Que podem sem comprovadas, 200 milhões de mulheres já passaram pelo terror da mutilação genital. A ONU já adotou mais de uma vez uma resolução para acabar com a mutilação genital feminina (também conhecido pela sigla FGM: Female Genital Mutilation) e manter a agenda de atingir a equidade de gêneros e empoderamento de todas as mulheres até 2030.
Atualmente há quatro tipos de mutilação genital feminina, todas chamadas erroneamente de ‘circuncisão feminina’. Erroneamente porque as sequelas são estrondosas e tenebrosas pra vida de uma criança/mulher que sobrevive a esse tipo de procedimento.
O primeiro tipo de FGM, retira-se a parte de fora do clitóris (o clitóris é enorme, vide). Os instrumentos utilizados normalmente não são higienizados e são utilizados de forma bárbara: giletes de barbear enferrujadas, facas não esterilizadas, cacos de vidro, isso tudo depende do país onde é realizado o procedimento, que ainda, por muitas culturas, infelizmente é considerado cultural.
O segundo tipo de FGM, é retirado o clitóris e os lábios pequenos. Lembrando que muitas vezes sem anestesia, as crianças que são submetidas a esses procedimentos tem idades variadas, desde nenens até pré adolescentes e sangram muito. Essas crianças estão expostas a diversos tipos de infecção e doenças como a AIDS por causa da falta de higienização nos instrumentos, sendo utilizado o mesmo em cada criança, como uma linha de produção.
O terceiro tipo de FGM é o pior que existe, se é que é possível fazer uma mínima distinção de atos tão brutais. No tipo 3, além do corte do clitóris e dos pequenos lábios, a vagina é costurada, deixando apenas um micro buraco na parte de baixo. Isso acarreta muitos problemas de saúde, extrema dor em urinar, extrema dor em menstruar, altos níveis de infecção urinária e vaginas acarretando muitas vezes em infertilidade da mulher. Mas ainda é possível engravidar e o sexo é insuportável e o nascimento da criança pode chegar a matar a mãe e o bebê.
O quarto tipo de FGM é um tipo que não é classificado. Podem acontecer algumas alterações na região vaginal, tatuagens, introdução de materiais corrosivos, cortar a base da vagina, e qualquer outra bizarrice que um ser humano seja capaz de fazer com um genital feminino. Porém, nesse tipo, as alterações são aleatórias.
Muitas mulheres nem associam os vários problemas de saúde posteriores à prática da mutilação que aconteceu em sua infância, o que torna a causa mais invisível. A ONU diz que a os números não são bons, e que em 15 anos, pode ser que aumentem os casos,então é preciso agir com firmeza para que a prática seja eliminada, com conscientização e políticas públicas.
A prática da mutilação tem raízes misóginas, desigualdade de gênero, de inferioridade da mulher, de pureza, castração, controlar sexualidade e até estética. Não há NENHUM benefício médico encontrado (quer dizer, alguém ainda foi tentar buscar por isso). Infelizmente a prática é realizada, na maioria das vezes, por mulheres e em mulheres, com medo de exclusão social.
Sabemos que há urgências no feminismo e eu não poderia concordar mais que essa é uma delas. Na resolução expedida pela ONU no último dia 29 foram formalizadas e numeradas 12 possíveis ações para que a agenda de equidade de gêneros pudesse ser cumprida até 2030, das quais resumidamente são:
Pedem para que os estados coloquem ênfase na educação, principalmente na juventude, pais e religiosos, líderes tradicionais e comunitários sobre o efeito nocivo da mutilação e que incitem os homens e meninos a se tornarem mais envolvidos e informados, fazendo campanhas de conscientização e se tornarem agentes de mudança.
Apoio nacional e internacional para eliminar a prática e organizar eventos que conscientizem nesse âmbito durante o Dia Internacional da Tolerância Zero Para a Mutilação (dia 6 de fevereiro) com a participação de religiosos e autoridades locais comunitárias.
De acordo com a lei dos Direitos Humanos, é pedido para que os Estados instituam leis contra esse tipo de prática e que tomem medidas para garantir a aplicação restrita dessa lei.
Incentiva os Estados a desenvolver políticas abrangentes para combater a FGM, envolvendo o governo, o parlamento, o judiciário, a sociedade civil, a juventude, os meios de comunicação, o setor privado e todas as partes interessadas.
Também incentiva os Estados a desenvolver, apoiar, e promover a educação, conforme apropriado, incluindo matérias de saúde sexual e reprodutiva que claramente desafia os estereótipos de atitudes e práticas nocivas para as crianças e mulheres.
Enfatiza que os Estados precisam sistematizar, conforme apropriado, a coleta de dados sobre FGM para encorajar e prestar apoio financeiro à investigação principalmente em níveis universitários para que usem os resultados para tornar mais forte a a opinião pública e conscientização sobre o assunto. E também para conseguirem medir o progresso das campanhas.
Exorta os Estados a prestar assistência às vítimas de FGM, incluindo tratamentos físicos e psicológicos.
Encoraja os Estados a apresentarem as avaliações submetidas periodicamente e recomendações de medidas para a eliminação da FGM.
Encoraja a comunidade internacional a manter a questão da FGM na agenda das políticas de desenvolvimento e uma dedicação especial para a implementação dos objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.
Exorta os Estados a continuar a aumentar a assistência técnica e financeira para implementação de políticas eficazes, programas e planos de ação para eliminar a prática da FGM nos níveis nacional, regional e internacional.
Convida o alto comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e os órgãos de tratado de direitos humanos pertinentes, em particular o Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e os Direitos Culturais, a Comissão de Direitos Humanos, o Comitê sobre os Direitos da Criança, o Comitê para a Eliminação da discriminação contra a Mulher, o Comitê contra a Tortura e o Comitê para a proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias, para continuar a dar especial atenção à questão da eliminação da FGM.
Decide continuar a análise da questão da FGM de acordo com o seu programa de trabalho.
Pessoalmente achei muitos desses tópicos redundantes mas se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que se você não deixa muito explícito e especificado, sempre há uma forma de ser alterado, por isso existem contratos minuciosos e enfim, resoluções como essa. Às vezes vemos causas como essas e não sabemos como ajudar, mas todo tipo de militância como procurar saber mais sobre o assunto, dar visibilidade, é um ato solidário, uma forma de ajudar.
Há uma matéria muito boa da BBC que fala sobre o assunto, deixo aqui linkada. Há muitos documentários no YouTube também, só procurar tanto em português como inglês que aparecerão diversos vídeos sobre o assunto. Está sendo difícil demais finalizar esse texto, muita força para nós.
#EndFMG
Que podem sem comprovadas, 200 milhões de mulheres já passaram pelo terror da mutilação genital. A ONU já adotou mais de uma vez uma resolução para acabar com a mutilação genital feminina (também conhecido pela sigla FGM: Female Genital Mutilation) e manter a agenda de atingir a equidade de gêneros e empoderamento de todas as mulheres até 2030.
Atualmente há quatro tipos de mutilação genital feminina, todas chamadas erroneamente de ‘circuncisão feminina’. Erroneamente porque as sequelas são estrondosas e tenebrosas pra vida de uma criança/mulher que sobrevive a esse tipo de procedimento.
O primeiro tipo de FGM, retira-se a parte de fora do clitóris (o clitóris é enorme, vide). Os instrumentos utilizados normalmente não são higienizados e são utilizados de forma bárbara: giletes de barbear enferrujadas, facas não esterilizadas, cacos de vidro, isso tudo depende do país onde é realizado o procedimento, que ainda, por muitas culturas, infelizmente é considerado cultural.
O segundo tipo de FGM, é retirado o clitóris e os lábios pequenos. Lembrando que muitas vezes sem anestesia, as crianças que são submetidas a esses procedimentos tem idades variadas, desde nenens até pré adolescentes e sangram muito. Essas crianças estão expostas a diversos tipos de infecção e doenças como a AIDS por causa da falta de higienização nos instrumentos, sendo utilizado o mesmo em cada criança, como uma linha de produção.
O terceiro tipo de FGM é o pior que existe, se é que é possível fazer uma mínima distinção de atos tão brutais. No tipo 3, além do corte do clitóris e dos pequenos lábios, a vagina é costurada, deixando apenas um micro buraco na parte de baixo. Isso acarreta muitos problemas de saúde, extrema dor em urinar, extrema dor em menstruar, altos níveis de infecção urinária e vaginas acarretando muitas vezes em infertilidade da mulher. Mas ainda é possível engravidar e o sexo é insuportável e o nascimento da criança pode chegar a matar a mãe e o bebê.
O quarto tipo de FGM é um tipo que não é classificado. Podem acontecer algumas alterações na região vaginal, tatuagens, introdução de materiais corrosivos, cortar a base da vagina, e qualquer outra bizarrice que um ser humano seja capaz de fazer com um genital feminino. Porém, nesse tipo, as alterações são aleatórias.
Muitas mulheres nem associam os vários problemas de saúde posteriores à prática da mutilação que aconteceu em sua infância, o que torna a causa mais invisível. A ONU diz que a os números não são bons, e que em 15 anos, pode ser que aumentem os casos,então é preciso agir com firmeza para que a prática seja eliminada, com conscientização e políticas públicas.
A prática da mutilação tem raízes misóginas, desigualdade de gênero, de inferioridade da mulher, de pureza, castração, controlar sexualidade e até estética. Não há NENHUM benefício médico encontrado (quer dizer, alguém ainda foi tentar buscar por isso). Infelizmente a prática é realizada, na maioria das vezes, por mulheres e em mulheres, com medo de exclusão social.
Sabemos que há urgências no feminismo e eu não poderia concordar mais que essa é uma delas. Na resolução expedida pela ONU no último dia 29 foram formalizadas e numeradas 12 possíveis ações para que a agenda de equidade de gêneros pudesse ser cumprida até 2030, das quais resumidamente são:
Pedem para que os estados coloquem ênfase na educação, principalmente na juventude, pais e religiosos, líderes tradicionais e comunitários sobre o efeito nocivo da mutilação e que incitem os homens e meninos a se tornarem mais envolvidos e informados, fazendo campanhas de conscientização e se tornarem agentes de mudança.
Apoio nacional e internacional para eliminar a prática e organizar eventos que conscientizem nesse âmbito durante o Dia Internacional da Tolerância Zero Para a Mutilação (dia 6 de fevereiro) com a participação de religiosos e autoridades locais comunitárias.
De acordo com a lei dos Direitos Humanos, é pedido para que os Estados instituam leis contra esse tipo de prática e que tomem medidas para garantir a aplicação restrita dessa lei.
Incentiva os Estados a desenvolver políticas abrangentes para combater a FGM, envolvendo o governo, o parlamento, o judiciário, a sociedade civil, a juventude, os meios de comunicação, o setor privado e todas as partes interessadas.
Também incentiva os Estados a desenvolver, apoiar, e promover a educação, conforme apropriado, incluindo matérias de saúde sexual e reprodutiva que claramente desafia os estereótipos de atitudes e práticas nocivas para as crianças e mulheres.
Enfatiza que os Estados precisam sistematizar, conforme apropriado, a coleta de dados sobre FGM para encorajar e prestar apoio financeiro à investigação principalmente em níveis universitários para que usem os resultados para tornar mais forte a a opinião pública e conscientização sobre o assunto. E também para conseguirem medir o progresso das campanhas.
Exorta os Estados a prestar assistência às vítimas de FGM, incluindo tratamentos físicos e psicológicos.
Encoraja os Estados a apresentarem as avaliações submetidas periodicamente e recomendações de medidas para a eliminação da FGM.
Encoraja a comunidade internacional a manter a questão da FGM na agenda das políticas de desenvolvimento e uma dedicação especial para a implementação dos objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.
Exorta os Estados a continuar a aumentar a assistência técnica e financeira para implementação de políticas eficazes, programas e planos de ação para eliminar a prática da FGM nos níveis nacional, regional e internacional.
Convida o alto comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e os órgãos de tratado de direitos humanos pertinentes, em particular o Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e os Direitos Culturais, a Comissão de Direitos Humanos, o Comitê sobre os Direitos da Criança, o Comitê para a Eliminação da discriminação contra a Mulher, o Comitê contra a Tortura e o Comitê para a proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias, para continuar a dar especial atenção à questão da eliminação da FGM.
Decide continuar a análise da questão da FGM de acordo com o seu programa de trabalho.
Pessoalmente achei muitos desses tópicos redundantes mas se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que se você não deixa muito explícito e especificado, sempre há uma forma de ser alterado, por isso existem contratos minuciosos e enfim, resoluções como essa. Às vezes vemos causas como essas e não sabemos como ajudar, mas todo tipo de militância como procurar saber mais sobre o assunto, dar visibilidade, é um ato solidário, uma forma de ajudar.
Há uma matéria muito boa da BBC que fala sobre o assunto, deixo aqui linkada. Há muitos documentários no YouTube também, só procurar tanto em português como inglês que aparecerão diversos vídeos sobre o assunto. Está sendo difícil demais finalizar esse texto, muita força para nós.
Uma mulher mostra a navalha que utiliza para cortar a genitália de meninas em Mombasa, Quênia. 25 de junho de 2015. Foto de Ivan Lieman—Barcroft Media
Que podem sem comprovadas, 200 milhões de mulheres já passaram pelo terror da mutilação genital. A ONU já adotou mais de uma vez uma resolução para acabar com a mutilação genital feminina (também conhecido pela sigla FGM: Female Genital Mutilation) e manter a agenda de atingir a equidade de gêneros e empoderamento de todas as mulheres até 2030.
Atualmente há quatro tipos de mutilação genital feminina, todas chamadas erroneamente de ‘circuncisão feminina’. Erroneamente porque as sequelas são estrondosas e tenebrosas pra vida de uma criança/mulher que sobrevive a esse tipo de procedimento.
O primeiro tipo de FGM, retira-se a parte de fora do clitóris (o clitóris é enorme, vide). Os instrumentos utilizados normalmente não são higienizados e são utilizados de forma bárbara: giletes de barbear enferrujadas, facas não esterilizadas, cacos de vidro, isso tudo depende do país onde é realizado o procedimento, que ainda, por muitas culturas, infelizmente é considerado cultural.
[caption id="attachment_11308" align="aligncenter" width="634"] tipo 1[/caption]
O segundo tipo de FGM, é retirado o clitóris e os lábios pequenos. Lembrando que muitas vezes sem anestesia, as crianças que são submetidas a esses procedimentos tem idades variadas, desde nenens até pré adolescentes e sangram muito. Essas crianças estão expostas a diversos tipos de infecção e doenças como a AIDS por causa da falta de higienização nos instrumentos, sendo utilizado o mesmo em cada criança, como uma linha de produção.
[caption id="attachment_11309" align="aligncenter" width="631"] tipo 2[/caption]
O terceiro tipo de FGM é o pior que existe, se é que é possível fazer uma mínima distinção de atos tão brutais. No tipo 3, além do corte do clitóris e dos pequenos lábios, a vagina é costurada, deixando apenas um micro buraco na parte de baixo. Isso acarreta muitos problemas de saúde, extrema dor em urinar, extrema dor em menstruar, altos níveis de infecção urinária e vaginas acarretando muitas vezes em infertilidade da mulher. Mas ainda é possível engravidar e o sexo é insuportável e o nascimento da criança pode chegar a matar a mãe e o bebê.
[caption id="attachment_11310" align="aligncenter" width="633"] tipo 3[/caption]
O quarto tipo de FGM é um tipo que não é classificado. Podem acontecer algumas alterações na região vaginal, tatuagens, introdução de materiais corrosivos, cortar a base da vagina, e qualquer outra bizarrice que um ser humano seja capaz de fazer com um genital feminino. Porém, nesse tipo, as alterações são aleatórias.
[caption id="attachment_11311" align="aligncenter" width="635"] tipo 4[/caption]
Muitas mulheres nem associam os vários problemas de saúde posteriores à prática da mutilação que aconteceu em sua infância, o que torna a causa mais invisível. A ONU diz que a os números não são bons, e que em 15 anos, pode ser que aumentem os casos,então é preciso agir com firmeza para que a prática seja eliminada, com conscientização e políticas públicas.
A prática da mutilação tem raízes misóginas, desigualdade de gênero, de inferioridade da mulher, de pureza, castração, controlar sexualidade e até estética. Não há NENHUM benefício médico encontrado (quer dizer, alguém ainda foi tentar buscar por isso). Infelizmente a prática é realizada, na maioria das vezes, por mulheres e em mulheres, com medo de exclusão social.
Sabemos que há urgências no feminismo e eu não poderia concordar mais que essa é uma delas. Na resolução expedida pela ONU no último dia 29 foram formalizadas e numeradas 12 possíveis ações para que a agenda de equidade de gêneros pudesse ser cumprida até 2030, das quais resumidamente são:
Pedem para que os estados coloquem ênfase na educação, principalmente na juventude, pais e religiosos, líderes tradicionais e comunitários sobre o efeito nocivo da mutilação e que incitem os homens e meninos a se tornarem mais envolvidos e informados, fazendo campanhas de conscientização e se tornarem agentes de mudança.
Apoio nacional e internacional para eliminar a prática e organizar eventos que conscientizem nesse âmbito durante o Dia Internacional da Tolerância Zero Para a Mutilação (dia 6 de fevereiro) com a participação de religiosos e autoridades locais comunitárias.
De acordo com a lei dos Direitos Humanos, é pedido para que os Estados instituam leis contra esse tipo de prática e que tomem medidas para garantir a aplicação restrita dessa lei.
Incentiva os Estados a desenvolver políticas abrangentes para combater a FGM, envolvendo o governo, o parlamento, o judiciário, a sociedade civil, a juventude, os meios de comunicação, o setor privado e todas as partes interessadas.
Também incentiva os Estados a desenvolver, apoiar, e promover a educação, conforme apropriado, incluindo matérias de saúde sexual e reprodutiva que claramente desafia os estereótipos de atitudes e práticas nocivas para as crianças e mulheres.
Enfatiza que os Estados precisam sistematizar, conforme apropriado, a coleta de dados sobre FGM para encorajar e prestar apoio financeiro à investigação principalmente em níveis universitários para que usem os resultados para tornar mais forte a a opinião pública e conscientização sobre o assunto. E também para conseguirem medir o progresso das campanhas.
Exorta os Estados a prestar assistência às vítimas de FGM, incluindo tratamentos físicos e psicológicos.
Encoraja os Estados a apresentarem as avaliações submetidas periodicamente e recomendações de medidas para a eliminação da FGM.
Encoraja a comunidade internacional a manter a questão da FGM na agenda das políticas de desenvolvimento e uma dedicação especial para a implementação dos objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.
Exorta os Estados a continuar a aumentar a assistência técnica e financeira para implementação de políticas eficazes, programas e planos de ação para eliminar a prática da FGM nos níveis nacional, regional e internacional.
Convida o alto comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e os órgãos de tratado de direitos humanos pertinentes, em particular o Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e os Direitos Culturais, a Comissão de Direitos Humanos, o Comitê sobre os Direitos da Criança, o Comitê para a Eliminação da discriminação contra a Mulher, o Comitê contra a Tortura e o Comitê para a proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias, para continuar a dar especial atenção à questão da eliminação da FGM.
Decide continuar a análise da questão da FGM de acordo com o seu programa de trabalho.
Pessoalmente achei muitos desses tópicos redundantes mas se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que se você não deixa muito explícito e especificado, sempre há uma forma de ser alterado, por isso existem contratos minuciosos e enfim, resoluções como essa. Às vezes vemos causas como essas e não sabemos como ajudar, mas todo tipo de militância como procurar saber mais sobre o assunto, dar visibilidade, é um ato solidário, uma forma de ajudar.
[caption id="attachment_11329" align="aligncenter" width="565"] Waris Dirie, embaixadora da causa[/caption]
Há uma matéria muito boa da BBC que fala sobre o assunto, deixo aqui linkada. Há muitos documentários no YouTube também, só procurar tanto em português como inglês que aparecerão diversos vídeos sobre o assunto. Está sendo difícil demais finalizar esse texto, muita força para nós.
Tô vendo uma série no Netflix sobre Isabel de Castilla (as estudante de história pira) e tem uma parte em que uma camponesa é sequestrada por 4 homens que estavam lutando uma guerra de deposição do rei Enrique. Eles a sequestram apenas para estuprá-la, um estupro coletivo. Depois que um deles “acaba” e ela está toda suja de sangue, chorando, humilhada, o próximo vai soltando o cinto e ela consegue alcançar uma faca e aponta. Um deles diz “o que você vai fazer com uma faca contra nós 4?” e ela corta sua própria garganta. Os caras olham a cena meio “ah, que bosta, nosso brinquedinho quebrou”, daí o cara limpa a faca que ela usou pra se matar no próprio vestido da mulher e seguem viagem.
Eu consigo identificar mil questões de como um estupro é apenas uma ferramenta de poder e subordinação, de como estupro não é sexo nem pro agressor! Escolher uma mulher aleatória, ficar com pau duro com alguém desesperado e com medo na sua frente, depois de morta não a querem mais, só vale enquanto está sendo acuada e humilhada. Violam o corpo da mulher sem lhe tirar o vestido, com ela deitada de bruços, poderia ser qualquer coisa, mas escolhem uma mulher para preservar sua masculinidade na frente dos colegas e inferiorizam a mulher fragilizada.
Pessoalmente acredito que seja muito importante mostrar em séries e filmes de cunho histórico não-fictício, como eram os costumes, mostrar como mulheres exerciam seus poderes nas entrelinhas e como eram subordinadas, comportamentos machistas ao extremo, estupros. De modo que isso nos faz reviver um museu de nosso próprio caráter passado e mostrar o que evoluímos e o que ainda temos pra evoluir. Mais memória real e impactante sobre a ditadura no Brasil teria sido muito importante para essa geração de seguidores do Bolsomito (bolsonaro + vômito), por exemplo. Dito isso, sou extremamente contra qualquer cena em série ou filme de caráter fictício e/ou distópico que mostre uma subordinação de uma mulher não condenada pela narrativa e as vezes pior, romantizada. A mostre como inferior e estupro então, nem se fala. Tirar a cultura do estupro de pauta é uma urgência latente.
Sabemos que Game of Thrones é uma série que muitas pessoas gostam e apesar de terem muitas mulheres no poder, fazendo vilãs, mocinhas e mulheres comuns sem os devidos extremos estereótipos, apresenta muitas problematizações no sentido: por que tanto estupro? Estupro corretivo, estupro entre casais, estupro de casamento não consentido, estupro ordenado para punir, etc. Os maiores fãs da série dizem que “na época acontecia essas coisas”, só gostaria de lembrar que não existe essa “época”, é uma série ficcional, de um tempo ficcional, que pode se assemelhar a diversos tempos da nossa linha temporal, porém há cenas não justificáveis. Se a gente quer acabar com a cultura do estupro, seria muito mais interessante promover o empoderamento da mulher do que a subjugação histórica que nós tivemos e ainda temos (de 11 em 11 minutos no Brasil). Boicotar a série ou não é uma opção individual, porém é muito importante reconhecer onde há romantização de estupro e fazer críticas pesadas sobre o tema. Apenas.
Fazendo uma avaliação mais contemporânea, a gente pode também comparar com abusos de autoridade e poder. Micro e macro relações machistas diárias apenas para institucionalizar que há uma hierarquia de poder ainda que técnica e intelectualmente já tenhamos superado isso há séculos. Por que se precisa abusar de alguém quando está em situação vulnerável? Por situação vulnerável podemos listar várias coisas como, sob efeito de álcool, com medo, desmaiada, emocionalmente abalada, diferença gritante de idade, subordinada, crianças e idosos.
Lembrando sempre que homens e mulheres são diferentes biologicamente sim e a força é uma questão que interfere na subordinação da mulher há milênios. É bom lembrar porque feminismo pede igualdade perante a lei e equidade, ou seja, uma equivalência para nos tornarmos iguais perante a sociedade. Como já disse antes, já superamos há séculos essas questões e aqui uma galeria de pinturas da Idade Média para o deleite feminimo empoderador (clique no centro da imagem para ver todas).
Infelizmente, todas nós sabemos que homens próximos (amigos, familiares) e omis (termo de homem de internet que a gente não conhece e faz questão de ser agressivo) sempre nos dizem e repetem: Nem todos os homens. Pessoalmente consigo entender minimamente o porquê eles repetem isso frequentemente. Quando eu descobri que era opressora de mulheres negras e pobres (sou branca e classe média), fiquei muito angustiada e mal, mas nunca questionei isso, pelo contrário. Entendi que eu tenho a cara do opressor e fiz questão de manejar minha militância para as pautas mais urgentes. Muito mais urgentes que as minhas (empatia salva, galeura).
Sei que internalizar e digerir as questões é uma característica minha, mas não é característica da maioria dos homens e omis que foram criados livremente para serem exploradores, dominadores e questionadores. E por que não interpeladores? Interpeladores sim e confortáveis com isso. Já tentei os fazer entender o porquê, mas deixo aqui um trecho de um livro de uma escritora feminista de 1985 que já tinha que lidar com esse argumento.
Sabe o que acontece quando expomos uma situação absurda e o que ouvimos é “nem todo homem”? A situação explanada é altamente relevada. Os sentimentos de mágoa pessoal, por não quererem assumir a cara/frente das opressões milenares de gênero, etnia, classe, etc., tornam-se mais relevantes do que todas essas opressões. O que acontece é que se dá a perpetuação da subordinação das questões femininas e das minorias mais uma vez. Vence o micro machismo diário, vence o egoísmo e fica óbvio do porquê homens não podem ser feministas.
Então chega de feminismo liberal por hoje e eu vou voltar pra minha série porque águas ainda vão rolar e Isabel ainda vai se tornar rainha da porra toda. Desculpem o spoiler.
Ilustração feita com exclusividade por Sarah Assaf.
resolução para acabar com a mutilação genital feminina (também conhecido pela sigla FGM: Female Genital Mutilation) e manter a agenda de atingir a equidade de gêneros e empoderamento de todas as mulheres até 2030.
Atualmente há quatro tipos de mutilação genital feminina, todas chamadas erroneamente de ‘circuncisão feminina’. Erroneamente porque as sequelas são estrondosas e tenebrosas pra vida de uma criança/mulher que sobrevive a esse tipo de procedimento.
O primeiro tipo de FGM, retira-se a parte de fora do clitóris (o clitóris é enorme, vide). Os instrumentos utilizados normalmente não são higienizados e são utilizados de forma bárbara: giletes de barbear enferrujadas, facas não esterilizadas, cacos de vidro, isso tudo depende do país onde é realizado o procedimento, que ainda, por muitas culturas, infelizmente é considerado cultural.
O segundo tipo de FGM, é retirado o clitóris e os lábios pequenos. Lembrando que muitas vezes sem anestesia, as crianças que são submetidas a esses procedimentos tem idades variadas, desde nenens até pré adolescentes e sangram muito. Essas crianças estão expostas a diversos tipos de infecção e doenças como a AIDS por causa da falta de higienização nos instrumentos, sendo utilizado o mesmo em cada criança, como uma linha de produção.
O terceiro tipo de FGM é o pior que existe, se é que é possível fazer uma mínima distinção de atos tão brutais. No tipo 3, além do corte do clitóris e dos pequenos lábios, a vagina é costurada, deixando apenas um micro buraco na parte de baixo. Isso acarreta muitos problemas de saúde, extrema dor em urinar, extrema dor em menstruar, altos níveis de infecção urinária e vaginas acarretando muitas vezes em infertilidade da mulher. Mas ainda é possível engravidar e o sexo é insuportável e o nascimento da criança pode chegar a matar a mãe e o bebê.
O quarto tipo de FGM é um tipo que não é classificado. Podem acontecer algumas alterações na região vaginal, tatuagens, introdução de materiais corrosivos, cortar a base da vagina, e qualquer outra bizarrice que um ser humano seja capaz de fazer com um genital feminino. Porém, nesse tipo, as alterações são aleatórias.
Muitas mulheres nem associam os vários problemas de saúde posteriores à prática da mutilação que aconteceu em sua infância, o que torna a causa mais invisível. A ONU diz que a os números não são bons, e que em 15 anos, pode ser que aumentem os casos,então é preciso agir com firmeza para que a prática seja eliminada, com conscientização e políticas públicas.
A prática da mutilação tem raízes misóginas, desigualdade de gênero, de inferioridade da mulher, de pureza, castração, controlar sexualidade e até estética. Não há NENHUM benefício médico encontrado (quer dizer, alguém ainda foi tentar buscar por isso). Infelizmente a prática é realizada, na maioria das vezes, por mulheres e em mulheres, com medo de exclusão social.
Sabemos que há urgências no feminismo e eu não poderia concordar mais que essa é uma delas. Na resolução expedida pela ONU no último dia 29 foram formalizadas e numeradas 12 possíveis ações para que a agenda de equidade de gêneros pudesse ser cumprida até 2030, das quais resumidamente são:
Pedem para que os estados coloquem ênfase na educação, principalmente na juventude, pais e religiosos, líderes tradicionais e comunitários sobre o efeito nocivo da mutilação e que incitem os homens e meninos a se tornarem mais envolvidos e informados, fazendo campanhas de conscientização e se tornarem agentes de mudança.
Apoio nacional e internacional para eliminar a prática e organizar eventos que conscientizem nesse âmbito durante o Dia Internacional da Tolerância Zero Para a Mutilação (dia 6 de fevereiro) com a participação de religiosos e autoridades locais comunitárias.
De acordo com a lei dos Direitos Humanos, é pedido para que os Estados instituam leis contra esse tipo de prática e que tomem medidas para garantir a aplicação restrita dessa lei.
Incentiva os Estados a desenvolver políticas abrangentes para combater a FGM, envolvendo o governo, o parlamento, o judiciário, a sociedade civil, a juventude, os meios de comunicação, o setor privado e todas as partes interessadas.
Também incentiva os Estados a desenvolver, apoiar, e promover a educação, conforme apropriado, incluindo matérias de saúde sexual e reprodutiva que claramente desafia os estereótipos de atitudes e práticas nocivas para as crianças e mulheres.
Enfatiza que os Estados precisam sistematizar, conforme apropriado, a coleta de dados sobre FGM para encorajar e prestar apoio financeiro à investigação principalmente em níveis universitários para que usem os resultados para tornar mais forte a a opinião pública e conscientização sobre o assunto. E também para conseguirem medir o progresso das campanhas.
Exorta os Estados a prestar assistência às vítimas de FGM, incluindo tratamentos físicos e psicológicos.
Encoraja os Estados a apresentarem as avaliações submetidas periodicamente e recomendações de medidas para a eliminação da FGM.
Encoraja a comunidade internacional a manter a questão da FGM na agenda das políticas de desenvolvimento e uma dedicação especial para a implementação dos objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.
Exorta os Estados a continuar a aumentar a assistência técnica e financeira para implementação de políticas eficazes, programas e planos de ação para eliminar a prática da FGM nos níveis nacional, regional e internacional.
Convida o alto comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e os órgãos de tratado de direitos humanos pertinentes, em particular o Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e os Direitos Culturais, a Comissão de Direitos Humanos, o Comitê sobre os Direitos da Criança, o Comitê para a Eliminação da discriminação contra a Mulher, o Comitê contra a Tortura e o Comitê para a proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias, para continuar a dar especial atenção à questão da eliminação da FGM.
Decide continuar a análise da questão da FGM de acordo com o seu programa de trabalho.
Pessoalmente achei muitos desses tópicos redundantes mas se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que se você não deixa muito explícito e especificado, sempre há uma forma de ser alterado, por isso existem contratos minuciosos e enfim, resoluções como essa. Às vezes vemos causas como essas e não sabemos como ajudar, mas todo tipo de militância como procurar saber mais sobre o assunto, dar visibilidade, é um ato solidário, uma forma de ajudar.
Há uma matéria muito boa da BBC que fala sobre o assunto, deixo aqui linkada. Há muitos documentários no YouTube também, só procurar tanto em português como inglês que aparecerão diversos vídeos sobre o assunto. Está sendo difícil demais finalizar esse texto, muita força para nós.