É tempo de anastácia e de escritoras negras

Parte do desafio de resistir como mulher negra é lutar para não ter sua voz silenciada e provar a necessidade de ser ouvida, não só sobre machismo como também sobre racismo. Graças a internet, esta luta tem sido transformada em textos e na exaltação da imagem da mulher negra, rebatendo o padrão europeu que todos conhecemos. E mais uma vez a internet une mulheres negras resistirem e… Para escreverem.

A comunidade Anastácia Contemporânea está reunindo relatos, poesia, romances, histórias reais, memórias de mulheres negras, manifesto, contos e crônicas que, obviamente,  foram escritos por mulheres negras. 50 escritas livres serão escolhidas e catalogadas em um livro, a fim de cumpri a difícil missão que é definir o que é ser uma mulher negra.

A inspiração pode estar dentro de você ou de alguma outra mulher negra com quem cresceu ou ouviu histórias sobre. Quem quiser participar deve enviar seu conteúdo original pelo endereço http://migre.me/s4jGX ou pelo e-mail anastaciacontemporanea@gmail.com até o dia 20 de dezembro. Boa sorte!

‪Ilustração: Bianca Buteikis / Anastácia Contemporânea

 

 

Mais de Karoline Gomes

Laverne Cox não para. E isso é maravilhoso

Negra, trans* e nua. Mais forte que esta frase, só esta foto de Laverne Cox para a revista Allure, que circulou pela internet nas últimas semanas e empoderou tantas mulheres. Assim como muitas outras atitudes da atriz, que faz de propósito. Ela que militar, e ela não para.

Laverne Cox é uma atriz de 30 anos, que tem o papel incrível de Sophia Burset na série (igualmente incrível) Orange is the New Black, em tempos em que mulheres transgênero perdem o protagonismo e a oportunidade de contarem sua própria história para a heternormatividade de Hollywood. Completamente ciente da fama que a série lhe deu, Laverne usa sua imagem e sua voz para militar.
 

Por ser negra, por ser uma mulher,  por ser transgênero, e porque ela não para de disparar falas e atitudes poderosas, Laverne Cox é uma modelo de representatividade extremamente forte e necessária. E ela sabe, e por isso aceitou posar numa para uma edição especial da revista Allure, mas não sem antes negar duas vezes. Ela disse em entrevista para a publicação:
 
“Eu sou uma mulher negra e transgênero. Eu senti que isto poderia ser empoderador para as comunidades que eu represento. Não se costuma dizer a mulheres negras que elas são lindas, a não ser que nós nos alinhemos a certas normas. Já as mulheres trans* certamente não são ditas que são lindas. Ver uma mulher negra e transgênero aceitando e amando tudo sobre ela mesma pode ser inspirador para algumas outras”.
 
Laverne aceitou posar nua pois sabe da necessidade de representação para mulheres negras e trans*, sendo muito corajosa ao deixar de lado o julgamento da sociedade que ela explica nesta entrevista concedida a Katie Couric, onde, ao lado de outra ativista trans*, Carmen Carreira, explica que a curiosidade sobre o corpo delas, especialmente com relação a “genitalia question” como a entrevistada nomeou, só objetifica, e deixa de lado a questão social que as exclui da sociedade.
 
“Eu acho que esta preocupação com transição e cirurgia objetifica as pessoas trans*, e depois nós não conseguimos lidar com os problemas reais das experiências de vida. A realidade da vida de pessoas trans* é que somos frequentemente vítimas de violência. Nós vivemos discriminação de forma desproporcional ao resto da comunidade”.
 
Como Laverne explicou várias vezes, as mulheres trans* não são aceitas fisicamente, e menos ainda em todos os espaços da sociedade, por isso, logo em seguida da notícia do ensaio, não tem como não comemorar o nome de Laverne na lista de mulheres mais bonitas do mundo da revista People. Sabemos que não é legal ficar classificando mulheres dessa forma, mas quantas negras e trans* já vimos nestas listas?

Recentemente, ela se pronunciou sobre outro caso que mexeu com a comunidade LGBT e reascendeu a discussão sobre representatividade, apoiando Bruce Jenner em sua recente entrevista em que falou sobre sua transição de gênero.

Mas é claro que ela não precisa disso para saber que é linda, menos ainda para assumir seu papel de representação para sua comunidade. Uma olhada rápida em suas redes sociais já nos ajuda a constatar que sua militância é constante, sempre em palestras e em contatos sociais e políticos pelo direitos das mulheres trans*.

Laverne Cox não para. Seja fazendo seu trabalho naturalmente, seja respondendo perguntas preconceituosas em entrevistas, seja educando e militando, seja posando nua, seja apoiando em pequenas palavras, ela não para de de empoderar mulheres negras e trans no mundo inteiro.

E nós estamos muito felizes por isso. Vê se não para, Laverne.

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Anastácia Contemporânea está reunindo relatos, poesia, romances, histórias reais, memórias de mulheres negras, manifesto, contos e crônicas que, obviamente,  foram escritos por mulheres negras. 50 escritas livres serão escolhidas e catalogadas em um livro, a fim de cumpri a difícil missão que é definir o que é ser uma mulher negra.

A inspiração pode estar dentro de você ou de alguma outra mulher negra com quem cresceu ou ouviu histórias sobre. Quem quiser participar deve enviar seu conteúdo original pelo endereço http://migre.me/s4jGX ou pelo e-mail anastaciacontemporanea@gmail.com até o dia 20 de dezembro. Boa sorte!

‪Ilustração: Bianca Buteikis / Anastácia Contemporânea

 

 

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