Incite seu útero: Death Proof

Faz alguns anos que Tarantino não me agrada e não sei dizer exatamente o por que. Os filmes com seu nome feitos na década de 1990 e começo de 2000 sempre me deixavam animada, mas os que saíram depois disso comumente não geravam nada mais de um triste suspiro. Era quase como se ele ficasse tão preocupado em seguir ~o estilo Tarantino~ que seus filmes perderam a substância e viraram uma triste caricatura do que é entendido por um filme Tarantino.

Por isso não assisti Death Proof por quase dez anos. E isso foi um erro.
 
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A história começa com três protagonistas femininas (oi?!?!) em um carro, discutindo sobre a vida e os planos para dos próximos dias. O filme passa no teste Bechdel nos primeiros dez minutos. Nada mal para um filme dirigido por um homem, não é? Outro ponto positivo é: Rosario Dawson.
 

 
As três mulheres do começo vão a um bar para encher a cara antes de uma viagem que estavam planejando na primeira cena do filme. Lá, conhecemos outros personagens dos filme inclusive mais algumas mulheres. Todas elas são bem resolvidas, não precisam de nenhum pinto na sua vida (elas permitem a ida e vinda de alguns deles mas precisar mesmo não precisam de nenhum) e se sentem confortáveis o suficiente para mostrarem seus corpos como bem entenderem.
 
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Há no mínimo seis personagens femininas que vão te dar orgulho do seu gênero, cada uma a seu jeito e com suas particularidades.
 
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Falar muito sobre a história de Death Proof seria privar você da (boa) surpresa da descoberta. Só vou te dizer que no final você entende por que homens passaram tanto tempo querendo te convencer que você é o “sexo frágil”.
 
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O filme está no Netflix e no Popcorn Time.

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Obrigada, mãe

A vida toda só tive uma certeza: sou assim, completamente diferente de você, mãe.

Você gosta de roupas mais sérias e coloridas, eu gosto de tudo bizarro. Você até hoje não pinta os cabelos, eu não lembro a cor original dos meus. Eu tenho o desafio pessoal de tentar colocar o máximo de palavrões em uma mesma frase, você odeia todas as minhas obscenidades. Mas ultimamente andei pensando…

Já brigamos para caralho por causa disso e muito mais, e nunca falamos sobre isso depois. Só andamos para frente e fingimos que nada aconteceu. Talvez isso seja um erro, uma infantilidade mútua de não querer assumir sua própria responsabilidade em uma briga e falhar em se colocar no lugar da outra. Pessoalmente, prefiro pensar que é por que estamos acima dessas noções humanas que tudo precisa ser expresso em palavras.

Sempre discordamos, para quase tudo. Pode ser porque somos duas mulheres muito diferentes, que têm objetivos diferentes e vêem formas diferentes de lutar por eles. Ou pode ser porque somos tão parecidas e cabeça dura que deixamos os consensos para quem não confia tanto assim no que acredita.

Você tem sua fé e me criou nela, mas eu não vejo sentido em fé nenhuma, em nenhuma existência superior a não ser a física e a química. Ainda sim, nossas vidas são a constante busca do aperfeiçoamento pessoal e técnico, dentro da filosofia que nos guia.
 

 
Nossas diferenças são muitas, muitíssimas, mas agora acho que temos mais semelhanças.

Nunca esperamos nada em troca de nada. Nunca esperamos que ninguém faça nada por nós, na verdade. Muito menos homens. Eles que se fodam.

Nunca ficamos quietas por conforto ou medo. Pode ser nosso chefe, nosso professor, nossa melhor amiga. Se algo esta errado, vamos apontar na cara de todo mundo. Também nunca mentimos ou contamos meias verdades. Se eles não podem aguentar o que termos a dizer, eles que se escondam embaixo da saia da mães deles. Nos temos muito salto para bater na cara desses otários.

Isso também tem lá suas consequências, quem fala o que quer ouve o que não quer. Se me lembro bem, aguentamos isso aí também, de cabeça erguida e sem borrar o batom.

Também não nos importamos com o que as pessoas acham da gente. Muito gorda, muito magra, cabelo horrível, grosseira, foda-se. Não viemos aqui para pedir delicadamente permissão para ser alguém, viemos para mostrar quem somos e chutar qualquer bunda que esteja no caminho.

Você é uma pessoa difícil. Eu também (talvez pior, na verdade).

A verdade é que com todas as semelhanças e diferenças, eu nunca seria exatamente quem eu sou se não fosse por você. E nós nunca falamos sobre isso, nunca falamos sobre nada que não tenha uma aplicação prática, mas ainda sim achei que já estava passando da hora de dizer isso: Obrigada.
 

Agradeço esse texto aqui pela inspiração. Agradeço minha maninha Paula pela companhia nesses anos e pelas fotos.

Ilustração por Bárbara Malagoli (Baby C)

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A história começa com três protagonistas femininas (oi?!?!) em um carro, discutindo sobre a vida e os planos para dos próximos dias. O filme passa no teste Bechdel nos primeiros dez minutos. Nada mal para um filme dirigido por um homem, não é? Outro ponto positivo é: Rosario Dawson.
 

 
As três mulheres do começo vão a um bar para encher a cara antes de uma viagem que estavam planejando na primeira cena do filme. Lá, conhecemos outros personagens dos filme inclusive mais algumas mulheres. Todas elas são bem resolvidas, não precisam de nenhum pinto na sua vida (elas permitem a ida e vinda de alguns deles mas precisar mesmo não precisam de nenhum) e se sentem confortáveis o suficiente para mostrarem seus corpos como bem entenderem.
 
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Há no mínimo seis personagens femininas que vão te dar orgulho do seu gênero, cada uma a seu jeito e com suas particularidades.
 
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Falar muito sobre a história de Death Proof seria privar você da (boa) surpresa da descoberta. Só vou te dizer que no final você entende por que homens passaram tanto tempo querendo te convencer que você é o “sexo frágil”.
 
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O filme está no Netflix e no Popcorn Time.

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