Ouça: MUNA

Mais que uma banda pop formada por mulheres, um novo ícone para comunidade queer

Se você quer ouvir uma banda electro-pop LGBT formada apenas por mulheres com um som darks dançante que parece beber dos anos 80 e uma voz densa e forte, você precisa conhecer o trio californiano MUNA, composto por por Katie Gavin (voz), Naomi Mcpherson (guitarra) e Josette Maskin (guitarra).

De relance é possível comparar seu som ao de outras bandas do momento, como o das irmãs Haim. Porém, MUNA tem uma camada a mais em sua música que vai muito além do entretenimento pop: seu som tem um caráter político fortíssimo.

Após o tiroteio no clube gay Pulse, ocorrido em junho do ano passado, elas divulgaram a música “I Know A Place” em apoio à comunidade LGBT. A música imagina uma utopia queer onde os espaços são seguros à todos. A ideia é refletir sobre a tragédia na mesma medida que devolve esperança. A vocalista Katie Gavin escreveu na época um texto que explicava essa música (vale muito à pena ler – em inglês).

I know a place where you don’t need protection / Even if it’s only in my imagination


 
Os direitos LGBT e o assédio sexual são apenas alguns dos tópicos presentes em seu álbum de estreia, chamado “About U”. As garotas do MUNA esperam que seus fãs se sintam mais à vontade com sua própria identidade de gênero, e fazem isso ao pensar na composição das suas letras: elas se recusam em adotar os pronomes de gênero “ele” ou “ela”. A guitarrista Josette Maskin disse que elas ficam irritadíssimas quando escutam um cover de uma música em que a cantora muda o gênero do pronome para não parecer que é uma mulher cantando para outra. “Queremos ser relacionável ​​para todas as pessoas”, diz. Katie Gavin concorda e conclui: “Todo mundo tem um ‘você’, então cantar em segunda pessoa cria mais empatia, é por isso que nosso álbum é chamado About U.”


 
Juntas, Gavin, McPherson e Josette Maskin trabalham para apoiar e defender grupos marginalizados. Elas não são nada tímidas com suas crenças e valores. Elas usaram camisetas com os dizeres “Fuck Trump” durante um dos primeiros shows que fizeram em um festival. Elas também se juntaram orgulhosamente à Marcha das Mulheres em janeiro, quando Trump foi eleito. No dia da inauguração presidencial de Donald Trump, as garotas do MUNA liberaram a música “Crying On The Bathroom Floor”, que é uma ode à síndrome de Estocolmo vivida em um relacionamento, porém Gavin acredita que a letra pode ser aplicada também à política. “Estamos entrando em um relacionamento abusivo com Donald Trump”, disse ela.

I’m asking a lot of myself
It’s taking a lot out of me, loving you


 
Seu compromisso e franqueza vêm de um profundo orgulho pelo que fazem, pelo amor à comunidade LGBT que ajudam a promover e apoiar, e, claro, também por si mesmas. “O que mais um ícone queer poderia fazer?”, indaga Maskin.

[caption id="attachment_14990" align="alignnone" width="800"] tão fofénhas, fala sério[/caption] [separator type="thin"]

Se você também se apaixonou por essas lindinhas revolucionárias, siga MUNA:
Site oficial / Soundcloud / Facebook / Youtube


Texto elaborado a partir dos artigos do The Guardian e Nylon.
 

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Jogue: Alien: Isolation

Você pode ter curiosidade de jogar Alien: Isolation por ser fã da série cinematográfica. Ou por amar um belo jogo de terror. Mas pra mim, Alien: Isolation tem mais um ótimo e importante motivo para ser jogado: sua protagonista é, sem dúvida, uma das mais poderosas da era dos games.

 

Tá de parabéns

O game sensacional teve êxito em transmitir o clima de terror sci-fi do filme original de 1979. O cuidado do estúdio Creative Assembly se mostra nos detalhes que fazem referência e homenagem aos longas dos anos 80 e 90. Por isso, para quem assistiu aos filmes, Alien: Isolation é um jogo obrigatório. O game não só traz de volta parte do elenco original (Sigourney Weaver, bitches!) como conta com efeitos sonoros e músicas iguais aos dos filmes, sem contar que já no início do jogo percebemos que a nave tem seu design interior idêntico à Nostromo.

Claro que tudo isso não vale picas se o jogo em si for uma porcaria. Mas não é o caso. Alien: Isolation é, sozinho, um poderoso jogo de terror, daqueles que te dão frio na espinha com medo de virar a próxima esquina ou abrir uma porta. Tem suspense, ação, surpresas, sustos, esconderijos, escuridão e silêncios… Tudo para o deleite de quem gosta de títulos como Dead Space e Resident Evil.

 

Ripley, poderosíssima

Já houveram muitos jogos baseados na franquia Alien, mas poquíssimos deles se concentraram na heroína dos filmes. Ellen Ripley é uma personagem que possui as características certas que a fazem ser tão fabulosa: ela esperta, sabe manter o foco em situações complicadas e é durona sem deixar seu lado humano. Ripley é uma trabalhadora que só está ali para fazer seu trabalho e sobreviver, uma característica tão humana que não há como não se identificar. Representatividade é isso. Quando nós, mulheres, podemos dizer que nos identificamos com uma protagonista poderosa é algo simplesmente sublime.

Voltando ao jogo: a história se passa entre os dois primeiros filmes. Nós controlamos Ripley Junior (como gosto de chamar a Amanda) que, como sua mãe, é uma eficiente engenheira espacial que não se ilude sobre a natureza das megacorporações que regem a vida no século XXII. Logo no início percebemos que Ripley Junior manja dos paranauês, já tendo trabalhado em diversos outros jobs complicados pelo espaço à serviço da empresa. De início nossa heroína aparenta ter uma postura indiferente e blasé. Porém, um fio de esperança é o que a leva até a estação espacial Sevastopol: uma pista do paradeiro da sua mãe desaparecida. Ali ela entra em muita confusão e ainda dá de cara (várias e várias vezes) com a criatura que deu chá de sumiço na Ripley mãe.

 

Guerreira munida de inteligência e habilidade

Amanda é uma sobrevivente (he-ey). Não importa o quão terrível seja a situação – e acredite, são tantas que até parece piada -, ela usa sua inteligência e habilidades com frieza e concentração necessárias difíceis de se ter. O Alien que a persegue pela estação espacial, os humanos sobreviventes que matam quem encontrarem pela frente no maior estilo “cada um por si” e os andróides medonhos que estão constantemente à sua procura fazem de Sevastapol a estação espacial mais hostil das galáxias – que também não facilita, pois está caindo aos pedaços. Mas Ripley Junior persevera. Ela faz o que precisa ser feito: hackeia sistemas, faz o reparo de ferramentas, constrói os mais diversos gadgets e ajuda outros sobreviventes, põe o povo na linha e faz o que a maioria da tripulação masculina sobrevivente não tem coragem de fazer.

As habilidades técnicas da Amanda Ripley são totalmente coerentes com a personagem e cenário. É o que faz ela sobreviver. E é também o que a faz tão impressionantemente humana (se bem que se fosse eu não conseguiria passar da primeira porta).

 

O futuro das mulheres na indústria dos games?

O espaço e a representatividade da mulher na indústria dos games tem sido um tópico quentíssimo nos últimos dois anos (obrigada, Anita Sarkeesian). Há cada vez mais pedidos por melhores personagens femininos (especialmente protagonistas) e criticas à jogos que representam as mulheres de forma pobre ou objetificada.

Amanda não é sexualizada, não tem um uniforme com decote à mostra, nem um corpo totalmente idealizado para fetiche masculino, como vemos o que rola com tantas outras personagens femininas em outros games. Ela também não existe para fazer dupla com um personagem masculino, muito menos precisa viver uma situação romântica para validar sua existência. Alien: Isolation é sua história. E podemos dizer que finalmente, depois de 35 anos, Ellen Ripley teve uma sucessora à altura. Espero que este jogo abra o caminho para outras protagonistas mulheres em games de terror e ação assim como Ellen Ripley ajudou outras mulheres do cinema protagonizarem filmes de ação. Que venha o efeito Ripley!

Abaixo, fechamos com o vídeo do Youtuber ultrabrilliant, que mostra a beleza nos detalhes gráficos do jogo que podem passar totalmente despercebidos enquanto sofremos com medo do encontro com o Alien.

 
Sobre esta resenha: a Ovelha não é um site especializado em games. Nosso review não tem a pretensão de avaliar cada parte técnica do game. Nosso foco é mostrar um jogo divertido e original cuja representatividade feminina em seu contexto é positiva.

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