Leia: Wislawa Szymborska

Uma mulher para não passar batido nas nossas leituras

Wislawa Szymborska (1923 – 2012) é simplesmente a suprema senhora da poesia, minha queridas! Classificada em nossa sociedade patriarcal como simplesmente o “Mozart da poesia”, escritora polanca formada em Filologia Polaca e Sociologia pela Universidade Jaguellonica.

Wislawa foi poeta, crítica literária e tradutora, suas obras foram traduzidas em 42 línguas e é uma das poetisas polancas mais traduzidas do mundo.

Por que ler Wislawa Szymborska? Uma mulher que ganha o Prêmio Nobel em 1996, e, em discurso, ela simplesmente dá um significado para “não sei”, como deveríamos valorizar essa pequena expressão, não é uma mulher que deve se passar batido em nossas leituras:
 
“Por isso valorizo tanto estas duas pequenas palavras: ‘não sei’. Pequenas, mas de asas poderosas que expandem nossa vida por espaços contidos em nós mesmo e espaços nos quais está suspensa nossa minúscula Terra. […] Também como poeta, se é um poeta de verdade, deve repetir constantemente para si mesmo: ‘não sei’. Cada poema seu é uma tentativa de resposta, mas assim que ele coloca o ponto final, já o espreita a dúvida, já começa a se dar conta de que aquela é uma resposta temporária e totalmente insuficiente. E assim tenta mais uma vez, e mais outra e depois os historiadores da literatura juntam com um grande clipe essas sucessivas provas de sua insatisfação consigo mesmo e chamam-nas de sua obra… […] Entretanto, na linguagem da poesia, na qual se pesa cada palavra, nada é comum ou normal. Nenhuma pedra e sobre ela nenhuma nuvem. Nenhum dia e depois dele nenhuma noite. E acima de tudo nenhuma existência do que quer que seja neste mundo. […]”
 

Sua poética está nas pequenas coisas, de uma sensibilidade do mundo e todas as pequenas vidas que existem nele, uma valorização do comum que assombra. A Academia de Estocolmo caracteriza suas poesias como “uma poesia que, com precisão irónica, permite que o contexto histórico e biológico se manifeste em fragmentos da realidade humana”.

De suas obras traduzidas para o português temos Poemas e Um amor feliz, publicadas pela Companhia das Letras.

LEIA WISLAWA SZYMBORSKA!!!

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Mais de Janis Souza

Leia: A odisséia de Penélope

A Odisséia de Penélope (The Penelopiad, 2005) é um livro da escritora canadense Margaret Atwood que, por sinal, atua em mil coisas. Essa mulher é romancista, poetisa, contista e ensaísta e ganhou o Prêmio Arthur C. Clarke e o Prémio Príncipe das Astúrias na categoria “letras”.

Para localizar quem ainda não sabe quem é essa escritora MARAVILHOSA, lembra do livro Conto da Aia (The Handmaid’s Tale) que inspirou a série? Então queridas, foi Margaret Atwood quem escreveu.

O foco de minha indicação é a trajetória de Penélope, esposa de Ulisses (Odisseu). O livro é narrado por Penélope depois de morta, contando fatos de sua vida. Ao mesmo tempo, assombrada pelas doze escravas que a ajudaram a enganar e distrair os homens (pretendentes) que tentavam usurpar o trono de Ulisses e foram enforcadas injustamente.

Margaret Atwood dá voz a Penélope, uma voz que é secundária dentro do clássico de Homero. Ou seja, dá voz a nós mulheres dentro do clássico. Penélope pode ser conhecida parcialmente por sua fidelidade a seu marido, mas enganam-se os que só acham isso, pois Penélope possui todas as características gregas de um herói que são honra (τιμή), virtude (αρετή), glória (κλέος) e é tão divina quanto Ulisses. Penélope é uma heroína da história.

Atwood segue o padrão clássico grego. A narrativa é cantada e declamada pelas Musas, assim a história alterna entre a narrativa de Penélope e o coro das Musas. Nada de melhor que as 12 escravas de Penélope enforcadas por Ulisses e Telêmaco na odisseia homérica como as Musas dessa narrativa certo? Na introdução do livro, Atwood afirma exatamente sua estrutura para contar e porque contar essa história dessa maneira:

“Optei por entregar a narrativa a Penélope e às doze escravas enforcadas. As escravas formam o Coro, que canta e declama, concentrando-se nas duas questões que se destacam numa leitura atenta da Odisséia: o motivo do enforcamento das escravas e o real propósito de Penélope. A maneira como a história é contada na Odisséia não convence, há muitas incoerências. Sempre vivi assombrada pelas escravas enforcadas; em A odisseia de Penélope, ocorre o mesmo com Penélope. ”

Cheia de ironia e classe, Atwood reconta o clássico homérico. Alguns trechos podem não ficar claro para quem não leu a Odisséia de Homero, assim recomendo a leitura dos resumos dos cantos para facilitar sua vida e para uma leitura 100% proveitosa.

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