Mas lugar de mulher é na cozinha, não é?

Dayse, participante do MasterChef Brasil Profissionais. Colagem digital feita por Fernanda Garcia (Kissy)

Recentemente percebi que meu dia mais esperado da semana é terça-feira, dia de Masterchef Brasil Profissionais, dia de ver a Dayse Paparoto chutando bundas.

dayse

 
[infobox maintitle="Esse post contém potenciais spoilers!" subtitle="" bg="pink" color="black" opacity="on" space="30" link="no link"]  

Essa última temporada do programa tem me marcado mais ainda que as anteriores (que também tiveram seus altos e baixos), pelas atitudes machistas e descaradas de alguns participantes. No último episódio, exibido dia 29 de novembro, os participantes realizaram uma prova em que precisavam apresentar três receitas diferentes com o mesmo ingrediente. Dario e Marcelo ousaram no preparo, enquanto Dayse e Ivo optaram por receitas mais simples e sofisticadas. A prova decidia quem dos quatro participantes iria direto para a semifinal.
Bem tranquilo, Marcelo ressaltava a Dario que eles já estavam garantidos e que a vitória claramente ia para algum deles. De fato, Marcelo ganhou disparado na prova por maioria de votos, mas a sua surpresa estava mesmo na prova de eliminação a seguir.

 
[caption id="attachment_12479" align="alignnone" width="1000"]paola Antes de começar a prova de eliminação Paola Carosella dá o toque nos chefs.[/caption]  
Todos acreditavam que Dayse seria a candidata com “menos técnica” e seus conhecimentos eram erroneamente subestimados pelos demais. “Quero derrubar a Dayse de qualquer jeito, hoje”, disse Marcelo, achando que ela seria a mais fácil de passar por cima, se comparada a Ivo e Dario.

Mas desculpa querido, não rolou.

 


 
Elogiada pelos três chefs, ela ficou surpresa consigo mesma <3
 


 
Dayse desenvolveu uma receita que surpreendeu a todos, inclusive a Marcelo, que desceu do mezanino (a convite inédito de Paola Carosella) para provar o prato que consistia em duas proteínas: fraldinha e vieiras com molho de maracujá.

 
[caption id="attachment_12475" align="alignnone" width="1000"]marcelojoia vlw flw[/caption]  
Infelizmente não foi a primeira vez que a participante foi desacreditada, com constantes comentários de que ela seria a “menos perigosa” dos concorrentes, “muito teimosa” e por aí vai. Argumento atrás de argumento tentando desqualificar alguém que nunca foi pra berlinda – sorry not sorry!

E para todas as críticas Dayse só tem os melhores posicionamentos <3

Eu podia até cozinhar pra surpreender o Marcelo, mas a verdade é que eu não tô nem aí pra ele.

Fádia, ao ser eliminada em outro episódio, desabafou na saída: “É muito mais difícil (para as mulheres), porque tem os machistas na cozinha. Não aceitam nossa presença dentro de uma cozinha mais corrida, mais puxada. Só que desde que eu coloquei na minha cabeça de seguir isso como profissão, eu falei ‘não! Por quê?!’. Sou mulher, mas eu também tenho potência ou competência suficiente para estar no lugar de qualquer um, sendo homem ou mulher”.

Lógico que como todo programa de televisão, ainda mais um reallity show, o Masterchef tem suas edições e cortes calculados para cada episódio. Mas isso não necessariamente desqualifica os preconceitos demonstrados durante a competição.

Engraçado como é comum a mulher ser relacionada ao papel de dona de casa, na cozinha e afins (vide o “bela, recatada e do lar“). Mas quando se trata de uma competição entre homens e mulheres, o papel da mulher facilmente se transforma a algo inferior. Como no comentário do participante Ivo (ex-chefe de Dayse), em um episódio passado, quando disse para que ela pegasse a vassoura e que varresse o chão, enquanto ele e Dario cozinhavam.
 

¯\_(ツ)_

 
Em entrevista recente, Dayse comentou sobre esse machismo que sofreu e ainda sofre dentro da cozinha: “Sempre tive que ser meio bruta para conseguir me manter em um emprego, porque o chef coloca as meninas na salada e eu não queria salada, queria fogão, ser subchef, chef. Quando entrava na salada, eu tinha que me esforçar o dobro dos caras para mostrar que podia ir para o fogão”.

 


 
A própria poderosíssima chef Paola Carosella comentou em entrevista pra revista Trip, em novembro de 2015, sobre os maus bocados que passou na cozinha, pelo simples fato de ser mulher. Hoje a bem-sucedida chef argentina conta que sofreu com assédios sexuais, com encoxadas de chefes a ameaças de morte por colegas de trabalho.

O relato das duas e de outras competidoras do Masterchef Brasil Profissionais prova que a cozinha profissional é um ambiente extremamente machista, por mais difícil que seja imaginar isso – considerando as décadas em que mulheres foram mandadas para onde? Pra cozinha!

Mas elas estão conquistando seus espaços e derrubando alguns machistas pelo caminho. Não é, Dayse?! <3

“Ver meu ex-chefe sair da competição é um sentimento que não sei explicar, porque, quando eu era subchefe dele, ele não acreditava em mim. Ele não acredita em mim até hoje. Ver essa cena é um pouco estranho, mas me deixa um pouco feliz porque me faz pensar que estou no caminho certo”, disse a chef orgulhosa, depois da eliminação de Ivo.

Lugar de mulher é na cozinha, no escritório, pilotando um airbus, ou onde quer que ela decida. E isso vai continuar ferindo o ego de muitos homens até que eles relaxem e aprendam que a gente tá aqui sim e é pra arrebentar. Deal with it.

 


 
Texto por Fernanda Garcia (Kissy) com a colaboração de Débora Backes.
 

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Ainda tem dúvidas da sua força?

Recentemente eu li uma entrevista da Rihanna onde ela abria o jogo sobre seu passado e presente e dizia ter a ideia de que algumas pessoas nasceram para enfrentar umas merdas mais do que as outras por (resumidamente) serem mais fortes e fazerem as coisas certas.

Nunca fui fã da cantora, mas sempre admirei sua coragem e força pra enfrentar as adversidades da vida. De certa forma, concordo com o que ela disse ou talvez eu esteja apenas tentando ver razões para tomarmos tanto “tapa na cara” às vezes. Não que eu queira justificar as ações que nos acontecem, que pretensão seria essa afinal? Sei que um dos sentidos da vida humana é descobrir sempre mais e compreender os porquês de tudo. Mas também aprendi os riscos de querer entender esse universo que nos cerca.

Mas voltando ao assunto que a Rihanna levantou na minha cabeça: essa teoria de que algumas pessoas sejam simplesmente “mais fortes” que outras talvez seja um bom pensamento para não te fazer cair na bad sem resposta do “por que eu?”.

Porque você é forte, porque você está aqui hoje e agora, porque você sabe o quanto é uma pessoa boa e as adversidades só estão aí pra fortalecer ainda mais o fato de que você consegue conquistar tudo o que quiser se acreditar na sua própria força, seja ela amplamente visível ou não. Ela está ali.

Tudo o que você possui hoje, seja material ou não, deve-se acima de tudo ao seu esforço e capacidade e é aí que você pode enxergar o seu próprio poder e importância. Nas pessoas que te amam, no seu trabalho suado, nos seus projetos pessoais, na sua individualidade, na (até pequena) natureza ao seu redor e, mesmo que você ainda duvide, sua força também está na sua beleza interna e externa.

E um adendo: problemas são imensuráveis aos olhos dos outros. Só você sabe o tamanho da sua “bucha” e tudo bem quanto a isso. Quem vai resolver é você, afinal.

Espere o problema como uma parte inevitável da vida, e quando ele chegar, mantenha sua cabeça erguida, olhe para ele nos olhos e diga: ‘eu serei maior que você. Você não pode me derrotar” – Ann Landers

 

Ilustração feita com exclusividade por Fernanda Garcia (a.k.a. Kissy)
 

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Essa última temporada do programa tem me marcado mais ainda que as anteriores (que também tiveram seus altos e baixos), pelas atitudes machistas e descaradas de alguns participantes. No último episódio, exibido dia 29 de novembro, os participantes realizaram uma prova em que precisavam apresentar três receitas diferentes com o mesmo ingrediente. Dario e Marcelo ousaram no preparo, enquanto Dayse e Ivo optaram por receitas mais simples e sofisticadas. A prova decidia quem dos quatro participantes iria direto para a semifinal.
Bem tranquilo, Marcelo ressaltava a Dario que eles já estavam garantidos e que a vitória claramente ia para algum deles. De fato, Marcelo ganhou disparado na prova por maioria de votos, mas a sua surpresa estava mesmo na prova de eliminação a seguir.

 

 
Todos acreditavam que Dayse seria a candidata com “menos técnica” e seus conhecimentos eram erroneamente subestimados pelos demais. “Quero derrubar a Dayse de qualquer jeito, hoje”, disse Marcelo, achando que ela seria a mais fácil de passar por cima, se comparada a Ivo e Dario.

Mas desculpa querido, não rolou.

 


 
Elogiada pelos três chefs, ela ficou surpresa consigo mesma <3
 


 
Dayse desenvolveu uma receita que surpreendeu a todos, inclusive a Marcelo, que desceu do mezanino (a convite inédito de Paola Carosella) para provar o prato que consistia em duas proteínas: fraldinha e vieiras com molho de maracujá.

 

 
Infelizmente não foi a primeira vez que a participante foi desacreditada, com constantes comentários de que ela seria a “menos perigosa” dos concorrentes, “muito teimosa” e por aí vai. Argumento atrás de argumento tentando desqualificar alguém que nunca foi pra berlinda – sorry not sorry!

E para todas as críticas Dayse só tem os melhores posicionamentos <3

Eu podia até cozinhar pra surpreender o Marcelo, mas a verdade é que eu não tô nem aí pra ele.

Fádia, ao ser eliminada em outro episódio, desabafou na saída: “É muito mais difícil (para as mulheres), porque tem os machistas na cozinha. Não aceitam nossa presença dentro de uma cozinha mais corrida, mais puxada. Só que desde que eu coloquei na minha cabeça de seguir isso como profissão, eu falei ‘não! Por quê?!’. Sou mulher, mas eu também tenho potência ou competência suficiente para estar no lugar de qualquer um, sendo homem ou mulher”.

Lógico que como todo programa de televisão, ainda mais um reallity show, o Masterchef tem suas edições e cortes calculados para cada episódio. Mas isso não necessariamente desqualifica os preconceitos demonstrados durante a competição.

Engraçado como é comum a mulher ser relacionada ao papel de dona de casa, na cozinha e afins (vide o “bela, recatada e do lar“). Mas quando se trata de uma competição entre homens e mulheres, o papel da mulher facilmente se transforma a algo inferior. Como no comentário do participante Ivo (ex-chefe de Dayse), em um episódio passado, quando disse para que ela pegasse a vassoura e que varresse o chão, enquanto ele e Dario cozinhavam.
 

¯\_(ツ)_

 
Em entrevista recente, Dayse comentou sobre esse machismo que sofreu e ainda sofre dentro da cozinha: “Sempre tive que ser meio bruta para conseguir me manter em um emprego, porque o chef coloca as meninas na salada e eu não queria salada, queria fogão, ser subchef, chef. Quando entrava na salada, eu tinha que me esforçar o dobro dos caras para mostrar que podia ir para o fogão”.

 


 
A própria poderosíssima chef Paola Carosella comentou em entrevista pra revista Trip, em novembro de 2015, sobre os maus bocados que passou na cozinha, pelo simples fato de ser mulher. Hoje a bem-sucedida chef argentina conta que sofreu com assédios sexuais, com encoxadas de chefes a ameaças de morte por colegas de trabalho.

O relato das duas e de outras competidoras do Masterchef Brasil Profissionais prova que a cozinha profissional é um ambiente extremamente machista, por mais difícil que seja imaginar isso – considerando as décadas em que mulheres foram mandadas para onde? Pra cozinha!

Mas elas estão conquistando seus espaços e derrubando alguns machistas pelo caminho. Não é, Dayse?! <3

“Ver meu ex-chefe sair da competição é um sentimento que não sei explicar, porque, quando eu era subchefe dele, ele não acreditava em mim. Ele não acredita em mim até hoje. Ver essa cena é um pouco estranho, mas me deixa um pouco feliz porque me faz pensar que estou no caminho certo”, disse a chef orgulhosa, depois da eliminação de Ivo.

Lugar de mulher é na cozinha, no escritório, pilotando um airbus, ou onde quer que ela decida. E isso vai continuar ferindo o ego de muitos homens até que eles relaxem e aprendam que a gente tá aqui sim e é pra arrebentar. Deal with it.

 


 
Texto por Fernanda Garcia (Kissy) com a colaboração de Débora Backes.
 

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