Animes para curtir nesse verão

Flip Flappers
Uma seleção de animes atuais feitos por mulheres e/ou com protagonismo feminino

Sem ideia do que assistir de novo nesse início de ano? Montei uma pequena lista de recomendações de animes que saíram do forno em 2016 e são uma delícia de assistir.
 
[caption id="attachment_13238" align="alignnone" width="700"] O que eu quero fazer nesse verão (Tanaka-kun wa Itsumo Kedaruge)[/caption]

 
Como critério escolhi animações que ou foram baseados em obras feitas por mulheres, ou tem força criativa feminina por trás dos holofotes, ou tem um bom núcleo de protagonistas mulheres. São obras que podem ter passado despercebidas pelos fãs por causa da quantidade enorme de lançamentos que temos todo ano, e por isso mesmo que esses animes merecem mais carinho e atenção. 

 

Amaama to Inazuma

Episódios: 12

O professor Kohei tornou-se viúvo há poucos meses e agora cuida sozinho de sua filha pequena Tsumugi. Por um acaso do destino, ele acaba recebendo aulas de culinária de Kotori, uma de suas estudantes. Nenhum deles sabe cozinhar tão bem assim, mas juntos procuram criar os pratos mais saborosos possíveis.

Baseado no mangá da Amagakure Gido, essa história é ótima para quem adora comida. Agradeço todo os dias ao Japão por ter criado quadrinhos sobre culinária. É cada prato maravilhoso que deixa babando. Um outro destaque seriam as breves reflexões sobre os papéis de gênero através das dificuldades que Kouhei enfrenta para criar sozinho de Tsumugi e a solidão de Kotori, filha de mãe solteira.

O dia a dia de Tsumugi é intercalado com os pratos que o pai se dedica a aprender e as receitas são bem explicadinhas. Dá para aprender a preparar alguns pratos enquanto assiste! Se você é como eu que vive assistindo vídeo de culinária no Youtube, dê uma conferida nesse anime. 

 

Flying Witch

Episódios: 12

Makoto Kowata é uma jovem bruxa que acaba se mudar para o interior junto com seu gato Chito. Acompanhamos o dia a dia da adolescente e todas as pequenas aventuras mágicas que acontecem com ela e sua família.

Esse anime é o que podemos classificar como Iyashikei (que vem da palavra japonesa para ‘cura’), obras que acabam criando uma sensação de relaxamento ou até mesmo ‘efeito curativo’. Assistir Flying Witch tem a mesma sensação de uma brisa fresca num dia de verão. Sem grande reviravoltas, dramas intermináveis ou mortes inesperadas, o dia a dia de Makoto pode ser interessante, divertido ou hilário. Algumas piadas simples me fizeram rolar de rir.

 

Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu

Episódios: 12 (primeira temporada)

Um homem é libertado da prisão e quer se tornar aprendiz de rakugo, uma forma japonesa tradicional de contar histórias. Seu mestre Yakumo o apelida de Yotarou (tolo), mas o aceita como aluno. Conheça as histórias trágicas desses artistas enquanto tentam salvar uma arte antiga ameaçada pelas mudanças no Japão moderno.

Já esse aqui recomendo para as pessoas que adoram dramas históricos. Ou tragédias que vão pisar no seu coração. Baseado no mangá premiado de Kumota Haruko, Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu é, sem exageros, um dos melhores animes dos últimos tempos. Assistimos o desenrolar da vida desses personagens, vendo os anos passarem enquanto seus sonhos e anseios e desejos são pisoteados pelas expectativas da sociedade. Temas como papéis de gênero, sexualidade, angústia, amores perdidos, o lugar da arte estão enraizados em cada cena desse anime.  

E essa maravilha ainda teve a sorte de ter uma segunda temporada que começou a ser exibida agorinha no início de 2017.

 

Yuri!!! on Ice

Episódios: 12

Yuri Katsuki é um patinador profissional de 23 anos que acaba de ficar em último lugar na final do GrandPrix. Com dúvidas sobre o que fazer com sua carreira, volta para a casa dos pais na sua cidade natal e continua a treinar apenas por hábito. Até que um dia um vídeo dele patinando se torna viral e o seu ídolo, o pentacampeão mundial Victor Nikiforov, aparece na sua porta e decide ser seu treinador!?

Sendo um dos animes mais populares de 2016, é possível que você já tenha ouvido desse aqui. E eu vou ser mais uma a recomendar Yuri!!! on Ice porque adorei essa história com todas as minhas forças e foi um dos mais divertidos que assisti recentemente. Eu já tenho um fraco por animes de esporte, que podem parecer algo estranho caso sua única referência seja Super Campeões (Captain Tsubasa), e essa animação é o projeto dos sonhos da diretora Sayo Yamamoto, que já mencionei antes aqui no Ovelha, da qual sou mega fã.

As qualidades desse anime são muitas: um grupo diversos de personagens de múltiplas nacionalidades que não seguem estereótipos, representações realistas de ansiedade, um romance que te faz suspirar/gritar/chorar. É umas daquelas histórias que você sente que foi feita com muito amor por todos os envolvidos.  

 

Oshiete! Galko-chan

Episódios: 12

Galko, Ojou e Otako são três meninas totalmente diferente umas das outras e que tem uma amizade inseparável. E que adoram conversar sobre qualquer coisa.

Poderia resumir esse aqui como “conversas idiotas que você teve no ensino médio, mas nega com todas as suas forças”. O destaque aqui vai para a diversidade de tipos corporais tanto femininos quanto masculinos – a menina mais gorda da turma é a mais atlética, por exemplo – e pelas meninas conversarem sobre de tudo mesmo! Cada episódio abre com alguma pergunta bem besta e as conversas podem ou não partir daí. Chega a ser refrescante ver personagens femininas falando francamente de coisas como prisão de ventre, menstruação ou a qualidade do papel higiênico. Os episódios são bem curtinhos, 7 minutos cada, então dá pra ver tudo numa tarde sem problemas.

 

Flip Flappers

Episódios: 13

A tímida Cocona acaba viajando junto com a animada Papika para outras dimensões onde sonho e realidade nem sempre são que parecem.

Essa recomendação guardei para o final justamente porque não tinha certeza se deveria colocar ou não. Flip Flappers é um anime visualmente fantástico e que não explica muita coisa com todas as palavras. Uma história disfarçada sobre garotas mágicas e ficção científica para falar sobre a descoberta da sexualidade de Cocona e seu amor por Papika. Porém, ele contém uma quantidade de fanservice que incomoda, mesmo que não seja muito se comparado a média. É esse grande defeito que me impede de recomendar Flip Flappers com todo meu coração, mas decidi deixá-lo aqui na lista para quem ficou curiosa mesmo assim.
 
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Gostaram das recomendações? Todos esses animes estão disponíveis legalmente aqui no Brasil pelo Crunchyroll ;)

 

Mais de Patrícia Machado

As diretoras que vão salvar os animes

Tem gente que gosta de dizer que os desenhos japoneses não são mais como antigamente, que não se faz mais nada de bom e etc. Na verdade, nunca existiu época melhor para ser fã de animação japonesa. Mais animes estão sendo lançados do que nunca antes, criando oportunidades para experimentar e inovar.

Nesse contexto, como ficam as mulheres? Já sabemos que elas são um público consumidor muito forte no território japonês, e são capazes de salvar franquias inteiras. Mas e as que trabalham com animes?

A indústria da animação japonesa, assim como maior parte do mercado de trabalho japonês, é dominado por homens. Mesmo que tenham existido mulheres trabalhando com animes desde os anos 50/60 como Reiko Okuyama — em obras como O Túmulo dos Vagalumes e Mazinger Z — Nakamura KazukoPrincesa e o Cavaleiro (Ribon no Kishi) e Hakujaden, o primeiro desenho animado colorido do Japão–, são poucas as que estiveram em cargos de chefia criativa, como direção e roteiro.

Chegamos ao absurdo de, durante uma entrevista ao The Guardian, o ex-produtor do estúdio Ghibli — conhecido por filmes como “Meu Amigo Totoro” (1988) e “A Viagem de Chihiro”(2001) –, Yoshiaki Nishimura, afirmar que mulheres não poderiam dirigir filmes dependendo do tipo de história. “Mulheres tendem a ser mais realistas e lidam melhor com o cotidiano. Homens, por outro lado, tendem a ser mais idealistas – e filmes de fantasia precisam de uma abordagem idealista. Eu não acho que é apenas coincidência que homens sejam escolhidos”. Após críticas, ele desculpou-se publicamente.

Sabe, eu também não acho que seja apenas coincidência que os escolhidos para cargos de chefia sejam quase sempre homens.

No entanto, com o surgimento uma nova geração de artistas, várias mulheres entraram na indústria e criaram alguns dos animes mais interessantes dos últimos tempos. Inclusive temos várias delas dirigindo séries que estão saindo agora no Japão. São diretoras que devem ficar no radar de qualquer fã de animação. Vamos falar de algumas delas ;)

 

Sayo Yamamoto

Apesar de ter dirigido poucos animes, ela já conseguiu deixar sua marca, produzindo séries para o público feminino adulto. A sua estreia como diretora foi Michiko to Hatchin (2008), uma história sobre uma dupla de mulheres – a fugitiva Michiko e a órfã Hatchin – em uma viagem por um Brasil fictício para encontrar um homem misterioso. Detalhe que quase todo o núcleo de personagens principais são negras, algo muito raro quando se trata de animes.

O seu segundo trabalho foi Lupin III – The Woman Called Fujiko Mine (2012), uma releitura feminista sobre a Femme Fatale de uma das franquias de animação mais consagradas do Japão. O papel da mulher na sociedade e seus dilemas são tema comum nas suas obras, combinado a um estilo de direção que transborda elementos pop, com um erotismo que não costuma se ver na televisão.

Yamamoto já trabalhou com storyboard, design, roteiro e dirigiu aberturas e episódios de animes de peso como Samurai Champloo, Psycho Pass e Space☆Dandy. Com um currículo de causar inveja, suas participações vão de Death Note, a Attack on Titan até o filme Evangelion: 2.0 You Can (Not) Advance.

Segundo a própria diretora, suas especialidades são erótica e comédia. Dois elementos que são a alma do seu trabalho atual: o belíssimo Yuri!!! On Ice. Um anime sobre patinação no gelo que já é considerado um dos melhores de 2016. Recomendadíssimo.

 

Rie Matsumoto

Uma mulher ser diretora de três animes antes dos trinta anos de idade já é um feito impressionante por si só. O primeiro trabalho de direção foi o filme de Heartcatch Precure!, de uma das maiores franquias de garotas mágicas do Japão, quando tinha apenas 25 anos. Em 2011, dirigiu e escreveu Kyousougiga, hoje um cult, onde ela apresentou pela primeira vez seu estilo de direção vibrante e altamente estilizado. Em 2015, Matsumoto foi responsável pela adaptação de Kekkai Sensen, que foi um sucesso de público.

Eu sou fã da maneira como ela conduz histórias que são, acima de tudo, incrivelmente divertidas. Se você não tem medo de ver algo diferente, os trabalhos dela são a indicação perfeita. Kekkai Sensen, inclusive, é um dos meus animes favoritos de todos os tempos.

 

Naoko Yamada

Uma das mais novas do estúdio Kyoto Animation, mas que já tem no currículo a direção de um dos animes mais influentes do século: K-ON!. Junto com Tamako Love Story, Yamada consagrou-se como uma diretora que consegue captar a beleza do cotidiano como poucos, além de uma atenção ao detalhe que impressiona.

 

Mitsue Yamazaki

Diretora recém chegada, seu primeiro trabalho foi Hakkenden, em 2013. Porém, começou a chamar atenção com a adaptação da comédia romântica Gekkan Shoujo Nozaki-kun, um dos animes mais engraçados de 2014. Além disso, trabalhou no aclamado Mawaru Penguindrum.

Atualmente é diretora do clichê, mas belíssimo, Magic-kyun! Renaissance.

 

Soubi Yamamoto

Destaque no campo da produção independente, Soubi Yamamoto produziu quase que sozinha todos os seus animes. Suas histórias têm grande influência do gênero Boys Love, os romances homossexuais masculinos, e usam uma mistura curiosa entre texto e imagem. Meu favorito dela é Kono Danshi, Ningyo Hiroimashita que é sobre um garoto que se apaixona por um ‘sereio’. Seu mais recente trabalho foi a minissérie de quatro episódios Kono Danshi, Mahou ga Oshigoto Desu, que conta um romance com um mágico workholic.

 

Atsuko Ishizuka

A história dela é um caso incomum, porque Atsuko não via animes quando era criança e hoje é uma das diretoras mais respeitadas da indústria. Ela planejava entrar no ramo da música, mas um curta metragem chamou a atenção do estúdio Madhouse. Desde então ela já trabalhou como diretora assistente em Nana, dirigiu Hanayamata, Chihayafuru, e No Game No Life. O seu trabalho mais recente como diretora foi a adaptação de Prince of Stride: Alternative (2016).

 

Noriko Takao

Mais uma que também começou a carreira na Kyoto Animation, fazendo cenas para Inuyasha, Clannad, Suzumiya Haruhi no Yuutsu, entre outros. Sua estreia como diretora foi o divertidíssimo Saint☆Oniisan, que conta o dia a dia de Jesus e Budda morando em um apartamento em Tóquio. O anime mais recente que dirigiu foi a segunda temporada de The iDOLM@STER Cinderella Girls.

 

Kotomi Deai

Gosto de falar que essa diretora ainda vai criar um anime que eu vou amar. Ela estreou como diretora com a segunda temporada de Gin no Saji, e antes disso animou episódios de Michiko to Hatchin, Kimi ni Todoke e Tonari no Kaibutsu-kun. O primeiro anime original do qual foi responsável foi Rolling☆Girls, que é lindamente animado com sequências de luta de tirar o fôlego, mas uma confusão em termos de roteiro. Mal posso esperar pelo dia que ela terá total liberdade criativa de novo.

Atualmente está dirigindo a quinta temporada de Natsume Yuujinchou Go.

 

Hiroko Utsumi

Uma das jovens talentosas formadas pelo estúdio Kyoto Animation (ou KyoAni, como é chamado). Seus únicos trabalhos como diretora foram Free!, e a continuação Free!: Eternal Summer, um anime de esporte sobre um grupo de nadadores no ensino médio. Essa diretora sem querer atraiu a raiva de muitos homens fãs de anime.

Um pouco de contexto: a KyoAni é conhecida por produzir animes com personagens femininas jovens e adoráveis que os otakus adoram. Free! foi a primeira tentativa do estúdio de fazer algo diretamente voltado para o público feminino. E, para o desgosto de muito marmanjo, a animação foi um sucesso de vendas e mal posso esperar por mais trabalhos dela.

 

Yoshimura Ai

Qualquer pessoa que tenha trabalhado em Gintama – um dos melhores animes de comédia de todos os tempos – ganha meu selo de confiança. Como diretora, já conseguiu adaptar hits como o romance escolar Ao Haru Ride e o interessante Yahari Ore no Seishun Love Comedy wa Machigatteiru (eita nome grande…). Seu primeiro trabalho original foi o (duvidoso) Dance with Devils.  Seu mais recente trabalho foi Cheer Danshi!, baseado na história real de um grupo masculino de líderes de torcida.

 

E aí, gostaram? Vários dos animes mencionados estão disponíveis no Crunchyroll ou Netflix. Confira a lista: Yuri!!! On Ice, Kyousougiga, Hakkenden – Touhou Hakken Ibun, Gekkan Shoujo Nozaki-kun, Magic-kyun! Renaissance, Kono Danshi, Mahou ga Oshigoto Desu, Hanayamata, Chihayafuru, No Game No Life, Gin no Saji, Tonari no Kaibutsu-kun, Natsume Yuujinchou, Free!, Gintama

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