Saímos de Madri no dia 23 (de dezembro) de manhã, alugamos um carro giga, tipo daqueles Doblôs, mas não era um Doblô, sou ruim pra nomes de carros dessa catiguria. Botamos a tralha e a bicharada toda dentro do carro e fomos em direção ao Sul.
Na estrada, encontramos duas opções, a primeira era com pedágio e a outra sem. Há placas avisando, achei isso bem interessante. Tô numa idade que ainda não consigo me imaginar escolhendo pagar um pedágio, mas imagino que a estrada deva ser excelente, com menos movimento e mais rápida (mais curta e/ou com o limite de velocidade maior).
Já estávamos umas 4 horas no carro, morrendo de fome, paramos em qualquer quebrada pra comer porque já estávamos ~ no limite ~. Chamava ~ Rincón del Pepe, haha. Pedimos uma sopa de alho e uma salada porque era a única coisa no cardápio que não tinha carne, nós somos vegetarianos. Bicho, a sopa de alho veio cheia de galinha desfiada, maior nojão, mesmo eu pensando na Bárbara de antes que comia carne, sopa de alho com galinha não é uma parada apetitosa! E era horrível, cara, tinha um aspecto totalmente gore (sangue boiando, juro)! A salada veio com atum mas foi mais fácil se livrar dele.
Depois de 6 horas de carro, chegamos na casinha. Como chegamos já anoitecendo (no inverno os dias são mais curtos), deixamos as tralhas e a bicharada dentro de casa e fomos fazer um micro supermercado, afinal, estávamos morrendo de fome.
Acontece que a gente ainda era virjão da região e fomos fazer supermercado em Almería que fica a 40km daqui. RISOS. Mas tudo bem, é onde tem supermercado grande e barato, o (já de casa) Carrefour. Não me lembro bem, acho que a gente não comprou muitas coisas, mais o básico mermo, papel higiênico e umas coisas pra comer pra 3 dias. Ah, e água, aqui a água da bica não é potável (nada que a gente já não estivesse acostumados).
No dia seguinte acordamos e vimos o estrago que estava o quintalzim da casa. Como a miga do meu pai passa duas semanas por ano aqui, o bagulho tava tenso, muito sujo, muito bichinho morto (conchinilla, aprendi depois), muita planta. Mas eu ainda tinha que devolver o carro no aeroporto de Almería. Como o Madiba ficou meio bolado de ter ficado sozinho no dia anterior que fomos ao supermercado, Ivan ficou com ele e eu fui fazer a missão.
O lance é, aqui é uma zona rural, não há transporte bom nem perto. Deixei o carro no aeroporto (DE HAVAINAS E FUI MUITO JULGADA POIS FAZIA 13 GRAUS MAS EU NÃO ME LIGUEI POIS CARIOCA), fui pro ponto de ônibus, tive que ir pra cidade de Almería, 15km negativamente. Chegando lá na estação de ônibus e trem, tive que pegar um ônibus de volta pra minha região. O ponto mais próximo da casa fica a mais ou menos 5km da pequena aldeia que nós estamos. Na verdade fica em outro povoado “bem maior” chamado Pozo de Los Frailes. Ou seja, mais uma hora de ônibus e mais 5km a pé de Havaianas, as legítimas, risos.
Quando cheguei na casa, depois de umas 4 horas, Ivan já tinha limpado o quintal e uma das casas. A amiga do meu pai passaria uma semana aqui com amigos franceses e essa semana foi ótima. Ela nos ensinou as manhas da casa, da região e na real ela é uma das pessoas mais legais que eu conheci nos últimos tempos. Não por ter emprestado a casa, mas por ser uma mulher foda, diretora de um museu, ela parece estar no controle das coisas, nenhuma treta pode ser muito grande pra ela, saca?
O Reveião passou e não fizemos nada. Ivan estava ruim da barriga, só estouramos uma Cereser vendo as estrelas maravilhosas e até ouvimos fogos distantes. Cozinhei uma lentilha para a gente comer. Já que 2015 tinha sido tão pesado, foi no famoso: VAI Q.
Antes de ir embora, a amiga do meu pai nos levou pra fazer um super supermercado lá no Carrefour da cidade. O supermercado mais próximo que temos fica a 1km, MAS é um supermercadinho de um camping, tem bastante coisa até mas não tem comida de gato/cachorro, por exemplo. Não tem também coisas frescas, legumes e verduras, é um supermercado que dá pra tapar buracos mas é tudo bem mais caro também. O supermercado um pouco maior e mais perto, fica a 8km, na cidade de San Jose. Em Almería há dois hipermercados, o famoso Carrefour e o Al Campo, que fica dentro do único shopping da cidade, o Centro Comercial Mediterráneo.
Cara, falar ~ supermercadinho de um camping ~, é como se eu estivesse traindo o Camping Los Escullos. Na moral, se não fosse por esse camping, a gente não estaria indo pro nosso quinto mês aqui. É um complexo turístico de primeira categoria, eles se auto intitulam assim, haha AMO. Vou fazer propaganda sim porque amo e PORQUE TEM INTERNET BOA.
Eu e Ivan queríamos fazer um curso de espanhol que é bem baratinho na Universidade de Almería, 150€ por 6 meses de curso. A amiga do meu pai já havia nos falado: é praticamente impossível viver nas Presillas sem ter um carro. Eu e Ivan não acreditamos muito nisso na hora. “Tem um ponto de ônibus a 5km, dá pra fazer, na moral”, assim a gente achava.
Acontece que, a gente descobriu a frequência dos ônibus. Passa às 7h, às 11h e às 15h, só, hahahaha. O curso começava às 10h, o que quer dizer que a gente precisaria acordar 5:30h, o que não teria problema algum se não estivesse de noite e tivéssemos que andar 5km pela estrada escura até o ponto de ônibus. Sem contar que deveria estar fazendo uns 9 graus essa hora, com vento, a sensação deveria ser ainda menor.
Caso a gente resolvesse enfrentar isso, chegaríamos no ponto de ônibus, tomaríamos o busão às 7h, chegaríamos em Almería às 8h (ainda de noite porque no inverno demora a amanhecer), pegaríamos um ônibus normal até a universidade (voltando mais 15km), chegaríamos na universidade umas 9h, esperaríamos uma hora pra fazer o curso, sairíamos 13h da universidade, voltaríamos pra Almería e agora só tería ônibus pra voltar às 18h, ou seja, às 19h, quando chegássemos no nosso ponto, teríamos que voltar andando 5km no escuro, pela estrada, vento e frio tudo de novo. :(
Então, depois dessa dramática explicação, antes de desistirmos, e o curso começava somente no meio de fevereiro, nós fomos tentar comprar um carro. CALMA, aqui compra-se um carro usado numa boa até mil euros. Mas te dizer que rola comprar um carro zero aqui por 5 mil euros. Pensando em dinheiros (sem conversão), aqui o salário médio de geral são mil euros, bem mais acessível comprar um carro por aqui.
Começou então a nossa saga para achar um carro usado, sem ter internet em casa, sem ter transporte e com dinheiro (bem) limitado. Valha-me Deusa.
Saímos de Madri no dia 23 (de dezembro) de manhã, alugamos um carro giga, tipo daqueles Doblôs, mas não era um Doblô, sou ruim pra nomes de carros dessa catiguria. Botamos a tralha e a bicharada toda dentro do carro e fomos em direção ao Sul.
Na estrada, encontramos duas opções, a primeira era com pedágio e a outra sem. Há placas avisando, achei isso bem interessante. Tô numa idade que ainda não consigo me imaginar escolhendo pagar um pedágio, mas imagino que a estrada deva ser excelente, com menos movimento e mais rápida (mais curta e/ou com o limite de velocidade maior).
Já estávamos umas 4 horas no carro, morrendo de fome, paramos em qualquer quebrada pra comer porque já estávamos ~ no limite ~. Chamava ~ Rincón del Pepe, haha. Pedimos uma sopa de alho e uma salada porque era a única coisa no cardápio que não tinha carne, nós somos vegetarianos. Bicho, a sopa de alho veio cheia de galinha desfiada, maior nojão, mesmo eu pensando na Bárbara de antes que comia carne, sopa de alho com galinha não é uma parada apetitosa! E era horrível, cara, tinha um aspecto totalmente gore (sangue boiando, juro)! A salada veio com atum mas foi mais fácil se livrar dele.
Depois de 6 horas de carro, chegamos na casinha. Como chegamos já anoitecendo (no inverno os dias são mais curtos), deixamos as tralhas e a bicharada dentro de casa e fomos fazer um micro supermercado, afinal, estávamos morrendo de fome.
Acontece que a gente ainda era virjão da região e fomos fazer supermercado em Almería que fica a 40km daqui. RISOS. Mas tudo bem, é onde tem supermercado grande e barato, o (já de casa) Carrefour. Não me lembro bem, acho que a gente não comprou muitas coisas, mais o básico mermo, papel higiênico e umas coisas pra comer pra 3 dias. Ah, e água, aqui a água da bica não é potável (nada que a gente já não estivesse acostumados).
No dia seguinte acordamos e vimos o estrago que estava o quintalzim da casa. Como a miga do meu pai passa duas semanas por ano aqui, o bagulho tava tenso, muito sujo, muito bichinho morto (conchinilla, aprendi depois), muita planta. Mas eu ainda tinha que devolver o carro no aeroporto de Almería. Como o Madiba ficou meio bolado de ter ficado sozinho no dia anterior que fomos ao supermercado, Ivan ficou com ele e eu fui fazer a missão.
O lance é, aqui é uma zona rural, não há transporte bom nem perto. Deixei o carro no aeroporto (DE HAVAINAS E FUI MUITO JULGADA POIS FAZIA 13 GRAUS MAS EU NÃO ME LIGUEI POIS CARIOCA), fui pro ponto de ônibus, tive que ir pra cidade de Almería, 15km negativamente. Chegando lá na estação de ônibus e trem, tive que pegar um ônibus de volta pra minha região. O ponto mais próximo da casa fica a mais ou menos 5km da pequena aldeia que nós estamos. Na verdade fica em outro povoado “bem maior” chamado Pozo de Los Frailes. Ou seja, mais uma hora de ônibus e mais 5km a pé de Havaianas, as legítimas, risos.
Quando cheguei na casa, depois de umas 4 horas, Ivan já tinha limpado o quintal e uma das casas. A amiga do meu pai passaria uma semana aqui com amigos franceses e essa semana foi ótima. Ela nos ensinou as manhas da casa, da região e na real ela é uma das pessoas mais legais que eu conheci nos últimos tempos. Não por ter emprestado a casa, mas por ser uma mulher foda, diretora de um museu, ela parece estar no controle das coisas, nenhuma treta pode ser muito grande pra ela, saca?
O Reveião passou e não fizemos nada. Ivan estava ruim da barriga, só estouramos uma Cereser vendo as estrelas maravilhosas e até ouvimos fogos distantes. Cozinhei uma lentilha para a gente comer. Já que 2015 tinha sido tão pesado, foi no famoso: VAI Q.
Antes de ir embora, a amiga do meu pai nos levou pra fazer um super supermercado lá no Carrefour da cidade. O supermercado mais próximo que temos fica a 1km, MAS é um supermercadinho de um camping, tem bastante coisa até mas não tem comida de gato/cachorro, por exemplo. Não tem também coisas frescas, legumes e verduras, é um supermercado que dá pra tapar buracos mas é tudo bem mais caro também. O supermercado um pouco maior e mais perto, fica a 8km, na cidade de San Jose. Em Almería há dois hipermercados, o famoso Carrefour e o Al Campo, que fica dentro do único shopping da cidade, o Centro Comercial Mediterráneo.
Cara, falar ~ supermercadinho de um camping ~, é como se eu estivesse traindo o Camping Los Escullos. Na moral, se não fosse por esse camping, a gente não estaria indo pro nosso quinto mês aqui. É um complexo turístico de primeira categoria, eles se auto intitulam assim, haha AMO. Vou fazer propaganda sim porque amo e PORQUE TEM INTERNET BOA.
Eu e Ivan queríamos fazer um curso de espanhol que é bem baratinho na Universidade de Almería, 150€ por 6 meses de curso. A amiga do meu pai já havia nos falado: é praticamente impossível viver nas Presillas sem ter um carro. Eu e Ivan não acreditamos muito nisso na hora. “Tem um ponto de ônibus a 5km, dá pra fazer, na moral”, assim a gente achava.
Acontece que, a gente descobriu a frequência dos ônibus. Passa às 7h, às 11h e às 15h, só, hahahaha. O curso começava às 10h, o que quer dizer que a gente precisaria acordar 5:30h, o que não teria problema algum se não estivesse de noite e tivéssemos que andar 5km pela estrada escura até o ponto de ônibus. Sem contar que deveria estar fazendo uns 9 graus essa hora, com vento, a sensação deveria ser ainda menor.
Caso a gente resolvesse enfrentar isso, chegaríamos no ponto de ônibus, tomaríamos o busão às 7h, chegaríamos em Almería às 8h (ainda de noite porque no inverno demora a amanhecer), pegaríamos um ônibus normal até a universidade (voltando mais 15km), chegaríamos na universidade umas 9h, esperaríamos uma hora pra fazer o curso, sairíamos 13h da universidade, voltaríamos pra Almería e agora só tería ônibus pra voltar às 18h, ou seja, às 19h, quando chegássemos no nosso ponto, teríamos que voltar andando 5km no escuro, pela estrada, vento e frio tudo de novo. :(
Então, depois dessa dramática explicação, antes de desistirmos, e o curso começava somente no meio de fevereiro, nós fomos tentar comprar um carro. CALMA, aqui compra-se um carro usado numa boa até mil euros. Mas te dizer que rola comprar um carro zero aqui por 5 mil euros. Pensando em dinheiros (sem conversão), aqui o salário médio de geral são mil euros, bem mais acessível comprar um carro por aqui.
Começou então a nossa saga para achar um carro usado, sem ter internet em casa, sem ter transporte e com dinheiro (bem) limitado. Valha-me Deusa.
[infobox maintitle="Não-blog sobre viver no exterior" subtitle="O RAINHA DA SU CASA é uma série de posts sobre a experiência de ir morar no exterior com cachorro, gatos, namorado e tudo mais. Clique aqui para ler os posts anteriores!" bg="purple" color="black" opacity="on" space="30" link="http://ovelhamag.com/author/barbarella/"]
Para quem acompanhou a saga da saída do Brasil para a Espanha e todo o rolê que foi para viajar com minhas mascotas, agora vem a parte 2!
Saímos de Madri no dia 23 (de dezembro) de manhã, alugamos um carro giga, tipo daqueles Doblôs, mas não era um Doblô, sou ruim pra nomes de carros dessa catiguria. Botamos a tralha e a bicharada toda dentro do carro e fomos em direção ao Sul.
Na estrada, encontramos duas opções, a primeira era com pedágio e a outra sem. Há placas avisando, achei isso bem interessante. Tô numa idade que ainda não consigo me imaginar escolhendo pagar um pedágio, mas imagino que a estrada deva ser excelente, com menos movimento e mais rápida (mais curta e/ou com o limite de velocidade maior).
Já estávamos umas 4 horas no carro, morrendo de fome, paramos em qualquer quebrada pra comer porque já estávamos ~ no limite ~. Chamava ~ Rincón del Pepe, haha. Pedimos uma sopa de alho e uma salada porque era a única coisa no cardápio que não tinha carne, nós somos vegetarianos. Bicho, a sopa de alho veio cheia de galinha desfiada, maior nojão, mesmo eu pensando na Bárbara de antes que comia carne, sopa de alho com galinha não é uma parada apetitosa! E era horrível, cara, tinha um aspecto totalmente gore (sangue boiando, juro)! A salada veio com atum mas foi mais fácil se livrar dele.
[caption id="attachment_10555" align="aligncenter" width="500"] quando a sopinha chegou be like HAHAHA (malz galera, amo filme gore)[/caption]
Depois de 6 horas de carro, chegamos na casinha. Como chegamos já anoitecendo (no inverno os dias são mais curtos), deixamos as tralhas e a bicharada dentro de casa e fomos fazer um micro supermercado, afinal, estávamos morrendo de fome.
Acontece que a gente ainda era virjão da região e fomos fazer supermercado em Almería que fica a 40km daqui. RISOS. Mas tudo bem, é onde tem supermercado grande e barato, o (já de casa) Carrefour. Não me lembro bem, acho que a gente não comprou muitas coisas, mais o básico mermo, papel higiênico e umas coisas pra comer pra 3 dias. Ah, e água, aqui a água da bica não é potável (nada que a gente já não estivesse acostumados).
[caption id="attachment_10458" align="aligncenter" width="450"] uma voltinha rápida pelas Presillas Bajas (com direito a um dedo meu em uma das fotos risos)[/caption]
No dia seguinte acordamos e vimos o estrago que estava o quintalzim da casa. Como a miga do meu pai passa duas semanas por ano aqui, o bagulho tava tenso, muito sujo, muito bichinho morto (conchinilla, aprendi depois), muita planta. Mas eu ainda tinha que devolver o carro no aeroporto de Almería. Como o Madiba ficou meio bolado de ter ficado sozinho no dia anterior que fomos ao supermercado, Ivan ficou com ele e eu fui fazer a missão.
[caption id="attachment_10453" align="alignright" width="225"] apelidado: dr. bostinha (hahaha)[/caption]
O lance é, aqui é uma zona rural, não há transporte bom nem perto. Deixei o carro no aeroporto (DE HAVAINAS E FUI MUITO JULGADA POIS FAZIA 13 GRAUS MAS EU NÃO ME LIGUEI POIS CARIOCA), fui pro ponto de ônibus, tive que ir pra cidade de Almería, 15km negativamente. Chegando lá na estação de ônibus e trem, tive que pegar um ônibus de volta pra minha região. O ponto mais próximo da casa fica a mais ou menos 5km da pequena aldeia que nós estamos. Na verdade fica em outro povoado “bem maior” chamado Pozo de Los Frailes. Ou seja, mais uma hora de ônibus e mais 5km a pé de Havaianas, as legítimas, risos.
Quando cheguei na casa, depois de umas 4 horas, Ivan já tinha limpado o quintal e uma das casas. A amiga do meu pai passaria uma semana aqui com amigos franceses e essa semana foi ótima. Ela nos ensinou as manhas da casa, da região e na real ela é uma das pessoas mais legais que eu conheci nos últimos tempos. Não por ter emprestado a casa, mas por ser uma mulher foda, diretora de um museu, ela parece estar no controle das coisas, nenhuma treta pode ser muito grande pra ela, saca?
O Reveião passou e não fizemos nada. Ivan estava ruim da barriga, só estouramos uma Cereser vendo as estrelas maravilhosas e até ouvimos fogos distantes. Cozinhei uma lentilha para a gente comer. Já que 2015 tinha sido tão pesado, foi no famoso: VAI Q.
[caption id="attachment_10441" align="aligncenter" width="559"] moramos no deserto, lindão, né? na primeira foto dá pra ver um pedacinho do mar e na terceira, nossa “””cidade””” fica no pé da montanha, na esquerda, dá pra ver um pouquim![/caption]
Antes de ir embora, a amiga do meu pai nos levou pra fazer um super supermercado lá no Carrefour da cidade. O supermercado mais próximo que temos fica a 1km, MAS é um supermercadinho de um camping, tem bastante coisa até mas não tem comida de gato/cachorro, por exemplo. Não tem também coisas frescas, legumes e verduras, é um supermercado que dá pra tapar buracos mas é tudo bem mais caro também. O supermercado um pouco maior e mais perto, fica a 8km, na cidade de San Jose. Em Almería há dois hipermercados, o famoso Carrefour e o Al Campo, que fica dentro do único shopping da cidade, o Centro Comercial Mediterráneo.
Cara, falar ~ supermercadinho de um camping ~, é como se eu estivesse traindo o Camping Los Escullos. Na moral, se não fosse por esse camping, a gente não estaria indo pro nosso quinto mês aqui. É um complexo turístico de primeira categoria, eles se auto intitulam assim, haha AMO. Vou fazer propaganda sim porque amo e PORQUE TEM INTERNET BOA.
[caption id="attachment_10456" align="aligncenter" width="558"] só um pouco da maravilha que é esse lugar <3[/caption]
Eu e Ivan queríamos fazer um curso de espanhol que é bem baratinho na Universidade de Almería, 150€ por 6 meses de curso. A amiga do meu pai já havia nos falado: é praticamente impossível viver nas Presillas sem ter um carro. Eu e Ivan não acreditamos muito nisso na hora. “Tem um ponto de ônibus a 5km, dá pra fazer, na moral”, assim a gente achava.
Acontece que, a gente descobriu a frequência dos ônibus. Passa às 7h, às 11h e às 15h, só, hahahaha. O curso começava às 10h, o que quer dizer que a gente precisaria acordar 5:30h, o que não teria problema algum se não estivesse de noite e tivéssemos que andar 5km pela estrada escura até o ponto de ônibus. Sem contar que deveria estar fazendo uns 9 graus essa hora, com vento, a sensação deveria ser ainda menor.
Caso a gente resolvesse enfrentar isso, chegaríamos no ponto de ônibus, tomaríamos o busão às 7h, chegaríamos em Almería às 8h (ainda de noite porque no inverno demora a amanhecer), pegaríamos um ônibus normal até a universidade (voltando mais 15km), chegaríamos na universidade umas 9h, esperaríamos uma hora pra fazer o curso, sairíamos 13h da universidade, voltaríamos pra Almería e agora só tería ônibus pra voltar às 18h, ou seja, às 19h, quando chegássemos no nosso ponto, teríamos que voltar andando 5km no escuro, pela estrada, vento e frio tudo de novo. :(
[caption id="attachment_10556" align="aligncenter" width="600"] muito frio mas nada como duas gatinhas pra esquentar, prrprrprr[/caption]
Então, depois dessa dramática explicação, antes de desistirmos, e o curso começava somente no meio de fevereiro, nós fomos tentar comprar um carro. CALMA, aqui compra-se um carro usado numa boa até mil euros. Mas te dizer que rola comprar um carro zero aqui por 5 mil euros. Pensando em dinheiros (sem conversão), aqui o salário médio de geral são mil euros, bem mais acessível comprar um carro por aqui.
Começou então a nossa saga para achar um carro usado, sem ter internet em casa, sem ter transporte e com dinheiro (bem) limitado. Valha-me Deusa.
Não sei vocês, mas eu já sou fã da Brit Marling faz alguns anos. Desde que vi Another Earth (2011) fiquei fascinada pela história, pela atuação e pela própria Brit (bff) quando descobri que tinha sido ela quem havia escrito o roteiro do filme (em conjunto com o Zal Batmanglij, também em The OA). Logo depois assisti The East(2013), também escrito por ela, e Sound of my Voice (2011).
Esse último foi o que eu menos gostei e, ainda assim, muitas coisas interessantes. Inclusive, muitas coisas relacionadas com The OA, muitas mesmo. Acho que ela também não deve ter ficado muito satisfeita com o final e quis elaborar mais a ideia (pretensiosa, eu? risos). Inclusive uma sequência de movimentos de saudação, tão ~ infantis quanto a construção dos Movimentos em The OA.
Segue o trailer, vejam o que vocês acham.
Quando soube que ela havia feito (escrito e produzido) uma série, fiquei super feliz, fazia anos que não ouvia o nome dela. Apesar de ter lido críticas contundentes vindas de amigos próximos, fui logo assistir.
Não esperava nada menos vindo dela. Continua a mesma linha de raciocínio de sempre, traz problematizações reais e fortes, assuntos sérios dentro de de um universo que é ao mesmo tempo fantástico e realista. Uma direção de arte maravilhosa, com uma ambientação muito natural, uma narrativa fluída, trilha sonora boa, é muito bem amarrado. #táamarrado
Pessoalmente achei a série um ode à excelente narrativa. Coisas maravilhosas que só a mágica do cinema pode nos trazer tão bem, inclusive eu acredito que The OA seja um filme de 8 horas, haha. A série pode ser contemplada de diferentes formas, de acordo com a expectativa e ideologia do espectador. Explico.
Caso você seja uma pessoa cética, a história é sobre uma superação de trauma e tudo o que pode discorrer dentro disso, histórias justificadas, personagens fictícios, muitos detalhes. Mas o melhor é que, durante toda a história, você pode fazer essa construção tranquilamente na sua cabeça e editar o que foi real e o que foi imaginário, sendo cético ou não. Até porque, o roteiro traz todas as peças para que isso aconteça, o psicólogo do FBI e a aceitação de Nina/Prairie/OA sobre suas deliberações, os livros embaixo da cama etc.
Trata também de pessoas acreditarem em fantasias e ilusões dependendo do seu estado de vulnerabilidade para suprir alguma necessidade. Ou seja, ter um apoio moral, psicológico e físico, um tipo de pertencimento e acolhimento.
Muito provavelmente, se você é uma dessas pessoas mais céticas, os movimentos trazidos e executados pelos personagens foram infantis e podem até ter beirado o ridículo, o que pode ter culminado na distração do atirador no final da série e permitiu que ele fosse desarmado.
O que eu acredito desse tipo de interpretação da narrativa é que a nossa vida segue essa mesma linha. Acredito que nós também fazemos movimentos ridículos, nossas rotinas, nossas manhas, nossos trabalhos, nossos relacionamentos, sexo, tudo é uma composição de movimentos que nos levam a outros lugares, coisas e sentimentos. Acredito também que todos nós em algum estado de vulnerabilidade nos abrimos para ser pertencidos, acolhidos, que seja por um grupo e/ou uma religião, e/ou tantas outras coisas mais. Por isso, acredito que essa série, mesmo que a pessoa seja muito cética, possa fazer alusões à narrativa do dia a dia, do mortal, do material com base no fantástico e continuar sendo boa.
Não é uma medida de saúde mental para ser bem ajustado em uma sociedade que está muito doente.
Caso você não seja uma pessoa cética, a série é o que ela realmente apresenta, a vivência de um trauma com uma base mística, com um aninhamento em algo agnóstico, apresentando uma experiência diferente de pós-morte para cada pessoa. Isso eu achei incrível. Uma representação feminina, com aparência indiana e falando árabe, um ser superior, a Kathun. Mas vai para muito além de algo místico-religioso, misturando uma maravilhosa ficção científica, falando sobre outras dimensões e de sentimentos de forma subjetiva e linda.
Fiquei apaixonada pela escolha de colocar pessoas com experiência de quase-morte com alguma capacidade de fazer algo com excelência, como a música, tocar algum instrumento, cantar com uma potência sentimental muito grande etc. Isso porque as artes, de alguma forma, nos tiram da nossa rotina maçante e nos colocam em algum estado alfa. Quem nunca se pegou viajando vendo alguma apresentação de dança ou música ou lendo um livro, uma poesia/poema, olhando um quadro? É difícil expressar esses sentimentos tão subjetivos e eu acredito que a série fez isso com maestria.
O mais interessante, na minha opinião, é que não interessa a forma que você tenha escolhido acreditar em como a história tenha se desdobrado porque, para a personagem principal, tudo aquilo foi verdade. Para os personagens secundários, pode ser que não além do aninhamento e pertencimento, mas ela viveu aquilo de forma intensa, assim como todos os outros. Inclusive, ela faz tudo para poder se reencontrar com o Homer, homem que também é mantido em cativeiro junto com ela e mais 4 pessoas. Nina/Prairie/OA mesma diz que não é o desfecho de um trauma, é o início de uma história.
A história apresenta realidades super pesadas: uma criança que sofreu um acidente e ficou cega, precisou imigrar para sobreviver, perdeu um pai, foi vendida pela tia, foi adotada por um casal e teve imensos problemas psicológicos, precisou tomar remédio a vida toda, foi sequestrada e mantida em cativeiro por 7 anos, tentou escapar, apanhou, voltou a enxergar. Depois de livre, não conseguiu se adaptar ao mundo real e foi contar sua história para pessoas extremamente vulneráveis, e tudo isso, todo esse concentrado de vida real, foi diluído em 8 episódios da forma mais linda possível. Ainda temos as histórias dos personagens secundários que lidam com suicídio (Jesse) e falecimento (DDA) de parentes próximos, transexualidade (BUCK), bullying (STEVE), pressão da sociedade por ser não-branco e precisar fazer tudo perfeito para tentar se igualar num privilégio branco (Alfonso) e o ataque à escola no final. São todos temas atuais que foram colocados de forma explícita e ao mesmo tempo muito bem colocados, naturalmente colocados.
Sinceramente, não sei se espero ou não uma segunda temporada. Claro que, por causa do ~ capitalismo selvagem, tudo vai depender da aceitação do público. Mas como eu disse, já está tudo tão bem amarrado que seria muito difícil continuar a história com sua dubiedade por mais episódios. Mas boto fé na menina, vamos ver o que acontece. Pra finalizar, quero dizer que eu amei o final e chorei pra cacete, parece que eu saí da história por dois minutos e assisti a um espetáculo de dança, pra depois voltar à não-realidade, mas realidade da série. Como em outra dimensão, haha. Ah, claro, sua percepção do final fica inteiramente por sua conta dependendo de como você acredita ou não na sucessão dos fatos! E não é só sobre ser cético ou não, é a mistura de tudo e todas as suas variáveis. <3 ~ #migasualouca#doubleinception
a saga da saída do Brasil para a Espanha e todo o rolê que foi para viajar com minhas mascotas, agora vem a parte 2!
Saímos de Madri no dia 23 (de dezembro) de manhã, alugamos um carro giga, tipo daqueles Doblôs, mas não era um Doblô, sou ruim pra nomes de carros dessa catiguria. Botamos a tralha e a bicharada toda dentro do carro e fomos em direção ao Sul.
Na estrada, encontramos duas opções, a primeira era com pedágio e a outra sem. Há placas avisando, achei isso bem interessante. Tô numa idade que ainda não consigo me imaginar escolhendo pagar um pedágio, mas imagino que a estrada deva ser excelente, com menos movimento e mais rápida (mais curta e/ou com o limite de velocidade maior).
Já estávamos umas 4 horas no carro, morrendo de fome, paramos em qualquer quebrada pra comer porque já estávamos ~ no limite ~. Chamava ~ Rincón del Pepe, haha. Pedimos uma sopa de alho e uma salada porque era a única coisa no cardápio que não tinha carne, nós somos vegetarianos. Bicho, a sopa de alho veio cheia de galinha desfiada, maior nojão, mesmo eu pensando na Bárbara de antes que comia carne, sopa de alho com galinha não é uma parada apetitosa! E era horrível, cara, tinha um aspecto totalmente gore (sangue boiando, juro)! A salada veio com atum mas foi mais fácil se livrar dele.
Depois de 6 horas de carro, chegamos na casinha. Como chegamos já anoitecendo (no inverno os dias são mais curtos), deixamos as tralhas e a bicharada dentro de casa e fomos fazer um micro supermercado, afinal, estávamos morrendo de fome.
Acontece que a gente ainda era virjão da região e fomos fazer supermercado em Almería que fica a 40km daqui. RISOS. Mas tudo bem, é onde tem supermercado grande e barato, o (já de casa) Carrefour. Não me lembro bem, acho que a gente não comprou muitas coisas, mais o básico mermo, papel higiênico e umas coisas pra comer pra 3 dias. Ah, e água, aqui a água da bica não é potável (nada que a gente já não estivesse acostumados).
No dia seguinte acordamos e vimos o estrago que estava o quintalzim da casa. Como a miga do meu pai passa duas semanas por ano aqui, o bagulho tava tenso, muito sujo, muito bichinho morto (conchinilla, aprendi depois), muita planta. Mas eu ainda tinha que devolver o carro no aeroporto de Almería. Como o Madiba ficou meio bolado de ter ficado sozinho no dia anterior que fomos ao supermercado, Ivan ficou com ele e eu fui fazer a missão.
O lance é, aqui é uma zona rural, não há transporte bom nem perto. Deixei o carro no aeroporto (DE HAVAINAS E FUI MUITO JULGADA POIS FAZIA 13 GRAUS MAS EU NÃO ME LIGUEI POIS CARIOCA), fui pro ponto de ônibus, tive que ir pra cidade de Almería, 15km negativamente. Chegando lá na estação de ônibus e trem, tive que pegar um ônibus de volta pra minha região. O ponto mais próximo da casa fica a mais ou menos 5km da pequena aldeia que nós estamos. Na verdade fica em outro povoado “bem maior” chamado Pozo de Los Frailes. Ou seja, mais uma hora de ônibus e mais 5km a pé de Havaianas, as legítimas, risos.
Quando cheguei na casa, depois de umas 4 horas, Ivan já tinha limpado o quintal e uma das casas. A amiga do meu pai passaria uma semana aqui com amigos franceses e essa semana foi ótima. Ela nos ensinou as manhas da casa, da região e na real ela é uma das pessoas mais legais que eu conheci nos últimos tempos. Não por ter emprestado a casa, mas por ser uma mulher foda, diretora de um museu, ela parece estar no controle das coisas, nenhuma treta pode ser muito grande pra ela, saca?
O Reveião passou e não fizemos nada. Ivan estava ruim da barriga, só estouramos uma Cereser vendo as estrelas maravilhosas e até ouvimos fogos distantes. Cozinhei uma lentilha para a gente comer. Já que 2015 tinha sido tão pesado, foi no famoso: VAI Q.
Antes de ir embora, a amiga do meu pai nos levou pra fazer um super supermercado lá no Carrefour da cidade. O supermercado mais próximo que temos fica a 1km, MAS é um supermercadinho de um camping, tem bastante coisa até mas não tem comida de gato/cachorro, por exemplo. Não tem também coisas frescas, legumes e verduras, é um supermercado que dá pra tapar buracos mas é tudo bem mais caro também. O supermercado um pouco maior e mais perto, fica a 8km, na cidade de San Jose. Em Almería há dois hipermercados, o famoso Carrefour e o Al Campo, que fica dentro do único shopping da cidade, o Centro Comercial Mediterráneo.
Cara, falar ~ supermercadinho de um camping ~, é como se eu estivesse traindo o Camping Los Escullos. Na moral, se não fosse por esse camping, a gente não estaria indo pro nosso quinto mês aqui. É um complexo turístico de primeira categoria, eles se auto intitulam assim, haha AMO. Vou fazer propaganda sim porque amo e PORQUE TEM INTERNET BOA.
Eu e Ivan queríamos fazer um curso de espanhol que é bem baratinho na Universidade de Almería, 150€ por 6 meses de curso. A amiga do meu pai já havia nos falado: é praticamente impossível viver nas Presillas sem ter um carro. Eu e Ivan não acreditamos muito nisso na hora. “Tem um ponto de ônibus a 5km, dá pra fazer, na moral”, assim a gente achava.
Acontece que, a gente descobriu a frequência dos ônibus. Passa às 7h, às 11h e às 15h, só, hahahaha. O curso começava às 10h, o que quer dizer que a gente precisaria acordar 5:30h, o que não teria problema algum se não estivesse de noite e tivéssemos que andar 5km pela estrada escura até o ponto de ônibus. Sem contar que deveria estar fazendo uns 9 graus essa hora, com vento, a sensação deveria ser ainda menor.
Caso a gente resolvesse enfrentar isso, chegaríamos no ponto de ônibus, tomaríamos o busão às 7h, chegaríamos em Almería às 8h (ainda de noite porque no inverno demora a amanhecer), pegaríamos um ônibus normal até a universidade (voltando mais 15km), chegaríamos na universidade umas 9h, esperaríamos uma hora pra fazer o curso, sairíamos 13h da universidade, voltaríamos pra Almería e agora só tería ônibus pra voltar às 18h, ou seja, às 19h, quando chegássemos no nosso ponto, teríamos que voltar andando 5km no escuro, pela estrada, vento e frio tudo de novo. :(
Então, depois dessa dramática explicação, antes de desistirmos, e o curso começava somente no meio de fevereiro, nós fomos tentar comprar um carro. CALMA, aqui compra-se um carro usado numa boa até mil euros. Mas te dizer que rola comprar um carro zero aqui por 5 mil euros. Pensando em dinheiros (sem conversão), aqui o salário médio de geral são mil euros, bem mais acessível comprar um carro por aqui.
Começou então a nossa saga para achar um carro usado, sem ter internet em casa, sem ter transporte e com dinheiro (bem) limitado. Valha-me Deusa.