O que nunca dizer para quem está em Transição Capilar

Solange te despreza

Não basta ter que se preparar psicologicamente para enfrentar os desafios da transição capilar de cabeça erguida para não desistir, as mulheres ainda precisam lidar com gente questionando sua força de vontade e seus motivos para fazer isso.

Se você tem uma amiga, parente ou namorada em transição, não seja aquela pessoa que a desanima e faz suposições desnecessárias. Você não sabe pelo que ela vai passar ou está passando, menos ainda como será o resultado. Não são comentários negativos e baseados no ideal de beleza atual que ajudam as mulheres a passar por isso.

Por isso tive o cuidado de fazer uma lista das piores frases que ouvimos durante uma transição para que elas NÃO sejam repetidas:
 

1) “É porque tá na moda, né?”

giphy

Sim, todo mundo tá fazendo
 

2) “Mas você fica mais bonita de cabelo liso”

rihanna

Tem razão, eu deveria desistir por causa dessa sua opinião
 

3) “Você vai ter mais trabalho para cuidar”

Alisha

Tanto quanto eu tinha para fazer chapinha. Ah não espera… Menos do que eu tinha para fazer chapinha!
 

4) “O que seu namorado acha disso? Ele não reclama?”

solange

Não sei o que meu namorado acha disso, eu não perguntei pra ele.
 

5) “Vai ficar parecendo um homem quando cortar”

Ciara-boy

Androginia sim, tá na moda
 

6) “Pra usar aquele cabelo armado? Sério? Tem certeza?”

anigif_enhanced-buzz-30822-1372192171-9

Armado não, volumoso.
 

7) “Você nunca vai conseguir voltar pro seu cabelo natural”

Karoline Gomes: antes e depois

BAAM!

Mais de Karoline Gomes

Transição Capilar: Nosso cabelo importa

Por muito tempo o alisamento para cabelos cacheados e crepos foi visto como uma “solução” para características que os acompanham e que são consideradas negativas para uma sociedade racista, que faz de tudo para anular o esforço de qualquer pessoa para escapar de suas amarras e gostos estereotipados. Mas se você notar uma grande movimentação de mulheres assumindo suas raízes e andando por aí com suas coroas volumosas, saiba que não é moda. É a nossa nova alternativa para estas imposições estéticas: empoderamento e transição capilar.

Somos muitas, e todas já protagonizamos ao menos um episódio de preconceito contra nossos cabelos que derruba nossa auto estima e nos fez querer mudar, seja por um dia, seja de forma “definitiva”. Tudo porque uma maioria – e nós inclusas – aprendemos que aquele padrão eurocêntrico é o ideal para nossa aparência.

Quantas vezes você que tem esse tipo de cabelo teve que escovar até prende-lo rente a raiz? Enche-lo de creme para reduzir o volume? Escovar “só para sair” e participar de alguma festa ou evento? Até que finalmente você desiste: se rende a química de alisamento.

O “arrumado”, o “bonito”, e o aceitável é o liso da capa de revista ou da mocinha da novela, sempre foi e ainda é. Os produtos nas prateleiras das lojas de cosméticos mais comuns são para cabelos lisos ou alisados, tamanha a quantidade de mulheres que vivem submetidas a estes processos.

Quando resolvi que não alisaria mais o meu cabelo e assumiria a forma natural dele, não pensei inicialmente na mudança estética que isso me traria, reforçando a minha auto-estima e me fazendo me reconhecer como uma mulher negra e me orgulhar disso. Menos ainda a importância política do ato. A minha primeira motivação na verdade foi parar de gastar dinheiro e horas no salão.

Depois de 11 meses sem alisar com química, eu ainda não tinha alcançado meu objetivo, continuava tendo que fazer chapinha para controlar a bagunça de dois tipos de cabelo na cabeça.

Pesquisando sobre possíveis alternativas, descobri a transição capilar, que é praticamente o que eu estava fazendo: deixar a sua raiz natural crescer até poder fazer o Big Chop, o grande corte que remove todas as partes com química do cabelo, também chamado de BC – muitas mulheres preferem até ficar carecas e começar do zero. A novidade que encontrei naqueles espaços online era que algumas, ao contrário de mim, usavam produtos, técnicas e cronogramas de cuidados, para reativar os cachos e o volume mais rapidamente.

Se o mundo não nos dá representatividade, nós buscamos por ela e assumimos essa responsabilidade.

Ver tantas de nós (como disse, somos muitas) em grupos especializados na internet buscando alternativas para voltar ao seus cabelos naturais, assumir sua identidade e sua beleza real sem se basear no que as revistas ditam a elas me encorajou. Maior ainda foi vê-las encorajando umas as outras, e perceber que a transição capilar era algo real e acontecendo com tantas ao meu redor.

Me fez perceber que mesmo que a sociedade, a mídia e a indústria nos imponham padrões de estética, se uma mulher resiste a eles e luta pelo seu direito de ser ela mesma, outras terão a mesma força, e terão também sua auto-estima reconstruída. Se o mundo não nos dá representatividade, nós buscamos por ela e assumimos essa responsabilidade.

E a partir de hoje eu estarei aqui no Ovelha com essa missão. Porque nosso cabelo também importa.

Leia mais

Sim, todo mundo tá fazendo
 

2) “Mas você fica mais bonita de cabelo liso”

rihanna

Tem razão, eu deveria desistir por causa dessa sua opinião
 

3) “Você vai ter mais trabalho para cuidar”

Alisha

Tanto quanto eu tinha para fazer chapinha. Ah não espera… Menos do que eu tinha para fazer chapinha!
 

4) “O que seu namorado acha disso? Ele não reclama?”

solange

Não sei o que meu namorado acha disso, eu não perguntei pra ele.
 

5) “Vai ficar parecendo um homem quando cortar”

Ciara-boy

Androginia sim, tá na moda
 

6) “Pra usar aquele cabelo armado? Sério? Tem certeza?”

anigif_enhanced-buzz-30822-1372192171-9

Armado não, volumoso.
 

7) “Você nunca vai conseguir voltar pro seu cabelo natural”

Karoline Gomes: antes e depois

BAAM!

" />