A Ovelha é uma revista para jovens mulheres (de idade ou espírito) que não se sentem representadas pelas bancas de jornais. Certo? Quase seis meses depois do nosso nascimento, a revista ELLE Brasil, em comemoração aos seus 27 anos, teve uma sacada genial: representar as diferentes belezas que normalmente não são contempladas pelas marcas e revistas de moda com um editorial maravilhoso na edição de maio. Mas eles foram além: a capa, espelhada, anunciava a campanha #VocêNaCapa, a oportunidade de uma leitora virar, de fato, capa de uma revista importante da banca de jornal.
Eu, como muitas garotas, gosto de brincar de foto. Seja em uma selfie ou servindo de modelo para amigas fotógrafas, como Julia Rodrigues, Autumn Sonnichsen e Camila Tuon. Eu digo “brincar”, pois a fotografia sempre me ajudou a elevar minha auto-estima – e só. Apesar da minha imagem se adequar ao padrão europeu bitolado, não tenho a altura e não tenho a perfeição. Pra quem não sabe, nasci com uma deficiência nas mãos e no pé direito, mais estética que funcional. É uma diferença que fechou inúmeras portas para mim. Oportunidades para ser atriz, apresentadora e modelo surgiram algumas vezes, até se darem conta de que minha aparência era um ‘não’.
A Ovelha surgiu desse raciocínio. Falar com a leitora que é diferente, pois seu gênero não a limitou a gostar apenas de rosa e bonecas. Falar com a leitora que sofreu bullying na escola sem entender muito o porquê. Falar com a leitora gorda, que escuta o tempo todo que a magreza é sinal de saúde e beleza. Falar com a leitora negra, que sofre não só com o machismo do dia-a-dia, mas com o racismo. Falar com a leitora bi ou lésbica, que nunca teve sua sexualidade plenamente aceita pela maioria. Falar com a leitora trans, que é tão mulher quanto a cis. Falar com a leitora deficiente, como eu. Tudo na Ovelha é criado e pensado para elas. Minorias tantas que são, na verdade, maiorias invisíveis.
Fiquei entusiasmada com a iniciativa da ELLE Brasil. Pensei em como essa atitude corajosa da revista impactaria outras publicações. E, numa brincadeira envergonhada, subi uma foto clicada pela Julia Rodrigues no aplicativo da ELLE, fingindo ser capa.
Alguns dias depois, recebi uma mensagem da editora de arte da ELLE. A Gabriela disse que viu minha foto pela hashtag e me indicou para a produtora, Julia, que me ligou para agendar uma seção de fotos com ninguém menos que Bob Wolfenson, conhecido por fotografar supermodels como nossa Gisele Bündchen. Fiquei em choque. Inevitavelmente, pensei comigo: “E se eles virem minhas mãos?”
Porém, para minha surpresa eu passei uma manhã inteira no estúdio, fotografando 4 ou 5 looks diferentes. Ainda ouvi da Susana Barbosa, diretora de redação, que eu poderia ser capa. Eu, que até então já estava extasiada só de fazer parte de um editorial de moda, poderia vir a ser a cereja desse bolo. Eu, que um dia tive medo de que nunca fossem me achar bonita. Que bobagem. Sempre pensei que o importante era gostar de mim, da pessoa que sou. Mas vivemos em um mundo de aparências. Por isso que é importante sim, a representatividade. Seria hipócrita dizer que eu não me importo com elogios. Aprendi com a vida, com o apoio e conversas que tinha com a minha irmã, a ser forte e me amar como sou. Mas ser capa de revista? Imagina!
Só que – surpresa! – era tudo verdade. A partir de 3 de junho, meu rosto vai representar a ELLE em milhares de bancas no país. São três capas. Além de mim, Deise e Christel representam a beleza e o poder da inclusão. Dentro, há um editorial magnífico com outras pessoas maravilhosas, como a Isabella Trad. Esse é um movimento importante que a ELLE iniciou. Eu concordo que ter uma magrela branca de olhos azuis estampada na capa não parece uma grande evolução. Mas é. Por mais que minhas mãos não estejam ali, elas fazem parte de mim, da minha trajetória de “nãos” para chegar um “sim”. Obrigada aos amigos e família pelo apoio e pela ELLE, por ver a beleza além dos padrões e das diferenças.
A Ovelha é uma revista para jovens mulheres (de idade ou espírito) que não se sentem representadas pelas bancas de jornais. Certo? Quase seis meses depois do nosso nascimento, a revista ELLE Brasil, em comemoração aos seus 27 anos, teve uma sacada genial: representar as diferentes belezas que normalmente não são contempladas pelas marcas e revistas de moda com um editorial maravilhoso na edição de maio. Mas eles foram além: a capa, espelhada, anunciava a campanha #VocêNaCapa, a oportunidade de uma leitora virar, de fato, capa de uma revista importante da banca de jornal.
Eu, como muitas garotas, gosto de brincar de foto. Seja em uma selfie ou servindo de modelo para amigas fotógrafas, como Julia Rodrigues, Autumn Sonnichsen e Camila Tuon. Eu digo “brincar”, pois a fotografia sempre me ajudou a elevar minha auto-estima – e só. Apesar da minha imagem se adequar ao padrão europeu bitolado, não tenho a altura e não tenho a perfeição. Pra quem não sabe, nasci com uma deficiência nas mãos e no pé direito, mais estética que funcional. É uma diferença que fechou inúmeras portas para mim. Oportunidades para ser atriz, apresentadora e modelo surgiram algumas vezes, até se darem conta de que minha aparência era um ‘não’.
A Ovelha surgiu desse raciocínio. Falar com a leitora que é diferente, pois seu gênero não a limitou a gostar apenas de rosa e bonecas. Falar com a leitora que sofreu bullying na escola sem entender muito o porquê. Falar com a leitora gorda, que escuta o tempo todo que a magreza é sinal de saúde e beleza. Falar com a leitora negra, que sofre não só com o machismo do dia-a-dia, mas com o racismo. Falar com a leitora bi ou lésbica, que nunca teve sua sexualidade plenamente aceita pela maioria. Falar com a leitora trans, que é tão mulher quanto a cis. Falar com a leitora deficiente, como eu. Tudo na Ovelha é criado e pensado para elas. Minorias tantas que são, na verdade, maiorias invisíveis.
Fiquei entusiasmada com a iniciativa da ELLE Brasil. Pensei em como essa atitude corajosa da revista impactaria outras publicações. E, numa brincadeira envergonhada, subi uma foto clicada pela Julia Rodrigues no aplicativo da ELLE, fingindo ser capa.
Alguns dias depois, recebi uma mensagem da editora de arte da ELLE. A Gabriela disse que viu minha foto pela hashtag e me indicou para a produtora, Julia, que me ligou para agendar uma seção de fotos com ninguém menos que Bob Wolfenson, conhecido por fotografar supermodels como nossa Gisele Bündchen. Fiquei em choque. Inevitavelmente, pensei comigo: “E se eles virem minhas mãos?”
Porém, para minha surpresa eu passei uma manhã inteira no estúdio, fotografando 4 ou 5 looks diferentes. Ainda ouvi da Susana Barbosa, diretora de redação, que eu poderia ser capa. Eu, que até então já estava extasiada só de fazer parte de um editorial de moda, poderia vir a ser a cereja desse bolo. Eu, que um dia tive medo de que nunca fossem me achar bonita. Que bobagem. Sempre pensei que o importante era gostar de mim, da pessoa que sou. Mas vivemos em um mundo de aparências. Por isso que é importante sim, a representatividade. Seria hipócrita dizer que eu não me importo com elogios. Aprendi com a vida, com o apoio e conversas que tinha com a minha irmã, a ser forte e me amar como sou. Mas ser capa de revista? Imagina!
Só que – surpresa! – era tudo verdade. A partir de 3 de junho, meu rosto vai representar a ELLE em milhares de bancas no país. São três capas. Além de mim, Deise e Christel representam a beleza e o poder da inclusão. Dentro, há um editorial magnífico com outras pessoas maravilhosas, como a Isabella Trad. Esse é um movimento importante que a ELLE iniciou. Eu concordo que ter uma magrela branca de olhos azuis estampada na capa não parece uma grande evolução. Mas é. Por mais que minhas mãos não estejam ali, elas fazem parte de mim, da minha trajetória de “nãos” para chegar um “sim”. Obrigada aos amigos e família pelo apoio e pela ELLE, por ver a beleza além dos padrões e das diferenças.
A Ovelha é uma revista para jovens mulheres (de idade ou espírito) que não se sentem representadas pelas bancas de jornais. Certo? Quase seis meses depois do nosso nascimento, a revista ELLE Brasil, em comemoração aos seus 27 anos, teve uma sacada genial: representar as diferentes belezas que normalmente não são contempladas pelas marcas e revistas de moda com um editorial maravilhoso na edição de maio. Mas eles foram além: a capa, espelhada, anunciava a campanha #VocêNaCapa, a oportunidade de uma leitora virar, de fato, capa de uma revista importante da banca de jornal.
Eu, como muitas garotas, gosto de brincar de foto. Seja em uma selfie ou servindo de modelo para amigas fotógrafas, como Julia Rodrigues, Autumn Sonnichsen e Camila Tuon. Eu digo “brincar”, pois a fotografia sempre me ajudou a elevar minha auto-estima – e só. Apesar da minha imagem se adequar ao padrão europeu bitolado, não tenho a altura e não tenho a perfeição. Pra quem não sabe, nasci com uma deficiência nas mãos e no pé direito, mais estética que funcional. É uma diferença que fechou inúmeras portas para mim. Oportunidades para ser atriz, apresentadora e modelo surgiram algumas vezes, até se darem conta de que minha aparência era um ‘não’.
A Ovelha surgiu desse raciocínio. Falar com a leitora que é diferente, pois seu gênero não a limitou a gostar apenas de rosa e bonecas. Falar com a leitora que sofreu bullying na escola sem entender muito o porquê. Falar com a leitora gorda, que escuta o tempo todo que a magreza é sinal de saúde e beleza. Falar com a leitora negra, que sofre não só com o machismo do dia-a-dia, mas com o racismo. Falar com a leitora bi ou lésbica, que nunca teve sua sexualidade plenamente aceita pela maioria. Falar com a leitora trans, que é tão mulher quanto a cis. Falar com a leitora deficiente, como eu. Tudo na Ovelha é criado e pensado para elas. Minorias tantas que são, na verdade, maiorias invisíveis.
Fiquei entusiasmada com a iniciativa da ELLE Brasil. Pensei em como essa atitude corajosa da revista impactaria outras publicações. E, numa brincadeira envergonhada, subi uma foto clicada pela Julia Rodrigues no aplicativo da ELLE, fingindo ser capa.
Alguns dias depois, recebi uma mensagem da editora de arte da ELLE. A Gabriela disse que viu minha foto pela hashtag e me indicou para a produtora, Julia, que me ligou para agendar uma seção de fotos com ninguém menos que Bob Wolfenson, conhecido por fotografar supermodels como nossa Gisele Bündchen. Fiquei em choque. Inevitavelmente, pensei comigo: “E se eles virem minhas mãos?”
Porém, para minha surpresa eu passei uma manhã inteira no estúdio, fotografando 4 ou 5 looks diferentes. Ainda ouvi da Susana Barbosa, diretora de redação, que eu poderia ser capa. Eu, que até então já estava extasiada só de fazer parte de um editorial de moda, poderia vir a ser a cereja desse bolo. Eu, que um dia tive medo de que nunca fossem me achar bonita. Que bobagem. Sempre pensei que o importante era gostar de mim, da pessoa que sou. Mas vivemos em um mundo de aparências. Por isso que é importante sim, a representatividade. Seria hipócrita dizer que eu não me importo com elogios. Aprendi com a vida, com o apoio e conversas que tinha com a minha irmã, a ser forte e me amar como sou. Mas ser capa de revista? Imagina!
Só que – surpresa! – era tudo verdade. A partir de 3 de junho, meu rosto vai representar a ELLE em milhares de bancas no país. São três capas. Além de mim, Deise e Christel representam a beleza e o poder da inclusão. Dentro, há um editorial magnífico com outras pessoas maravilhosas, como a Isabella Trad. Esse é um movimento importante que a ELLE iniciou. Eu concordo que ter uma magrela branca de olhos azuis estampada na capa não parece uma grande evolução. Mas é. Por mais que minhas mãos não estejam ali, elas fazem parte de mim, da minha trajetória de “nãos” para chegar um “sim”. Obrigada aos amigos e família pelo apoio e pela ELLE, por ver a beleza além dos padrões e das diferenças.
Que já não viveu aquele misto de ansiedade, angústia e curiosidade quando rolamos nosso feed do Facebook e Instagram e somos inundadas por fotos de praia, janelas de avião, piqueniques em parques ensolarados, drinks e jantares elaborados, exposições, Nova York (sempre temos ela, mesmo com o dólar nas alturas), exposições, festas incríveis, piscinas, risadas, looks de revista e corpos incríveis?
Os amigos vivendo um vidão e eu aqui, em casa, só de calcinha, encolhida na cama com o celular na mão. DEPRÊ. Poxa! Estamos lá, praticando o de boismo quando as redes sociais estapeiam nossa cara. O que você está fazendo? Penteia esse cabelo! Faz uma pose! Mostre que você tá por cima! Afinal, de que adianta ser feliz sem platéia?
Uma platéia, acima de tudo, humana. Que tem um zilhão de medos, falta de confiança e uma autoestima sensível à primeira dúvida. O que uma boa pose e um filtro do Instagram não fazem para arrasar com nosso emocional, hein? Isso reflete diretamente em nós, interferindo em como nos sentimos com nós mesmas e com as coisas que temos. Quando compartilhamos uma foto, um link ou um pensamento nas redes sociais, apresentamos fragmentos daquilo que desejamos que nos defina. Porque esperamos por aceitação. Queremos elogios, queremos ser lembradas.
Parece narcisismo, mas é carência. É necessidade de aceitação. E é algo tão compulsivo quanto uma droga. Na esperança de preencher algum vazio, precisamos de mais likes. Mais shares. Audiência. Quantidade ganhando da qualidade. Tudo é quantificável. São números.
A gente não vive mais. A gente mostra. Vamos num museu ver uma exposição incrível como do Ron Mueck ou Yayoy Kusama e vemos selfies, duck faces, dedos em paz e amor. Almoçamos com os amigos e tiramos foto do drink, foto do prato – e somos marcadas ali, no crouton da caesar salad.
A atriz Kirsten Dunst estrelou um curta que faz justamente uma crítica a esta geração dos likes, em que tudo o que importa é a exposição de um ideal cool. O curta tem direção de Matthew Frost e foi produzido para a Vs. Magazine.
Ano passado o jornal britânico The Guardian, em parceria com o National Film Board e a produtora digital Jam3, criou o web-documentário interativo Seven Digital Deadly Sins, que apresenta os sete pecados capitais — soberba (arrogância), avareza (ganância), luxúria, ira, gula, inveja e preguiça — traduzidos para o ambiente digital por meio de entrevistas com diferentes personagens. Durante a navegação, somos questionados sobre diversos aspectos dos hábitos digitais contemporâneos: você condena ou perdoa? Você peca ou não peca?
Resolvi reascender essa discussão por causa da Essena O’Neill, uma garota que ganhou fama no Instagram por suas fotos maravilhosas – que ostentam um corpo perfeito, drinks, roupas de grife e maquiagem impecável – resolveu abrir o jogo em um vídeo para falar que tudo aquilo era falso, era uma idealização. Que, para cada foto ali, eram mais de 40 cliques para a pose perfeita, além de filtros e retoques. Ela fala abertamente sobre sua decisão em um vídeo incrível e corajoso, em que diz que todas as fotos escondiam sua depressão e baixa autoestima. E ela não quer mais que suas fotos façam outras pessoas se sentirem mal com seus corpos, com suas vidas, ao se compararem com essa fantasia.
Essena editou a descrição de várias fotos do seu Instagram, que até pouco haviam mais de 750 mil seguidores, para falar a verdade por trás de cada clique. Muitas das suas descrições falam “I won the genetic lottery” (traduzindo: “eu ganhei na loteria genética”). Muitas pessoas podem interpretar mal. Ela não diz isso porque ela se acha MARAVILHOSA, ela diz isso porque a ditadura da beleza da nossa sociedade enfiou na cabeça de todo mundo que a beleza ideal é de uma mulher magra, alta, de traços europeus, olhos claros, cabelos loiros, pele clara – bronzeada é um plus. Por isso que para ela os likes vinham com tanta facilidade.
Para coroar esse momento, Essena O’Neill está com uma campanha online chamada Let’s Be Game Changers. No site, ela explica sua intenção:
Eu queria criar uma plataforma que atua para difundir mensagens de uma nova era da vida consciente, que vão além de tecnologia, afim de minimizar a cultura de celebridade, promover o veganismo, nutrição baseada em vegetais, consciência ambiental, questões sociais, igualdade de gênero, arte controversa. Quero apresentar uma série de entrevistas com os indivíduos que estão querendo virar o jogo que foi-lhes dito para jogar. Além disso, criei um fórum colaborativo positivo, para as pessoas poderem falar sobre coisas do mundo real, para se conectarem através de ideias, não de likes, seguidores ou número de visualizações.
nasci com uma deficiência nas mãos e no pé direito, mais estética que funcional. É uma diferença que fechou inúmeras portas para mim. Oportunidades para ser atriz, apresentadora e modelo surgiram algumas vezes, até se darem conta de que minha aparência era um ‘não’.
A Ovelha surgiu desse raciocínio. Falar com a leitora que é diferente, pois seu gênero não a limitou a gostar apenas de rosa e bonecas. Falar com a leitora que sofreu bullying na escola sem entender muito o porquê. Falar com a leitora gorda, que escuta o tempo todo que a magreza é sinal de saúde e beleza. Falar com a leitora negra, que sofre não só com o machismo do dia-a-dia, mas com o racismo. Falar com a leitora bi ou lésbica, que nunca teve sua sexualidade plenamente aceita pela maioria. Falar com a leitora trans, que é tão mulher quanto a cis. Falar com a leitora deficiente, como eu. Tudo na Ovelha é criado e pensado para elas. Minorias tantas que são, na verdade, maiorias invisíveis.
Fiquei entusiasmada com a iniciativa da ELLE Brasil. Pensei em como essa atitude corajosa da revista impactaria outras publicações. E, numa brincadeira envergonhada, subi uma foto clicada pela Julia Rodrigues no aplicativo da ELLE, fingindo ser capa.
Alguns dias depois, recebi uma mensagem da editora de arte da ELLE. A Gabriela disse que viu minha foto pela hashtag e me indicou para a produtora, Julia, que me ligou para agendar uma seção de fotos com ninguém menos que Bob Wolfenson, conhecido por fotografar supermodels como nossa Gisele Bündchen. Fiquei em choque. Inevitavelmente, pensei comigo: “E se eles virem minhas mãos?”
Porém, para minha surpresa eu passei uma manhã inteira no estúdio, fotografando 4 ou 5 looks diferentes. Ainda ouvi da Susana Barbosa, diretora de redação, que eu poderia ser capa. Eu, que até então já estava extasiada só de fazer parte de um editorial de moda, poderia vir a ser a cereja desse bolo. Eu, que um dia tive medo de que nunca fossem me achar bonita. Que bobagem. Sempre pensei que o importante era gostar de mim, da pessoa que sou. Mas vivemos em um mundo de aparências. Por isso que é importante sim, a representatividade. Seria hipócrita dizer que eu não me importo com elogios. Aprendi com a vida, com o apoio e conversas que tinha com a minha irmã, a ser forte e me amar como sou. Mas ser capa de revista? Imagina!
Só que – surpresa! – era tudo verdade. A partir de 3 de junho, meu rosto vai representar a ELLE em milhares de bancas no país. São três capas. Além de mim, Deise e Christel representam a beleza e o poder da inclusão. Dentro, há um editorial magnífico com outras pessoas maravilhosas, como a Isabella Trad. Esse é um movimento importante que a ELLE iniciou. Eu concordo que ter uma magrela branca de olhos azuis estampada na capa não parece uma grande evolução. Mas é. Por mais que minhas mãos não estejam ali, elas fazem parte de mim, da minha trajetória de “nãos” para chegar um “sim”. Obrigada aos amigos e família pelo apoio e pela ELLE, por ver a beleza além dos padrões e das diferenças.