Ouça: Cold Specks

A Cold Specks é uma cantora de origem somali e canadense, que mora atualmente em Londres. Ela também é conhecida como Al Spx, mas o nome real dela é Ladan Hussein. O nome “Cold Specks” vem de uma frase do livro Ulisses, do James Joyce.

Não sei bem definir o tipo de música que a Cold Specks canta. Apesar das melodias alegrinhas, as músicas dela têm sempre uns temas meio tensos, e talvez por isso, a cantora chame seu estilo de “doom soul”. O seu primeiro álbum, I Predict a Graceful Expulsion, foi lançado em 2012 e apesar de alguns críticos acharem que ainda falta um pouco de esforço nos arranjos, a cantora cativou muita gente. :)

Aqui está Blank Maps, um dos primeiros singles da Cold Specks:

 

 
Nessa sessão ao vivo que ela gravou no estúdio do The Guardian, ela fala um pouquinho sobre seu processo criativo e sobre como escreveu a música Blank Maps.

No clipe de Hector, a cantora faz o papel de uma noiva grávida que arrasta o corpo decapitado do seu marido pelo interior da Inglaterra.

 

 
Em 2014, a Cold Specks lançou seu segundo álbum, o Neuroplasticity. O Wall Street Journal disse que a obra tá recheada de música ousada e insistente, englobando elementos de gêneros como punk, folk, jazz, e soul. Dá uma escutada no single Bodies At Bay aqui embaixo:

 

 


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Mais de Bárbara Paes

Crescendo negra: o assédio de todo dia

 

22 anos

No caminho entre o Metrô Anhangabaú e o escritório.
Passo por um engravatado, que grita:

– Gostosa!

Mando o cara se foder. A reação dele é rápida e previsível:

– Macaca!

 

15 anos

Uniforme escolar, de pé no ônibus lotado.
Um velho chega perto, quase encostando, e diz:

– Nossa, morena, queria que minha mulher fosse que nem você.

Não soube reagir, quase vomitei.
Uma mulher levanta do seu assento pra que eu possa sentar.

 

13 anos

Oitava série. Aula de matemática. Sou a única pessoa negra na sala de aula. Sento com as pernas dobradas em cima da cadeira. Chamo o professor pra tirar uma dúvida, e antes de resolver o exercício, ele aconselha:

– Você já é mulher demais pra continuar sentando desse jeito, viu?

Algumas das minhas colegas de classe, brancas, estão sentadas exatamente da mesma forma. Nenhuma delas foi repreendida.

 

9 anos

Fazendo compras no shopping com a minha mãe. Antes de sair pra pegar o par de tênis que eu escolhi, o vendedor me olha e solta:

– Já dá pra ver que vai ter um corpão igual ao da mãe.

Ela o encara com nojo e saímos loja sem comprar nada.
 


 
Comecei a escutar comentários sobre meu corpo por volta dos 7 anos. Menina negra nunca tem “cara de criança”. Nossos corpos são hipersexualizados desde muito cedo, de uma forma extremamente agressiva e cruel.

Por um tempo acreditei que meninas negras de fato não tinham infância, que a gente crescia rápido e era isso. Achava que tinha que aprender a me portar de um determinado jeito, caso contrário, a responsabilidade pelo assédio sofrido era minha. Mas logo eu aprendi que o assédio a que eu era constantemente exposta ao andar na rua não era natural e que eu jamais me acostumaria.

Todas as mulheres estão submetidas ao machismo, mas não da mesma forma. É preciso fazer recortes. O Dossiê Violência Contra as Mulheres, da Agência Patrícia Galvão, explica que há “diferenças em formas de violência que vão atingir desproporcionalmente as mulheres ante a combinação de múltiplas formas de discriminação, baseadas em sistemas de desigualdades que se retroalimentam – sobretudo de gênero, raça, etnia, classe e orientação e identidade sexual”. 

A história escravagista desse país ajudou a construir estereótipos ainda muito presentes que desumanizam e sexualizam as mulheres negras mesmo antes de entrarmos na puberdade, e que continuam a nos atormentar ao longo da vida adulta.

O mito racista da mulher negra hipersexualizada, subalterna e animalizada, vitimiza centenas de meninas e mulheres negras diariamente. As meninas negras são as maiores vítimas de exploração sexual infantil e de adolescentes. A taxa de homicídio de mulheres negras é o dobro da taxa das mulheres brancas.

Somos brutalmente atacadas todos os dias e eu nunca vou me acostumar.
 

Ilustração feita com exclusividade por Ana Carolina Matsusaki (Nã).

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Cold Specks é uma cantora de origem somali e canadense, que mora atualmente em Londres. Ela também é conhecida como Al Spx, mas o nome real dela é Ladan Hussein. O nome “Cold Specks” vem de uma frase do livro Ulisses, do James Joyce.

Não sei bem definir o tipo de música que a Cold Specks canta. Apesar das melodias alegrinhas, as músicas dela têm sempre uns temas meio tensos, e talvez por isso, a cantora chame seu estilo de “doom soul”. O seu primeiro álbum, I Predict a Graceful Expulsion, foi lançado em 2012 e apesar de alguns críticos acharem que ainda falta um pouco de esforço nos arranjos, a cantora cativou muita gente. :)

Aqui está Blank Maps, um dos primeiros singles da Cold Specks:

 

 
Nessa sessão ao vivo que ela gravou no estúdio do The Guardian, ela fala um pouquinho sobre seu processo criativo e sobre como escreveu a música Blank Maps.

No clipe de Hector, a cantora faz o papel de uma noiva grávida que arrasta o corpo decapitado do seu marido pelo interior da Inglaterra.

 

 
Em 2014, a Cold Specks lançou seu segundo álbum, o Neuroplasticity. O Wall Street Journal disse que a obra tá recheada de música ousada e insistente, englobando elementos de gêneros como punk, folk, jazz, e soul. Dá uma escutada no single Bodies At Bay aqui embaixo:

 

 


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