D.I.U., uma experiência Intra Uterina ♡

Depois do texto sobre o coletor menstrual, fui abordada algumas vezes por migas, comentários e mensagens via foicebook, me questionando sobre o D.I.U.. Acho que é porque nós não ouvimos falar muito sobre esse método anticoncepcional e ele é bom porque é de longo prazo, podendo ser interrompido a qualquer momento. Mas antes de começar a falar sobre o D.I.U., quero deixar clara uma coisita muito importante:

Vou falar sobre a minha experiência com o D.I.U. e migas, nenhuma experiência é universal. Isso você pode levar a todos os campos da vida (dica de miga)! Então não vamos generalizar minha experiência, esse é daqueles casos em que é diferente pra cada pessoa.
 

Contexto Histórico Pessoal

Há quatro anos resolvi conhecer meu corpo sem estar sob o efeito de hormônios, no meu caso eu fazia uso do anticoncepcional oral, vulgo pílula, haha. Pra quem não sabe, a pílula anticoncepcional pode trazer muitos malefícios para o corpo, muitas vezes os médicos nem pedem exames para saber se é seguro que você possa pílula e já prescrevem porque é um dos métodos mais populares. MAS É PERIGOSO e pode baixar significantemente a sua libido, que é nada mais é do que sua vontade de trepar, desculpe meu francês. Além do que, existem alguns medicamentos que se tomados juntos com a pílula, podem enfraquecer seu efeito.

Então, eu pesquisei as minhas opções e resolvi colocar o o D.I.U., vou explicar passo a passo, sigam-me os bons.
 
[separator type="thin"] [infobox maintitle="MINHA EXPERIÊNCIA COM O D.I.U. PARA ESCLARECER ALGUMAS DÚVIDAS" bg="pink" color="black" opacity="on" space="25" link="no link"]  

O que é o D.I.U.?

O D.I.U. (dispositivo intra uterino) é um método anticoncepcional que consiste em colocar dentro do seu útero um pedacinho de 2cm de cobre. Vou colocar uma foto senão vão achar que é uma parada medieval, mas na real parece mais com um bug do matrix. Brincadeirinha! Hahahaha. É em formato de ‘T’, parece mais um pula pula da década de 90. Sim sou velha, próximo tópico.

3

Existe mais de um tipo?

Migas, é o seguinte, existem dois tipo de D.I.U., o que libera hormônio (mais conhecido pela marca Mirena) e o que é só um pedaço de cobre mesmo. O que libera hormônio funciona como um anticoncepcional subcutâneo, ele vai liberando periodicamente pequenas quantidades de hormônio. Muitas mulheres até param de menstruar, mas como esse não era o meu propósito, coloquei o de cobre que não faz nada além de ser um objeto não identificado dentro do seu útero, tornando o ambiente inóspito para o espermatozóide, o fazendo morrer na praia. Muahahaha. Não é abortivo, tá? Só pra esclarecer, o D.I.U. mata os espermatozóides antes de chegaram ao óvulo, apenas. Ah, dado importantíssimo, dura de 5 a 10 anos, podendo tirar no momento em que você quiser.

[caption id="attachment_3591" align="aligncenter" width="371"] (ahã, fala mais) (ahã, fala mais)[/caption]

 

É caro pra colocar?

Olha, quatro anos atrás eu tinha seguro saúde, meu pai pagava e eu fiz num ginecologista gourmet que cobrou bem caro, em torno de 600 reais. Me arrependo de ter colocado nesse cara porque é de graça pelo SUS. Ouvi dizer que alguns planos de saúde cobrem, só é preciso fazer a solicitação, cheque isso no seu plano, se você se interessar.

[caption id="attachment_3594" align="aligncenter" width="285"](não, nem sou rica na real, hahaha) (não, nem sou rica na real, hahaha)[/caption]  

Dói pra colocar?

Dói. Não vou eufemizar aqui não, dói pra caralho, mas é rápido. Sabe quando você bate o dedinho numa quina daí você tem umas mandingas suas pra dor passar? Tipo, pular, passar a mão, gritar de algum jeito bizarro (HUHUHU)? Pois é, não dá pra ~ controlar ~ essa dor. Você fica lá, naquela posição super agradável (só que não), toda arregaçada enquanto colocam algo dentro do seu útero. Mas é rápido, em 5 minutos já está feito. Ouvi dizer que em alguns consultórios que tenham laboratórios, estrutura e são autorizados, podem aplicar anestesia local.

O procedimento é bem simples, primeiro você tem que estar no final da sua menstruação para que o colo do seu útero esteja mais aberto do que o normal. Facilita a colocação. Depois x médicx insere um aplicador e aperta como uma seringa. Como um aplicador de O.B., sabem? E aí ele fica lá dentro do útero com uma cordinha pra dentro do canal vaginal, pra quando você quiser tirar, você ir ao médico mais e ele tira pela cordinha, como um O.B. mesmo. Não, a cordinha não me incomoda, nem sinto ela de nenhuma forma (não, nem transando).

[caption id="attachment_3593" align="aligncenter" width="500"]tá, exagerei na escolha do gif, mas é rápido, prometo ♡ tá, exagerei na escolha do gif, mas é rápido, prometo ♡[/caption]

 

Como é o período de adaptação?

Depois que você sai do consultório, fica uma cólica por alguns dias, mais forte que a normal. Seu corpo está se acostumando com um objeto estranho e é mais que natural que esse processo demore um pouco. Há perigo de inflamar, há possibilidade do corpo rejeitar, pode ser que seja mal colado e precise refazer o procedimento, e por isso é extremamente importante que você converse com x médicx, pra que você tenha confiança e siga as instruções do pós procedimento, que são básicas, mas necessárias. Se eu bem me lembro não pode trepar até tanto tempo (relaxa, última coisa que você vai querer é isso por causa da cólica), não fazer esforço, levantar peso, por uma semana mais ou menos. Você vai sentir o seu corpo recuperar e gradualmente pode voltar sem medo ao seu dia a dia.

Me perguntaram se eu tive crise de abstinência do hormônio. Se eu tive, não reparei, sempre oscilei muito na balança, nunca levei uma vida muito regrada pra perceber algum desequilíbrio nesse sentido.
 

Posso usar O.B. ou coletor menstrual?

Pode e pode. O D.I.U. fica dentro do seu útero, o absorvente interno tanto quanto o coletor ficam no seu canal vaginal, não há (pelo menos não deveria hahaha) muita proximidade entre os dois, ficam em lugares diferentes.
 

Previne DST?

Não, não previne D.S.T. alguma, só inibe a gravidez. O melhor método de prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis continua sendo a camisinha.
 

Posso engravidar depois, se eu quiser?

Pode, sem dúvidas, tanto com o D.I.U. com ou sem hormônio. Não há nenhum impedimento na sua fertilidade, assim que retirou, já é possível engravidar.
 

Quais são os contras?

Olha, meu fluxo aumentou e minha cólica também. Imagina que pra expelir o sangue, o útero se contrai, e com um pedacinho de cobre dentro dele, pode aumentar sim a cólica. Dizem que só no primeiro trimestre, eu digo: não. Aumentou de vez, hahaha. Aumentou meu fluxo também, mas menstruo somente por 4 dias, e dois desses dias é tsunami mesmo, mas meu coletor segura numa bowie.
 

E os prós?

Bom, não engravidei nos últimos 4 anos, não tive que me preocupar nem uma vezinha com isso, não fico a mercê de hormônios, economizei até agora por volta de 2 mil reais e provavelmente vou economizar muito mais até eu decidir tirar.

 

[caption id="attachment_3588" align="aligncenter" width="468"](hue) (hue)[/caption]  
[separator type="thin"]  
Bom gente, é isso. Se quiserem me fazer mais alguma pergunta, podem deixar aí nos comentários que eu respondo se eu souber. Me desculpem pelas imagens toscas, o google images é muito ingrato com esse assunto, hahaha.

O que eu realmente espero é que a indústria farmacêutica libere logo os anticoncepcionais masculinos. Fico triste por terem liberado os femininos ainda com inúmeros efeitos colaterais. Mas como o post é só sobre minha experiência, fico aqui sem mais delongas, beixotas ~ ♡
 

Imagem de capa: Oh Joy Sex Toy, de Erika Moen.

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xereca existencial

“Miga, faz um zininho, eu coloco na minha bancada!”

Foi o que me disse a Elisa, minha BFF no Rio e dona, junto com seu companheiro, da Editora Criatura. Isso faz um ano e meio, a gente se conheceu fazendo um curso aleatório no Parque Lage e ela e o Andrei foram meus primeiros amigos (que eu mesma fiz) no Rio.

 

 
Eles iam expor na Feira Plana em Março de 2014 e fiquei pensando sobre qual assunto eu poderia fazer, afinal, pode tudo! Hahaha, muita liberdade chega até a ser um tanto castrador. Pensei em fazer um zine sobre política, eu já tinha participado de zines durante a faculdade, mas não eram meus, sempre como convidada, escrevendo poesias concretas (risos) e as vezes desenhando.

 

 

Faltando poucos dias para a Elisa partir pra São Paulo, eu ainda não havia começado a fazer o zine. Já tinha um nome, mas não tinha escrito nada, ia chamar A Febre do Rato, em homenagem ao filme brasileiro que é excelente, inclusive se você ainda não tiver assistido, fica a dicona. Criei página no fb, porque sou dessas, adoro colocar o carro na frente dos bois e depois pensei: “vou fazer xerocado mermo”. E da palavra xerocar, eu pensei: “xerecado, xereca!”. E foi nesse momento que eu resolvi fazer o zine xereca, a partir da palavra xerox, para decepção de muites, hahaha!

 

 
Fiz uns desenhos de tudo o que me lembrava xereca e pronto, estava pronto, estava tosco, xerocado, papel a4 dobrado ao meio, xerox zoadona e entreguei os zines pra Elisa já em São Paulo. Eu tinha ido visitar o meu pai (que mora lá) e fui na feira Plana entregar os zines. Estava ficando doente, com a resistência baixa e por isso não fiquei pela feira, fui embora, mas voltaria no dia seguinte pra saber como tinha sido. Cheguei no final da feira, já no melhor momento, a xepa! Elisa me disse que um grupo de meninas feministas tinham visto o zine e queriam falar comigo, fiquei super animada! Elisa apontou onde elas estavam e fui falar com elas, e eu não sabia quem eram, mas me aproximei da Gabi (lovelove6) e perguntei se ela queria falar comigo, a Gabi nem sabia do que eu estava falando, fiquei ultra envergonhada, HAHAHA. Mas no final, juntou uma meninada boa e trocamos nossos zines, eu era virjona dessa galera conhecida (ainda sou), tinha acabado de trocar zines com a lovelove6, magra de ruim, tailor com seu maravilhoso queer horror, as meninas do zine xxx como um todo (Aline, Laura, Morgana, Mazô, Beatriz, isso eu só fui descobrir muito depois).

 
1
 
Um novo mundo estava se desdobrando na minha frente, o mundo das feiras de arte independente, o mundo do feminismo, da militância artística, foi tudo muito novo e engrandecedor e eu tenho tudo a agradecer à Elisa! ♡ – a própria já era uma punkinha desde os 15 anos, já manjava dos paranauês há muito tempo. Apesar de no espírito eu já ser feminista desde adolescente, eu não conhecia nenhum termo, tudo era bem novo pra mim.

 

 
Por causa do xereca, que começou a fazer um sucesso ridículo no facebook (eu atribuo a rapidez ao nome), pude conhecer mulheres fantásticas e comecei a fazer parte de um coletivo de mulheres incríveis, o coletivo Raiotage. Foi com o Raiotage que eu me tornei feminista, aprendi o que é interseccionalismo, fiquei muito amiga da Rosário, rainha da maternagem feminista, bissexual, cangaceira migrante do Piauí/Tocantins, me ajudou a desconstruir muita coisa na base do amor, doía mas doía de leve, hahaha. Havia também a Ingrid, paraense arretada, produtora infalível e divertida demais, namorada da Amanda, primeira pessoa da família dela a fazer faculdade e que nesse momento está brilhando muito estudando engenharia em Berlim pelo Ciências Sem Fronteiras. Hanna, sucesso mundial (piada interna carioca), de Queimados, super desenhista e uma tímida musicista, Micha de Belford Roxo, desenha muito, super fã de Frida e Jodie Foster, Joy que tem uma banda ótima chamada Vivá e é vegana no sentido real da palavra. Um tempo depois fui conhecer a Genice que estava adormecida no grupo mas que fui me tornar muitíssimo amiga e por fim, e propositadamente deixei por fim, a Soso.

 

soso

 

Soso é queen of the tretas na internet, se você conhece a Soso ao vivo você jamais vai identificar a fortaleza online que é essa mulher, hahaha. Com a Soso foi com quem eu mais desconstruí dolorosamente, foi com ela que eu entendi que feminismo não é um clube, não é uma bolha, é política e foi com ela que eu aprendi o real significado de interseccional. Soso é uma mulher negra, lésbica e acho que ela se auto apresentaria também como periférica. Foi com ela que aprendi a importância e urgência do feminismo negro, essa luta que eu sempre vou colocar na frente da minha e apoiar ao máximo, e por isso só tenho a agradecer miga, obrigada.

 

Digna de Bethânia alterar a música para:

‘rainha das treeeeetas, treta boa, treta ruim’

 
Depois de um tempo, entrei numa onda de me fechar, diante de tantas mulheres fodas com seus lugares de fala e protagonismos, achei melhor sair do Raiotage e continuar sozinha, só com a página xereca que agora já nem fala sobre o zine e não o vendo mais online. Já havia realizado duas feiras Piranha (uma feira só de expositoras mulheres), tinha feito um Cine xereca, havia dado palestra no Ministério da Saúde do Rio, estava um pouco cansada de achar que eu tinha uma certa responsabilidade em manter diálogo e querer compartilhar minhas desconstruções. Cada um tem sua hora, se peita o embate e não ouve quem tem lugar de fala, vai ser confrontado de novo em outro espaço de discussão em outro momento, não tem como escapar. O que precisei entender é que não precisava me sentir culpada por isso. Resolvi ir me desligando de todos os grupos feministas dos quais fazia parte e na grande maioria deles o mesmo ponto sempre se cruzava: feminismo branco pedindo sororidade pra feminismo negro, aquela vergonha alheia do caramba, ninguém sabendo conduzir nada (eu inclusive) e tenho certeza que a impessoalidade de ter um computador como intermédio numa discussão piora muito as coisas.

 

Deixo aqui uma ótima trilha sonora para pós tretas

 
Do zine, virou uma página e hoje em dia a página xereca virou uma página de feminismo interseccional que só fornece notícias ótimas, sem nenhum gatilho e acho que vai continuar a ser isso até quando eu cansar de alimentar a página (esse dia não está longe!), hahaha. Recebi um convite da Nina (Ovelha mãe) para fazer parte do grupo das Ovelhas e apesar de nos últimos tempos estar um pouco ausente (faz parte da minha onda de desfechos), é como eu pretendo manter estimulado o meu feminismo. Dividir experiências empiricamente pra quem quiser ler e fazer mais trocas ao vivo, porque online estamos em nossas bolhas e quem realmente precisa, está fora dela.

Os planos são muitos, daqui a pouco a xereca vai pousar em Barcelona e muitas novidades virão, enquanto isso, a última grande feira que xereca vai participar vai ser a Tijuana em SP, em Agosto. Possivelmente vai rolar uma festinha até o final do ano, pra fechar esse ciclo com xereca de ouro. Esse último 1 ano e meio foram de pouca grana, muito amor e se eu pudesse, eu faria tudo de novo. Só tenho a agradecer a todas (e quando eu digo todas, eu quero dizer todas) as pessoas que cruzaram meu caminho nesse tempo, mesmo as que os embates foram calorosos e não findados, especialmente às mulheres.

Nunca escrevi textos pessoais e tenho feito direto aqui na Ovelha. Isso tem sido muito importante pra mim e pela quantidade de mensagens que recebo e comentários positivos acerca dos assuntos abordados, acredito que tenha feito bem à outras pessoas também. Quis compartilhar um pouco dessa história porque em Julho, xereca chegou a 20 mil curtidas no fb e eu acredito que nesses tempos de negatividade política e problematizações doídas, nossas amizades, nossos projetos pessoais ainda possam nos dar um pouco de esperança!
 

Juntxs somos mais fortes!
O futuro da xereca só à deusa pertence. ♡
A-woman. ♀

 
bless

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coletor menstrual, fui abordada algumas vezes por migas, comentários e mensagens via foicebook, me questionando sobre o D.I.U.. Acho que é porque nós não ouvimos falar muito sobre esse método anticoncepcional e ele é bom porque é de longo prazo, podendo ser interrompido a qualquer momento. Mas antes de começar a falar sobre o D.I.U., quero deixar clara uma coisita muito importante:

Vou falar sobre a minha experiência com o D.I.U. e migas, nenhuma experiência é universal. Isso você pode levar a todos os campos da vida (dica de miga)! Então não vamos generalizar minha experiência, esse é daqueles casos em que é diferente pra cada pessoa.
 

Contexto Histórico Pessoal

Há quatro anos resolvi conhecer meu corpo sem estar sob o efeito de hormônios, no meu caso eu fazia uso do anticoncepcional oral, vulgo pílula, haha. Pra quem não sabe, a pílula anticoncepcional pode trazer muitos malefícios para o corpo, muitas vezes os médicos nem pedem exames para saber se é seguro que você possa pílula e já prescrevem porque é um dos métodos mais populares. MAS É PERIGOSO e pode baixar significantemente a sua libido, que é nada mais é do que sua vontade de trepar, desculpe meu francês. Além do que, existem alguns medicamentos que se tomados juntos com a pílula, podem enfraquecer seu efeito.

Então, eu pesquisei as minhas opções e resolvi colocar o o D.I.U., vou explicar passo a passo, sigam-me os bons.
 

 

O que é o D.I.U.?

O D.I.U. (dispositivo intra uterino) é um método anticoncepcional que consiste em colocar dentro do seu útero um pedacinho de 2cm de cobre. Vou colocar uma foto senão vão achar que é uma parada medieval, mas na real parece mais com um bug do matrix. Brincadeirinha! Hahahaha. É em formato de ‘T’, parece mais um pula pula da década de 90. Sim sou velha, próximo tópico.

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Existe mais de um tipo?

Migas, é o seguinte, existem dois tipo de D.I.U., o que libera hormônio (mais conhecido pela marca Mirena) e o que é só um pedaço de cobre mesmo. O que libera hormônio funciona como um anticoncepcional subcutâneo, ele vai liberando periodicamente pequenas quantidades de hormônio. Muitas mulheres até param de menstruar, mas como esse não era o meu propósito, coloquei o de cobre que não faz nada além de ser um objeto não identificado dentro do seu útero, tornando o ambiente inóspito para o espermatozóide, o fazendo morrer na praia. Muahahaha. Não é abortivo, tá? Só pra esclarecer, o D.I.U. mata os espermatozóides antes de chegaram ao óvulo, apenas. Ah, dado importantíssimo, dura de 5 a 10 anos, podendo tirar no momento em que você quiser.

 

É caro pra colocar?

Olha, quatro anos atrás eu tinha seguro saúde, meu pai pagava e eu fiz num ginecologista gourmet que cobrou bem caro, em torno de 600 reais. Me arrependo de ter colocado nesse cara porque é de graça pelo SUS. Ouvi dizer que alguns planos de saúde cobrem, só é preciso fazer a solicitação, cheque isso no seu plano, se você se interessar.

 

Dói pra colocar?

Dói. Não vou eufemizar aqui não, dói pra caralho, mas é rápido. Sabe quando você bate o dedinho numa quina daí você tem umas mandingas suas pra dor passar? Tipo, pular, passar a mão, gritar de algum jeito bizarro (HUHUHU)? Pois é, não dá pra ~ controlar ~ essa dor. Você fica lá, naquela posição super agradável (só que não), toda arregaçada enquanto colocam algo dentro do seu útero. Mas é rápido, em 5 minutos já está feito. Ouvi dizer que em alguns consultórios que tenham laboratórios, estrutura e são autorizados, podem aplicar anestesia local.

O procedimento é bem simples, primeiro você tem que estar no final da sua menstruação para que o colo do seu útero esteja mais aberto do que o normal. Facilita a colocação. Depois x médicx insere um aplicador e aperta como uma seringa. Como um aplicador de O.B., sabem? E aí ele fica lá dentro do útero com uma cordinha pra dentro do canal vaginal, pra quando você quiser tirar, você ir ao médico mais e ele tira pela cordinha, como um O.B. mesmo. Não, a cordinha não me incomoda, nem sinto ela de nenhuma forma (não, nem transando).

 

Como é o período de adaptação?

Depois que você sai do consultório, fica uma cólica por alguns dias, mais forte que a normal. Seu corpo está se acostumando com um objeto estranho e é mais que natural que esse processo demore um pouco. Há perigo de inflamar, há possibilidade do corpo rejeitar, pode ser que seja mal colado e precise refazer o procedimento, e por isso é extremamente importante que você converse com x médicx, pra que você tenha confiança e siga as instruções do pós procedimento, que são básicas, mas necessárias. Se eu bem me lembro não pode trepar até tanto tempo (relaxa, última coisa que você vai querer é isso por causa da cólica), não fazer esforço, levantar peso, por uma semana mais ou menos. Você vai sentir o seu corpo recuperar e gradualmente pode voltar sem medo ao seu dia a dia.

Me perguntaram se eu tive crise de abstinência do hormônio. Se eu tive, não reparei, sempre oscilei muito na balança, nunca levei uma vida muito regrada pra perceber algum desequilíbrio nesse sentido.
 

Posso usar O.B. ou coletor menstrual?

Pode e pode. O D.I.U. fica dentro do seu útero, o absorvente interno tanto quanto o coletor ficam no seu canal vaginal, não há (pelo menos não deveria hahaha) muita proximidade entre os dois, ficam em lugares diferentes.
 

Previne DST?

Não, não previne D.S.T. alguma, só inibe a gravidez. O melhor método de prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis continua sendo a camisinha.
 

Posso engravidar depois, se eu quiser?

Pode, sem dúvidas, tanto com o D.I.U. com ou sem hormônio. Não há nenhum impedimento na sua fertilidade, assim que retirou, já é possível engravidar.
 

Quais são os contras?

Olha, meu fluxo aumentou e minha cólica também. Imagina que pra expelir o sangue, o útero se contrai, e com um pedacinho de cobre dentro dele, pode aumentar sim a cólica. Dizem que só no primeiro trimestre, eu digo: não. Aumentou de vez, hahaha. Aumentou meu fluxo também, mas menstruo somente por 4 dias, e dois desses dias é tsunami mesmo, mas meu coletor segura numa bowie.
 

E os prós?

Bom, não engravidei nos últimos 4 anos, não tive que me preocupar nem uma vezinha com isso, não fico a mercê de hormônios, economizei até agora por volta de 2 mil reais e provavelmente vou economizar muito mais até eu decidir tirar.

 

 

 
Bom gente, é isso. Se quiserem me fazer mais alguma pergunta, podem deixar aí nos comentários que eu respondo se eu souber. Me desculpem pelas imagens toscas, o google images é muito ingrato com esse assunto, hahaha.

O que eu realmente espero é que a indústria farmacêutica libere logo os anticoncepcionais masculinos. Fico triste por terem liberado os femininos ainda com inúmeros efeitos colaterais. Mas como o post é só sobre minha experiência, fico aqui sem mais delongas, beixotas ~ ♡
 

Imagem de capa: Oh Joy Sex Toy, de Erika Moen.

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