / about love. —Yrsa Daley-Ward, bone

6. Upile Chisala

A Upile Chisala é uma poeta do Malawi (gente, vocês sabiam que quem nasceu no Malawi é malaviana? eu não). Além de ser uma ótima poeta, a Upile acabou de ser aceita na Oxford University (u-a-u). Ela também criou a Yanja Series, um encontro mensal para mulheres não-brancas de Baltimore se expressarem e serem criativas juntas.

Em 2015, a Upile publicou sua primeira coleção de poemas, a soft magic. Nessa obra, ela explora gênero, identidade, diáspora e auto-cuidado. Sigam o Instagram dela e o Twitter.

can’t I just be a black woman that loves herself in peace? / without having to explain why my skin/ ( be it light honey or molasses)/ is a dream?/ why my hair/ (coarse or sleek)/ is a crown?/ can’t I just be a black woman that loves being a black woman/ without having to be sorry/ or humble/ or polite about it?/ Damn it!/ who else has to justify loving themselves like this?/ who else has to fight for the right to call themselves a blessing?/ Goodness,/ can’t I just be a black woman that loves herself in peace??!!? ― Upile Chisala

7. Warsan Shire

A Warshan nasceu no Quênia e seus pais são Somalis. Sua família se mudou para o Reino Unido quando ela tinha 1 ano. Além da obra Teaching My Mother How to Give Birth, a Warsan também lançou Her Blue Body em 2015. Atualmente, ela está trabalhando em uma coleção de poemas, que será lançada em 2016, chamada Extreme Girlhood. 

Twitter da Warsan: @warsan_shire.

Aqui embaixo tem um vídeo do poema “For Women Who Are Difficult to Love”. E pra quem tá louca pra ler Warsan em português, tem esse tumblr incrível aqui, onde a obra dela está sendo traduzida <3!

https://www.youtube.com/watch?v=gUvOViIXPAk

Leia mais

 
Mas teve uma galera (especialmente uma galera gringa) que começou a reclamar super do jeito que a Rihanna cantava a música, alegando que a letra era incompreensível. Aqui você pode ver uns tuítes de um pessoal que acusa a cantora de estar “cantando qualquer coisa”.

 

Mas gente, hora de acordar pra vida! A letra de “Work” não é “qualquer coisa”. É Patois.

 
Patois é um dialeto baseado nas línguas inglesa e creole, com influências do oeste Africano. É meio que um fenômeno linguístico e cultural que acontece por todo o Caribe. Pra quem não sabe, a Riri é de Barbados, e ela vem incorporando o dialeto há algum tempo! Ela fez isso em “Man Down” e em “Rude Boy”, por exemplo. Sabe quem mais usou Patois recentemente? O Kendrick Lamar, em The Blacker The Berry (♡).

O site Black Girl Long Hair fez esse vídeo super didático e rapidinho sobre Patois. VEJAM.

E pra quem quer entender a letra todinha, clica aqui no Genius.

Vou aproveitar que estamos falando de como a Rihanna é uma entidade divina e deixar dois links para vocês:

Esse aqui é um texto do Feministing falando sobre como o vídeo de “Work” é uma grande amostra de como a Rihanna é dona da sua própria sexualidade. A ideia geral é que ela tá dançando pra ela mesma, se curtindo e se amando. Independente do Drake ou das outras pessoas da balada. Não significa que o rolêzinho com o Drake não tem um papel importante, mas significa que ele não ocupa o papel central. Quem tá no centro de tudo é a RiRi e sua autonomia.

 
tumblr_o2tr82HsGt1rjhh5ho1_500
 
O segundo link é um artigo do BuzzFeed sobre o quão incrível a RiRi é. A autora analisa como o trabalho da Rihanna é totalmente baseado na autodeterminação da mulher negra. Criando uma narrativa própria, a RiRi exige autoridade sobre seu próprio corpo, sua música e sua imagem. (EU AMO ESSA MULHER).

 
anigif_longform-original-32358-1428426179-11
 
Ai, ai, não é por acaso que com as letras de Rihanna dá pra escrever “Rainha” também (tá, tem um “n” sobrando).

 
tumblr_o0g8wntGWi1umss3lo1_500
 
Tá, agora vamos dançar:

 

 

" />